21 outubro 2020

A ciência de uma amizade verdadeira - Por: Emerson Monteiro


Dia desses, recebi pelas redes sociais um vídeo onde contavam a história de dois amigos cuja existência os levaria aos campos de batalha e, num mesmo contingente, poderem seguir juntos e enfrentar as intempéries de guerra cruel, qual cruel são todas as guerras.

Nisso, os dias foram passando sempre a defrontar as agruras do conflito, quando numa das piores situações vividas pelo seu exército, se perderam ou do outro. Exausto e só, já no acampamento, enquanto repassavam o efetivo da tropa, um deles notou a ausência do outro, e entrou em aflição. Buscou o comando e solicitou ir ao front, no sítio da encarniçada luta, à busca do inseparável parceiro.
Os oficiais argumentaram, no entanto, que a atitude no mínimo seria temerária e, decerto, o amigo havia de ter sucumbido nas violentas escaramuças do trágico dia. Mesmo assim, por mais argumentos que ouvisse, o soldado insistiu até obter autorização de retornar aonde combateram naquela ocasião.

Transcorridas longas horas, no meio da escuridão da noite, lá que o moço regressa trazendo às costas o corpo sem vida do amigo morto na contenda. Ao encontrar os responsáveis pela tropa, estes foram logo confirmando o que disseram, que de nada adiantaria tanto esforço de voltar ao campo da batalha, conquanto o soldado ali apenas restasse morto.

O amigo, porém, reconhecido pela chance que tivera de cumprir aquela missão, entre lágrimas e com um leve sorriso no rosto, responderia:

- Sim; mas quando cheguei junto dele ainda respirava e, consciente, me olhou agradecido e falou: - Eu sabia que você vinha à minha procura e, por isso, resisti até agora, para, em seguida, fechar os olhos e desfalecer silenciosamente.