13 setembro 2020

O Almirante Cochrane e os índios Cariris– por Armando Lopes Rafael


    O maior elogio feito aos índios Cariris, que eu conheço, veio de Lord Cochrane, Almirante da Marinha Real Britânica, nobre escocês, herói nacional do Reino Unido e considerado “O maior herói naval da Escócia”. Existe na sua terra natal, um busto dele para lembrar sua epopeia nas guerras contra Napoleão Bonaparte. Este chamava o Almirante inglês de “Loup de Mer” (Lobo do Mar).

    Visionário, Lord Thomas Alexander Cochrane (este seu nome completo) atuou também na América Latina e passou à história do Chile, Argentina, Brasil e Venezuela. Neste último país, Lorde Cochrane auxiliou Simon Bolívar na Independência venezuelana. Em 1817, prestou serviços aos generais Bernardo O’Higgins e San Martin e às forças independentistas chileno-argentinas, como comandante de esquadra.

      Em 1823, Cochrane já estava no Brasil. Convidado pelo Imperador Dom Pedro I, Cochrane iniciou seus trabalhos para consolidar a independência do Brasil, após o Decreto Imperial de 21 de março de 1823, que lhe conferiu a patente – única na história naval brasileira – de Primeiro-Almirante. Sua missão: debelar pequenos focos de resistência à independência do Brasil. Desnecessário dizer que se houve bem na missão que lhe foi confiada pelo Imperador Dom Pedro I.

     Registra a história que em 1824, Lorde Cochrane também contribuiu para sufocar a Confederação do Equador, movimento republicano nascido em Pernambuco, que teve desdobramentos no Ceará. O bloqueio da cidade de Recife foi feito por Lorde Cochrane. Ele foi impiedoso nos seguidos bombardeios à capital pernambucana, deixando a população civil sem gêneros alimentícios, sem remédios e sem munição. Após a capitulação de Pernambuco, Lord Cochrane passou-se ao Ceará, onde foi igualmente vitorioso.

     O historiador J.de Figueiredo Filho, no 1º volume da sua História do Cariri, – na página 10 – reproduz um texto de relatório do Lorde Cochrane, no qual elogia os índios Cariris, seus aliados na luta contra os insurgentes da Confederação do Equador, no Ceará. A conferir.

“Os chefes indianos (ou seja, os caciques dos Cariris), assim com a gente que desses dependia, foram de grande préstimo na restauração da ordem, combinando robustez corporal superior com atividade, energia, docilidade e força de aturar que nunca falhava – formando, com efeito, os melhores padrões da raça que eu vira na América Latina”.

A crônica do domingo

As fitas verdes da Imperatriz

   O então Príncipe Dom Pedro de Alcântara – nosso futuro Imperador Dom Pedro I – lançou, na colina do Ipiranga, o famoso grito que fez do Brasil independente. Dias depois, nos salões completamente cheios do Paço de São Cristóvão, reclamava Sua Majestade que lhe trouxessem fitas verdes, pois queria que todos usassem o laço das cores representativas do Brasil livre. Vendo que ainda faltam alguns distintivos, virou-se alegremente para a Imperatriz Dona Leopoldina, perguntando-lhe:
   – Não haverá mais fitas verdes no Paço?

   Sorrindo, a esposa disse-lhe que não, mas, ainda assim dirigiu-se aos seus aposentos, para mais uma busca. Abriu e remexeu em quantas gavetas encontrou, mas nada de fitas verdes. Já desanimava, e se dispunha a voltar ao salão com as mãos vazias, quando os olhos caíram sobre sua cama, cujas fronhas ostentavam, a correr pelos ilhoses de bordado, fitas da cor procurada. Não se deteve a pensar; arrancou todas as fitas e voltou ao salão, ruborizada e feliz, para distribuir os distintivos. Em seu entusiasmo, chegou a exclamar:
– Não havia mais fitas, mas arranquei as dos travesseiros de minha cama!


   Imediatamente, sentindo o silêncio que se fizera, Sua Alteza corou. Viu que ninguém se sentia digno o suficiente da honra daqueles distintivos. No meio da indecisão, o primeiro a dar um passo à frente foi Embaixador Antônio de Menezes Vasconcelos Drummond. A Princesa Dona Leopoldina lhe estendeu a mão que segurava um laço verde, e sobre aquela mão e aquele braço, o Embaixador inclinou sua cabeça de patriota e beijou os dedos da nobre dama, agradecendo-lhe a honra:
– Obrigado, Majestade!

   Foi aquela a primeiríssima vez, após a Independência, que alguém lhe dava o tratamento de Majestade, reconhecendo-a como Imperatriz do Brasil.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria de Leopoldo Bibiano Xavier).
Publicação original: Face Book Pró Monarquia