12 setembro 2020

As andorinhas dos fins de tarde - Por: Emerson Monteiro

 


Nasci numa fazenda (o Tatu) no município cearense de Lavras da Mangabeira. Próximo da casa de meus pais havia uma capela em volta da qual, aos finais das tardes, acorriam bandos de andorinhas em dança festiva a formar coreografia insistente que envolvia o escurecer num ritual misterioso, nuvens mágicas das aves em chilrei que, ainda hoje, ecoa pelos corredores da minha memória. Lembro como sendo vivência recente a observar admirado os volteis aéreos dos pequenos pássaros na sua escrita primorosa dos céus quase escuros. As calçadas em volta eram de tijolo nu bem no tom avermelhado dos barros do sertão, de cujos espaços vazios cresciam pés de carro santo, planta de verde musgo e folhas espinhentas. Sentado nos batentes da pequena igreja, contemplava essa paisagem do poente aonde o Sol descia com reflexos derradeiros sobre as águas do Riacho do Meio, lá embaixo logo depois dos canaviais do brejo.

Recordo essas cenas muitas vezes no decorrer dos dias. Sem nenhuma intenção, me vejo, de novo, nos entremeios da memória secundária que nos acompanha toda hora, a presenciar a pureza rara dos entardeceres daquelas calçadas da igrejinha. Ali de junto havia, também, um sombreado fícus benjamim, o chiqueiro das ovelhas, defronte às pedras de antiga construção que se perdera no tempo e, vizinho, a casa de Seu João Preto, o morador responsável pela criação.

Assim, involuntariamente, de comum, ao reviver esses retalhos de passado distante, vêm de junto histórias guardadas sob os refolhos de mim mesmo, a pedir atenção, e que termino por narrar pouco a pouco no desejo insistente de procurar o nexo de tudo isso que chamam existir.

Vejo essas percepções, também, ao escutar algumas músicas que trazem de volta lembranças bucólicas de vidas sertanejas dos compositores e poetas, matéria prima dos sonhos da infância de quando viveram as doçuras dos rincões interioranos, o que lhes acompanha vidas inteiras.

Vem aí o XXX Encontro Monárquico Nacional



Caros monarquistas,

Temos a grande satisfação de enfim poder anunciar que muito em breve será realizada a edição de 2020 do evento que anualmente congrega veteranos e jovens monarquistas de todo o Brasil.

Sob o leitmotiv “Tradição vs. Nova Ordem Mundial”, o XXX Encontro Monárquico Nacional – outrora previsto para o início do mês de junho – será realizado, excepcionalmente este ano, em formato de videoconferência, face à pandemia do novo coronavírus e em respeito às medidas de distanciamento social em vigor em todo o nosso País.

Também serão celebradas, em São Paulo e no Rio de Janeiro, Missas em Ação de Graças pelo 82º aniversário natalício de Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil.

As datas de realização de cada um dos atos, a programação detalhada das conferências do Encontro e o formulário de inscrição serão disponibilizados oportunamente.
Na grata expectativa desse tradicional e vivificante reencontro, cordialmente nos subscrevemos.

Saudações monárquicas,
Pró Monarquia / Secretariado da Casa Imperial do Brasil


Sacerdotes Católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

 Padre Frederico Nierhoff

   Nascido em Gelsenkirchen, Alemanha, em 26 de janeiro de 1916, Padre Frederico foi o oitavo filho de um casal profundamente católico: Hermann e Adolfina Nierhoff. Iniciou ele seus estudos teológicos em Oberhundem, transferindo-se depois para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Ainda estudante de Teologia – curso feito na Congregação dos Missionários da Sagrada Família –  devido às incertezas da Segunda Guerra Mundial, o seminarista Frederico Nierhoff deixou a Alemanha, em 7 de março de 1938, com destino ao Brasil. Aqui  onde deu continuidade aos seus estudos, na cidade de Recife. Lá foi ordenado sacerdote, no dia 1º de maio de 1941. 

    Antes de residir em Crato, Padre Frederico Nierhoff exerceu atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX (no Piauí), Saboeiro, Arneirós e Aiuaba (no Ceará). Em Crato, além de suas atividades no âmbito sacerdotal, Padre Frederico construiu escolas, postos de saúde e capelas, na zona rural, na então vasta Paróquia de São Vicente Ferrer. Era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. 

   

Padre Frederico Nierhoff foi figura proeminente na cidade de Crato. Quando assumiu a Paróquia de São Vicente Ferrer – em 1948 – como segundo vigário, a igreja-matriz tinha proporções pequenas e acanhadas. Nos 20 anos em que administrou aquela paróquia (1948-1968), comprou imóveis vizinhos ao templo e ampliou a igreja. Também a casa paroquial foi remodelada e ampliada, possuindo um auditório, além de  ampla área anexa, destinada às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Construiu a Capela de São Miguel Arcanjo, hoje igreja-matriz da paróquia do mesmo nome.

    Deve-se, ainda, ao Padre Frederico a construção de um conjunto habitacional para pequenos agricultores do Sítio Malhada, zona rural de Crato.  Este conjunto recebeu o nome da mãe daquele sacerdote, Adolfina Nierhoff. Ainda hoje a comunidade do Sítio Malhada serve de modelo de assentamento rural com geração de emprego e renda.

     Nos anos 40 e 50 do século passado, o Cariri cearense era conhecido no Brasil como um dos maiores focos de tracoma, infecção que afeta os olhos e, se não for tratada, pode causar cicatrizes nas pálpebras e cegueira. Padre Frederico selecionou voluntários da zona rural de sua paróquia, para ajudar a "Campanha Federal Contra o Tracoma", iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública. No início da década 60, essa moléstia tinha sido erradicada da zona rural do município de Crato.

    Tão logo chegou a Crato, Padre Frederico sentiu a importância do Lameiro como um local privilegiado, dotado de qualidade de vida e vocacionado ao lazer. Ali adquiriu um pequeno lote e denominou-o “Granja Betânia”. A partir da sua iniciativa, muitos cratenses começaram a comprar terrenos no Lameiro, construindo ali casas e bicas de banho, utilizadas geralmente nos fins de semana e feriados.

    Desgostoso com a redução da Paróquia de São Vicente Ferrer a um território de poucos quarteirões, no centro de Crato, Padre Frederico desligou-se, em 1969, da diocese de Crato e foi ser vigário de Custódia (Pernambuco).  Dali saiu para ser pároco e Vigário-Geral da diocese de Floresta (PE), onde, no dia 31 de outubro de 1975, sofreu um enfarte, enquanto dirigia um carro. Este, desgovernado, capotou ocasionando a morte do Padre Frederico. Sua repentina e inesperada morte foi muito lamentada em Crato, onde o Padre Frederico trabalhou com dedicação e carinho, junto aos mais necessitados e onde possuía muitos amigos.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael