29 agosto 2020

Nascemos para vencer – por José Luís Lira (*)



     Nosso amado Mons. Sadoc de Araújo costumava dizer que querer já era 50%, ou seja, a metade. A outra metade dependia de nós e dos outros, mas, a metade primeira era de nossa responsabilidade. Fim de semana passado duas cenas me comoveram e me fizeram refletir sobre isso. Em mensagem de agradecimento de Dom Jeová Elias Ferreira, novo Bispo da histórica Diocese de Goiás, após sua sagração episcopal. Natural de Sobral, pertencente ao clero de Brasília, ele narrou sua trajetória desde o Ceará à Capital do País, como verdadeiro migrante. Há quase 29 anos, aos 30 anos, ele era ordenado sacerdote naquela mesma Catedral. Dizia que viveu uma perturbação como Maria, quando foi chamado ao episcopado, mas, aos poucos, acalmou o coração e experimentou, mais uma vez, a alegria de servir à Igreja.

     Recordando sua trajetória marcada com a proximidade com os que mais sofrem, Sua Excelência afirmava que foi forçado a migrar do Ceará, “perambulando” por muitos locais, chegando à Capital, levando saudades e esperanças. Seu primeiro trabalho foi uma “grande escola de humanidade e de fé”, servente de pedreiros, entre outras atividades que exerceu, como as de agricultor. Naquele dia, o Senhor Jesus Cristo o premiou. Tornara-se Príncipe da Igreja e nós vemos n’ele o exemplo de superação. Parabéns, Dom Jeová, por sua simplicidade em dizer sua história pessoal em momento tão solene. Que Deus o mantenha firme em seus propósitos na divulgação da mensagem salvífica de Jesus Cristo.

      No mesmo dia, em noticiário, observei funcionário do Município de São Paulo que atendia a moradores em situação de rua. Aquele foi um dos fins de semana mais frios da principal metrópole brasileira. O trabalho do cidadão que não consegui guardar o nome e, que talvez mesmo sabendo, não divulgasse aqui por questões éticas, dizia que um dia também esteve nas ruas. Numa matéria de poucos minutos não daria para se informar as causas, o que o levara a tal situação. Mas, ele deu a volta por cima. Não se envergonhou e voltou ali para convencer os cidadãos que ali estavam a irem para abrigos, distribuía cobertores e sua ação me lembrou o Evangelho de Mateus (25,31-46), “Vinde, benditos do meu Pai, recebei em herança o Reino que foi preparado para vós... porque eu tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber; eu era estrangeiro e me acolhestes”...

     E quantos foram os gestos de fraternidade e amor ao próximo que vimos nesse período de pandemia? Lembro-me aqui das ações de Dom Orani Tempesta, no Rio de Janeiro. Em seu último aniversário, em junho passado, a nossa amada Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém presenteou a Sua Eminência com cobertores que foram distribuídos com moradores em situação de rua. Ao agradecer, dizia o Cardeal que aqueles cobertores estavam chegando em boa-hora, pois, se aproximava o frio.

     Nosso texto de hoje está reflexivo e registra essas superações. Resta-nos agradecer a Deus pelos benefícios que Ele nos concede e fazer a nossa parte, pois, lembrando nosso imortal Mons. Sadoc, homem sábio que dedicou sua vida à educação e à Igreja e se constitui exemplo em seu sacerdócio, querer já é a metade.

      Que o Senhor nosso Deus nos dê forças e nos premie com o fim dessa pandemia, mas, não esqueçamos de fazer a nossa parte!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.