27 agosto 2020

A imagem centenária da Imperatriz e Padroeira de Crato


    A atual imagem de Nossa Senhora da Penha, ora venerada no altar-mor da nossa Catedral, foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, tendo sido aqui recepcionada em 1921. Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que ela “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: Luneta de Ouro, Rio, 1920, comprovando que ela foi adquirida através da famosa loja de esculturas religiosas localizada na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

     Uma curiosidade: quando da chegada da nova imagem houve fortes e ostensivas reações de segmentos da comunidade cratense que não queriam a substituição da antiga estátua da padroeira(a segunda, chamada de Imagem Histórica)  pela nova, a adquirida por Dom Quintino. A prudência deste fê-lo retardar a entronização da nova imagem na igreja-mãe da diocese. Dom Quintino faleceu em 1929 sem colocar a nova representação de Nossa Senhora da Penha na Sé Catedral de Crato. O segundo bispo da diocese, Dom Francisco de Assis Pires, assumiu o cargo em 1932, mas aguardou  mais sete anos para entronizar a terceira imagem da Imperatriz e Padroeira dos cratenses.

    Durante 17 anos a estátua permaneceu guardada,no interior da Sé. Sobre ela escreveu Monsenhor Rubens: “De tamanho bem maior que o natural, (mede 1,93m,esculpida em madeira) em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão Vela, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora.

    Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor (por Dom Francisco de Assis Pires, sob o projeto do escultor Agostino Balmes Odisio)  colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato.

     No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

SÍTIO DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICIPIO DE CRATO PODERÁ DESPARECER

(MATÉRIA PUBLICADA EM 25/08/2020)

   A se confirmar rumores, circulantes na cidade, uma propriedade rural que se constitui numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), existente no Sítio Cobras, zona rural de Crato poderá desaparecer.

    Existe naquela localidade, localizada próxima à fronteira de Crato-Juazeiro do Norte, uma propriedade que preserva a fauna e a flora daquela região.  Além da proibição de desmatamento, o proprietário daquele sítio mantém lá um plano de reflorestamento e conservação de espécimes de arvores centenárias. Preservam-se aves e pássaros, hoje raros na zona rural do Cariri. 

      Não conseguimos apurar maiores detalhes sobre esses rumores. No entanto, o que se comenta é que o sítio vai ser desapropriado para lá ser construída uma subestação da rede elétrica na Região Metropolitana do Cariri. A se confirmar tais rumores, os prejuízos para a preservação ecológica e manutenção da beleza cênica daquela localidade sofrerá danos irreversíveis.

        Urge que todos os segmentos da sociedade caririense se movimentem com vistas a apurar a veracidade desses rumores. E estes, se confirmados, devem motivar a mobilização de toda a sociedade para evitar esse dano irreparável ao meio ambiente da nossa região.



PS em 27 de agosto de 2020:

O Sr. Fernando Callou, enviou-nos a mensagem abaixo:

“Não são rumores, Armando Rafael. Este santuário ecológico em reserva legal, está em processo de desapropriação, onde será instalada uma “poluente” sub estação de energia elétrica, que causará danos irreversíveis ao meio ambiente.
Seu artigo chegou em boa hora! Vamos lutar para que o oxigênio produzido por essa reserva legal, não nos falte. 

Crato, 26/08/2020.
FERNANDO CALLOU".

***

Confirmada a denúncia cabe agora a toda a população cratense entrar com uma ação anulando a desapropriação deste Sítio de Preservação Ambiental.

Ou será que o espírito de luta e o civismo do povo cratense desapareceu?
A esta altura deste grave problema, no mínimo, a mídia caririense deveria estar noticiando esta anomalia! Pelo visto a mídia que, antigamente, teve tanta força no Brasil e em Crato, de modo especial, perdeu o cargo de protagonista e passou a ser coadjuvante.

O TEMPORA, O MORES” (“Oh tempos! Oh costumes!”) Em seu discurso no Senado, nas célebres Catilinárias, o grande Cícero bradou contra os vícios e a corrupção de seu tempo. Imagina se ele vivesse agora.

Até quando seremos forçados a viver tempos tão deploráveis?
Postado por Armando Lopes Rafael

Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

Padre Pedro Inácio Ribeiro, O Santo do Sertão
Lembrança distribuída na missa de 7º Dia do falecimento do Padre Pedro Ribeiro

    Existe em  Brejo Santo (CE) um pequeno memorial em homenagem ao Padre Pedro Inácio Ribeiro. Lá estão expostos objetos de uso pessoal deste sacerdote, que foi vigário daquela cidade durante exatos 33 anos. Padre Pedro Ribeiro morreu com fama de santidade e muitas pessoas, nos dias atuais,  asseguram ter obtido graças por sua intercessão.

   Nascido em Missão Velha, em 19 de maio de 1902, Pedro Inácio passou sua infância e juventude na cidade de Crato. Sentindo inclinação para o sacerdócio estudou no Seminário São José de Crato e no Seminário da Prainha, em Fortaleza, vindo a ser ordenado sacerdote no dia 17 de abril de 1927, na Catedral de Nossa Senhora da Penha de Crato, pelo primeiro bispo da diocese, Dom Quintino. Em 1º de janeiro de 1930 assumiu a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Brejo Santo, onde permaneceu até a data do seu falecimento, ocorrido em 3 de janeiro de 1973.

    Em Brejo Santo seu sacerdócio não foi vivido mediante obras especiais ou de caráter extraordinário, mas sim na fidelidade cotidiana ao exercício do ministério que abraçou. Reside aí, provavelmente, a dimensão da santidade sacerdotal atribuída ao Padre Pedro Ribeiro. Na verdade, ele viveu seu sacerdócio na consistência do amor a Cristo e a sua Igreja; no amor aos pobres e necessitados; na compaixão pelas almas desviadas e no amor pela pregação do Evangelho de Jesus Cristo. Aliado a tudo isso, a simplicidade, mansidão e humildade de que era dotado o Padre Pedro Ribeiro contribuíram para ele conquistar o afeto de adultos e crianças. Todos na Brejo Santo de então  tinham carinho por seu pastor.

      Aliás, o trabalho missionário de Padre Pedro não foi feito somente no município de Brejo Santo. Durante alguns anos ele deu assistência ao povo da cidade e da zona rural do município de Porteiras CE), conforme atesta o historiador Napoleão Tavares Neves, no texto “O Padre Pedro que conheci”, escrito a partir da leitura feita por ele do opúsculo “O Santo do Sertão–Uma biografia”, publicado pela Fundação Memorial Padre Pedro Inácio Ribeiro, de Brejo Santo.

      Segundo Maria Santana Leite, na monografia “Pequena História da Paróquia de Brejo Santo”:

 “O Padre Pedro foi sempre um pai espiritual para todos os paroquianos. Estava sempre preocupado com os agricultores sofridos, especialmente na época da seca, quando as famílias pobres da zona rural passavam necessidades. Era um entusiasta com a catequese das crianças a quem dedicava um carinho todo especial, participando das aulas de catecismo, levando-as a passear em momentos de lazer, promovendo brincadeiras, além de distribuir moedas e pequenos brindes à criançada.”

“Evangelizou mais com seu desprendimento das coisas materiais, sua vida de oração, adoração e contemplação; pelo seu testemunho de vida, do que mesmo pelas pregações, embora nunca deixasse de fazer as homilias por mais simples que fosse. A tônica de suas pregações era sempre o amor, a partilha, a vida de santidade. Sua metodologia era a do perdão. Pregava um Deus Pai amoroso, misericordioso. Nunca julgava nem condenava ninguém, pelo contrário incentivava e conduzia à conversão”.

“Além do Sagrado Coração de Jesus, era devotíssimo de Maria Santíssima, de Santa Teresinha do Menino Jesus e de São Geraldo”.

      Nos últimos quinze anos de sua vida, Padre Pedro Inácio Ribeiro foi acometido de forte reumatismo que o deixou paralítico. Nos tempos finais perdeu também a visão. Nunca reclamou de nenhuma dessas provações. Ele foi, enfim, um sacerdote bom, piedoso e santo, que fez um bem imenso aos seus paroquianos.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael