23 agosto 2020

Sacerdotes Católicosque ficaram no imaginário popular do Cariri

Monsenhor Pedro Rocha - O Apóstolo da Caridade


   Humilde de origem, pois filho de um modesto ferroviário da extinta Rede de Viação Cearense, Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira ocupa lugar na história da Diocese de Crato, como um dos seus mais valorosos sacerdotes. Um homem vocacionado por Deus para a missão de educar e servir aos semelhantes. Foi ordenado presbítero com 23 anos e seis meses de idade. Viveu apenas 57 anos, 34 dos quais exercendo um profícuo ministério sacerdotal. Tão logo foi ordenado, Monsenhor Rocha passou a lecionar no Seminário São José, o que fez por seis anos, findos os quais assumiu o cargo de reitor dessa instituição, ali permanecendo por mais 15 anos. Mas suas atividades não se limitavam só a isso.

      Mons. Rocha foi, por 24 anos, Provedor do Hospital São Francisco de Assis. E, nos seus últimos 12 anos de sua vida, residiu no próprio hospital. Por essa atividade ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”. Simultaneamente, foi jornalista e diretor do jornal “A Ação”, órgão oficial da Diocese de Crato; orientador espiritual da Liga Feminina da Ação Católica; radialista, produtor e apresentador do programa “Consultório da Família”, levado ao ar pelas emissoras de rádio da cidade de Crato. Foi Diretor Diocesano da Obra de Vocações Sacerdotais, entidade responsável pelo financiamento dos estudos de muitos sacerdotes. Sem falar que sempre foi muito requisitado para pregar retiros espirituais.

    Um dos maiores oradores sacros do Sul do Ceará, Monsenhor Rocha era um líder entre seus colegas de sacerdócio. A muitos desses seus irmãos de ministério amparou, na velhice, dando assim o testemunho de um coração misericordioso e solidário. Vários dos pavilhões existentes no Hospital São Francisco foram por ele construídos. Possuía um espírito prático, sendo reconhecido como administrador competente e criterioso.
Certa feita, recebeu uma verba da entidade católica alemã Miserior, destinada à reforma e melhoramentos no Hospital São Francisco. Ao término das obras e como sobrara certa importância do dinheiro recebido, devolveu à instituição doadora essa sobra. Dos alemães, que vieram fiscalizar a aplicação da obra ficou este testemunho:
Trata-se de caso único, na história da Miserior.

     Monsenhor Murilo de Sá Barreto assim se referiu a Monsenhor Rocha, seu antigo mestre:
“Era um Reitor amigo, educador coerente, conselheiro paciente, conferencista polivalente, iniciador da Ação Católica nesta diocese, acolhedor dos pobres e dos simples, tanto no Seminário como no Hospital, tanto no confessionário como nas conversas informais de orientação”.

     Sobre Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira assim escreveu Monsenhor Montenegro, no livro "O Apóstolo da Caridade":
“Monsenhor Rocha era um homem simples, modesto, Sacerdote modelo. Um Santo. Simples como Deus o fez, e a vida não conseguiu jamais desfazer. Era um mesmo para todos. E, no entanto, cada um o sentia como se fosse diferente para cada um. O segredo daquele imenso afeto que todos lhe dedicaram, o segredo do prestígio incomparável que adquiriu, em toda a sua vida, estava em ter vivido não para si, mas para os outros, em Deus e por Deus, no próximo, como um Santo Sacerdote, filho dessa Igreja que ele amava apaixonadamente, até o seu último alento”.


Texto e postagem de Armando Lopes Rafael



A Crônica do Domingo

Pequenas efemérides da nossa História: há 75 anos, a Família Imperial retornava ao Brasil

     O Brasil está hoje em uma decadência como jamais esteve em sua História. A moralidade pública desapareceu por inteiro, o descrédito da classe política não poderia ser maior, só há desesperança e desânimo nas instituições públicas. No entanto, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança (atual Chefe da Casa Imperial do Brasil) e os ideais da Monarquia pairam por cima de todas essas baixarias, constituindo uma autêntica reserva moral da Nação, à espera de dias melhores, que, temos plena certeza, virão.... E que talvez estejam mais perto do que parece!

     Depois da quartelada de 15 de novembro de 1889, o Imperador Dom Pedro II e os seus foram expulsos do território nacional pela odiosa Lei do Banimento (Decreto 78-A de 21 de dezembro de 1889), que seria revogada somente em 1920. Entretanto, dificuldades de toda ordem – em não pouca medida, causadas pelo confisco ilegal dos bens da Família Imperial Brasileira pelos novos donos do poder – impediram um retorno definitivo até o dia 21 de agosto de 1945 – precisamente há setenta e cinco anos.

    As esquerdas brasileiras se gabam de terem comprovado a fidelidade à sua ideologia enfrentando o mais longo exílio político de nossa História; aliás, aproveitam-se disso para conseguir indenizações milionárias. Mas a verdade é que o exílio da Família Imperial foi muito mais longo e penoso: 56 anos, durante os quais seus membros conservaram um amor acendrado pela Pátria e a disposição de servi-la sem jamais pedir algo em troca, especialmente vantagens financeiras.

       Com a derrota da Alemanha Nazista e o término dos combates da Segunda Guerra Mundial na Europa, em maio de 1945, logo chegou a notícia de que um navio português, o Serpa Pinto, embarcaria de Lisboa com destino ao Rio de Janeiro.

     Vivendo na França, país onde nascera, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, imediatamente telegrafou, reservando passagens para si, sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e seus quatro filhos, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, os Príncipes Dom Eudes e Dom Bertrand e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança – de seis, cinco, quatro e um ano de idade, respectivamente; todos nascidos em exílio, mas devidamente registrados na representação brasileira competente (foto ao lado).

      Em suas memórias ainda inéditas, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, hoje Chefe da Casa Imperial do Brasil, registrou o que se lembra daquele momento inesquecível: 

“A névoa cobria a Baía de Guanabara na manhã de nossa chegada, e por isso nós só pudemos ver nesgas da maravilhosa paisagem: um pouco do Pão de Açúcar e, de vez em quando, o Cristo Redentor aparecia entre as nuvens, como para nos dar as boas-vindas e nos abençoar".

“Entretanto, mais uma coisa me impressionou profundamente nesse dia: foi o modo como os monarquistas brasileiros, que tinham vindo a bordo para nos receber, cumprimentavam meus Pais e a nós, crianças. Havia algo de respeito, de veneração e de esperança, mais nos seus gestos que nas suas palavras, que me fez sentir claramente que eu tinha, do mesmo modo que meu Pai, uma missão, um dever para com o País que eu via pela primeira vez. 

“Creio que, para mim, foi uma graça de Deus o fato de que o Rio de Janeiro estivesse coberto de névoa quando chegamos, pois é possível que o panorama da Guanabara, à luz de um belo dia de sol, de tal maneira me deslumbrasse, que eu não teria percebido algo de muito mais alto, que eram as almas dos brasileiros que nos acolhiam e o dever que isso significava para mim.”

    No Rio de Janeiro, a Família Imperial morou inicialmente no bairro de Santa Teresa, antes de transferir-se para Petrópolis, (e, posteriormente, para um pequena fazenda no Norte do Paraná) (...) Nas seis décadas em que foi Chefe da Casa Imperial, de 1921 até o seu falecimento em 1981, o Príncipe Dom Pedro Henrique soube encarnar os valores de nossa Monarquia, dando ao Brasil o exemplo como pai de família e católico exemplar. Passados 75 anos de seu aguardado retorno à Pátria, seu filho primogênito e sucessor dinástico, Dom Luiz de Orleans e Bragança, tem dado prosseguimento à missão da Família Imperial.

(Excertos de matéria publicada no Face Book Pró Monarquia)