22 agosto 2020

As artimanhas do Destino - Por: Emerson Monteiro


Na conceituação budista há dois caminhos diante das existências: o darma e o carma. Darma é o exato percurso da perfeição, decerto impossível aos espíritos logo que aqui chegam nas primeiras reencarnações, porquanto quem não sabe tal seria qual quem não ver (como acertar de primeira vez aquilo que haveremos de conquistar vidas afora?). E carma, representa as consequências dos nossos atos em constante aprendizado, ação e reação, até chegar aos céus da plenitude. 

Destino vem ser isto, resultado e consequência do andar na caminhada espiritual na matéria, quando temos de encarar os frutos do que plantarmos no viver das tantas vidas. Quem planta espinhos colhe espinhos. Quem planta flores colher flores. Persistirá com isto a dialética de receber o que houver semeado, valor inexpugnável da Lei Universal de justiça, poder por excelência da Natureza. Daí as palavras místicas dos profetas de que ninguém paga sem dever. De que não nos cai um cabelo da cabeça sem o consentimento de Deus.

Nisso também a certeza absoluta do mais justo e da sabedoria face a condução dos acontecimentos através das razões de que ainda carecemos de nos aprimorar no correr da geração, motivo de virmos e voltarmos tantas vezes quanto necessário seja de obter a Salvação deste mundo ilusório. Essas as tramas do Destino, ao seu modo, que estabelecem os trilhos e as horas a quem quer que exista, de leigos a experientes atores, nós humanos. 

As oportunidades, por isso, significam lições da Evolução. Nas tentativas, entre erros e acertos, transcorre o tempo no fluir de objetos e criaturas. Nada anda fora da ordem. Os que resistem aos valores dessa Verdade apenas buscam conhecer melhor jeito de expressar a necessidade do que vivem. Pouco importa que aceitem e pratiquem tais conhecimentos, vez que somos meros coadjuvantes de uma história monumental.


Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

Joaquim e Vicente Sother de Alencar: dois irmãos padres
Barbalha, no início do século XX. Lá os dois irmãos passaram a infância

    O sobrenome era o mesmo: Sother de Alencar. Os pais de ambos foram Vicente Pereira de Alencar e Maria Regina de Alencar. O local do nascimento desses dois sacerdotes ocorreu na mesma cidade: Assaré. O mais velho chamava-se Joaquim e o mais novo Vicente. Ainda na primeira infância seus pais fixaram residência na cidade de Barbalha. Foi lá que Joaquim e Vicente sentiram o chamado para a vocação sacerdotal.  Ambos foram semelhantes no exercício de um profícuo sacerdócio, vivido na entrega total ao semelhante e voltado para a construção do Reino de Deus. E tanto Joaquim, como Vicente morreram com fama de santidade.

     O Padre Joaquim Sother de Alencar iniciou seus estudos no Seminário São José de Crato. Posteriormente estudou no Seminário da Prainha em Fortaleza e dali seguiu para Salvador na Bahia onde foi ordenado em 17 de dezembro de 1882. Voltando ao Ceará foi pároco coadjutor de Barbalha e professor do Seminário em Crato. Era o confessor do Padre Cícero Romão Batista com quem manteve leal amizade, principalmente nas agruras que este sofreu no relacionamento com o segundo Bispo do Ceará.

      Falando sobre o Padre Joaquim Sother de Alencar, assim se refere o Álbum Histórico do Seminário de Crato: “Nunca lhe maculou o espírito e o coração a vaidade de aumentar-se ou de fazer figura, mau grado a sólida formação que recebeu e os conhecimentos que possuía. Seu maior prazer era viver entre os simples, escondido do mundo”. Tanto que foi viver na acanhada vila de Farias Brito (à época chamada Quixará), onde passou mais de vinte anos trabalhando para o bem espiritual daquela população e ganhando almas para Deus, até que a morte o encontrou no dia 25 de janeiro de 1914. Foi sepultado na Igreja-matriz de Farias Brito.

      Já o Monsenhor Vicente Sother de Alencar ordenou-se em 1897 na cidade de Fortaleza. Depois foi vigário de Barbalha, Jaguaribe, Jardim, Triunfo e Ouricuri (as duas últimas localizadas no Estado de Pernambuco). Em 1915 – quando Joaquim já havia morrido – Vicente veio residir em Crato, onde foi professor do Seminário e Vigário Geral da Diocese de Crato. Nas ausências de Dom Quintino governou várias vezes a recém criada Diocese de Crato. E quando Dom Quintino faleceu, Monsenhor Sother foi escolhido Vigário Capitular, onde permaneceu até 13 de janeiro de 1932, data da posse do segundo bispo, Dom Francisco de Assis Pires que o manteve Vigário Geral da Diocese, cargo exercido até 1944.

    Durante vinte anos, Monsenhor Vicente Sother de Alencar foi capelão da Casa de Caridade, onde celebrava diariamente às cinco horas da manhã. Sacerdote culto, dotado de modéstia e humildade exemplares, reto no cumprimento de suas obrigações, zeloso no seu apostolado era tido por todos como uma alma santa, cuja bondade foi lembrada durante muitos anos após sua morte, nesta cidade de Crato.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

A arte de ser pai – por José Luís Lira (*)


    Ao Sr. Izídio Ribeiro Lira, meu Pai!

    Tem temas que são atemporais. Pode ter um dia, mas, todos os dias são deles assim é pai e mãe. Não é exagero dizer que este ano está estranho e que as comemorações/celebrações estão meio que truncadas. Claro que celebrei e comemorei com meu pai o dia dos pais. Na véspera da efeméride citei aqui a festa da minha padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres e as tantas celebrações à Virgem Maria que se dão em 15 de agosto, Assunção de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus.

    Minha querida madrinha Rachel de Queiroz tem um belo artigo chamado a arte de ser avó e parafraseando este artigo, escrevo este “A arte de ser Pai”. Nos últimos dias o calendário cívico apresentou-nos o dia das artes, dos artistas, digamos, e o dia dos pais. Não escrevi para sair nos dias precedentes. Existem comemorações que não cabem só num dia. São para a vida toda. Escrevo no fervor das celebrações, das lindas de histórias de pais exibidas na TV, nos jornais, nas redes sociais, enfim, quando todos declaram seus sentimentos aos pais.

     Por que a arte de ser pai? Todo pai é um artista. Quem, sendo pai, não vira “cavalinho”, super-herói (embora que de fato seja nas agruras do dia-a-dia), batman ou superman para agradar seu filho? O artista é aquele ser que cria, recria, se poeta é capaz de encantar-nos com sua letra; se romancista, envolve-nos numa trama; se historiador nos faz mergulhar num mundo distante que se aproxima; se artista circense, nos encanta com malabarismos ou nos arranca gargalhadas com as coisas mais simples; se cantor, lembro-me de Fábio Júnior, com a sua bela canção “Pai”, faz-nos viajar num simples pensamento... O pai, ser humano real, que olha orgulhoso seu filho, sua continuidade, é tudo isso: o melhor artista, brinca e faz a brincadeira; canta e encanta; conta histórias e faz a nossa história, lembrando Fernando Pessoa, mesmo aquela história real que pensamos que é irreal; enfim, não conheço arte mais bela que a de ser pai, embora não me sinta apto a essa arte tão bela. É questão de vocação... se nasce com a vocação à paternidade.

    Um ofício para o filho. 
   É muito comum o filho seguir o ofício do pai. São muitos os exemplos e eu me lembro de um clássico exemplo. Todos aprendemos que Deus é Pai é Filho é Espírito Santo. “Abbá Pai”, duas palavras iguais expressas em diferentes línguas.  Alguns explicam que o uso delas juntas significa confiança, apreço maduro da relação filial e das suas responsabilidades. Elas aparecem três vezes no Novo Testamento e têm o mesmo significado. “Abbá” significa “Pai” em hebraico. Humanizando-se, Deus quis ter um Pai. Este Pai, São José, o justo, foi um carpinteiro da galileia, que ensinou o ofício ao Filho que nos deu a maior lição de amor, a quem também parabenizamos nestes dias que dedicamos aos pais, não só o segundo domingo de agosto, mas, todos os dias que vivemos. Pois, todos os dias, ao nos olharmos no espelho pela manhã, vemos um pouquinho de nossos pais em nós, um traço do pai, outro da mãe. Todo dia é importante lembrar de honrar aqueles que, com a graça de Deus, nos trouxeram ao mundo. Assim, cumpriremos o quarto mandamento da Lei Divina: Honrar Pai e Mãe. Viva a todos os Pais, os melhores artistas, os melhores heróis, os maiores exemplos a nós, seus filhos!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.