13 agosto 2020

3 – Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri


Padre Francisco Pinkowski 

    Quem entra na Igreja-Santuário do Sagrado Coração de Jesus, localizada ao lado do Colégio Salesiano, em Juazeiro do Norte, pode observar – ao lado direito do grande templo – o túmulo de um sacerdote polonês. As novas gerações talvez desconheçam a vida desse virtuoso padre.

   O Cariri cearense, ao longo dos tempos, foi privilegiado com a presença de bons padres. Um desses foi certamente o Padre Francisco Pinkowski, pertencente à Ordem Salesiana. Nascido na Polônia em 1882, ainda jovem, Francisco Pinkowski foi estudar em Turim, na Itália. Depois foi enviado para Montevidéu, no Uruguai. Nessa cidade foi ordenado presbítero em 1920. De Montevidéu foi enviado para o Brasil, mais precisamente para Pernambuco, onde residiu de 1921 a 1939. De lá foi transferido para Fortaleza, no Ceará, onde exerceu várias atividades pastorais entre os anos 1940-1943.

       De Fortaleza veio para Juazeiro do Norte, onde permaneceu os anos 1944-1945, retornando a Pernambuco em 1946. No entanto, Padre Francisco Pinkowski viveu seus últimos anos em Juazeiro do Norte, aonde veio a falecer em 1979 aos 96 anos de idade.

Sobre este sacerdote escreveu o escritor Mário Bem Filho:

“Em Juazeiro do Norte, Padre Francisco Pinkowski, apesar da idade avançada, jamais se deixou vencer pelo cansaço. Levantava-se cedo e começava a rezar o terço e, após meditação, celebrava a Santa Missa. Posteriormente começava a atender às confissões, saindo, em seguida, sempre a pé, para prestar assistência aos enfermos pobres que habitavam a periferia de Juazeiro do Norte. Seu maior sonho era ver concluída a construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, o que conseguiu realizar.

“Padre Francisco Pinkowski era um padre virtuoso, um autêntico apóstolo do bem, devoto de Nossa Senhora Auxiliadora e de Dom Bosco. Durante sua existência apresentou características marcantes, dentro as quais destacamos: profundo amor pelas vocações; zelo sacerdotal pelas almas, demonstrado no ministério das confissões, principalmente aos enfermos; coração aberto aos pobres. Jamais um necessitado que o procurasse, dele se afastava de mãos vazias; coração sempre inclinado ao perdão, nunca guardando rancor de ninguém”.

     Em Juazeiro do Norte, é de domínio público uma história sobre o Padre Francisco Pinkowski, que passo a contar. Certa manhã ele foi chamado para dar a Unção dos Enfermos a uma moribunda que residia na Rua da Palha, periferia daquela cidade. Carregando a hóstia consagrada, estola, livro-devocionário e um recipiente com água benta, Pe. Francisco Pinkowski dirigiu-se, a pé ao local onde estava a enferma. Em lá chegando, o bom padre entrou numa pequenina palhoça, destituída de qualquer móvel onde ele pudesse colocar os objetos sagrados, enquanto colocava a estola. Constrangido, por não querer colocar esses objetos sagrados no chão, eis que entra, na palhoça, um rapazinho de boa aparência, bem vestido e pede ao Padre Francisco para segurar a hóstia consagrada, o livro-devocionário e o recipiente com água benta.  Após cumprir a tarefa o rapazinho se afastou do humilde recinto.

     A sós com a moribunda, Padre Francisco ministrou a confissão, deu a comunhão e procedeu a Unção dos Enfermos. Ao sair, perguntou a algumas pessoas que estavam do lado de fora da choupana:

– Onde está aquele mocinho que segurou meus objetos? Gostaria de agradecer a ele...

       Para a surpresa do sacerdote, os vizinhos da moribunda insistiam em dizer que, na palhoça, não entrara ninguém. Padre Francisco retornou ao Colégio Salesiano um tanto intrigado com o fato. Chegando ao Colégio, entrou pela antiga capela do educandário, hoje o auditório. Foi quando seus olhos se fixaram num altar e ele viu uma imagem de São Domingos Sávio. Emocionado, reconheceu naquele santo o rapazinho que o ajudara momentos antes, no casebre da enferma a quem dera assistência espiritual final.

     Padre Francisco Pinkowski faleceu em 15 de abril de 1979. Foi sepultado no dia seguinte, no interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Juazeiro do Norte, após missa de corpo presente concelebrada por 26 sacerdotes. Ainda hoje sua sepultura é muito visitada. Muitas pessoas dão testemunho de graças alcançadas por sua intercessão.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael