31 julho 2020

E a festa de agosto? -- por José Luís Lira (*)

Histórica imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, que se venera na 
Igreja de N.S. dos Prazeres dos Montes Guararapes, em
Jaboatão - Pernambuco


     Agosto chegou. Nasci e cresci na Paróquia de Guaraciaba do Norte que tem a celebração de sua Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres, no período de 05 a 15 de agosto. As primeiras notícias que temos da festa é que seu ápice se dava no dia 6 de janeiro, dia de Reis, uma das alegrias de Nossa Senhora. Depois da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora, dada na festa de Todos os Santos de 1950, a festa passou a ser celebrada em agosto. E, muitas gerações de cristãos celebram suas padroeiras com títulos de Nossa Senhora sem data fixa com festa em 15 de agosto. Numa cidade que nasceu no entorno da pequena capela dedicada à sua Padroeira, esse se constitui o período mais importante da vida religiosa e social, pois, após as celebrações têm sempre parque, barracas e mais atividades.

   Em nossa Diocese de Sobral temos várias paróquias em celebração no período de cinco a 15 de agosto. Inicialmente abordei minha paróquia natal. Embora em termos de Diocese me considere da Diocese de Sobral e por ser da nobre e pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, ser um pouco da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, meu cordão umbilical me lembra a terra natal Guaraciaba do Norte. Sou paroquiano naquela cidade, assim como o seu em Sobral e em Fortaleza, onde sempre me senti parte do rebanho do saudoso Pe. Joaquim Colaço Dourado, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, localizada na rua que recentemente foi oficializada como Rua Padre Joaquim Colaço Dourado, em honra do edificador daquele templo.

   Em agosto, esteja onde estiver, programo alguns dias da “festa” para estar com meus pais e meus conterrâneos na grande celebração à nossa Padroeira, devoção portuguesa que chegou ao Brasil junto com os descobridores e que em mim, se inseriu na alma desde a mais tenra infância. Foi com Nossa Senhora dos Prazeres que aprendi a confiar na mãe de Deus como minha mãe também e mãe de todos!

   A primeira notícia que temos do festejo de Nossa Senhora dos Prazeres em Guaraciaba do Norte é no então povoado de Campo Grande, no dia 6 de janeiro de 1761, oportunidade que foi abençoada a primeira capela dedicada à padroeira. A partir daí se faz a contagem da festa. Este é o 259º ano da devoção. O povo guaraciabense é um povo de profunda religiosidade. Dos 132 anos de instalação da Paróquia, 54 fora a Paróquia dirigida pelo mesmo pároco, santo no coração dos que o conheceram, Mons. Antonino Cordeiro Soares, falecido em 1990.

   As celebrações deste ano, a cargo dos padres agostinianos recoletos, que tão bem administram a Paróquia desde 1999, serão remotas. Não é a primeira vez que digo que este é ano atípico e não teremos celebrações campais, barracas, parques, aglomerações, esta última, palavra tão temida nos últimos meses. Nosso Pároco, Frei Santiago Martinez, reuniu as lideranças paroquiais para decidir sobre a situação da festa e, prudentemente, se chegou à conclusão de que a festa será realizada remota. Acompanharemos de nossos lares. Mas, no dia da Padroeira, uma procissão, sem acompanhamento de pessoas, percorrerá as ruas da cidade com a imagem histórica de Nossa Senhora dos Prazeres. Que a exemplo do que ocorreu em Lisboa, no distante ano de 1599, Nossa Senhora traga o fim dessa pandemia!

    Santa Mãe dos Prazeres, sobre nós lançai o olhar.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

A propósito da pandemia do coronavirus


(Excertos do editorial da revista “Catolicismo” de julho/2020)


"A má moeda expulsa do mercado a boa moeda” — esta é a chamada “Lei de Gresham”. Já no século XVI, este comerciante e financista inglês percebeu que o público, nas suas transações comerciais, prefere utilizar as moedas gastas, ou de metal menos nobre, e manter consigo as boas. Daí estas desaparecerem de circulação.

Analogamente, o mesmo ocorre no intercâmbio intelectual de uma sociedade: as versões sensacionalistas ou explicações simplistas tendem a invadir as conversas e falsear o debate público, alijando o relato sereno e objetivo daquilo que acontece, como também as explicações profundas e matizadas de suas causas e consequências.

O fenômeno verificou-se recentemente a propósito da pandemia do coronavirus. Baseando-se em projeções fantasiosas de alguns cientistas desacreditados, respaldados pela Organização Mundial da Saúde subserviente à China, disseminou-se o pânico e criou-se a necessidade de um confinamento desproporcionado da população.

Em sentido inverso, a “má moeda” de simplórias e fantasiosas “teorias da conspiração” (como a de que a chegada do homem à lua é uma fotomontagem...) desacredita a denúncia de uma verdadeira conspiração anticristã por trás das agendas LGBT, ecologista, socialista e globalista, promovidas ostensivamente hoje por organismos internacionais e milionárias fundações privadas como sendo a marca distintiva da “nova normalidade” pós covid-19.