30 junho 2020

Sobral: 247° ano – por José Luís Lira (*)


    Este ano é atípico, já dissemos muitas vezes desde março último. Mas, existem eventos que mesmo em momentos difíceis merecem ser lembrados. E de uma coisa não podem nos acusar: de que não amamos esta terra, a Princesa do Norte, a capital e metrópole dessa região: Sobral. Dia 5 daremos início ao 247° ano da fundação da Vila Distinta e Real de Sobral que dava foros de Vila com Câmara e Cadeia, nos moldes coloniais (ainda não éramos parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves que seria criado anos depois, em 1815), à cidade que se originou da Fazenda Caiçara.

   Talvez a emoção aflore quando, sozinhos, cantarmos em nossos lares: “Oh! Meu Sobral quão, altaneira foste tu!/ Oh! Meu Sobral/ Oh! Meu Sobral/ Linda princesa cá do Norte do Ceará/ Oh! Meu Sobral/ Oh! Meu Sobral./ Cidade luz aqui da terra de Tupã”, mas, ao mesmo tempo lembrar-nos-á da força do povo dessa heráldica Cidade de Sobral. E isto nos servirá de alento para nos prepararmos para o retorno às nossas atividades quando for possível. Neste tocante, permitam-me um aplauso à administração municipal de Sobral, tendo à frente o Prefeito Ivo Gomes, tanto nas ações, quanto na transparência do que vem sendo feito, especialmente nesse período de pandemia.

    Sobral é a Cidade Luz proclamada em seu hino pelas mesmas razões que Paris o é: pelo saber! Conforme nos informou o estimado amigo Dr. Paulo Quezado, este epíteto foi dado a Sobral em face do saber de dois sobralenses que se destacaram na primeira turma de Acadêmicos em Direito da Faculdade Direito de Recife, iniciada em Olinda: Jerônimo Martiniano Figueira de Melo e José Antonio Pereira Ibiapina, o futuro Padre Ibiapina. Concluído o curso, o Diretor da Faculdade chamou-os para conversar. Após a brilhante conversação, o Diretor indagou de que cidade eles eram. Os dois formandos responderam: de Sobral, na Província do Ceará. Respondeu-lhes, então, o Diretor: ‘Sobral Cidade Luz’”.

    Luz da Religião que a se fez se tornar sede de nossa Diocese que deu origem a outras Dioceses e cuja fé é exemplar e os tantos padres e aqueles que se formaram em seu seminário e se destacaram em variadas áreas.

    Luz da Força de vontade que herdou de Luzia-Homem; dos que a engrandeceram e a engrandecem!

    Luz da Liberdade e aqui lembramos Da. Maria Thomazia, na libertação dos cativos e Luz da Luz, por meio da comprovação da Teoria da Relatividade que ano passado celebramos o centenário!

   Luz do Saber pela sua Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) que possibilitou-a tornar-se a Cidade Universidade com a chegada de tantas instituições universitárias.

   Luz do Progresso que sobre esta terra se irradiou e se reflete em sua região metropolitana.
É dia de celebrar e me permito citar alguns nomes dos que não estão mais entre nós: Dom Jerônimo (Arcebispo Primaz do Brasil), Dom José Tupinambá, Maria Thomazia, Barão de Sobral, Domingos Olímpio que criou a Luzia-Homem, José Saboia, Visconde de Saboia, Zenon Barreto, Teodoro Soares, os candidatos a santos católicos: Pe. Ibiapina, Dom Expedito Lopes, Mons. Arnóbio de Andrade e Mons. Waldir Lopes, o cantor Belchior e muitos ilustres mulheres e homens que viveram, nestes 247 anos de Sobral, o segundo município mais desenvolvido do Ceará, atrás apenas de Fortaleza!
     Ave, Sobral, Cidade Luz!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Há quatro décadas, Brasil recebeu pela primeira vez a visita de um Papa


Fonte: excertos da matéria publicada na "Folha de S.Paulo", 30-06-2020

Há exatamente 40 anos, o Brasil recebeu pela primeira vez a visita de um papa. O protagonista foi o polonês Karol Wojtyla, o Papa João Paulo 2º, que então chefiava a Igreja Católica havia um ano e dez meses. E a estreia no país, que tinha 89% da população como cristã católica, segundo censo de 1980, foi grandiosa.

Ao longo dos 12 dias em que esteve no Brasil, o papa mobilizou ao menos meio milhão de pessoas em cada uma das 13 cidades que visitou: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza. Tudo começou em 30 de junho de 1980, ao desembarcar em Brasília, quando o pontífice fez seu gesto característico ao beijar o solo brasileiro. Recebido pelo presidente João Batista Figueiredo, João Paulo 2º deixou uma marca por onde passou.


Pensaram até em depredar a estátua da Princesa Isabel

Sobre esse projeto terrorista – amplamente divulgado pelas redes sociais na cidade do Rio de Janeiro – assim se manifestou, oficialmente, Sua Alteza, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. Leia abaixo.


MENSAGEM DO CHEFE DA CASA IMPERIAL AOS MONARQUISTAS

   Meus muito caros monarquistas,
   Foi com profunda consternação que recebi a notícia de que, por meio das redes sociais, grupos de esquerdistas extremados vinham incentivando e planejando a depredação da estátua de minha veneranda Bisavó, a Princesa Isabel, localizada na Avenida que traz seu glorioso nome, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

   Valho-me, pois, destas linhas para agradecer aos beneméritos monarquistas que prontamente se mobilizaram para proteger o legado e render homenagens à nossa ancestral, cobrindo sua estátua com camélias brancas – flor-símbolo do Abolicionismo, movimento pelo qual a bondosa Princesa tanto se empenhou, chegando mesmo a sacrificar seu Trono para que o 13 de Maio se tornasse possível.

   Agradeço também à valorosa Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – instituição histórica e intrinsecamente ligada à Família Imperial, e pela qual os meus e eu nutrimos profunda admiração e respeito. O reforço na segurança da estátua naturalmente coibiu a ação dos marginais, que, tenho certeza, seriam punidos com todo o rigor da lei.

   O Brasil hoje assiste ao embate entre velhas forças demolidoras e uma ampla floração de boas tendências, entusiasmos e dedicações, que clama por seu País de volta. Nesse embate, cabe aos monarquistas a primeira linha, mesmo porque temos o melhor contributo a dar: a plena vigência em nossa Pátria, na esfera social como na política, dos princípios que decorrem do Decálogo.

   Nesse sentido, o exemplo da Princesa Isabel, cognominada a Redentora do elemento servil, e que por três vezes foi Regente do Império, mostrando ser, na condução dos destinos públicos da Nação, o modelo ideal de Soberana católica, continua inspirando a nós, seus descendentes, no cumprimento da missão perene que a Divina Providência confiou à nossa estirpe: servir ao Brasil.

   Que para tal propósito Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos abençoe e nos preste Seu auxílio.
São Paulo, 29 de junho de 2020
Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil