14 maio 2020

As luzes dos sentimentos - Por: Emerson Monteiro


Imagino o quanto os animais demoram de saber que sentem, isso de elaborar lá de dentro das entranhas os sentimentos; alguns milênios, talvez. A gente sabe que eles sentem, pois nós também somos animais e sentimos feitos da mesma matéria que foram criados dentro do fenômeno da biologia da Terra. E quanto tempo essa gente que somos demorou até saber o que é ter sentimentos e por em prática o atributo que oferecem invés de apenas ser puros animais, agora que sabem o que seja sentir. Eles, os outros bichos, assim já agora exercitam o dote dos sentimentos; se gostam ente si, a não dizer que se amem, porquanto ainda não descobriram a real cartilha de criar palavras e dizer das ideias, que vagariam soltas lá de onde adiante sairão os pensamentos; e eles, os tais bichos, nem sabem falar o que sentem quiçá bem mais que os seres ditos humanos, estes a tanger de trechos esquisitos a Civilização, de fazer mais guerras do que amar e ser amado.

Bom isto, de tanto pensar desse modo que nem nós sabemos de exato o que é ter sentimentos, conquanto os praticados até hoje não indicam que o saibamos no coletivo, por que lustramos botinas de pelotões e invadimos países, expulsamos populações e dominamos o subsolo? Bichos que descobriram que sentem, porém sob o efeito da relatividade dos séculos são lentos no aprender e lerdos no praticar.

Ao conhecer o princípio original de chegar à Consciência, o homem começa a cruzar o pântano da ignorância no sentido de libertar na alma um dispositivo que o transporta de vencer a matéria e chegar na Salvação, percurso indicado nas religiões e filosofias. Os místicos descrevem em detalhe a longa jornada desde o homem ao super-homem, resumo de tudo quanto há durante todo tempo. O fator essencial desse transcurso bem significa amar, o clímax dos sentimentos, e desvendar, enfim, os véus da Eternidade.

Pandemia e isolamento levam o Brasil para a sua mais profunda recessão – por Egídio Serpa (*)




Em março passado, quando a pandemia do coronavírus dava os primeiros sinais no Brasil, o Ministério da Economia previa um crescimento de 0,002% do PIB.

Ontem, a mesma fonte anunciou que a economia brasileira deverá registrar uma queda de 4,7% neste ano.

Previsões de economistas de fora do governo indicam que essa queda será maior - de 5% ou mais.
Nos cálculos da equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, a inflação fechará este ano em 1,77%.

A atividade econômica está praticamente paralisada em todo o País por causa do isolamento social, que no Ceará está no modo rígido.

A consequência só poderia ser a que se vê: empresas fechando, desemprego aumentando e já alcançando 20% da PEA - a População Economicamente Ativa.

O Brasil entrou na mais profunda recessão de sua história.

Ela só não é pior porque o setor do agronegócio - responsável pela produção, armazenamento, transporte e distribuição dos alimentos que abastecem a população - mantém sua plena atividade.
De acordo, ainda, com o Ministério da Economia, cada semana de isolamento social representa uma perda de R$ 20 bilhões para o País.

Um documento distribuído, ontem, pelo Ministério da Economia revela:

"Do ponto de vista econômico, os efeitos do coronavírus sobre a economia brasileira podem ser descritos em três períodos:

Período (1), em que a economia recebeu os primeiros choques (a partir de fevereiro até o fim de março);

Período (2), iniciado em abril, marcado por choques secundários e crise sobre o emprego, a renda e as empresas;

E Período (3), que se sucederá ao abrandamento ou fim das medidas sanitárias de contenção, em que se dará a retomada econômica".

Então, resta orar a Deus para que tudo passe logo.

(*) Publicado no Diário do Nordeste, de 14-05-2020