08 maio 2020

A luta da Princesa Isabel pela abolição da escravatura


Pintura: Sua Alteza Imperial a Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, presta juramento solene diante da Assembleia Geral do Império, antes de assumir a Regência pela primeira vez, a 25 de maio de 1871.

   Discutia-se na Assembleia Geral do Império a Lei do Ventre Livre, com discursos empenhados do Visconde do Rio Branco, então Presidente do Conselho de Ministros, e de outros parlamentares abolicionistas. Cinco meses duraram as discussões, com momentos de desânimo e entusiasmo. A Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, Regente do Império pela primeira de três vezes, empenhava-se junto aos Ministros, para que apoiassem a aprovação da lei.

    O próprio Rio Branco, sempre que conferenciava com a Princesa Imperial Regente, parecia voltar ao plenário da Assembleia mais bem disposto, mais animado, mais fortalecido para continuar a batalha. Em uma dessas vezes, quando ele se achava especialmente receoso, Sua Alteza fez o que pôde para animá-lo e, logo após o fim da audiência, encaminhou-se para o seu oratório e, ajoelhada, implorou incessantemente à Divina Providência que protegesse os que trabalhavam por aquela legislação, que emanciparia o ventre negro.

    No dia 28 de setembro de 1871, após a aprovação da Lei do Ventre Livre, o povo em massa esperou pelo Visconde do Rio Branco. Quando este apareceu à porta do Senado Imperial, recebeu a manifestação mais ruidosa e comovente que já se deu a um político no Brasil. A Princesa Imperial Regente foi ao seu encontro, com a fisionomia radiante, e o cumprimentou com efusão:

– Bravo, Visconde! A sua vitória foi o mais belo exemplo em que nossos homens de Estado se devem mirar.

– Perdão, Princesa! Se venci, é porque tinha apoio em Vossa Alteza e nos meus luminosos pares legislativos. Logo, o mérito é menos meu que da ilustre e humanitária Regente e dos insignes representantes do País.

– Que diz agora da situação dos nossos irmãos cativos?

– O cativeiro praticamente não mais existe no Brasil. A religiosidade da combativa Regente já o aboliu convenientemente.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria do Senhor Leopoldo Bibiano Xavier).