06 maio 2020

Estado de oração - Por: Emerson Monteiro

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Esse nível de consciência em que o tempo se une à Eternidade, bem ali habitam seres silenciosos, às vezes de santos denominados, humanos tais misteriosos indivíduos que amadurecem rumo de uma supra realidade invisível. Além das previsões estabelecidas nos séculos, dormem agora sobre largas melodias e se vão; quase nunca voltam a contar o que descobriram lá fora que os resolveu para sempre.

A busca das religiões, das filosofias e dos sonhos, reúne isto de lá um dia abrir as comportas do mais íntimo da gente e despertar definitivamente aos olhos da Terra Pura, de que falava Buda. São passos ante passos diante do Infinito, portas abertas à Graça divina, o que de nada dependeu tão só dos místicos. Pouso da real felicidade, todos querem, porém raros desvendam o segredo universal a que vão por vezes de olhos fechados, quais mariposas à procura da luz desse Universo.

Tudo, afinal, resume o bem de clarear as próprias sombras, na certeza de haver lógica profunda no que viver nas pobres malhas deste mundo. Juntar gravetos de floresta escura numa fogueira que iluminará o trilho da percepção. Palavras ditas em momentos críticos, pensamentos de ânsia e sentimentos macerados nas dores da solidão, assim vamos nós os buscadores dessa luz mantida a sete capas no oceano da História das criaturas.

Face ao desejo de revelar a si mesmo aquilo que viemos achar pede oração de clamar aos abismos o sol da conformação, do perdão, da paz dos acontecimentos diversos e contraditórios. Aos olhos do momento, enquanto o coração treme de susto perante as dúvidas e dores, os parceiros dos fragmentos das coisas da vida, mesmo sabendo o quanto resta percorrer de sacrifício, vamos nessa linha estreita entre o Tudo e o Nada, o passado e o futuro, nas luzes dos elementos naturais. Guardadas, pois, em si as alternativas de renunciar aos apegos materiais, no deserto da alma existe a tal porta da Imortalidade. 

Esta imagem viu o Brasil nascer – por José Luís Lira


   3 de maio de 1500...Há 520 anos era celebrada a primeira Missa neste solo brasileiro, então dedicado à Santa Cruz. A celebração foi presidida pelo Frei Henrique Soares de Coimbra e no altar, além de uma cruz, estava a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança ou, simplesmente, Nossa Senhora da Esperança, que vinha na nau do descobridor Pedro Álvares Cabral, que aportara no Brasil quatro dias antes, em 22 de abril de 1500.


    Em 1722, o Frei Agostinho de Santa Maria, no Santuário Mariano, editado em Lisboa, em 1723, argumenta que Nossa Senhora dos Prazeres possui o mesmo significado da devoção de Cabral, portanto, nós, devotos e filhos de Nossa Senhora dos Prazeres podemos dizer que Ela estava no Altar da primeira Missa celebrada no Brasil, também esteve na 2ª Missa, celebrada no dia 1º de maio.

    Esta imagem de Nossa Senhora da Esperança, encontra-se na Igreja Matriz, de Belmonte (Portugal), para onde foi transferida em 1960. A imagem está num altar, acompanhada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida, oferecida à cidade de  Belmonte pelo Brasil e, ainda, por uma réplica da cruz de ferro que se fez presente nas duas Missas celebradas pelo Frei Henrique Soares de Coimbra, no Brasil.

Ave Maria, gracia plena, Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus ventris tui, Iesus

Sancta Maria Mater Dei
Ora pro nobis pecatoribus
nunc et in hora mortis nostrae.
Amem.

(LIRA, José Luís. Nossa Senhora dos Prazeres: da aparição em Portugal à devoção no Brasil. Rio de Janeiro: Novaterra Editora, 2016, pp. 18 e 19)

Nota publicada originalmente no Facebook do Prof. José Luís Lira