30 abril 2020

Reconstituição mostra verdadeiro rosto do Imperador Dom Pedro I com fratura no nariz


Edison Veiga -  de Milão para a BBC Brasil 

Inédita reconstituição facial mostra homem com nariz deformado em decorrência de suposta fratura não tratada e nunca antes descrita na literatura especializada | Crédito: Cícero Moraes

   A despeito de sua imagem de sedutor e galã, o primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro 1º, não era tão garboso quanto ilustram as pinturas oficiais daquele tempo, que estampam livros escolares e povoam o imaginário do brasileiro. Uma inédita reconstituição facial feita em 3D a partir de fotografia do crânio do monarca mostra um homem com o nariz com uma deformidade em decorrência de uma suposta fratura ocorrida em vida, que não teria sido tratada de maneira adequada e nunca descrita na literatura especializada.

    A reconstrução realista da face do imperador é resultado de um projeto idealizado pelo advogado José Luís Lira, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, do Ceará. Ele adquiriu os direitos sobre uma fotografia realizada em 2012, quando os restos mortais do imperador foram exumados da cripta localizada no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, para um estudo científico realizado pela Universidade de São Paulo (USP). Devidamente autorizado pela Casa Imperial do Brasil - cujos representantes, herdeiros de Dom Pedro 1º, zelam por sua memória -, convidou o designer Cícero Moraes para realizar o trabalho de reconstituição.

    As imagens foram encaminhadas ao perito legista Marcos Paulo Salles Machado, chefe do Serviço de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia Forense (ABRAF). Sem saber que se tratava do crânio de D. Pedro, ele estimou a idade como sendo de um adulto jovem - o primeiro imperador do Brasil morreu em 1834, pouco antes de completar 36 anos - de origem europeia. E cravou que o mesmo havia sofrido uma fratura no nariz. "O crânio dele tem uma deformação nos ossos nasais que sugere uma lesão, fruto de ação contundente da esquerda para a direita. Ele pode ter batido com o nariz e sofrido uma pequena fratura nessa região", disse o perito, à BBC Brasil.

    De acordo com o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti, autor da biografia D. Pedro: a História Não Contada - o Homem Revelado por Cartas e Documentos Inéditos, não há nenhum registro de que o monarca tenha quebrado o nariz em vida. Mas quedas de cavalo eram comuns na vida atribulada do imperador. "Ele teve uma queda feia em 1824. E, alguns anos depois, teve um acidente ainda mais grave de carruagem na Rua do Lavradio, no Rio de Janeiro", pontua o biógrafo.

Boa notícia: Quadro 'Independência ou Morte', de Pedro Américo, chega à fase final de restauro

Fonte: Folha de S.Paulo, 30-04-2020


    A tela "Independência ou Morte", de Pedro Américo, chegou à fase final de restauro, que incluiu reparos na moldura e retoques na pintura. A última etapa, a aplicação do verniz, deve ser feita em 2022, perto da data prevista para a reabertura do Museus do Ipiranga.

   A restauração ficou sob os cuidados de Yara Petrella. Com a pandemia do coronavírus, a restauradora, que pertence ao grupo de risco, foi afastada de suas funções. Com isso, foi criada uma força-tarefa que concluiu o processo. O quadro, de 415 cm por 760 cm, será embalado para que tenha início a reforma do salão em que se encontra. "Independência ou Morte" é maior do que as portas e janelas do local —a tela foi montada originalmente onde está até hoje e nunca foi retirada de lá.

    Localizado no parque da Independência, em São Paulo, o Museu do Ipiranga está fechado para visitação desde 2013, quando foi detectado risco iminente de queda do forro. Ele é um dos museus da Universidade de São Paulo, sendo por isso também uma unidade de pesquisa, no caso, na área de história. As obras para ampliação e reforma do museu começaram só seis anos depois da interdição, no ano passado. O governo de São Paulo captou, via Lei Rouanet, R$ 160 milhões da iniciativa privada para a realização dos trabalhos.

O Imperador Dom Pedro I também foi o criador da Bandeira do Brasil.
Ele escolheu como cores nacionais o verde da Casa de Bragança
(de onde ele era originário)  e o amarelo da Casa de Habsburgo
 (origem da Imperatriz Leopoldina)