24 abril 2020

24 de abril, dia de São Fidelis de Sigmaringa-- o co-padroeiro de Crato (por Armando Lopes Rafael)



Com as igrejas católicas fechadas, os fiéis cratenses não poderão, sequer, hoje assistir a uma missa na festa de São Fidelis.
   Todo mundo sabe que Nossa Senhora da Penha é a padroeira principal da cidade de Crato. Poucos, no entanto, sabem que Crato também tem um co-padroeiro. Trata-se de São Fidelis de Sigmaringa. Este, antes de adotar este nome – ao se tornar franciscano – era conhecido advogado civilmente por Marcos Rey.

   Segundo seu biografo Afonso Souza: “Inteligente e aplicado, Marcos Rey fez com sucesso seus estudos na católica Universidade de Friburgo, na Suíça. De elevada estatura, bela presença, semblante sério e sereno, Marcos era respeitado pelos professores e admirado pelos condiscípulos que, por sua ciência e virtude cognominaram-no de o Filósofo Cristão”. São Fidelis de Sigmaringa foi escolhido pelo fundador de Crato– Frei Carlos Maria de Ferrara– há 280 anos – como co-padroeiro da primitiva capelinha de taipa, coberta de palha, erguida em 1740 no centro da então Missão do Miranda, embrião da atual cidade de Crato.
À esquerda A Mãe do Belo Amor, primeira devoção mariana do sul do Ceará. À direita, São Fidelis de Sigmaringa, co-padroeiro de Crato (Vitral da Capela do Santíssimo da Catedral de Crato)

   Ainda segundo o seu biografo: “Como em tudo brilhante, em breve adquiriu fama e clientela. O Dr. Marcos Rey, no entanto, preferia as causas dos pobres às dos ricos, para poder defendê-los gratuitamente. Em suas defesas, jamais utilizou recurso algum que pudesse tisnar a honra da parte contrária”. Entretanto, Marcos Rey decepcionou-se com a advocacia e decidiu a abandoná-la, ingressando na Ordem Franciscana. Percorreu a Espanha, França, Itália convertendo multidões e passou a ser perseguido pelos radicais protestantes.

    Foi à sombra do castelo de Sigmaringa, às margens do Rio Danúbio, na Alemanha, que Fei Fidelis encontrou refúgio, quando perseguido. Mas no dia 24 de abril de 1622, após celebrar uma missa, de volta ao castelo, caiu nas mãos de soldados protestantes que o assassinaram. Foi beatificado em 1729, e canonizado 17 anos depois. O Vaticano o escolheu como o Protomártir da Sagrada Congregação da Propaganda Fidei.