22 abril 2020

A manada de búfalos - Por: Emerson Monteiro

Eles desciam as encostas de outra montanha gelada do Ártico, pé-ante-pé, às vezes deslizando apressados vendo a hora cair no abismo. Mas iam resignados, cabeça baixa, olhos atentos ao menor sinal de angústia. À frente, ele o senhor do rebanho, o ancião de todos, um chefe do bando cabisbaixo, sorumbático, espécie de nexo dos prados de antigamente quando o gelo derretia e saiam na ânsia do alimento que brotava das gretas das pedras. Aprendera no tempo, dileto amigo da sobrevivência. Nem ele, na verdade, sabia direito aonde seguiam depois da sequidão invadir mares e da insolação desordenada tomar de conta da natureza daquelas bandas do mundo.

Foram dias, semanas, meses, até chegar aos primeiros pastos. Quais andarilhos sem norte, viajaram à procura da Terra Prometida, instinto preso na vastidão esvoaçante de pedra e poeira. O líder, no entanto, bem sabia que sua missão logo estaria completa, desde que avistassem os primeiros sinais de esperança nas cordilheiras ali em frente.

Assim se deu lá numa manhã de sol intenso, recostou-se na primeira árvore do novo continente e, quase sem colar direito as pálpebras, ofegou o derradeiro suspiro, contudo deixando já pronto o novo rei.

Ao ritmo cadenciado de quem busca escolher dentre tantas ilusões a fria realidade, o comandante arrastaria o bando longe, porém, sem saber o rumo certo dos destinos avançaria. E a manada prosseguiu. Chegava aos lugares todos devidamente preenchidos de gentes várias, desde humanos seres a cães, gatos, cavalos; ovinos, caprinos, bovinos; e a mesma rotina estafante dos dias quais aventureiros de quando foram presos no velho continente. Ninguém que fosse lhes pareceu fieis e circunspectos daquilo que vieram neste chão. Imensas maiorias de aflitos catadores de conchas nas praias do Infinito pediam paz e plantavam guerras de clãs.

Tão ainda que insistissem morar nalguma lugar daqueles mais aprazíveis que avistassem, ali existiam donatários dos idos e vividos, escrituras e tradições. Prudentes, entretanto, seguiriam adentro do horizonte. Tangidos, pois, na sorte das aves em voo livre, cobriam distâncias estafantes a cada momento, afeitos ao drama/comédia eterma.

Quando, por isso, avistarem um bando de búfalos largados nas variantes deste universo qual família de judeus errantes, vistas fixas nas curvas das planícies esquecidas, lembre que, lá uma madrugada esquecida, eles resolveram que as almas dormem durante o dia e percorrem, à noite, os céus, e trazem consigo a certeza de que haverá felicidade no íntimo do teu coração. Receba-os; são amigos do sonho e senhores da imortalidade sem fim. 

Para quem pensa, erroneamente, que a Monarquia custa caro


Gastos com mordomias dos ex-presidentes da República do Brasil já somam R$ 60 milhões
por Lúcio Vaz 
 Lula e Dilma são os que gastam mais

Fonte: jornal “Gazeta do Povo” / Fonte: Secretaria-Geral da Presidência da República


   As despesas com as mordomias dos ex-presidentes da República, incluindo assessores, seguranças, carros oficiais e viagens internacionais, já bateram nos R$ 60 milhões de Reais – dinheiro público suficiente para construir 2 mil casas populares. No final do ano passado, surgiu um novo gasto: foram comprados 12 veículos “zero quilômetro”, por R$ 108 mil a unidade, para atender aos seis ex-presidentes. A maior média de gastos é de Dilma Rousseff.

   Afastada do cargo em processo de impeachment em 2016, ela gastou em média de R$ 1,6 milhão nos três anos seguintes. A maior gastança aconteceu em 2017 – R$ 1,87 milhão, incluindo R$ 880 mil com salários de assessores, seguranças e motoristas, mais R$ 990 mil com diárias. Todos os valores desta reportagem foram atualizados pela inflação.

   O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve despesas médias de R$ 1,2 milhão, sem contar os 19 meses em que esteve preso em Curitiba. Naquele período, foram cortadas as verbas para diárias e passagens, mas foram mantidos os oito assessores disponibilizados por lei a cada ex-presidente, a um custo de R$ 1 milhão. O ano de maior fartura dele foi 2014, num total de R$ 1,4 milhão, sendo R$ 860 mil com diárias a passagens. Foi o ano da reeleição de Dilma. Mas o maior gasto com viagens – R$ 1,06 milhão – ocorreu em 2011, primeiro ano após o término do segundo mantado.

Haja dinheiro

       Para as pessoas mal informadas, que acreditam que a Monarquia saí caro, veja só o que custa ao Brasil esses seis (6) ex-presidentes. A totalização por tipo de despesa mostra que os salários dos oito assessores (cada ex-presidente tem direito a 8 assessores) constituem o maior gasto – R$ 44 milhões. São assessores técnicos, seguranças e motoristas. Os assessores melhor remunerados recebem até R$ 14 mil por mês, mas também há salários de R$ 10 mil, R$ 8 mil e R$ 6 mil. São servidores públicos escolhidos pelos ex-presidentes. As despesas com viagens – diárias e passagens – somaram R$ 14 milhões. Lula lidera esse ranking, com R$ 4,9 milhões. Só a última viagem, a Paris, Genebra e Berlim, custou R$ 150 mil. Porém, num período bem menor, Dilma torrou R$ 2,5 milhões. Só uma viagem de férias para Nova York, no ano passado, com duração de 37 dias, acompanhada por assessores, custou R$ 163 mil.

    Há ainda gastos com combustível para os carros oficiais, num total de R$ 386 mil, feitos com cartões corporativos, e despesa com a manutenção desses veículos, mais R$ 106 mil. São disponibilizados dois carros para cada ex-presidente, com as seguintes características: sedan, quatro portas, com ar-condicionado, direção hidráulica, air bag e freio ABS.

Os direitos usufruídos pelos ex-presidentes estão previstos na Lei 7.474/1986 e no Decreto nº 6.381/2008.