26 março 2020

Vândalo destrói imagem do Padre Cícero na estrada Crato-- Ponta da Serra (por Armando Lopes Rafael)



    Na rodovia que liga Crato à Ponta da Serra, logo após a saída da Cidade Princesa do Frei Carlos, existe uma singela e artística Cruz de Cristo, feita de Alvenaria. Ao lado desta, pontifica um  belo e artístico nicho de pedra, a lembrar o local onde morreu um bom Filho de Deus, que deixou ótimos exemplos de cidadão e cristão. Naquele nicho de pedra existiu, por longos anos, uma imagem do Padre Cícero Romão Batista. Cruz e nicho tinham por finalidade abençoar os que transitavam por aquela  estrada.

     Soube hoje, através de uma postagem do Sr. José Danúbio Bezerra Primo, que um meliante quebrou o vidro do nicho e destruiu a imagem do Padre Cícero. Esse marginal danificou mais do que uma iniciativa particular. Ele destruiu um bem que já era público; uma demonstração da mentalidade religiosa do nosso povo.

      Isso ocorreu em plena pandemia do Corona vírus, que varre o mundo. Como se o malfeitor, ao danificar   o monumento, quisesse mostrar que o mal corre solto, sem freios... Mas uma coisa ele não destruiu:  a importância do Padre Cícero na vida das pessoas simples e humildes.

      Bastaria relembrar o que escreveu o Cardeal Pietro Parolin, Secretário do Papa Francisco, em nome de Sua Santidade, na carta que dirigiu a Dom Fernando Panico, 5º Bispo de Crato, quando o Vaticano oficializou a reconciliação da herança espiritual do Padre Cícero com a Igreja Católica:

“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual.  Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanha-los e de ajuda-los na vivência de sua fé”. (grifos meus).

       A misericórdia de Deus é infinita. Padre Cícero, segundo palavras do Papa, representa um pouco essa misericórdia.Que ela saiba perdoar ao delinquente que destruiu  uma imagem dessa Misericórdia, simbolizada na imagem do humilde e querido sacerdote nascido em Crato.

(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)

Era março de 2020 – por José Luís Lira (*)


    Logo que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, ficou famoso mundialmente um livro seu: “A audácia da Esperança”, título que nos inspira, em meio à pandemia que assola o mundo. Dois poemas surgidos, de tão belos, os citaria e declarava encerrado este texto e estaria feliz. Um é de Irene Vella, publicado, em francês, e que o apresentador português Rui Unas emprestou sua voz e o fez viralizar. É uma beleza. O tempo presente se torna passado.

“Era março de 2020... As ruas estavam vazias, as lojas fechadas, as pessoas não podiam sair. Mas a primavera não sabia (...).

Era março de 2020... Os jovens tinham que estudar online e arranjar como se ocupar em casa, as pessoas não podiam ir mais aos centros comerciais nem tão pouco ao cabeleireiro. Dentro em breve não haveria mais vaga nos hospitais, e as pessoas continuavam a adoecer (...).
Era março de 2020... As pessoas foram colocadas em confinamento, para proteger avós, famílias e crianças. Acabaram as reuniões e refeições em família. O medo tornou-se real e os dias eram todos iguais (...). 

As pessoas começaram a ler, a brincar com a família, a aprender nova língua. Cantavam nas varandas e convidavam os vizinhos a fazer o mesmo. As pessoas aprenderam uma língua nova, ser solidários e concentravam-se n'outros valores.
As pessoas aperceberam-se da importância da saúde, do sofrimento, deste mundo que tinha parado, da economia que tinha tombado (...).

Então chegou o dia da libertação. As pessoas ouviram na televisão: ‘ - O vírus perdeu!’. As pessoas saíram às ruas. Cantavam, choravam, abraçavam-se os vizinhos... sem máscaras, nem luvas...  E então o verão chegou, porque, a primavera não sabia. Ela continuou lá, apesar de tudo, apesar do vírus, apesar do medo, apesar da morte... Porque a primavera não sabia... mas, ensinou às pessoas... o Poder da Vida”.

    No Nordeste brasileiro conhecemos praticamente duas estações: verão e inverno. É tempo chuvoso. É o mês de nosso Padroeiro, São José, a quem quase sempre rogamos pedindo chuva. Choveu, chove, mas, no dia do Santo não fomos à Missa, os padres celebraram sozinhos nas Igrejas. O homem do campo, agradeceu, mas, de sua casa. Olhou a lavoura e parece que ajudou à chuva, unindo a ela algumas lágrimas, mas, não perdeu a Esperança em Deus e no amanhã.

    Aí entra o amigo Dr. Ronaldo Frigini, com seu belo “Templo vazio”

“Eu vi, Senhor/ Os bancos de teu Templo vazios/ Todos os teus não estavam neles/ Mas Tu estavas lá.// Eu vi Senhor/ O teu ungido a dignificar-Te/ E proclamar a Tua palavra/ Por que Tu estavas lá”. E, a exemplo d’A Primavera não sabia, apresentou-nos uma luz: “Eu percebi Senhor/ Que embora estejamos cada um no escondido/ Tu nos dás força e coragem/ Para, no tempo que é Teu, podemos voltar para lá”.

    Março é, ainda, mês do Museu Diocesano Dom José que completa 69 anos e do Jornal Correio da Semana que chega aos 102 anos. Celebraremos tudo depois, pois, Deus tudo sabe, nos protege e tem seu Tempo, e, pedimos ao Criador, pela intercessão da Virgem da Conceição, padroeira de Sobral, dos Santos e Santas que foram cientistas, médicos, enfermeiros, militares e jornalistas, proteção aos que trabalham e o fim dessa pandemia e as luzes do Espírito Santo aos cientistas para que encontrem a solução médica para essa doença. Amém!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.