13 março 2020

São José, o Pai Amoroso do Filho de Deus– por José Luís Lira (*)

   Os desígnios de Deus são insondáveis. Agostinho, o grande Bispo de Hipona, reconhecido santo da Santa Madre Igreja, uma das maiores inteligências conhecidas, protagoniza uma dessas situações. Andava ele numa praia quando viu um menininho com um búzio buscando água no mar e colocando num pequeno buraco. Agostinho, curioso, indagou: “O que fazes filho?” Ele respondeu: “Estou mudando o mar para cá”. O Bispo retrucou: “Isto é impossível”. A criança disse: “É mais fácil eu conseguir isso do que o Senhor desvendar o mistério da Santíssima Trindade”. Assim é a obra de Deus. Nossa mente não a alcança. José e Maria entram neste rol de mistérios sagrados e sobre eles pouco sabemos, historicamente.

    José viveu em Nazareth, na Galileia. Seu ofício era de carpinteiro. Chegando o tempo de casar-se, encontrou uma jovem, bela, órfã de Joaquim e Ana, chamada Maria. Os dois, com as bênçãos de familiares e de Deus, decidiram formar sua família, ficando noivos. Naqueles dias, Maria estava rezando, em seu quarto, quando tudo ficou muito iluminado. Era um Anjo e lhe trazia uma mensagem que mudaria sua vida, o mundo. Ela seria a mãe do Salvador, Filho do Altíssimo Deus. Ainda hoje a saudamos com as palavras do Anjo, “Ave Maria!”. Ela explicou que não “conhecia” nenhum homem e o Anjo a acalmou: “o Espírito Santo virá sobre Ti”. Assim se deu. Ela foi cuidar de sua prima Isabel, casada com o sacerdote do Templo Zacarias, que, conforme a revelação do Anjo, também esperava um filho.
   E José, como ficou José?

   Estive na Igreja construída sobre sua carpintaria, em Nazaré, na Terra Santa, e foi difícil controlar a emoção. Os Evangelhos se referem a São José, aclamando-o “homem justo” (Mt 1,19), escolhido por Deus para ser o pai amoroso de seu Filho Jesus (Lc 2,27.33.41.43 e 48), ao casar-se com Maria (Mt 1,24; Lc 1,27). Ele pertencia à estirpe de David (Mt 1,20; Lc 1,27), razão pela qual se deslocou com Maria Santíssima a Belém para comparecer a um censo e ali, num estábulo, nasceu o Salvador, Filho de Deus, Jesus. José passou pela provação da gravidez de Maria de quem ele era noivo, mas, não era o pai do filho dela. Sem saber do que se tratava, conforme o costume de então, José, “sendo justo” e não a querendo infamar, resolveu deixar Maria. Mas, eis que lhe apareceu, em sonho, um Anjo, dizendo: José, “filho de Davi”, não temas receber Maria, tua mulher, porque “o que nela foi gerado é do Espírito Santo”. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher, com todo amor e respeito, respeito que perdurou por toda a sua vida.

   São José é o Patrono Universal da Igreja e Padroeiro do Ceará. No calendário cívico estadual, – 19 de março –, é feriado, em sua homenagem. Antiga é a tradição do povo cearense rogar ao seu Padroeiro pedindo chuvas. Se diz que o inverno é confirmado se chover até o dia de São José. Cientificamente, nas proximidades do dia do Santo, ocorre o equinócio que marca o início do outono e que sempre traz chuvas sobre a terra. Poeticamente diríamos que somos um povo que vive olhando para o céu. Este ano, o inverno já está confirmado e rendemos graças!
    A São José, nosso amor e gratidão!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.