02 março 2020

Símbolos nacionais do Brasil, uma herança da Monarquia – por Armando Lopes Rafael




    No caos moral em que se encontra a sociedade brasileira, dois símbolos ainda resistem nesse estado de muita desordem de confusão de ideias e de subversão dos valores morais: o Hino e a Bandeira Nacional.

      Nossa Bandeira, a mesma que hoje tremula nas manifestações do povo pedindo “Quero o meu Brasil de volta", é a mesma criada no Império do Brasil, com ligeira modificação.  Nosso principal símbolo pátrio foi criado através dor Decreto de 18 de setembro de 1822, desenhada pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret. Composta de um retângulo verde e um losango amarelo, cores escolhidas por Dom Pedro I, a lembrar o verde da Casa de Bragança (origem do nosso primeiro Imperador) e o amarelo da Casa Real dos Habsburgos, de onde provinha a Imperatriz Leopoldina.

     Essa história de "verde das nossas matas e amarelo do nosso ouro" é outra Fake News dos republicanos...

      No Centro da linda bandeira, pontificava o Brasão do Império, cercado de ramos de café e tabaco, e indicados – no mencionado decreto – como "emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação". As 19 estrelas de prata correspondem às 19 províncias que o país tinha na época. Menos de quatro meses depois, a coroa real que se sobrepunha ao brasão foi substituída por uma coroa imperial "a fim de corresponder ao grau sublime e glorioso em que se acha constituído esse rico e vasto continente", afirmava o decreto de 1º de dezembro de 1822.

      Também o nosso Hino Nacional (igualmente oriundo dos tempos imperiais), o mesmo  ouvido ainda hoje, com todo respeito, por milhões de brasileiros, remonta ao reinado de Dom Pedro I. Esse Hino era executado, à época da Monarquia, sem ter ainda uma letra. Conhecida apenas como “Marcha Imperial”, nosso Hino foi tocado nos campos de batalhas da Guerra do Paraguai. Depois desse conflito foi popularizado na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil.

       Com o advento do golpe de estado que implantou a República dos Estados Unidos do Brasil, no chamado “Governo Provisório” – dirigido pelo Marechal Deodoro da Fonseca – foi instituído um concurso para a adoção de um novo hino nacional. A ordem era (tentar) apagar tudo que restasse do Brasil-Império. Vivia-se os novos tempos republicanos e a propaganda oficial dizia que tudo iria melhorar; que o Brasil iria trilhar uma nova senda do progresso e de bem estar para a “brava gente brasileira” ... Quantas vezes, nos últimos 130 anos, vimos esse filme...

      Pois bem, na noite de 20 de janeiro de 1890, o Teatro Lírico do Rio de Janeiro estava superlotado, reunindo as mais destacadas personalidades da então capital brasileira, para conhecer o novo Hino Nacional. No camarote de honra, o velho Marechal Deodoro, àquela época já bastante decepcionado com alguns companheiros do golpe militar de 15 de novembro de 1889. O hino que obteve o primeiro lugar no concurso foi composto pelo maestro Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque. Na verdade, uma bonita peça (hoje chamada de “Hino da República”, que começa com o refrão: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

      Ao final da execução do hino, o Marechal Deodoro bateu o martelo e impôs:

– Prefiro o velho!

      Manda quem pode e obedece quem tem juízo, diz o dito popular! Foi quando ficou preservada para as gerações vindouras, a bela “Marcha Imperial”, o mesmo Hino Nacional Brasileiro de hoje, cujos primeiros acordes (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ De um povo heroico o brado retumbante”) nos enche de orgulho e nos faz reviver o pouco de patriotismo que ainda resta à “Pátria amada, Brasil".



Texto e postagem de Armando Lopes Rafael