31 janeiro 2020

O Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde – por Armando Lopes Rafael


  O meu caro amigo José Luís Lira – coração generoso e um “gentleman” a toda prova – sempre que dispõe, envia-me duplicatas de estampas com relíquias de segundo grau, de santos ou de candidatos à beatificação, da Igreja Católica Apostólica Romana.

     Dias atrás, fê-lo, através de uma remessa que muito me alegrou. Junto a algumas relíquias, uma delas – a do Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde –  chamou-me particularmente a atenção. Nunca tinha ouvido falar nesse futuro santo. Mas, vendo a sua fotografia, onde se sobressai um olhar profundo, puro e cheio de bondade, tal imagem inspirou-me a buscar, na Internet, informações sobre este santo homem.

       Por onde passou, Pe. Júlio Maria, cumpriu fielmente sua missão sacerdotal, dentro da mentalidade da Santa Igreja Católica, àquela época. Começou seu ministério no Brasil na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá. Por onde morou ministrou os sacramentos católicos. Pronunciou sermões edificantes e palestras; fundou escolas, hospitais, asilos e três congregações religiosas: Filhas do Coração Imaculado de Maria (1916), Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora (1929).

          Foi escritor e jornalista, tendo fundado em, em Belo Horizonte (MG), a Gráfica e Editora O Lutador, a qual edita, ininterruptamente, há mais de 90 anos, o periódico “O Lutador”.

           Padre Júlio Maria de Lombaerde faleceu em 1944, vítima de um acidente de trânsito, entre as cidades de Alto Jequitibá e Manhumirim, em Minas Gerais. Aliás é na cidade de Manhumirim (integrante da Diocese de Caratinga) onde fica a sede da Causa de Beatificação do Pe. Júlio Maria.

     Quem quiser adquirir estampas/relíquias desse Servo de Deus, pode se dirigir ao Pe. Heleno Raimundo da Silva – Praça Bom Jesus, 38 – Manhumirim (MG) Cep 36970-000.

Lua em descompasso – por José Luís Lira (*)



     Maria Beatriz Rosário de Alcântara, a escritora Beatriz Alcântara, querida amiga e festejada intelectual cearense, lançou, em dezembro último, o livro “LUA em DESCOMPASSO”, capa artisticamente preparada, edição primorosa. Característica comum em seus livros, não tem prefácio, nem apresentação ou posfácio. Dedicado a Lúcio Alcântara, marido de Beatriz, a quem diz: “sempre, ainda e sobretudo na busca da ‘palavra’ exata”, o livro é iniciado com poesia e poesia das boas. Antes de cada “caderno”, digamos assim, de poesia, a autora faz citações, iniciadas pela “melodia sentimental”, de Villa-Lobos.


     A poeta (ou poetisa?, não sei, mas, poeta ou poetisa, compõe poesia e poesia é o que move a vida e penso que poesia não tem gênero algum) define o título de sua obra dando voz à Lua(r) em Descompasso: “Gosto, às vezes, de sorrir/ de mim mesma,/ muito sozinha/ madrugada tardia e/ espreitar a lua ao luar,/ distante de todo enlevo,/ sem verdades lisas e cruas,/ tudo avesso ao pensamento longo,/ demorado, que não se sabe onde vai chegar./ Súbito, vem aquela vontade de fazer um pedido/ com meiguice: tem um chocolate de leite para mim?”. E a noite segue escura, “Do céu cerrado sem estrelas./ piado de coruja chama/ lua nova, noite soturna,/ cipreste sombrio,/ nada tem luz para se olhar...”.

    E as dúvidas e incertezas do “Por Isso ou Aquilo”, chegam ao texto: “Daquilo e disso/ herdamos muito mais/ do que temos ideia./ Pensamos ser estranhos...”, mas, “Muito vai além do que acreditamos/ serem revelações entre suposições”. “Por isso ou aquilo, o tempo dança,/ eu danço e, na família, fica a herança”. E “Indo e vindo”, “Vivo a divagar por tudo que fui/ e nem pensava que queria,/ assim, complexa e indivisível/ num devanear de lua cheia,/ alma sôfrega, saudade e ternura”. A vidraça, ah a vidraça... “Vidraça, olhar de mistério/ e segredos, vem me contar.../ Vamos, janela, faz de conta...”.

     A pátria-mater brasiliensis Portugal é presente não só na vida de Beatriz, visto que seus pais são portugueses e ela fora lá educada, embora nascida no Ceará, mas, na obra que lemos. Vale lembrar um trecho da mini-autobiografia que ela tece na orelha do livro, “... vim de férias ao Ceará, onde, em menos de quinze dias, decidi permanecer. A liberdade de expressão, a toância da música, a alegria em tudo presente, as praias de mar verde e o calor ameno, criaram em mim a certeza de um elo encantatório para sempre”. E assim, vez por outra, cenas portuguesas aportam na Lua em Descompasso. E Rachel de Queiroz e Artur Eduardo Benevides, poderia dizer meus padrinhos literários, são citados por Beatriz. De Rachel cita trecho d’As Três Marias, de uma, Rachel, ela fora amiga; de outra, Alba Frota, ela fora aluna. E Artur foi seu Mestre, o homem da “Pacatuba, Pacatuba, bá...”. E os idiomas inglês e francês se juntam nesse descompasso da lua e velhas amizades, dias de juventude e de ternura são lembrados.

     Artur Eduardo Benevides abre caminhos para Iracema, a mãe romantizada dos cearenses, mas, temos também Canindé, fotos de viagem e Fortaleza. E, POESIA... que “existe/ porque a vida não basta!”, como dizia o Mestre Gullar, aqui citado.
      Parabéns, Beatriz Alcântara, com iniciais literalmente maiúsculas!


  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.