05 janeiro 2020

252 anos da instalação da Paróquia de N.S.da Penha de Crato



   Neste dia – 4 de janeiro de 2020 – a Paróquia de Nossa Senhora da Penha completa 252 anos da sua instalação. Segundo o pesquisador e historiador Padre Antônio Gomes de Araújo, desde 1762 a autoridade diocesana da maior parte do Nordeste brasileiro, o 8º Bispo de Olinda e Recife, Dom Francisco Xavier Aranha – que governou a sua vasta Diocese entre 1754 e 1771, – já havia decidido pela criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, na Missão do Miranda (primitivo nome ada atual cidade de Crato). No entanto a nova Freguesia (como era denominada a Paróquia naquele tempo) somente foi oficialmente instalada em 4 de janeiro de 1768, pelo Visitador do Bispo, Pe. José Teixeira de Azevedo.

    A Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Crato foi a segunda criada no Cariri. A primeira foi a Paróquia de Nossa Senhora da Luz, de Missão Velha (que depois teve o nome mudado para Paróquia de São José dos Cariris Novos).  Apesar de ter 252 anos de sua criação oficial, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha só teve 25 Vigários (hoje chamados Párocos), pois muitos deles tiveram longo paroquiado, principalmente no Brasil Colônia e Brasil Império quando a Igreja era ligada ao Estado e os párocos eram nomeados “Vigários Colados” pelo Rei de Portugal e, posteriormente, pelos Imperadores do Brasil.

        Nunca é demais recordar que este templo da Virgem da Penha, é possuidor de uma bonita história, com mais de dois séculos e meio. Este é o edifício mais importante do patrimônio artístico e histórico da cidade de Crato. Ele teve início por volta de 1740, como simples capelinha de taipa, coberta de palha, erguida pelo frade capuchinho Frei Carlos Maria de Ferrara, e dedicada em primeiro lugar   a Nossa Senhora da Penha e em segundo plano a São Fidelis de Sigmaringa.

         Esta igreja foi palco de muitos acontecimentos históricos. Foi aqui, em 3 de maio de 1817, que o seminarista José Martiniano de Alencar, um dos revoltosos da Revolução Pernambucana, anunciou a adesão de Crato ao movimento iniciado em Recife, declarando o Brasil independente de Portugal e adotando a forma republicana de governo. Foi neste mesmo local que o Padre Cícero foi batizado, em 08 de abril de 1844 e ali celebrou a sua primeira missa, em 1871. Foi nesta igreja que em 1º de janeiro de 1916, foi instalada a nova Diocese de Crato e a então igreja-matriz ganhou o status de Catedral.

(Pesquisa e postagem:Armando Lopes Rafael)

Gecinelda se encantou – por Armando Lopes Rafael


“Cada experiência esconde uma lição.
Até mesmo a dor vem ensinar e evoluir.
Não pergunte: Por que devo passar por isso?
Mas sim: o que tenho a aprender com isso?
Entender a vontade de Deus nem sempre é fácil.
Mas crer que Ele está no comando e teve um 
plano para nossa vida, faz a caminhada valer a pena.
Com paciência, sabedoria, discernimento e humildade”


   No seu discurso de posse, na Academia Brasileira de Letras, o romancista João Guimarães Rosa pronunciou esta frase: “As pessoas não morrem, ficam encantadas… a gente morre é para provar que viveu.” Em assim sendo, Francisca Gecinelda de Souza Ribeiro se encantou no último dia 29 de dezembro.

    Convivi com ela, na Agência do Banco do Nordeste, em Crato, já próximo da minha aposentadoria, daquela instituição financeira. Cheguei a Crato em 1998. Mesmo ano que Gecinelda retornava ao trabalho, depois de um longo afastamento, para tratamento de insidiosa doença. Chegou curada, após uma cirurgia oncológica e as sessões de quimioterapia. Mas a traiçoeira moléstia voltou, como recidiva, 21 anos depois.  E, bravamente, cheia de esperanças, Gecinelda enfrentou os novos sintomas com a mesma garra e bom humor que marcaram o primeiro tratamento. Esta a principal característica de Gecinelda: ela era uma guerreira!

       Mas não só. Ela possuía um temperamento dócil e alegre. Tinha sempre uma palavra otimista para enfrentar as dificuldades. Aconselhava os colegas. Era solidária com o próximo quando este enfrentava obstáculos.  Era profundamente cristã. Servia como modelo de leiga católica. Nesse mister, Gecinelda testemunhava e difundia o Evangelho. Incentivava a procura do Reino de Deus.  Atuava em diversas pastorais da Paróquia onde residia.

  Na epístola aos Gálatas (5,22) São Paulo escreveu: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.  Pois isso, Gecinelda tinha de sobra.  E se a pertinaz doença que a acometeu, passa, agora, a impressão de ter vencido, para nós – que cremos – o sono da morte não é o fim da história. Na tumba, Jesus disse a Marta, irmão de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25).