03 janeiro 2020

Ano 2020 do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo – por José Luís Lira (*)


       Atribuem a Carlos Drummond de Andrade o texto que segue, no entanto, é autor Roberto Pompeu de Toledo: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”. Drummond diz: “O presente é tão grande, não nos afastemos./ ... vamos de mãos dadas” e o Poeta nos dizia ainda ter todo “o sentimento do mundo”.

     O jornalista-poeta Toledo e o poeta-maior Drummond nos orientam e o ano começou de verdade dia 2. Será que já começou mesmo ou será segunda-feira, 6, antiga festa de Santos Reis, data em que muitas empresas dão término ao recesso de final de ano? É ano novo, vida nova, para nós que seguimos o calendário gregoriano, adotado pelo Ocidente em 1582, após uma bula do Papa Gregório XIII. Outros povos já vivem um novo ano. Muitos afirmaram o início de uma nova década. Mas, propriamente, ainda não é. O calendário gregoriano é contado do ano 1, ano em que nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo. Não teve início no “zero”, por isso toda década começa em 1. Em 2021 celebraremos o início da segunda década deste século.

Madre Feitosa jovem e na ancianidade

    Um dos maiores sentimentos do período de final e início de ano, além da gratidão, é a esperança. Quase todo nosso caminhar é tempo de esperas! E há 9 dias, último 27 de 2019, duas pessoas muito queridas para mim, trilharam o caminho maior da esperança. Foram chamadas por Deus. Uma delas, que fora na parte da manhã, dedicou sua vida a Deus e ao próximo. A caridade e a educação foram seus principais instrumentos: a Madre Feitosa, da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus. Maria Carmelina Feitosa, nascida em Tauá, criada em Arneiroz e aos 14 anos chegou ao Crato.

     Pouco depois ingressou na vida religiosa e se constituiu um edificante exemplo aos que a conheceram ou viram seu trabalho ou, daqui para a frente, conhecerem sua biografia. O advogado busca sempre a prudência, a mesma prudência que a Santa Madre Igreja Católica recomenda, mas, o fiel que sou me diz que ela é “santa súbita”. Em minhas devoções particulares já a tenho. Seu sepultamento aconteceu na festa da Sagrada Família, último domingo de 2019, na Capela da Casa de Caridade, onde morava e agora ficará abençoando e protegendo aquele espaço, visto que as relíquias dos santos têm entre outras, esta função. Tão logo soube de seu retorno à Casa do Pai, me comuniquei com o querido amigo Armando Rafael, também amigo e devoto da Madre. A ele expressei meu sentimento como se o expressasse a todos os que amam a Madre Feitosa. Que Deus a recompense pelos seus feitos.

      No largo caminho da esperança também seguiu, na noite da mesma sexta-feira, a querida amiga Rosita Ferreira de Souza. Quixadaense, professora, educadora. Rosita nasceu na Fazenda Califórnia, onde seu corpo repousou. Foi uma das maiores amigas de minha querida madrinha Rachel de Queiroz. Depois que Rachel partiu, tínhamos a Maria Luiza, Isinha, sua irmã, quando esta se foi, tínhamos a Rosita. Agora as três estão juntas no céu e, lá, espero que conservem nossa amizade. À Rosita, meu eterno carinho e amizade! Sigamos na trilha da esperança e que a beleza nunca se ofusque nos dias do novo ano, mesmo quando tivermos dificuldade para enxergá-la.
      Com ternura, Feliz Ano Novo!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.