16 dezembro 2020

Dos desafios que vive a Civilização - Por: Emerson Monteiro


Isso além até da própria sobrevivência das pessoas, há, nos tempos de agora, necessidade do crescimento da cultura face às interrupções do ritmo regular ao qual nos víamos submetidos. Menos previsíveis do que os planejamentos, vieram impactos cruciantes, qual numa oscilação de curva, e aquilo que antes parecia definitivo nada mais era do que respiração a que logo começassem, outra vez, severos desafios. Nisto são as hecatombes naturais, as crises sociais, os impactos de guerras e revoluções, as dores das populações, enfim a tal pandemia que ora grassa nas noites tormentosas, seguidas de horas alegres e festas, festivais e progressos só parciais. Bem assim caminha a nossa humanidade.

Ao exemplo disto, transcorrem a Terra e seus povos um período crítico coletivo, envolto de nuvens escuras, ansiedade e aflições. Do ponto de vista da saúde comum, multidões padecem a ameaça de inimigo invisível que rompe fronteiras e invade os lugares distantes. Vírus letal ceifa vidas, enquanto a Ciência busca respostas que impeçam o pior, nem sempre com o sucesso desejado.

As marcas dos recentes acontecimentos, desta segunda década do milênio, revelam marcas profundas nos limites humanos. Diante de tantos avanços tecnológicos, revela-se ausência quase absoluta de meios que ofereçam resposta à crise sanitária atual, onde todos abrem os olhos a incapacidade que assusta, quadra difícil da espécie humana, quando ninguém mais confia em ninguém mais, por causa do risco de contágio. Uma dúvida galopante, por isso, toma conta da espécie, neste momento. A herança do quanto acumulado virá mera peça de museu, num questionamento geral.

Bom, eis o resumo do que acontece nos diversos países, vista a fase difícil que exige atitudes sobre-humanas e impõe questionamentos severos à espécie inteira. Em menos de 365 dias, aqueles valores e providências que davam segurança perderam sentido, pondo por terra os brios das conquistas acumuladas durante milênios.  

A História padece, pois, ter de reiniciar desde os princípios arcaicos e descobrir meios urgentes de reverter seu curso, inclusive substituindo as prioridades que dominaram até aqui. Nunca houve, na existência de tudo deste chão, tamanha importância da solidariedade e do respeito de uns pelos outros irmãos, que é mesmo o que somos.

(Ilustração: Ran, de Akira Kurosawa).



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