23 dezembro 2020

A força do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Neste mundo cercado de notícias e prédios matemáticos, em meio aos ruídos diversos do império absoluto do Tempo e seu tribunal, permanecem os humanos face a face consigo a buscar a calma dos elementos. Às vezes, se olha o passado, quarto de despejo do futuro, abarrotado dos trastes de quem ninguém sabe o sucesso, porém largados na trilha das ausências e dessas a impaciência de encontrar felicidade, mesmo naqueles outros que fitam o futuro e também ali um dia existirão. Dentro, pois, do espaço contínuo desses existires, transcorre, numa velocidade estonteante, o caudal dos acontecimentos, pensamentos e sentimentos. 

Bem isto, do tal ser que somos, testemunha de si próprios nos vastos campos do Senhor, vêm questões principais, os dramas das existências só quase no início de compreensão. E nisso ficar observando, sem saber interpretar direito, a razão do que vivemos aqui. Uns receitam viagens, outros festas, mais outros, argumentos vários, em marés de sustos e alegrias.

Quantos gostariam, nesta hora, de aceitar as normas do Destino e cruzar noites de pura paz?! Quantos e tantos. Sorrir aos dias tais crianças em estado de inocência e caminhar destemidos nas escarpas do Infinito. Porém houve que conhecer os dois lados de si e poder aceitar o que de melhor existe, no entanto. Descobrir o efeito das marés nas profundezas da alma, o que perfaz o mais íntimo...

Em face das persistentes aflições e angústias de desconhecer a plena Sabedoria, arrastamos o instante, a fazê-lo eterno pelos confins do firmamento. Remamos o barco da presença nas ânsias incontidas da História, onde reis e súditos confundem seus papeis. Entretanto, cientes de que ignoram os motivos de estar aqui, ainda assim adotando de certeza que justos são os princípios que regem o Universo inteiro. Então, brumas de silêncio cobrem lentamente de gritos as horas e trazem o senso da consciência aos corações adormecidos.

(Ilustração: Ingmar Bergman, em O sétimo selo).

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