31 dezembro 2020

A crônica de 31 de dezembro

 Como surgiram as monarquias? – por Armando Lopes Rafael

   No decorrer dos séculos, pelos usos, costumes e tradições dos povos, foram se formando as chefias naturais, sempre de baixo para cima. Pois tudo que é orgânico nunca emana de cima para baixo, mas decorre de baixo para cima. Assim nasceram as primeiras lideranças e os primeiros regimes políticos. Semelhantes a uma semente vegetal, que uma vez plantada no solo, tende naturalmente a crescer para cima, a se desenvolver, a alcançar uma plenitude e a realizar uma vocação. O mesmo que ocorre com as pessoas e com as sociedades. A riqueza da sociedade está exatamente nesta diversidade de vocações. Nesta harmônica e proporcional desigualdade. Se todos quisessem ser médicos, não teríamos o camponês, o artista, o engenheiro, o professor, o artesão, o historiador, o literato, etc. O igualitarismo continua sendo uma utopia (E onde foi implantado tornou a sociedade mais pobre, mais triste, mais desumana).

   Estima-se que a Monarquia tenha surgido juntamente com a organização da própria sociedade, ou seja, com a aglomeração de pessoas e a formação das primeiras cidades. No início era uma monarquia com muitos defeitos. Comandada pelos mais fortes, até que evoluiu para a escolha de uma família destacada. Posteriormente, foi adotado o direito hereditário e a primogenitura, evitando lutas e crises na busca pelo poder. Depois, tivemos as monarquias absolutas com todos os seus defeitos. É por isso que as monarquias absolutas são hoje descartadas pelos atuais monarquistas.

      Até que se consolidaram as monarquias parlamentaristas constitucionais, nas quais o Rei é só o Chefe de Estado. E o Governo (todo governo é sempre transitório, daí a alternância do poder) é formado após os resultados das eleições livres, quando o povo vota para escolher os vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores.   
    
        Acertadamente escreveu o escritor Armando Alexandre dos Santos: “A monarquia longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou desconhecimento. Pode até parecer um sonho, mas como escreveu Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. E se a monarquia parece um sonho, a república que temos no Brasil sem dúvida é um pesadelo”.


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