30 outubro 2020

"Sede Santos " - por José Luís Lira (*)

 

     Nosso Deus nos deu este mandamento: “Sede santos, porque eu o vosso Pai sou santo”. Lembro-me de um tempo em que se via a santidade como algo quase inatingível. Os santos estavam mais na Europa e embora os amássemos, não conhecíamos quem os conheceram ou nós mesmos não os víramos. De uns tempos este cenário mudou. Os primeiros beatos brasileiros e os primeiros santos foram mártires que vinham ao mundo recém-descoberto. Sua devoção acabou sendo mais enfatizada em Portugal e aqui, no Brasil, pouco se divulgou. Depois tivemos um beato que aqui viveu e exerceu seu apostolado, São José de Anchieta. E vieram Santa Paulina e Santo Antonio de Sant’Ana Galvão. Aqui e alhures, nesta Terra de Santa Cruz, fomos vendo o sinal da santidade entre nós. Temos uma quantidade expressiva de santos e beatos e muitos que estão a caminho do reconhecimento de sua santidade por parte da Igreja Católica.

    Em nossa Diocese de Sobral a primeira causa que nos chamou a atenção foi a do Pe. Dr. José Antonio Maria Pereira Ibiapina (1806-1883), o Pe. Ibiapina, advogado, deputado e secretário de Estado nos tempos civis, depois sacerdote, missionário, em cuja vida encontramos as virtudes que o fizeram ter a causa de beatificação aberta na Paraíba. Depois tivemos o bispo Dom Francisco Expedito Lopes (1914-1957) que exerceu seu ministério em outras dioceses, mas, filho desta Sobral. E o tempo permitiu que Deus nos premiasse com dois sacerdotes que viveram e desenvolveram sua missão na Diocese de Sobral e cujas virtudes os levam a terem causas de beatificação e de canonização correndo em nossa Diocese Sobralense. Muitos de nós os vimos, fomos aconselhados por eles, e temos sinais de suas famas de santidade e notícias de graças e milagres alcançados por suas intercessões.

     Nessa proximidade do dia de Todos os Santos recordo-me do Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade (1915-1985), fundador da Congregação das Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, ou, oficialmente, Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade e do Mons. Waldir Lopes de Castro (1931-2001), pároco da Paróquia de São Manuel de Marco entre 1964 e 2001, oficialmente, Servo de Deus Waldir Lopes de Castro. Estes dois últimos são conhecidos nossos. Se não os vimos, conhecemos quem os viu e aproximam de nós este fenômeno tão belo da Igreja Católica, a santidade.

    

      Neste mesmo contexto, na terça-feira, 27, o Papa Francisco autorizou a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os decretos que reconhecem o martírio da Serva de Deus Isabel Cristina Mrad Campos, morta por ódio à fé, em Juiz de Fora (MG), em 1º/09/1982, e do Irmão Roberto Giovanni, da Congregação dos Estigmatinos, paulista, falecido a 11/01/1994, aos 90 anos. Unindo-se à cearense Benigna Cardoso, criança, cuja beatificação já está autorizada, e pelas mesmas circunstâncias, aguardaremos a beatificação de Isabel Cristina, cujo postulador é o mesmo dos Servos de Deus sobralenses José Antonio Ibiapina, Joaquim Arnóbio e Waldir Lopes, o Dr. Paolo Vilotta, a quem parabenizo pelo trabalho sério que desenvolve. A primeira notícia que tive da futura Beata Isabel Cristina foi pelo santo sacerdote Mons. Antonino Soares, que conservava uma foto dela em seu breviário.

     Que os santos nos inspirem e junto a Deus intercedam por nossas necessidades, em especial, pelo fim da pandemia! 

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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