17 setembro 2020

Enquanto botamos a culpa só nos outros - Por: Emerson Monteiro

 


E nós o que estamos fazendo de tão diferente que nos dê elementos a indicar nos demais as dependências que ainda regem esse mundo? O que de melhor temos a oferecer, que esperamos um dia poder fazê-lo e transformar o quadro de miséria que invade países, toma os noticiários e fabricam armas sofisticadas para eliminar os irmãos? Que novos equipamentos inventamos que refaçam as esperanças de tantos perdidos na escuridão do desespero? (Aguenta mais um pouco?) Quais medidas drásticas já aplicamos ao nosso ritual de acomodações e vícios que transmitam confiança e justiça diante dos métodos até então levados à prática? Que exemplos de sinceridade no trato da coisa pública, das carências sociais e dos métodos de respeito mútuo, que não gerem descompasso e cobrança no decorrer da história, seremos os autores? O sal na sua intensidade, que tem tanto sabor e com que iremos salgar o gosto de profundas revisões nos costumes coletivos, aguarda a milênios nossa participação atual.

Nisso, enquanto apontamos o erro nos olhos dos outros, a trava encobre nossa autocrítica de rever os conceitos, trabalhar valores dignos e somar as partes do grande universo na expectativa de solução. Guardamos dons e talentos só na intenção da festa maior do dia da vitória, invés de agir hoje no patamar das próprias pernas, arautos da verdade e senhores da razão de agá. 

A comunidade apresenta exata a nossa cara... Resulta dos bilhões que somos a humanidade espalhada entre solidão e guerras, rebanhos afeitos ao interesse particular e dos grupos exclusivos, largados nas vestes do egoísmo, infestados da ansiedade torpe do poder terreno. Abrir mão dos desejos individuais, nisto nem pensar. 

Quando, pois, quisermos revidar os erros dos que nós mesmos pomos no poder, merece avaliar o quanto de responsabilidade precisa que assumamos e tratemos disso logo agora, na disposição de recriar as expectativas deixadas pelos fracassos e perdas. Homem algum é uma ilha, dissera John Donne, poeta inglês. Chega de omissão e fuga da realidade real, nos gestos e fraquezas. Se há que mudar o mundo, comecemos de nós mesmos, então. Unicamente desse jeito de mudar a nossa cara, veremos caras novas a seguir conosco nesta jornada infinita das estrelas.


13 setembro 2020

O Almirante Cochrane e os índios Cariris– por Armando Lopes Rafael


    O maior elogio feito aos índios Cariris, que eu conheço, veio de Lord Cochrane, Almirante da Marinha Real Britânica, nobre escocês, herói nacional do Reino Unido e considerado “O maior herói naval da Escócia”. Existe na sua terra natal, um busto dele para lembrar sua epopeia nas guerras contra Napoleão Bonaparte. Este chamava o Almirante inglês de “Loup de Mer” (Lobo do Mar).

    Visionário, Lord Thomas Alexander Cochrane (este seu nome completo) atuou também na América Latina e passou à história do Chile, Argentina, Brasil e Venezuela. Neste último país, Lorde Cochrane auxiliou Simon Bolívar na Independência venezuelana. Em 1817, prestou serviços aos generais Bernardo O’Higgins e San Martin e às forças independentistas chileno-argentinas, como comandante de esquadra.

      Em 1823, Cochrane já estava no Brasil. Convidado pelo Imperador Dom Pedro I, Cochrane iniciou seus trabalhos para consolidar a independência do Brasil, após o Decreto Imperial de 21 de março de 1823, que lhe conferiu a patente – única na história naval brasileira – de Primeiro-Almirante. Sua missão: debelar pequenos focos de resistência à independência do Brasil. Desnecessário dizer que se houve bem na missão que lhe foi confiada pelo Imperador Dom Pedro I.

     Registra a história que em 1824, Lorde Cochrane também contribuiu para sufocar a Confederação do Equador, movimento republicano nascido em Pernambuco, que teve desdobramentos no Ceará. O bloqueio da cidade de Recife foi feito por Lorde Cochrane. Ele foi impiedoso nos seguidos bombardeios à capital pernambucana, deixando a população civil sem gêneros alimentícios, sem remédios e sem munição. Após a capitulação de Pernambuco, Lord Cochrane passou-se ao Ceará, onde foi igualmente vitorioso.

     O historiador J.de Figueiredo Filho, no 1º volume da sua História do Cariri, – na página 10 – reproduz um texto de relatório do Lorde Cochrane, no qual elogia os índios Cariris, seus aliados na luta contra os insurgentes da Confederação do Equador, no Ceará. A conferir.

“Os chefes indianos (ou seja, os caciques dos Cariris), assim com a gente que desses dependia, foram de grande préstimo na restauração da ordem, combinando robustez corporal superior com atividade, energia, docilidade e força de aturar que nunca falhava – formando, com efeito, os melhores padrões da raça que eu vira na América Latina”.

A crônica do domingo

As fitas verdes da Imperatriz

   O então Príncipe Dom Pedro de Alcântara – nosso futuro Imperador Dom Pedro I – lançou, na colina do Ipiranga, o famoso grito que fez do Brasil independente. Dias depois, nos salões completamente cheios do Paço de São Cristóvão, reclamava Sua Majestade que lhe trouxessem fitas verdes, pois queria que todos usassem o laço das cores representativas do Brasil livre. Vendo que ainda faltam alguns distintivos, virou-se alegremente para a Imperatriz Dona Leopoldina, perguntando-lhe:
   – Não haverá mais fitas verdes no Paço?

   Sorrindo, a esposa disse-lhe que não, mas, ainda assim dirigiu-se aos seus aposentos, para mais uma busca. Abriu e remexeu em quantas gavetas encontrou, mas nada de fitas verdes. Já desanimava, e se dispunha a voltar ao salão com as mãos vazias, quando os olhos caíram sobre sua cama, cujas fronhas ostentavam, a correr pelos ilhoses de bordado, fitas da cor procurada. Não se deteve a pensar; arrancou todas as fitas e voltou ao salão, ruborizada e feliz, para distribuir os distintivos. Em seu entusiasmo, chegou a exclamar:
– Não havia mais fitas, mas arranquei as dos travesseiros de minha cama!


   Imediatamente, sentindo o silêncio que se fizera, Sua Alteza corou. Viu que ninguém se sentia digno o suficiente da honra daqueles distintivos. No meio da indecisão, o primeiro a dar um passo à frente foi Embaixador Antônio de Menezes Vasconcelos Drummond. A Princesa Dona Leopoldina lhe estendeu a mão que segurava um laço verde, e sobre aquela mão e aquele braço, o Embaixador inclinou sua cabeça de patriota e beijou os dedos da nobre dama, agradecendo-lhe a honra:
– Obrigado, Majestade!

   Foi aquela a primeiríssima vez, após a Independência, que alguém lhe dava o tratamento de Majestade, reconhecendo-a como Imperatriz do Brasil.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria de Leopoldo Bibiano Xavier).
Publicação original: Face Book Pró Monarquia


12 setembro 2020

As andorinhas dos fins de tarde - Por: Emerson Monteiro

 


Nasci numa fazenda (o Tatu) no município cearense de Lavras da Mangabeira. Próximo da casa de meus pais havia uma capela em volta da qual, aos finais das tardes, acorriam bandos de andorinhas em dança festiva a formar coreografia insistente que envolvia o escurecer num ritual misterioso, nuvens mágicas das aves em chilrei que, ainda hoje, ecoa pelos corredores da minha memória. Lembro como sendo vivência recente a observar admirado os volteis aéreos dos pequenos pássaros na sua escrita primorosa dos céus quase escuros. As calçadas em volta eram de tijolo nu bem no tom avermelhado dos barros do sertão, de cujos espaços vazios cresciam pés de carro santo, planta de verde musgo e folhas espinhentas. Sentado nos batentes da pequena igreja, contemplava essa paisagem do poente aonde o Sol descia com reflexos derradeiros sobre as águas do Riacho do Meio, lá embaixo logo depois dos canaviais do brejo.

Recordo essas cenas muitas vezes no decorrer dos dias. Sem nenhuma intenção, me vejo, de novo, nos entremeios da memória secundária que nos acompanha toda hora, a presenciar a pureza rara dos entardeceres daquelas calçadas da igrejinha. Ali de junto havia, também, um sombreado fícus benjamim, o chiqueiro das ovelhas, defronte às pedras de antiga construção que se perdera no tempo e, vizinho, a casa de Seu João Preto, o morador responsável pela criação.

Assim, involuntariamente, de comum, ao reviver esses retalhos de passado distante, vêm de junto histórias guardadas sob os refolhos de mim mesmo, a pedir atenção, e que termino por narrar pouco a pouco no desejo insistente de procurar o nexo de tudo isso que chamam existir.

Vejo essas percepções, também, ao escutar algumas músicas que trazem de volta lembranças bucólicas de vidas sertanejas dos compositores e poetas, matéria prima dos sonhos da infância de quando viveram as doçuras dos rincões interioranos, o que lhes acompanha vidas inteiras.

Vem aí o XXX Encontro Monárquico Nacional



Caros monarquistas,

Temos a grande satisfação de enfim poder anunciar que muito em breve será realizada a edição de 2020 do evento que anualmente congrega veteranos e jovens monarquistas de todo o Brasil.

Sob o leitmotiv “Tradição vs. Nova Ordem Mundial”, o XXX Encontro Monárquico Nacional – outrora previsto para o início do mês de junho – será realizado, excepcionalmente este ano, em formato de videoconferência, face à pandemia do novo coronavírus e em respeito às medidas de distanciamento social em vigor em todo o nosso País.

Também serão celebradas, em São Paulo e no Rio de Janeiro, Missas em Ação de Graças pelo 82º aniversário natalício de Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil.

As datas de realização de cada um dos atos, a programação detalhada das conferências do Encontro e o formulário de inscrição serão disponibilizados oportunamente.
Na grata expectativa desse tradicional e vivificante reencontro, cordialmente nos subscrevemos.

Saudações monárquicas,
Pró Monarquia / Secretariado da Casa Imperial do Brasil


Sacerdotes Católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

 Padre Frederico Nierhoff

   Nascido em Gelsenkirchen, Alemanha, em 26 de janeiro de 1916, Padre Frederico foi o oitavo filho de um casal profundamente católico: Hermann e Adolfina Nierhoff. Iniciou ele seus estudos teológicos em Oberhundem, transferindo-se depois para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Ainda estudante de Teologia – curso feito na Congregação dos Missionários da Sagrada Família –  devido às incertezas da Segunda Guerra Mundial, o seminarista Frederico Nierhoff deixou a Alemanha, em 7 de março de 1938, com destino ao Brasil. Aqui  onde deu continuidade aos seus estudos, na cidade de Recife. Lá foi ordenado sacerdote, no dia 1º de maio de 1941. 

    Antes de residir em Crato, Padre Frederico Nierhoff exerceu atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX (no Piauí), Saboeiro, Arneirós e Aiuaba (no Ceará). Em Crato, além de suas atividades no âmbito sacerdotal, Padre Frederico construiu escolas, postos de saúde e capelas, na zona rural, na então vasta Paróquia de São Vicente Ferrer. Era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. 

   

Padre Frederico Nierhoff foi figura proeminente na cidade de Crato. Quando assumiu a Paróquia de São Vicente Ferrer – em 1948 – como segundo vigário, a igreja-matriz tinha proporções pequenas e acanhadas. Nos 20 anos em que administrou aquela paróquia (1948-1968), comprou imóveis vizinhos ao templo e ampliou a igreja. Também a casa paroquial foi remodelada e ampliada, possuindo um auditório, além de  ampla área anexa, destinada às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Construiu a Capela de São Miguel Arcanjo, hoje igreja-matriz da paróquia do mesmo nome.

    Deve-se, ainda, ao Padre Frederico a construção de um conjunto habitacional para pequenos agricultores do Sítio Malhada, zona rural de Crato.  Este conjunto recebeu o nome da mãe daquele sacerdote, Adolfina Nierhoff. Ainda hoje a comunidade do Sítio Malhada serve de modelo de assentamento rural com geração de emprego e renda.

     Nos anos 40 e 50 do século passado, o Cariri cearense era conhecido no Brasil como um dos maiores focos de tracoma, infecção que afeta os olhos e, se não for tratada, pode causar cicatrizes nas pálpebras e cegueira. Padre Frederico selecionou voluntários da zona rural de sua paróquia, para ajudar a "Campanha Federal Contra o Tracoma", iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública. No início da década 60, essa moléstia tinha sido erradicada da zona rural do município de Crato.

    Tão logo chegou a Crato, Padre Frederico sentiu a importância do Lameiro como um local privilegiado, dotado de qualidade de vida e vocacionado ao lazer. Ali adquiriu um pequeno lote e denominou-o “Granja Betânia”. A partir da sua iniciativa, muitos cratenses começaram a comprar terrenos no Lameiro, construindo ali casas e bicas de banho, utilizadas geralmente nos fins de semana e feriados.

    Desgostoso com a redução da Paróquia de São Vicente Ferrer a um território de poucos quarteirões, no centro de Crato, Padre Frederico desligou-se, em 1969, da diocese de Crato e foi ser vigário de Custódia (Pernambuco).  Dali saiu para ser pároco e Vigário-Geral da diocese de Floresta (PE), onde, no dia 31 de outubro de 1975, sofreu um enfarte, enquanto dirigia um carro. Este, desgovernado, capotou ocasionando a morte do Padre Frederico. Sua repentina e inesperada morte foi muito lamentada em Crato, onde o Padre Frederico trabalhou com dedicação e carinho, junto aos mais necessitados e onde possuía muitos amigos.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

10 setembro 2020

Enquanto a Eternidade trabalha... - Por: Emerson Monteiro


 ... As flores nascem e o coração aperfeiçoa passo a passo. O Amor é bom. Andar de mãos dadas no sentido das cores em festa, e quantos sonhos bem vivos na memória. O Sol vem a todo tempo, todo dia o mesmo desejo de que ele permaneça sempre... E no final dos dias, lá ele regressa ao ninho. Nós aqui de olhos postos nessa vontade que permanecesse, quando muito teremos que guardá-lo no íntimo fruto das nossas conquistas de verdades. Nisso o itinerário repete o mesmo cenário aos nossos olhos, convite permanente de satisfação a que lá certa feita despertaremos de deixar continuar dentro da alma os seus raios e viver a firmeza dos reais sentimentos. 

Assim são as lições das aulas repetidas de transformação do ser parcial em seres totais por meio da consciência, a trilha do despertamento. Já a natureza fala disto a todo instante, portas abertas da imortalidade que transportamos conosco através da perfeição de que somos elaborados, corpos de luz em formação. 

Passados que foram tantos sóis, outros mais virão nas vivas lembranças do que ora somos guardadas no sentimento da evolução. Fagulhas da Luz, trabalhamos os planos da realização do Ser em nós, moléculas da Criação em desenvolvimento, máquinas de achar a claridade nessa imensidão do Universo, senhores da liberdade e projetos de luminosidade vidas afora.

Tais artífices de nós próprios, elaboramos a matéria prima dos destinos em movimento. Ao nosso lado, os elementos de que carecemos até concretizar o momento fugidio em constante presente. Tudo trabalha neste seguimento, desde locais aonde chegamos ao mistério que reviveremos no rumo das circunstâncias eternas. 

Pousos de felicidade, porém, num processo efetivo de mudança até estabelecer as bases definitivas da Salvação, são esses operários em dedicação permanente, a braços com as aspirações de paz no lugar em que vivemos agora. 


09 setembro 2020

Alegria qual fator de sobrevivência - Por: Emerson Monteiro


A todo momento vem a urgência de uma visão positiva da realidade qual fator inevitável da sobrevivência. Isso por conta das demandas negativas que ainda preocupam tanto quanto, nuvens escuras que varreram o mundo. Nuvens de desencontros que sujeitaram a barra dos dias de pandemia. No próprio relacionamento com os demais, nódoas de incompreensão e aflições diante do enredo cotidiano que fustiga o humor, a ponto de criar bichos tortos pelas frestas do tempo em tudo que é país.

Daí ser importante uma vocação pouco utilizada. Bloquear o senso de agressividade, numa certeza firme da precisão de sorrir aos dissabores. Interpor gosto pelos bons instintos, livre das situações adversas que invadiram o cotidiano. Isso até parece meio irresponsável, porém sábio. 

Olhar o Universo de olhos limpos, eis a condição de evitar dissabores, desavenças, abusos. A depressão, na opinião corrente, virou o mal da atualidade, covardia moral no papel de vítimas irremediáveis do destino. Erguer a mente à cima da linha do horizonte, porquanto acontecerá nas áreas do cérebro encarregadas de gerar a satisfação e perspectivas outras. Longe de apenas pensar no bom, viver o que é bom no instante presente, a base da positividade em tudo.

Por isso, trabalhar os detalhes do momento seguinte logo agora. Saber e praticar, norma primeira da alegria. Querer e poder, nas providências pessoais. Pequenas doses de bom humor representarão, pois, saúde, paz e resultados produtivos nos pensamentos e sentimentos, quando o sujeito responsável pela visão existencial existe dentro da criatura humana.

Com isto, sendo o método da permanente felicidade ocasionar os filmes de boa qualidade no firmamento individual, se produzirá a peça da vontade positiva, primeiro na pessoa, depois na sociedade inteira. 

Esta a ideia principal do comentário, aprender na experiência que querer bem, pensar bem e agir bem resultarão na força da alegria, matéria prima do sucesso.


08 setembro 2020

Herança - Por: Emerson Monteiro


Nas vastidões geladas do Ártico, em meio a naturais dificuldades, viviam pai e filho, únicos habitantes de cabana modesta, longe dos valores da civilização, num tempo em que pouco se sabia dos atuais degelos, quando se prevê outra glaciação na Terra. 

Era costume do povo do lugar a existência das pessoas restrita à capacidade individual para se sustentar do necessário através da caça e da pesca, sob os rigores do clima abaixo de zero. Após a decrepitude, as famílias agiam com naturalidade depositando nas planuras desérticas idosos ou doentes sem cura, qual cumprissem a lei da sobrevivência. 

Naquela casa, porém, o filho retardava a providência quanto ao pai já em fase que chegava na época do despejo, quando surgia no filho a disposição de constituir família e iniciar outro sistema de vida, restando-lhe apenas se livrar do genitor e liberar a vaga para noiva bela e intransigente.           

Mesmo admitindo aquele procedimento, o filho insistia manter em casa o velho pai, além até dos hábitos de grupo, pois não sabia justificar o que de vantagem propiciavam as tradições do lugar. Ao menos para si, no íntimo, achava certo querer consigo por mais algum tempo quem tanto sacrifício fizera na sua criação e na continuidade do lar.

Os dias prosperavam, no entanto.  A noiva nutria pelo sogro sentimentos agradáveis, os quais, todavia, diminuíam em face do instinto conjugal. Dotada de especial talento, tecera bela manta que pretendia ofertá-la quando da viagem definitiva do idoso aos penhascos gelados, em data sem muita demora, segundo planejado.

Nisso, não tardou a madrugada quando movimentos diferentes sacudiram a humilde choça. O filho atava os cães ao trenó, reuniu alguns poucos trastes, ligeiros mantimentos, e instalara o pai no meio da carga, fazendo-se a caminho. 

Depois de tempestuosa jornada, se viram numa longa planície branca circundada de montanhas sombrias e ameaçadoras. Tão logo o escuro da noite principiou envolver o mundo, cumpriram a parada definitiva. Naquele sítio cinzento, dar-se-ia o desfecho da longa espera. 

Sem trocarem palavras, de cabeça pendida no peito, os dois se olharam pela derradeira vez, num adeus quase primitivo, selvagem, assim podemos dizer. O ancião buscou tirar por menos, desviando-se para fora da trilha, de olhos presos na solidão, exercitando compreender o peso daquela hora. O filho refazia o que restava da bagagem; alimentou os animais e deu mostras de ter cumprido a missão, pronto para retornar. Após sacudir no espaço as dobras do relho com que tangia seus cães, de súbito ainda ouviu a voz do pai a chamá-lo:

- Filho, filho! - gritos ecoaram no vazio gelado e de suas mãos pendia a manta que a nora confeccionara. – Quero isso não, é desnecessário para mim. Prefiro que a conserves contigo e uses quando teu filho vier aqui, um dia, te oferecer ao desconhecido.


Lá onde andam os sentimentos - Por: Emerson Monteiro

 


Nas fibras do imenso coração deste mundo, olhos fixos nos sonhos maiores, as almas de todos os dias ligadas à alma da gente, bem ali, no íntimo das madrugadas febris da percepção, das doces saudades, dos sonhos reais, nas luzes sombrias das ruas desertas, andam os sentimentos encapuzados, alimentados do frio suave da solidão. Terra fértil da esperança, no seio das flores iluminadas de cores e perfume, plumas leves da natureza, passo-ante-passo, pisam o macio os sentimentos, razão das existências, motivo crucial dos dias e das gerações. Eles, que pouco ou quase nada pensam, sobem os caminhos da felicidade na maior sem cerimônia, à busca da paixão, qual quem conhece por demais o direito de amar incondicionalmente o amor desmedido.

Quisesse parar e mergulhar a pele dos sentimentos, ver-nos-íamos braços dados com a verdade inextinguível das existências. Abraçaríamos as causas da Criação original e bem compreenderíamos o que planejara Deus ao distinguir os seres com a força do bem maior do coração. Daí, dormiríamos em paz conosco próprios, de saber da alegria dos que vivem toda intensidade dos que amam e se permitem usufruir do motivo que lhes deu a vida.

Território de plena espontaneidade, dos sentimentos vem a essência dos fenômenos e causa do que nos traz aqui perante os Céus que nos aguardam de braços abertos de quando revelarmos a Consciência. Música da espiritualidade, alimentam o compasso da história e aguardam o momento exato de quando abrir a todos nós os portais da Luz.

Por isso, enquanto esgotamos desejos do Chão, há na condição humana oportunidade perene de revelar a trilha da iluminação que transportamos vidas afora, sinete da herança divina que nós somos. Assim inexiste perdição definitiva, porquanto mais cedo ou mais tarde chegaremos à casa do Pai, por via dos sentimentos limpos e do conhecimento da Verdade. 


07 setembro 2020

Salve 7 de Setembro


   Mais do que uma efeméride cívica, comemoramos – no dia 7 de Setembro – a data maior da nossa pátria. Foi neste dia, em 1822, que o Imperador Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil, às margens do riacho Ipiranga, através do brado retumbante: “Independência ou morte!”.

    Nesta 2ª feira, de Norte a Sul, de Leste e Oeste, milhares de  brasileiros sairão às ruas – mesmo em meio à epidemia do vírus chinês – que impediu os desfiles cívicos-coletivos de  militares e estudantes,  realizados há 198 anos, fazendo o nosso “bandeiraço” que cresce a cada ano e já se tornou tradicional. Não haverá aglomeração. Mas, dentro dos carros, percorreremos as ruas e avenidas de nossas cidades. Orgulho de ser brasileiros!

 
  

Pela primeira vez, em quase 200 anos, Crato não realizará desfile no dia 7 de Setembro


Por conta do corona vírus chinês, que infectou milhões de pessoas pelo mundo, as comemorações do dia 7 de Setembro, nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara passarão em brancas nuvens...

   Verdade que nos últimos anos as comemorações cívicas lembrando a independência do Brasil tinham perdido o glamour que tiveram até a década 60 do século passado. A decadência que varre o atual Brasil já tinha introduzido até um desfile paralelo, o “Grito dos Excluídos”, inventado pela corrente da Teologia da Libertação, uma ala minoritária na Igreja Católica. Mesmo assim ainda havia a passeata das escolas. . Embora bem diferentes dos saudosos desfiles do passado.

À esquerda o Colégio Diocesano; ao fundo a antiga Cadeia Pública e Delegacia de Policia. O 7 de Setembro em Crato era uma grande festa cívica....

   A foto acima foi feita num dia 7 de setembro, nos anos 60. Naquela época, na cidade de Crato, a mais importante efeméride cívica brasileira,  era uma festa! Ao longo da Avenida Duque de Caxias terminava os desfile,  que recebia o Tiro de Guerra (TG 205), Grupo de Escoteiros, Colégios, Ginásios e Grupos Escolares cratenses. E a população entupia as ruas para participar da festa cívica.

    Naquelas manhãs sempre ensolaradas, ao som de tambores, taróis e cornetas, desfilavam ainda  os chamados carros alegóricos, uma atração à parte. Cada escola tinha sua baliza – cuja escolha sempre recaía numa bela jovem – que garbosamente, desfilava a frente dos pelotões. Na decoração das ruas predominava as cores verde-amarelas. Tudo feito de forma espontânea pelos educandários e as diversas camadas da população.

      Hoje, pela primeira vez desde 1823, não haverá o desfile de 7 de Setembro em Crato...

05 setembro 2020

A História do Brasil que não é ensinada nas escolas públicas

A longa história da Monarquia Brasileira


     O Brasil viveu longamente sob o regime monárquico, desde o seu Descobrimento, em 1500, até a Proclamação da República, em 1889. Nesses trezentos e oitenta e nove anos, sob dezesseis Soberanos, a Monarquia demonstrou se adaptar bem à índole e às características de nosso povo. O que o Brasil não tem é tradição republicana; o modelo político que lhe foi imposto, de modo artificial, na quartelada de 15 de novembro, não se adaptou satisfatoriamente até hoje.

    Sim, antes dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II tivemos outros catorze Monarcas. Afinal, de 1500 a 1580 reinaram em Portugal – e, portanto, também no Brasil – quatro Reis da Dinastia de Avis; de 1580 a 1640, durante a chamada União Ibérica, o Trono de Portugal foi sucessivamente ocupado por três Reis da Espanha; e em 1640 subiu ao Trono, após a Restauração da Independência de Portugal, a Casa de Bragança, que nos deu sete Soberanos.

      Em 1815 o Brasil deixou de ser parte integrante daquele pequeno Reino na Europa, pois foi elevado à prestigiosa condição de Reino Unido a Portugal e aos Algarves. Sete anos depois, no dia 7 de setembro de 1822, na voz imortal do Imperador Dom Pedro I, nosso País se declarou independente de Portugal, mas mantendo a Dinastia, a língua e a Fé herdada de nossos maiores. Teve então início o Império do Brasil, que durou sessenta e sete anos e foi a fase mais gloriosa e bem sucedida de nossa História.

    A fundação do Império não deve ser vista como uma ruptura traumática com o nosso glorioso passado luso; deve mais bem ser considerada como a emancipação de um filho que atingiu a maioridade e deixou naturalmente a casa paterna. Os reinados de nossos dois Imperadores foram a continuação e o natural coroamento da obra desenvolvida pelos Reis de Portugal ao longo de três séculos.

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, escrito pelo Professor Doutor Armando Alexandre dos Santos).

04 setembro 2020

Dr. Thomaz Corrêa – Um pouco de perfume – por José Luís Lira (*)



   Minha pretensão para essa edição, era escrever sobre a proximidade dos 200 anos da independência do Brasil que será celebrado em 7 de setembro de 2022. Este ano é o 199º aniversário do corajoso ato de Sua Majestade Imperial Dom Pedro I, Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Aliás, há dois anos, na data de hoje, 5 de setembro, eu fazia a entrega do Busto do Imperador Dom Pedro I ao Museu Histórico Nacional, sediado no Rio de Janeiro, em meu nome e no de meus colegas de pesquisa Cícero Moraes e Paulo Salles, com trabalho artístico de Mary Bueno.

   Foi um dia memorável. Mas, no último dia de agosto, por volta de 21hs, tomei conhecimento do falecimento do Dr.  Thomaz de Araújo Corrêa, médico e benfeitor de Ipu e da região circunvizinha, casado com dona Margarida Timbó de Araújo Corrêa, desde 1951. No momento em que soube, quase não acreditei. Apesar de seus 97 anos de vida e 72 de medicina, Dr. Thomaz me parecia eterno. Pensava nas comemorações de seu centenário tendo ele fisicamente entre nós. De imediato meu veio à mente um cântico que entoei e ouvi em várias ocasiões: “Fica sempre um pouco de perfume/ nas mãos que oferecem rosas/ nas mãos que sabem ser generosas”.

     Este espaço não seria suficiente para narrarmos a vida honrada de Dr. Thomaz que foi narrada no livro “De Corpo e Alma: Trajetória de Thomaz de Araújo Correa, Ícone de Ipu”, com mais de 600 páginas, organizado pelo genro e pela filha dele, Dr. Emmanuel Teófilo Furtado e Dra. Luísa Elisabeth Timbó Corrêa Furtado.

     Dr. Thomaz chegou ao Ipu muito antes de que tivéssemos em Guaraciaba do Norte os médicos Dr. Francisco Cardoso Martins e Dr. Egberto Martins. Por isso, era a Ipu que recorríamos e lá encontrávamos o Doutor Thomaz Corrêa. Nasci, no final de 1973, no sítio Correios (10km de Guaraciaba do Norte) e as condições de saúde eram muito precárias naquela região. Pego pelas mãos da parteira minha tia-avó Cristina Lira, nasci menino frágil. Tive um seriíssimo problema nos ouvidos. Eram fortes dores, o ouvido “estourava”. Pais zelosos que tenho, eles não mediram esforços para que eu ficasse bom. Foram muitas as vezes que na madrugada saíamos na velha caminhonete do papai para o Ipu. O papai sabia onde era a casa do Dr. Thomaz e não se intimidava em chamá-lo. Saía aquele homem de voz de timbre forte, culto e educado e ia atender àquele menino. Tenho certeza de que se não fossem seus cuidados eu teria perdido uma de minhas audições.

     A vida é uma aventura constante. Um dia, já formado, ocupante de uma cadeira na Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará – ALMECE –, fui incumbido de fazer saudação a agraciados com Mérito Cultural e Sócio-Honorário. Qual foram minhas surpresa e alegria ao ver entre os Sócio-honorários o nome de Dr. Thomaz Corrêa, honraria que pude lhe conferir quando também presidi a Academia Sobralense de Estudos e Letras. Anos mais tarde, propus o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), ao notável médico.

      Nestes tempos complicados em que vivemos, não pude ir a Ipu despedir-me de Dr. Thomaz. Seu filho Dr. Luiz de Gonzaga até pediu-me que eu não fosse. Rezo por Dr. Thomaz com a sensação de que nosso grande médico está junto ao médico de homens e de almas, São Lucas, no céu, intercedendo por todos nós!

      Minha gratidão, meus respeitos, Dr. Thomaz! Descanse na paz do Senhor!
 
  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

03 setembro 2020

A certeza de Deus - Por: Emerson Monteiro

 


Essa busca pelos caminhos do Infinito, que justifica a existência de tudo quanto há e nos dispõe preencher as horas quais sendo a derradeira a cada momento. O sentido da religiosidade que alimenta o sequenciar das civilizações desde sempre face toda aventura de uma humanidade ausente dos significados superiores. A intenção do encontro principal consigo mesmo, com o próximo e com Ele, Deus, na paz do coração. A fome e a sede que nutrem esta jornada dos seres humanos vidas a fora. A vontade maior de sobreviver diante das intempéries do Destino. Luz que ilumina o Cosmos e indica o desejo e os fenômenos pelos séculos dos séculos. Razão, pois, acima das razões, ali está o que todos anseiam diante dos mistérios, a certeza de Deus na alma.

E nós aqui vagamos, neste mar de dúvidas atrozes, prisioneiros do pensamento, enquanto os sentimentos puros aguardam ocasião de entrar em cena, livres de tensões e de meras considerações teóricas, ali quando a calma dos instintos resultar no merecimento de receber da Eternidade o salvo-conduto, isto nos permitirá vencer as barreiras da incompreensão e nos libertar no mundo ideal de uma vida verdadeira. Tão próximos e tão distantes, pois, pisamos a linha fronteiriça de todas as possibilidades, durante o que apenas sonhávamos com o instante de concretizar em definitivo a perfeição dentro de nós.

Esse o plano de todas as filosofias, psicologias e religiões, interpretar o mapa da Salvação na essência do Ser. No ponto equidistante da profundeza dos abismos e das estrelas do céu, no foco central da imortalidade, bem assim viveremos por força de uma nova percepção que permitirá vencer as circunstâncias materiais. Nessa hora, esperança viva de todos viventes, o Sol se fará mais nítido e Lua esplendorosa brilhará no seio do Universo.  


Um breve roteiro de escolher candidatos - Por: Emerson Monteiro


Isso em qualquer tempo, conquanto resulta nas sérias transformações de que carecemos nessas horas difíceis. Foram séculos e séculos até chegar à urgente necessidade que se vive, não só no Brasil, mas no mundo todo. Criaram a ciência da comunicação e os políticos viram nisso os novos meios de transmitir informações, resultando fase esquisita de domínio dos poderosos sobre a massa ignara, despreparada e sofredora. Verdadeiros gênios da maquinação de imagem influenciam multidões inteiras à procura de manter a dominação social, numa escravização das consciências. Daí a urgência de rever os conceitos do que seja o candidato ideal, pesando e medindo, revirando pelo avesso, mergulhando fundo nas consequências do que produzirá na sociedade pelos atos que praticar nos comandos. 

O País atravessa um tempo de república corporativa. onde grupos de domínio detêm a hegemonia da sua história mantendo as populações desfavorecidas sob o tacão dos impostos e taxas, enquanto preservam seus privilégios de casta impenitente, sugadora e abastada.

Daí a gravíssima importância de saber escolher bons líderes, honestos, trabalhadores, fieis aos princípios da real democracia, do espírito público, o que vem sendo raro, raríssimo, nos dias dagora, enquanto a ação político-partidária virou trampolim de carreira profissional, triste verdade que rasga os olhos até dos menos esclarecidos. Comprar e vender votos, eita mercado pecaminoso que clama a justiça dos Céus. Porém, qual disse Nélson Rodrigues: Toda nudez será castigada. Quem achar que uma chuveirada lavaria tudo terá dolorosa frustração no correr dos seguimentos imortais.

Ninguém melhor do que Bertolt Brecht, célebre poeta alemão, que viveu as contradições dolorosas das Grandes Guerras na Europa, poderia definir mais claramente o que seja o mercado negro dos votos, no poema O analfabeto político, a saber: 

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Eis, pois, aqui esta pequena contribuição ao cidadão às vésperas de novo turno eleitoral, porta dos próximos quatro anos em cada município brasileiro.


01 setembro 2020

Luiz Gonzaga de Oliveira - Por: Emerson Monteiro


O Gonzaguinha, autor de fotos clássicas do passado cratense, dentre as quais a tradicional do Cassino Sul-Americano, da Praça Siqueira Campos. Além de manusear com esmero as câmeras de lambe-lambe, sucesso à época, também dedicou atividades à propagação do cinema em nossa Região por meio de um equipamento denominado Lanterna Mágica, sendo com isto o primeiro exibidor de filmes no Cariri. Mandara vir do Rio de Janeiro um daqueles primeiros projetores rudimentares das películas cinematográficas com o qual instalaria uma sala de exibição, a deliciar seus contemporâneos e lhes apresentar a nova comunicação ainda restrita às capitais e grandes cidades.

A propósito, um bisneto de Gonzaguinha, Jackson de Oliveira Bantim, o Bola, vem dedicado parte de seu tempo à preservação do acervo desse consagrado fotógrafo, inclusive instalando em Crato o Memorial da Imagem e do Som Luiz Gonzaga de Oliveira, que funciona junto ao Instituto Cultural do Cariri, à Praça Filemon Teles.

Luiz Gonzaga foi casado com Dona Dasdores, ao lado de quem teve sete filhos. Sua atuação profissional preenche o período de 1885 a 1930, deixando acervo dos registros que efetivou na arte da fotografia preto e branco, que podem ser vistos junto ao Museu Histórico do Crato e ao Memorial acima citado. As fotografias que mais se destacam pela importância histórica da cidade no período que aqui exerceu a profissão seriam as do Cine Cassino e do Seminário São José. Vale citar também registro fotográfico relativo à Travessa do Rosário (atual Praça Juarez Távora). São de sua autoria retratos de personalidade locais que imortalizou nas imagens.

Ao saber da existência dos primeiros projetores cinematográficos, viajaria em lombo de animal a Fortaleza, de onde trouxe equipamento de exibição, causando entusiasmo às primeiras plateias de cinema do Cariri cearense. Instalou a sala de exibição em prédio localizado na Rua Grande (hoje Dr. João Pessoa), na sede do Clube Romeiros do Porvir. O empreendimento de Gonzaguinha daria margem a que, posteriormente, chegasse o primeiro cinema com sede própria, o Cinema Paraíso, sob a iniciativa do italiano Di Mayo, em 1911. Depois, em 1919, seria instalado o Cassino Sul-Americano. Eram os primórdios da sétima arte, fase inicial do cinema mudo, com música instrumental ao vivo.

Naquele tempo, o teatro também teve grande evidência na cidade por intermédio da liderança de Soriano Albuquerque, isto por meio dos Romeiros do Porvir, grupo de arte cênica no qual Luiz Gonzaga de Oliveira desempenhou figurações cênicas juntamente com outros destacados diretores e atores da ocasião.

Deixamos aqui, neste momento, estas palavras de respeito a esse personagem que marcou época e fomentou a nossa cultura nos primórdios das artes visuais no interior cearense.