22 agosto 2020

A arte de ser pai – por José Luís Lira (*)


    Ao Sr. Izídio Ribeiro Lira, meu Pai!

    Tem temas que são atemporais. Pode ter um dia, mas, todos os dias são deles assim é pai e mãe. Não é exagero dizer que este ano está estranho e que as comemorações/celebrações estão meio que truncadas. Claro que celebrei e comemorei com meu pai o dia dos pais. Na véspera da efeméride citei aqui a festa da minha padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres e as tantas celebrações à Virgem Maria que se dão em 15 de agosto, Assunção de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus.

    Minha querida madrinha Rachel de Queiroz tem um belo artigo chamado a arte de ser avó e parafraseando este artigo, escrevo este “A arte de ser Pai”. Nos últimos dias o calendário cívico apresentou-nos o dia das artes, dos artistas, digamos, e o dia dos pais. Não escrevi para sair nos dias precedentes. Existem comemorações que não cabem só num dia. São para a vida toda. Escrevo no fervor das celebrações, das lindas de histórias de pais exibidas na TV, nos jornais, nas redes sociais, enfim, quando todos declaram seus sentimentos aos pais.

     Por que a arte de ser pai? Todo pai é um artista. Quem, sendo pai, não vira “cavalinho”, super-herói (embora que de fato seja nas agruras do dia-a-dia), batman ou superman para agradar seu filho? O artista é aquele ser que cria, recria, se poeta é capaz de encantar-nos com sua letra; se romancista, envolve-nos numa trama; se historiador nos faz mergulhar num mundo distante que se aproxima; se artista circense, nos encanta com malabarismos ou nos arranca gargalhadas com as coisas mais simples; se cantor, lembro-me de Fábio Júnior, com a sua bela canção “Pai”, faz-nos viajar num simples pensamento... O pai, ser humano real, que olha orgulhoso seu filho, sua continuidade, é tudo isso: o melhor artista, brinca e faz a brincadeira; canta e encanta; conta histórias e faz a nossa história, lembrando Fernando Pessoa, mesmo aquela história real que pensamos que é irreal; enfim, não conheço arte mais bela que a de ser pai, embora não me sinta apto a essa arte tão bela. É questão de vocação... se nasce com a vocação à paternidade.

    Um ofício para o filho. 
   É muito comum o filho seguir o ofício do pai. São muitos os exemplos e eu me lembro de um clássico exemplo. Todos aprendemos que Deus é Pai é Filho é Espírito Santo. “Abbá Pai”, duas palavras iguais expressas em diferentes línguas.  Alguns explicam que o uso delas juntas significa confiança, apreço maduro da relação filial e das suas responsabilidades. Elas aparecem três vezes no Novo Testamento e têm o mesmo significado. “Abbá” significa “Pai” em hebraico. Humanizando-se, Deus quis ter um Pai. Este Pai, São José, o justo, foi um carpinteiro da galileia, que ensinou o ofício ao Filho que nos deu a maior lição de amor, a quem também parabenizamos nestes dias que dedicamos aos pais, não só o segundo domingo de agosto, mas, todos os dias que vivemos. Pois, todos os dias, ao nos olharmos no espelho pela manhã, vemos um pouquinho de nossos pais em nós, um traço do pai, outro da mãe. Todo dia é importante lembrar de honrar aqueles que, com a graça de Deus, nos trouxeram ao mundo. Assim, cumpriremos o quarto mandamento da Lei Divina: Honrar Pai e Mãe. Viva a todos os Pais, os melhores artistas, os melhores heróis, os maiores exemplos a nós, seus filhos!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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