29 agosto 2020

Nascemos para vencer – por José Luís Lira (*)



     Nosso amado Mons. Sadoc de Araújo costumava dizer que querer já era 50%, ou seja, a metade. A outra metade dependia de nós e dos outros, mas, a metade primeira era de nossa responsabilidade. Fim de semana passado duas cenas me comoveram e me fizeram refletir sobre isso. Em mensagem de agradecimento de Dom Jeová Elias Ferreira, novo Bispo da histórica Diocese de Goiás, após sua sagração episcopal. Natural de Sobral, pertencente ao clero de Brasília, ele narrou sua trajetória desde o Ceará à Capital do País, como verdadeiro migrante. Há quase 29 anos, aos 30 anos, ele era ordenado sacerdote naquela mesma Catedral. Dizia que viveu uma perturbação como Maria, quando foi chamado ao episcopado, mas, aos poucos, acalmou o coração e experimentou, mais uma vez, a alegria de servir à Igreja.

     Recordando sua trajetória marcada com a proximidade com os que mais sofrem, Sua Excelência afirmava que foi forçado a migrar do Ceará, “perambulando” por muitos locais, chegando à Capital, levando saudades e esperanças. Seu primeiro trabalho foi uma “grande escola de humanidade e de fé”, servente de pedreiros, entre outras atividades que exerceu, como as de agricultor. Naquele dia, o Senhor Jesus Cristo o premiou. Tornara-se Príncipe da Igreja e nós vemos n’ele o exemplo de superação. Parabéns, Dom Jeová, por sua simplicidade em dizer sua história pessoal em momento tão solene. Que Deus o mantenha firme em seus propósitos na divulgação da mensagem salvífica de Jesus Cristo.

      No mesmo dia, em noticiário, observei funcionário do Município de São Paulo que atendia a moradores em situação de rua. Aquele foi um dos fins de semana mais frios da principal metrópole brasileira. O trabalho do cidadão que não consegui guardar o nome e, que talvez mesmo sabendo, não divulgasse aqui por questões éticas, dizia que um dia também esteve nas ruas. Numa matéria de poucos minutos não daria para se informar as causas, o que o levara a tal situação. Mas, ele deu a volta por cima. Não se envergonhou e voltou ali para convencer os cidadãos que ali estavam a irem para abrigos, distribuía cobertores e sua ação me lembrou o Evangelho de Mateus (25,31-46), “Vinde, benditos do meu Pai, recebei em herança o Reino que foi preparado para vós... porque eu tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber; eu era estrangeiro e me acolhestes”...

     E quantos foram os gestos de fraternidade e amor ao próximo que vimos nesse período de pandemia? Lembro-me aqui das ações de Dom Orani Tempesta, no Rio de Janeiro. Em seu último aniversário, em junho passado, a nossa amada Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém presenteou a Sua Eminência com cobertores que foram distribuídos com moradores em situação de rua. Ao agradecer, dizia o Cardeal que aqueles cobertores estavam chegando em boa-hora, pois, se aproximava o frio.

     Nosso texto de hoje está reflexivo e registra essas superações. Resta-nos agradecer a Deus pelos benefícios que Ele nos concede e fazer a nossa parte, pois, lembrando nosso imortal Mons. Sadoc, homem sábio que dedicou sua vida à educação e à Igreja e se constitui exemplo em seu sacerdócio, querer já é a metade.

      Que o Senhor nosso Deus nos dê forças e nos premie com o fim dessa pandemia, mas, não esqueçamos de fazer a nossa parte!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

27 agosto 2020

A imagem centenária da Imperatriz e Padroeira de Crato


    A atual imagem de Nossa Senhora da Penha, ora venerada no altar-mor da nossa Catedral, foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, tendo sido aqui recepcionada em 1921. Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que ela “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: Luneta de Ouro, Rio, 1920, comprovando que ela foi adquirida através da famosa loja de esculturas religiosas localizada na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

     Uma curiosidade: quando da chegada da nova imagem houve fortes e ostensivas reações de segmentos da comunidade cratense que não queriam a substituição da antiga estátua da padroeira(a segunda, chamada de Imagem Histórica)  pela nova, a adquirida por Dom Quintino. A prudência deste fê-lo retardar a entronização da nova imagem na igreja-mãe da diocese. Dom Quintino faleceu em 1929 sem colocar a nova representação de Nossa Senhora da Penha na Sé Catedral de Crato. O segundo bispo da diocese, Dom Francisco de Assis Pires, assumiu o cargo em 1932, mas aguardou  mais sete anos para entronizar a terceira imagem da Imperatriz e Padroeira dos cratenses.

    Durante 17 anos a estátua permaneceu guardada,no interior da Sé. Sobre ela escreveu Monsenhor Rubens: “De tamanho bem maior que o natural, (mede 1,93m,esculpida em madeira) em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão Vela, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora.

    Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor (por Dom Francisco de Assis Pires, sob o projeto do escultor Agostino Balmes Odisio)  colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato.

     No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

SÍTIO DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO MUNICIPIO DE CRATO PODERÁ DESPARECER

(MATÉRIA PUBLICADA EM 25/08/2020)

   A se confirmar rumores, circulantes na cidade, uma propriedade rural que se constitui numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), existente no Sítio Cobras, zona rural de Crato poderá desaparecer.

    Existe naquela localidade, localizada próxima à fronteira de Crato-Juazeiro do Norte, uma propriedade que preserva a fauna e a flora daquela região.  Além da proibição de desmatamento, o proprietário daquele sítio mantém lá um plano de reflorestamento e conservação de espécimes de arvores centenárias. Preservam-se aves e pássaros, hoje raros na zona rural do Cariri. 

      Não conseguimos apurar maiores detalhes sobre esses rumores. No entanto, o que se comenta é que o sítio vai ser desapropriado para lá ser construída uma subestação da rede elétrica na Região Metropolitana do Cariri. A se confirmar tais rumores, os prejuízos para a preservação ecológica e manutenção da beleza cênica daquela localidade sofrerá danos irreversíveis.

        Urge que todos os segmentos da sociedade caririense se movimentem com vistas a apurar a veracidade desses rumores. E estes, se confirmados, devem motivar a mobilização de toda a sociedade para evitar esse dano irreparável ao meio ambiente da nossa região.



PS em 27 de agosto de 2020:

O Sr. Fernando Callou, enviou-nos a mensagem abaixo:

“Não são rumores, Armando Rafael. Este santuário ecológico em reserva legal, está em processo de desapropriação, onde será instalada uma “poluente” sub estação de energia elétrica, que causará danos irreversíveis ao meio ambiente.
Seu artigo chegou em boa hora! Vamos lutar para que o oxigênio produzido por essa reserva legal, não nos falte. 

Crato, 26/08/2020.
FERNANDO CALLOU".

***

Confirmada a denúncia cabe agora a toda a população cratense entrar com uma ação anulando a desapropriação deste Sítio de Preservação Ambiental.

Ou será que o espírito de luta e o civismo do povo cratense desapareceu?
A esta altura deste grave problema, no mínimo, a mídia caririense deveria estar noticiando esta anomalia! Pelo visto a mídia que, antigamente, teve tanta força no Brasil e em Crato, de modo especial, perdeu o cargo de protagonista e passou a ser coadjuvante.

O TEMPORA, O MORES” (“Oh tempos! Oh costumes!”) Em seu discurso no Senado, nas célebres Catilinárias, o grande Cícero bradou contra os vícios e a corrupção de seu tempo. Imagina se ele vivesse agora.

Até quando seremos forçados a viver tempos tão deploráveis?
Postado por Armando Lopes Rafael

Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

Padre Pedro Inácio Ribeiro, O Santo do Sertão
Lembrança distribuída na missa de 7º Dia do falecimento do Padre Pedro Ribeiro

    Existe em  Brejo Santo (CE) um pequeno memorial em homenagem ao Padre Pedro Inácio Ribeiro. Lá estão expostos objetos de uso pessoal deste sacerdote, que foi vigário daquela cidade durante exatos 33 anos. Padre Pedro Ribeiro morreu com fama de santidade e muitas pessoas, nos dias atuais,  asseguram ter obtido graças por sua intercessão.

   Nascido em Missão Velha, em 19 de maio de 1902, Pedro Inácio passou sua infância e juventude na cidade de Crato. Sentindo inclinação para o sacerdócio estudou no Seminário São José de Crato e no Seminário da Prainha, em Fortaleza, vindo a ser ordenado sacerdote no dia 17 de abril de 1927, na Catedral de Nossa Senhora da Penha de Crato, pelo primeiro bispo da diocese, Dom Quintino. Em 1º de janeiro de 1930 assumiu a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Brejo Santo, onde permaneceu até a data do seu falecimento, ocorrido em 3 de janeiro de 1973.

    Em Brejo Santo seu sacerdócio não foi vivido mediante obras especiais ou de caráter extraordinário, mas sim na fidelidade cotidiana ao exercício do ministério que abraçou. Reside aí, provavelmente, a dimensão da santidade sacerdotal atribuída ao Padre Pedro Ribeiro. Na verdade, ele viveu seu sacerdócio na consistência do amor a Cristo e a sua Igreja; no amor aos pobres e necessitados; na compaixão pelas almas desviadas e no amor pela pregação do Evangelho de Jesus Cristo. Aliado a tudo isso, a simplicidade, mansidão e humildade de que era dotado o Padre Pedro Ribeiro contribuíram para ele conquistar o afeto de adultos e crianças. Todos na Brejo Santo de então  tinham carinho por seu pastor.

      Aliás, o trabalho missionário de Padre Pedro não foi feito somente no município de Brejo Santo. Durante alguns anos ele deu assistência ao povo da cidade e da zona rural do município de Porteiras CE), conforme atesta o historiador Napoleão Tavares Neves, no texto “O Padre Pedro que conheci”, escrito a partir da leitura feita por ele do opúsculo “O Santo do Sertão–Uma biografia”, publicado pela Fundação Memorial Padre Pedro Inácio Ribeiro, de Brejo Santo.

      Segundo Maria Santana Leite, na monografia “Pequena História da Paróquia de Brejo Santo”:

 “O Padre Pedro foi sempre um pai espiritual para todos os paroquianos. Estava sempre preocupado com os agricultores sofridos, especialmente na época da seca, quando as famílias pobres da zona rural passavam necessidades. Era um entusiasta com a catequese das crianças a quem dedicava um carinho todo especial, participando das aulas de catecismo, levando-as a passear em momentos de lazer, promovendo brincadeiras, além de distribuir moedas e pequenos brindes à criançada.”

“Evangelizou mais com seu desprendimento das coisas materiais, sua vida de oração, adoração e contemplação; pelo seu testemunho de vida, do que mesmo pelas pregações, embora nunca deixasse de fazer as homilias por mais simples que fosse. A tônica de suas pregações era sempre o amor, a partilha, a vida de santidade. Sua metodologia era a do perdão. Pregava um Deus Pai amoroso, misericordioso. Nunca julgava nem condenava ninguém, pelo contrário incentivava e conduzia à conversão”.

“Além do Sagrado Coração de Jesus, era devotíssimo de Maria Santíssima, de Santa Teresinha do Menino Jesus e de São Geraldo”.

      Nos últimos quinze anos de sua vida, Padre Pedro Inácio Ribeiro foi acometido de forte reumatismo que o deixou paralítico. Nos tempos finais perdeu também a visão. Nunca reclamou de nenhuma dessas provações. Ele foi, enfim, um sacerdote bom, piedoso e santo, que fez um bem imenso aos seus paroquianos.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

23 agosto 2020

Sacerdotes Católicosque ficaram no imaginário popular do Cariri

Monsenhor Pedro Rocha - O Apóstolo da Caridade


   Humilde de origem, pois filho de um modesto ferroviário da extinta Rede de Viação Cearense, Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira ocupa lugar na história da Diocese de Crato, como um dos seus mais valorosos sacerdotes. Um homem vocacionado por Deus para a missão de educar e servir aos semelhantes. Foi ordenado presbítero com 23 anos e seis meses de idade. Viveu apenas 57 anos, 34 dos quais exercendo um profícuo ministério sacerdotal. Tão logo foi ordenado, Monsenhor Rocha passou a lecionar no Seminário São José, o que fez por seis anos, findos os quais assumiu o cargo de reitor dessa instituição, ali permanecendo por mais 15 anos. Mas suas atividades não se limitavam só a isso.

      Mons. Rocha foi, por 24 anos, Provedor do Hospital São Francisco de Assis. E, nos seus últimos 12 anos de sua vida, residiu no próprio hospital. Por essa atividade ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”. Simultaneamente, foi jornalista e diretor do jornal “A Ação”, órgão oficial da Diocese de Crato; orientador espiritual da Liga Feminina da Ação Católica; radialista, produtor e apresentador do programa “Consultório da Família”, levado ao ar pelas emissoras de rádio da cidade de Crato. Foi Diretor Diocesano da Obra de Vocações Sacerdotais, entidade responsável pelo financiamento dos estudos de muitos sacerdotes. Sem falar que sempre foi muito requisitado para pregar retiros espirituais.

    Um dos maiores oradores sacros do Sul do Ceará, Monsenhor Rocha era um líder entre seus colegas de sacerdócio. A muitos desses seus irmãos de ministério amparou, na velhice, dando assim o testemunho de um coração misericordioso e solidário. Vários dos pavilhões existentes no Hospital São Francisco foram por ele construídos. Possuía um espírito prático, sendo reconhecido como administrador competente e criterioso.
Certa feita, recebeu uma verba da entidade católica alemã Miserior, destinada à reforma e melhoramentos no Hospital São Francisco. Ao término das obras e como sobrara certa importância do dinheiro recebido, devolveu à instituição doadora essa sobra. Dos alemães, que vieram fiscalizar a aplicação da obra ficou este testemunho:
Trata-se de caso único, na história da Miserior.

     Monsenhor Murilo de Sá Barreto assim se referiu a Monsenhor Rocha, seu antigo mestre:
“Era um Reitor amigo, educador coerente, conselheiro paciente, conferencista polivalente, iniciador da Ação Católica nesta diocese, acolhedor dos pobres e dos simples, tanto no Seminário como no Hospital, tanto no confessionário como nas conversas informais de orientação”.

     Sobre Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira assim escreveu Monsenhor Montenegro, no livro "O Apóstolo da Caridade":
“Monsenhor Rocha era um homem simples, modesto, Sacerdote modelo. Um Santo. Simples como Deus o fez, e a vida não conseguiu jamais desfazer. Era um mesmo para todos. E, no entanto, cada um o sentia como se fosse diferente para cada um. O segredo daquele imenso afeto que todos lhe dedicaram, o segredo do prestígio incomparável que adquiriu, em toda a sua vida, estava em ter vivido não para si, mas para os outros, em Deus e por Deus, no próximo, como um Santo Sacerdote, filho dessa Igreja que ele amava apaixonadamente, até o seu último alento”.


Texto e postagem de Armando Lopes Rafael



A Crônica do Domingo

Pequenas efemérides da nossa História: há 75 anos, a Família Imperial retornava ao Brasil

     O Brasil está hoje em uma decadência como jamais esteve em sua História. A moralidade pública desapareceu por inteiro, o descrédito da classe política não poderia ser maior, só há desesperança e desânimo nas instituições públicas. No entanto, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança (atual Chefe da Casa Imperial do Brasil) e os ideais da Monarquia pairam por cima de todas essas baixarias, constituindo uma autêntica reserva moral da Nação, à espera de dias melhores, que, temos plena certeza, virão.... E que talvez estejam mais perto do que parece!

     Depois da quartelada de 15 de novembro de 1889, o Imperador Dom Pedro II e os seus foram expulsos do território nacional pela odiosa Lei do Banimento (Decreto 78-A de 21 de dezembro de 1889), que seria revogada somente em 1920. Entretanto, dificuldades de toda ordem – em não pouca medida, causadas pelo confisco ilegal dos bens da Família Imperial Brasileira pelos novos donos do poder – impediram um retorno definitivo até o dia 21 de agosto de 1945 – precisamente há setenta e cinco anos.

    As esquerdas brasileiras se gabam de terem comprovado a fidelidade à sua ideologia enfrentando o mais longo exílio político de nossa História; aliás, aproveitam-se disso para conseguir indenizações milionárias. Mas a verdade é que o exílio da Família Imperial foi muito mais longo e penoso: 56 anos, durante os quais seus membros conservaram um amor acendrado pela Pátria e a disposição de servi-la sem jamais pedir algo em troca, especialmente vantagens financeiras.

       Com a derrota da Alemanha Nazista e o término dos combates da Segunda Guerra Mundial na Europa, em maio de 1945, logo chegou a notícia de que um navio português, o Serpa Pinto, embarcaria de Lisboa com destino ao Rio de Janeiro.

     Vivendo na França, país onde nascera, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, imediatamente telegrafou, reservando passagens para si, sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e seus quatro filhos, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, os Príncipes Dom Eudes e Dom Bertrand e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança – de seis, cinco, quatro e um ano de idade, respectivamente; todos nascidos em exílio, mas devidamente registrados na representação brasileira competente (foto ao lado).

      Em suas memórias ainda inéditas, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, hoje Chefe da Casa Imperial do Brasil, registrou o que se lembra daquele momento inesquecível: 

“A névoa cobria a Baía de Guanabara na manhã de nossa chegada, e por isso nós só pudemos ver nesgas da maravilhosa paisagem: um pouco do Pão de Açúcar e, de vez em quando, o Cristo Redentor aparecia entre as nuvens, como para nos dar as boas-vindas e nos abençoar".

“Entretanto, mais uma coisa me impressionou profundamente nesse dia: foi o modo como os monarquistas brasileiros, que tinham vindo a bordo para nos receber, cumprimentavam meus Pais e a nós, crianças. Havia algo de respeito, de veneração e de esperança, mais nos seus gestos que nas suas palavras, que me fez sentir claramente que eu tinha, do mesmo modo que meu Pai, uma missão, um dever para com o País que eu via pela primeira vez. 

“Creio que, para mim, foi uma graça de Deus o fato de que o Rio de Janeiro estivesse coberto de névoa quando chegamos, pois é possível que o panorama da Guanabara, à luz de um belo dia de sol, de tal maneira me deslumbrasse, que eu não teria percebido algo de muito mais alto, que eram as almas dos brasileiros que nos acolhiam e o dever que isso significava para mim.”

    No Rio de Janeiro, a Família Imperial morou inicialmente no bairro de Santa Teresa, antes de transferir-se para Petrópolis, (e, posteriormente, para um pequena fazenda no Norte do Paraná) (...) Nas seis décadas em que foi Chefe da Casa Imperial, de 1921 até o seu falecimento em 1981, o Príncipe Dom Pedro Henrique soube encarnar os valores de nossa Monarquia, dando ao Brasil o exemplo como pai de família e católico exemplar. Passados 75 anos de seu aguardado retorno à Pátria, seu filho primogênito e sucessor dinástico, Dom Luiz de Orleans e Bragança, tem dado prosseguimento à missão da Família Imperial.

(Excertos de matéria publicada no Face Book Pró Monarquia)

22 agosto 2020

As artimanhas do Destino - Por: Emerson Monteiro


Na conceituação budista há dois caminhos diante das existências: o darma e o carma. Darma é o exato percurso da perfeição, decerto impossível aos espíritos logo que aqui chegam nas primeiras reencarnações, porquanto quem não sabe tal seria qual quem não ver (como acertar de primeira vez aquilo que haveremos de conquistar vidas afora?). E carma, representa as consequências dos nossos atos em constante aprendizado, ação e reação, até chegar aos céus da plenitude. 

Destino vem ser isto, resultado e consequência do andar na caminhada espiritual na matéria, quando temos de encarar os frutos do que plantarmos no viver das tantas vidas. Quem planta espinhos colhe espinhos. Quem planta flores colher flores. Persistirá com isto a dialética de receber o que houver semeado, valor inexpugnável da Lei Universal de justiça, poder por excelência da Natureza. Daí as palavras místicas dos profetas de que ninguém paga sem dever. De que não nos cai um cabelo da cabeça sem o consentimento de Deus.

Nisso também a certeza absoluta do mais justo e da sabedoria face a condução dos acontecimentos através das razões de que ainda carecemos de nos aprimorar no correr da geração, motivo de virmos e voltarmos tantas vezes quanto necessário seja de obter a Salvação deste mundo ilusório. Essas as tramas do Destino, ao seu modo, que estabelecem os trilhos e as horas a quem quer que exista, de leigos a experientes atores, nós humanos. 

As oportunidades, por isso, significam lições da Evolução. Nas tentativas, entre erros e acertos, transcorre o tempo no fluir de objetos e criaturas. Nada anda fora da ordem. Os que resistem aos valores dessa Verdade apenas buscam conhecer melhor jeito de expressar a necessidade do que vivem. Pouco importa que aceitem e pratiquem tais conhecimentos, vez que somos meros coadjuvantes de uma história monumental.


Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

Joaquim e Vicente Sother de Alencar: dois irmãos padres
Barbalha, no início do século XX. Lá os dois irmãos passaram a infância

    O sobrenome era o mesmo: Sother de Alencar. Os pais de ambos foram Vicente Pereira de Alencar e Maria Regina de Alencar. O local do nascimento desses dois sacerdotes ocorreu na mesma cidade: Assaré. O mais velho chamava-se Joaquim e o mais novo Vicente. Ainda na primeira infância seus pais fixaram residência na cidade de Barbalha. Foi lá que Joaquim e Vicente sentiram o chamado para a vocação sacerdotal.  Ambos foram semelhantes no exercício de um profícuo sacerdócio, vivido na entrega total ao semelhante e voltado para a construção do Reino de Deus. E tanto Joaquim, como Vicente morreram com fama de santidade.

     O Padre Joaquim Sother de Alencar iniciou seus estudos no Seminário São José de Crato. Posteriormente estudou no Seminário da Prainha em Fortaleza e dali seguiu para Salvador na Bahia onde foi ordenado em 17 de dezembro de 1882. Voltando ao Ceará foi pároco coadjutor de Barbalha e professor do Seminário em Crato. Era o confessor do Padre Cícero Romão Batista com quem manteve leal amizade, principalmente nas agruras que este sofreu no relacionamento com o segundo Bispo do Ceará.

      Falando sobre o Padre Joaquim Sother de Alencar, assim se refere o Álbum Histórico do Seminário de Crato: “Nunca lhe maculou o espírito e o coração a vaidade de aumentar-se ou de fazer figura, mau grado a sólida formação que recebeu e os conhecimentos que possuía. Seu maior prazer era viver entre os simples, escondido do mundo”. Tanto que foi viver na acanhada vila de Farias Brito (à época chamada Quixará), onde passou mais de vinte anos trabalhando para o bem espiritual daquela população e ganhando almas para Deus, até que a morte o encontrou no dia 25 de janeiro de 1914. Foi sepultado na Igreja-matriz de Farias Brito.

      Já o Monsenhor Vicente Sother de Alencar ordenou-se em 1897 na cidade de Fortaleza. Depois foi vigário de Barbalha, Jaguaribe, Jardim, Triunfo e Ouricuri (as duas últimas localizadas no Estado de Pernambuco). Em 1915 – quando Joaquim já havia morrido – Vicente veio residir em Crato, onde foi professor do Seminário e Vigário Geral da Diocese de Crato. Nas ausências de Dom Quintino governou várias vezes a recém criada Diocese de Crato. E quando Dom Quintino faleceu, Monsenhor Sother foi escolhido Vigário Capitular, onde permaneceu até 13 de janeiro de 1932, data da posse do segundo bispo, Dom Francisco de Assis Pires que o manteve Vigário Geral da Diocese, cargo exercido até 1944.

    Durante vinte anos, Monsenhor Vicente Sother de Alencar foi capelão da Casa de Caridade, onde celebrava diariamente às cinco horas da manhã. Sacerdote culto, dotado de modéstia e humildade exemplares, reto no cumprimento de suas obrigações, zeloso no seu apostolado era tido por todos como uma alma santa, cuja bondade foi lembrada durante muitos anos após sua morte, nesta cidade de Crato.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

A arte de ser pai – por José Luís Lira (*)


    Ao Sr. Izídio Ribeiro Lira, meu Pai!

    Tem temas que são atemporais. Pode ter um dia, mas, todos os dias são deles assim é pai e mãe. Não é exagero dizer que este ano está estranho e que as comemorações/celebrações estão meio que truncadas. Claro que celebrei e comemorei com meu pai o dia dos pais. Na véspera da efeméride citei aqui a festa da minha padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres e as tantas celebrações à Virgem Maria que se dão em 15 de agosto, Assunção de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus.

    Minha querida madrinha Rachel de Queiroz tem um belo artigo chamado a arte de ser avó e parafraseando este artigo, escrevo este “A arte de ser Pai”. Nos últimos dias o calendário cívico apresentou-nos o dia das artes, dos artistas, digamos, e o dia dos pais. Não escrevi para sair nos dias precedentes. Existem comemorações que não cabem só num dia. São para a vida toda. Escrevo no fervor das celebrações, das lindas de histórias de pais exibidas na TV, nos jornais, nas redes sociais, enfim, quando todos declaram seus sentimentos aos pais.

     Por que a arte de ser pai? Todo pai é um artista. Quem, sendo pai, não vira “cavalinho”, super-herói (embora que de fato seja nas agruras do dia-a-dia), batman ou superman para agradar seu filho? O artista é aquele ser que cria, recria, se poeta é capaz de encantar-nos com sua letra; se romancista, envolve-nos numa trama; se historiador nos faz mergulhar num mundo distante que se aproxima; se artista circense, nos encanta com malabarismos ou nos arranca gargalhadas com as coisas mais simples; se cantor, lembro-me de Fábio Júnior, com a sua bela canção “Pai”, faz-nos viajar num simples pensamento... O pai, ser humano real, que olha orgulhoso seu filho, sua continuidade, é tudo isso: o melhor artista, brinca e faz a brincadeira; canta e encanta; conta histórias e faz a nossa história, lembrando Fernando Pessoa, mesmo aquela história real que pensamos que é irreal; enfim, não conheço arte mais bela que a de ser pai, embora não me sinta apto a essa arte tão bela. É questão de vocação... se nasce com a vocação à paternidade.

    Um ofício para o filho. 
   É muito comum o filho seguir o ofício do pai. São muitos os exemplos e eu me lembro de um clássico exemplo. Todos aprendemos que Deus é Pai é Filho é Espírito Santo. “Abbá Pai”, duas palavras iguais expressas em diferentes línguas.  Alguns explicam que o uso delas juntas significa confiança, apreço maduro da relação filial e das suas responsabilidades. Elas aparecem três vezes no Novo Testamento e têm o mesmo significado. “Abbá” significa “Pai” em hebraico. Humanizando-se, Deus quis ter um Pai. Este Pai, São José, o justo, foi um carpinteiro da galileia, que ensinou o ofício ao Filho que nos deu a maior lição de amor, a quem também parabenizamos nestes dias que dedicamos aos pais, não só o segundo domingo de agosto, mas, todos os dias que vivemos. Pois, todos os dias, ao nos olharmos no espelho pela manhã, vemos um pouquinho de nossos pais em nós, um traço do pai, outro da mãe. Todo dia é importante lembrar de honrar aqueles que, com a graça de Deus, nos trouxeram ao mundo. Assim, cumpriremos o quarto mandamento da Lei Divina: Honrar Pai e Mãe. Viva a todos os Pais, os melhores artistas, os melhores heróis, os maiores exemplos a nós, seus filhos!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

20 agosto 2020

O valor infinito de uma só pessoa - Por: Emerson Monteiro


Esse raciocínio vem daquele gesto insano de uns quererem julgar ou outros, ou de ser injusto consigo próprio. Da atitude leviana de jogar lama naqueles que desconsideram. De perder a paz ao esquecer o valor de uma consciência limpa.

Antes de quaisquer avaliações filosóficas, lembrar de que nada ou quase nada já se saber do poder que nos deu origem, da fonte maravilhosa que nos trouxe até aqui nesse movimento incessante de viver. E andamos nos astros a pisar, quais na música, distraídos, feitos feras indomadas. Caminhamos nas estrelas do Infinito quando ainda nem almas sabemos ser, no entanto agindo sem cessar graças à exatidão matemática do equipamento biológico que somos.

Daí, graças a tudo que possuímos ao nascer, valemos tanto e tão pouco. Trabalhamos os dias nas nossas ações feitos aprendizes de nós mesmos, por vezes até sendo incompatíveis diante do tanto da perfeição que movimentamos, porém esse poder de extrema perfeição que o somos nem sempre vimos de merecer o suficiente o quanto temos condições de produzir.

Jogados, pois, num tabuleiro de liberdade sem fim, agimos ao sabor da nossa vontade e traçamos planos e metas na viagem cósmica dos dias sucessivos. Parar e admitir que estejamos em processo evolutivo quase nunca significa grande coisa às mãos desses anjos de metal em que nos transformamos ao sabor das contradições humanas. 

Fica evidente, contudo, que há nítido significado nesse mecanismo de viver, de elaborar a herança que viemos buscar. Longe maiores esforços, qualquer um há que admitir a importância de ocupar corpos tão refinados e possuir a chance de conduzir o barco individual aos mares abertos de sabedoria, criatividade e progresso. É nisso que implica o valor da existência pessoal, conquanto não somos, pois, apenas meros joguetes nas ondas dos céus

Persiste imensa responsabilidade no investimento da Natureza que carregamos conosco e haveremos de responder com exatidão pelo destino do que realizemos ou deixemos de realizar. 


19 agosto 2020

Filme do cratense Jackson Bantim atinge 66 mil visualizações no You Tube

 


Carlos Rafael Dias

Sou do tempo em que se assistia filmes, notadamente, em tela grande, no aconchego indefectível do escurinho das salas de cinema.

Na minha infância, tinham três cinemas em Crato, na emblemática e cinematográfica região do Cariri Cearense: Cine Cassino, na praça Siqueira Campos; Cine Moderno, no final do Calçadão da rua José Alencar, e o Cine da Rádio Educadora, no bairro do Pimenta. Ia para todos, assiduamente, onde assisti grandes clássicos da sétima arte, como Paixão de Cristo, Marcelino Pão e Vinho, Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, Help! (dos Beatles) e muitos filmes do cinema tupiniquim, com destaque para a obra de Amácio Mazzaropi, que eu adorava.

Ainda na adolescência, os cinemas cratenses fecharam todos, vitimados pela popularização da TV e, depois, pelo aparecimento do videocassete. Mas a minha paixão pelo cinema tradicional nunca arrefeceu.

Por essas épocas, fiquei sabendo que minha cidade, tal como a Cataguases de Humberto Mauro, tinha uma tradição na produção de filmes. Soube de tudo isso quando conheci Jackson de Oliveira Bantim, o Bola, no bojo dos movimentos artísticos que se desenrolaram no Cariri no final dos anos 1970 e início dos oitenta.

Soube dos filmes feitos pela rapaziada do Grupo de Arte Por Exemplo, depois transformado no Movimento Nação Cariri: Rosemberg Cariry, Jefferson Júnior, Luiz Carlos Salatiel, José Roberto França, Luiz José dos Santos, Emerson Monteiro e o próprio Bola, dentre outros, que seguiam a estética do Cinema Novo misturada com a Nouvelle Vague francesa.

Filmes documentários e de ficção, como A profana comédia, Terra ardente, Patativa o poeta do povo, Músicos camponeses, Dona Ciça do Barro Cru e O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto foram algumas das películas rodadas na região.

Bola Bantim, juntamente com Rosemberg Cariry, foi um desses cineastas que mantiveram essa tradição. Rosemberg, hoje um nome de destaque no cenário cinematográfico nacional, e Bola militando, com todas as dificuldades interpostas, no cenário nativo.

Entretanto, essa diferença de compasso territorial não tem sido um obstáculo para que Bola Bantim seja um cineasta, assim como Rosemberg , de um grande público e de uma grande obra.

Graças às novas mídias digitais, Bola vem conseguindo a proeza de ser universal e de massa. O seu filme As sete almas vaqueiras, de 2008, atingiu, na data desta postagem, a significativa marca de 66 mil acessos no You Tube.

Um marco para ser celebrado e para servir de estímulo aos novos cineastas e videomakers que se estão iniciando nesta seara árida, porém mágica da cinematografia.

Parabéns, Jackson “Bola” Bantim.

15 agosto 2020

A origem da invocação de Nossa Senhora da Boa Viagem


   Neste dia 15 de agosto, centenas de cidades brasileiras festejam suas Padroeiras, veneradas sob diversas invocações. Uma delas é a Nossa Senhora da Boa Viagem. 

Imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem

    A devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem é muito comum sobretudo no Brasil e em Portugal. Para os portugueses ela sempre foi considerada a padroeira dos navegantes, já para os brasileiros ela se tornou a protetora dos viajantes, romeiros e peregrinos. Mas qual é a origem desta devoção que é tão invocada pelos fiéis que pretendem empreender alguma viagem? A invocação de Nossa Senhora da Boa Viagem tem origem nos templos bíblicos, quando a Mãe de Deus, em pelo menos quatro momentos realizou viagens para cumprir com a vontade de Deus.

   A primeira destas viagens foi feita à sua prima Santa Isabel, mãe de São João Batista (Lucas 1, 39-80). A segunda ocorreu por ocasião do recenseamento, quando Nossa Senhora, aos nove meses de gestação, empreendeu viagem de Nazaré até Belém (Lucas 2). A terceira foi a fuga da Sagrada Família para o Egito, fugindo da fúria de Herodes (Mateus 2, 13-15). E a quarta, foi quando a Sagrada Família voltou do Egito para Nazaré, após a morte de Herodes (Mateus 2, 19-23).

    Por conta dessas viagens empreendidas por Nossa Senhora com espírito de Fé, amor, paciência e coragem, apesar de todos os riscos, foi que a Mãe de Deus recebeu o título de Nossa Senhora da Boa Viagem. Assim ela se tornou a padroeira de todos os viajantes, que sempre pedem o seu auxílio e proteção durante suas viagens. O santuário mais antigo dedicado à Nossa Senhora da Boa Viagem foi construído na província portuguesa de Arrabia, próxima de Lisboa, no ano de 1618. A primeira capela brasileira dedicada a esta invocação mariana foi construída na Praia de Boa Viagem, em Salvador, Bahia.

     A devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem chegou ao Brasil através dos descobridores portugueses, que em meio aos perigos e solidão do mar, invocavam a Mãe de Deus, pedindo que os livrassem da morte e os conduzissem ao bom porto.

Nossa Senhora da Boa Viagem: Padroeira de Belo Horizonte

     A Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída no século 18, para receber a imagem de mesma invocação, proveniente de Portugal. O templo ficava na rota dos tropeiros que exploravam o interior do Brasil em busca de riquezas. Ao redor dessa pequena capela, formou-se o Arraial Curral Del Rey, povoado que deu origem à Capital Mineira. Com o crescimento do povoado e da devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem, foi edificada uma igreja maior, posteriormente demolida para a construção da atual catedral de Belo Horizonte. Este templo, em estilo neogótico, foi concluído em 1923 e está onde, no passado, a primeira Igreja foi erguida, ou seja, no marco zero de Belo Horizonte.

Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem de Belo Horizonte

(Fonte: Gaudium Press)

14 agosto 2020

Morre um Príncipe brasileiro


FALECIMENTO DO PRÍNCIPE DOM EUDES DE ORLEANS E BRAGANÇA

Da parte de S.A.I.R. o Senhor D. Luiz de Orleans e Bragança, o Secretariado da Casa Imperial do Brasil cumpre o doloroso dever de comunicar o falecimento, ocorrido hoje na cidade do Rio de Janeiro aos 81 anos, após longa enfermidade, de seu irmão o Príncipe D. Eudes de Orleans e Bragança, segundo dos doze filhos de D. Pedro Henrique e D. Maria de Orleans e Bragança e pai do Deputado D. Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

A todos pedimos orações pelo eterno repouso de sua alma.
São Paulo, 13 de agosto de 2020


Quinze de Agosto – por José Luís Lira (*)


Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres -- Guaraciaba do Norte (CE)

   Para mim ou para boa parte dos guaraciabenses, dizer dia 15 é referir-se a 15 de agosto, pois é a Festa da Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres. Este ano o festejo foi feito em nossas casas. Pelo rádio e pela internet participamos as celebrações, mas, hoje, haverá procissão. Sem acompanhamento. O Pároco, Frei Santiago, OAR, em carro aberto, conduzirá a imagem mais antiga da padroeira pelas ruas da cidade. Que Nossa Senhora, Mãe que é da humanidade, nos abençoe e rogue a Deus pelo fim da pandemia.

    Mas, 15 de agosto é, também, data especial para a Congregação das Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus. Foi num 15 de agosto que o Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade, sacerdote católico, pôs em prática o seu sonho de criar uma Congregação de Religiosas que se dedicassem à oração, reparação ao Sagrado Coração de Jesus e às atividades da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. Era 15 de agosto de 1957. O carisma da Congregação é sintetizado no slogan: Amor/ Reparação/ Evangelização. Era o bispado de Dom José Tupinambá da Frota. As Irmãs, atualmente, contam com casas nas dioceses de Sobral, Tianguá, Itapipoca, além das arquidioceses de Fortaleza, Rio de Janeiro e Olinda e Recife.

    A Congregação fundada há 63 anos, foi se consolidando aos poucos. Em 7 de julho de 1959, Dom José Tupinambá da Frota aprovou os Estatutos da Congregação e ao final escreveu: “Queira o Sagrado Coração de Jesus, a quem o novo sodalício quer louvar de modo particular, transformá-lo um dia em Congregação Religiosa, como deseja seu fundador, logo que a Santa Sé, no seu alto critério, o haja por bem”.

     Dom José Tupinambá da Frota, emitiu Decreto, datado de 22 de julho de 1959, oficializando a ereção canônica de uma Congregação Diocesana, tendo por finalidade principal dar glória a Deus, santificando seus membros em obras de apostolado: “Havemos por bem erigir, como pelo presente DECRETO erigimos em Congregação Diocesana o referido Instituto, com estatutos próprios por Nós examinados e aprovados... Dada e passada nesta nossa cidade episcopal de Sobral, aos vinte e dois de julho de 1959 † José, Bispo Diocesano”.

    Em 1983 veio o reconhecimento da Congregação para os Religiosos e Institutos Seculares da Santa Sé e a confirmação por parte da Diocese de Sobral já tendo por Bispo Dom Walfrido Teixeira Vieira.

     Menos de um ano após a criação da Congregação, em Guaraciaba do Norte, o Mons. Antonino Cordeiro Soares, homem de profunda santidade, dava início aos procedimentos para criar uma Escola que, nos seus estatutos previa a administração por religiosas. Em 1958, o Bispo Diocesano de Sobral deferia requerimento do Pe. Antonino para a instalação do “Patronato Benjamin Soares”, no atual prédio, com o seguinte despacho: “Com a máxima satisfação concedemos a licença pedida, devendo ser registrada no Livro do Tombo. Sobral, 21 de julho de 1958. † José, Bispo Diocesano”.  Ressalte-se que a Escola já existia desde 1955. A Escola foi dirigida por duas congregações religiosas até quando chegou foi entregue pelo então Pároco e fundador, às Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus que há mais de 42 anos tem feito um grande trabalho, merecedor de elogios e reconhecimento de todos. Ex-aluno que sou, manifesto agradecimentos às Irmãs!

    Feliz 15 de agosto!

   
  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


Os degraus da condição humana - Por: Emerson Monteiro

 


Por vezes paro e observo as pessoas em volta, todos iguais a mim. Isso em tese, porquanto a realidade estabelece padrões individuais de acordo com o mérito pessoal. Porém todos humanos, que eu bem poderia ser qualquer um deles. Dai as interrogações do que promove tais níveis de realidade, de onde vêm as causas e condições que fazem assim pessoas próprias de si mesmas. O que plantamos no decorrer das vidas (reencarnações) que nos faz ocupar os patamares que ocupamos. 

Prudente nos raciocínios, a levar em conta valores místicos, existe um infinito de perguntas e outro infinito de respostas que justificam os lugares que preenchemos na vida social e nos relacionamentos conosco e com os demais. Há quem viva relativamente bem diante dos desafios da sobrevivência. Outros, no entanto, padecem horrores mediante o dever da existência. Cabe de tudo no caldo das vidas. Desde brisas de bem-estar a purgatórios de marcas profundas e sofrimentos sem conta visível.

Que dizer senão admitir a presença dos poderes maiores de uma Inteligência Suprema?  Fugir a que esconderijo da Verdade, conquanto essa alternativa jamais perduraria durante todo tempo?... Se Deus não existisse seria necessário inventá-lo, no dizer de Voltaire. Em sendo, pois, ponto pacífico, sobra apenas respeitar as leis que promovem a humana condição, contudo persistem os níveis tais da nossa presença diante do mundo. Por dever de obediência, atitude coerente, cabe-nos adotar a norma de sabedoria de compreender as justas razões de colhermos o que plantamos, se não agora, numa existência outra, nalgum lugar no tempo das causas eternas. 

Isto, igualmente, indica que devemos lembrar os semelhantes sob a ótica de instrumentos de nossa evolução, a quem cabe ocasião de obter méritos de evoluir em humanidade, uns junto dos outros, sinfonia natural de nossa felicidade coletiva.


Morre Dr. Geraldo Menezes Barbosa – um cratense ilustre, o maior cronista do Ceará



Morreu, ontem, 13 de agosto, aos 96 anos, o cirurgião dentista, escritor e intelectual Geraldo Menezes Barbosa. Ele estava internado  no Hospital da Unimed, em Juazeiro do Norte, onde ocorreu seu óbito por volta das 22:45h.

Quem foi Geraldo Menezes Barbosa

Nascido em 06 de junho de 1924 na cidade de Crato-CE Seus pais: José Barbosa dos Santos (jornalista) e Francisca de Menezes Barbosa. Fez Curso Primário e Ginásio em Crato. – Curso Científico no Liceu do Ceará em Fortaleza _ Curso superior em Odontologia na UFC e Curso superior em Pedagogia pela CADES-MEC além de 26 Cursos de extensão sobre Saúde e Cirurgia bucal, Previdência Social, Assistência ao Menor, Cidadania, Relações Humanas e para a Vida, Meio Ambiente, Psicologia, Filosofia, Parapsicologia, Hipnodontia, Jornalismo, Rádio e TV, Economia, Política, Direito do Menor, Ação Social Sessenta anos de participação direta no desenvolvimento da cidade de Juazeiro do Norte. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal, em 1960, quando sancionou o primeiro Código de Postura da cidade.

Foram mais de 60 anos de jornalismo, quando lançou o jornal Correio do Juazeiro , em 1949, criando a Associação Juazeirense de Imprensa e suas crônicas diárias no CRP. É jornalista registrado na Associação Cearense e Imprensa com carteira de sócio efetivo datada de 1950 e membro da Associação Cearense de Rádio e Televisão. Dedicou 50 anos como Diretor e professor da Escola Técnica de Comércio de Juazeiro, 30 anos como professor de Biologia da Escola Normal, Colégio Moreira de Souza e seis anos no Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte. Dez anos como cronista na Rádio Iracema, 5 anos na Rádio Educadora do Cariri e 45 anos na Rádio Progresso de Juazeiro, como sócio fundador, diretor, formador de opinião pública, com uma crônica diária. Editor da Revista Memorial.

Escreveu mais de 20 livros sobre a História do Juazeiro, Crônicas, Literatura. Durante mais de 50 anos foi sócio do Lions. Diretor Secretário da Comissão Pró Eletrificação do Cariri (1950) Lutou pela instalação do Aeroporto Regional e abertura da Estrada Barbalha-Unha de Gato nos anos 50\60. Trabalhou para criação do primeiro Banco de Sangue e sua instalação no Hospital São Lucas. Foi sócio proprietário do Hospital Santo Inácio. Lutou pela instalação das agências do Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica e da Receita Federal. Fundador da Sociedade de Amparo aos Mendigos, em 1956, hoje com 40 asilados e com assistência social e hospitalar no seu grande prédio da Rua São José Diretor da Escola Técnica de Comércio durante 50 anos.

Criou e instalou a Faculdade de Engenharia de Operação de Juazeiro, com apoio do Gov. Adauto Bezerra (1975) hoje Centro de Tecnologia da URCA. Criou o Aeroclube de Juazeiro, ainda funcionando, e o Teatro Escola. Professor e palestrante do 2º Batalhão de Polícia e do Tiro de Guerra. Recebeu certificado de reconhecimento expedido pelo 4º. Exército e Medalha de Ouro do Mérito Militar expedida pela Polícia Militar do Ceará e de várias instituições. Fundador do Lions Clube de Juazeiro em 1956, primeiro presidente e depois Governador do Distrito de Lions Internacional, empossado nos Estados Unidos e também Orador Oficial do Conselho de Governadores.

Foi Delegado Regional do Conselho Regional de Odontologia e do Sindicato dos Odontologista do Ceará e Presidente da Comissão do Centenário de Juazeiro (2011). Membro titular da Academia Cearense de Odontologia, da Academia de Cultura de Lions Internacional, da Sociedade Brasileira dos Odontólogos Escritores e do Instituto Cultural do Vale Caririense. Escreveu 26 mil crônicas, lidas diariamente na Rádio Progresso de Juazeiro.
(Currículo publicado no ESCAVADOR)

13 agosto 2020

3 – Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri


Padre Francisco Pinkowski 

    Quem entra na Igreja-Santuário do Sagrado Coração de Jesus, localizada ao lado do Colégio Salesiano, em Juazeiro do Norte, pode observar – ao lado direito do grande templo – o túmulo de um sacerdote polonês. As novas gerações talvez desconheçam a vida desse virtuoso padre.

   O Cariri cearense, ao longo dos tempos, foi privilegiado com a presença de bons padres. Um desses foi certamente o Padre Francisco Pinkowski, pertencente à Ordem Salesiana. Nascido na Polônia em 1882, ainda jovem, Francisco Pinkowski foi estudar em Turim, na Itália. Depois foi enviado para Montevidéu, no Uruguai. Nessa cidade foi ordenado presbítero em 1920. De Montevidéu foi enviado para o Brasil, mais precisamente para Pernambuco, onde residiu de 1921 a 1939. De lá foi transferido para Fortaleza, no Ceará, onde exerceu várias atividades pastorais entre os anos 1940-1943.

       De Fortaleza veio para Juazeiro do Norte, onde permaneceu os anos 1944-1945, retornando a Pernambuco em 1946. No entanto, Padre Francisco Pinkowski viveu seus últimos anos em Juazeiro do Norte, aonde veio a falecer em 1979 aos 96 anos de idade.

Sobre este sacerdote escreveu o escritor Mário Bem Filho:

“Em Juazeiro do Norte, Padre Francisco Pinkowski, apesar da idade avançada, jamais se deixou vencer pelo cansaço. Levantava-se cedo e começava a rezar o terço e, após meditação, celebrava a Santa Missa. Posteriormente começava a atender às confissões, saindo, em seguida, sempre a pé, para prestar assistência aos enfermos pobres que habitavam a periferia de Juazeiro do Norte. Seu maior sonho era ver concluída a construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, o que conseguiu realizar.

“Padre Francisco Pinkowski era um padre virtuoso, um autêntico apóstolo do bem, devoto de Nossa Senhora Auxiliadora e de Dom Bosco. Durante sua existência apresentou características marcantes, dentro as quais destacamos: profundo amor pelas vocações; zelo sacerdotal pelas almas, demonstrado no ministério das confissões, principalmente aos enfermos; coração aberto aos pobres. Jamais um necessitado que o procurasse, dele se afastava de mãos vazias; coração sempre inclinado ao perdão, nunca guardando rancor de ninguém”.

     Em Juazeiro do Norte, é de domínio público uma história sobre o Padre Francisco Pinkowski, que passo a contar. Certa manhã ele foi chamado para dar a Unção dos Enfermos a uma moribunda que residia na Rua da Palha, periferia daquela cidade. Carregando a hóstia consagrada, estola, livro-devocionário e um recipiente com água benta, Pe. Francisco Pinkowski dirigiu-se, a pé ao local onde estava a enferma. Em lá chegando, o bom padre entrou numa pequenina palhoça, destituída de qualquer móvel onde ele pudesse colocar os objetos sagrados, enquanto colocava a estola. Constrangido, por não querer colocar esses objetos sagrados no chão, eis que entra, na palhoça, um rapazinho de boa aparência, bem vestido e pede ao Padre Francisco para segurar a hóstia consagrada, o livro-devocionário e o recipiente com água benta.  Após cumprir a tarefa o rapazinho se afastou do humilde recinto.

     A sós com a moribunda, Padre Francisco ministrou a confissão, deu a comunhão e procedeu a Unção dos Enfermos. Ao sair, perguntou a algumas pessoas que estavam do lado de fora da choupana:

– Onde está aquele mocinho que segurou meus objetos? Gostaria de agradecer a ele...

       Para a surpresa do sacerdote, os vizinhos da moribunda insistiam em dizer que, na palhoça, não entrara ninguém. Padre Francisco retornou ao Colégio Salesiano um tanto intrigado com o fato. Chegando ao Colégio, entrou pela antiga capela do educandário, hoje o auditório. Foi quando seus olhos se fixaram num altar e ele viu uma imagem de São Domingos Sávio. Emocionado, reconheceu naquele santo o rapazinho que o ajudara momentos antes, no casebre da enferma a quem dera assistência espiritual final.

     Padre Francisco Pinkowski faleceu em 15 de abril de 1979. Foi sepultado no dia seguinte, no interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Juazeiro do Norte, após missa de corpo presente concelebrada por 26 sacerdotes. Ainda hoje sua sepultura é muito visitada. Muitas pessoas dão testemunho de graças alcançadas por sua intercessão.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

12 agosto 2020

O justo fruto das nossas ações - Por: Emerson Monteiro

                                 O ímpio recebe pagamentos enganosos, mas quem semeia a justiça colhe segura recompensa. Provérbios 11:18

Ao chegar da escola, ainda contrariada por causa de alguma ação das colegas, tratava de procurar a avó na busca de conforto. E mais de uma vez ouviu essa história que gravaria pela vida afora:

Próximo de um vilarejo distante morava pedinte que, vez em quando, vinha ali a mendigar o sustento. Sempre que recebia qualquer auxílio que fosse, repetia agradecido: - Quem bem fizer pra si é. Quem mal fizer pra si é também. – Nisso, percorria as casas e depois regressava aonde vivia sozinho num casebre no meio da mata. Assim passavam os dias e se alimentava do que lhe dessem por donativo.

Mas havia uma pessoa na vila que teimava duvidar do que dizia o velho senhor ao receber os mantimentos. Com isto, resolveu demonstrar o contrário do que com tanto gosto ele afirmava. Certa feita pegou uns pães e neles aplicou forte dose de veneno. Tão logo ouvira o petitório do homem, cuidou de oferecer de esmola os pães envenenados.

..

Há pouco vindo da povoação, o ancião escutou, desde a mata, gritos aflitos de criança. Eram dois garotos que tinham se perdido nas imediações. Correu na direção dos gritos e trouxe os garotos até seu humilde casebre. Daí quis saber de quem se tratavam. Para surpresa, eram filhos da dita senhora que naquele mesmo dia oferecera os pães adulterados.

Alegre por saber pertencerem a família sua conhecida, o homem acalmaria as crianças fatigadas e lhes ofereceria alguma refeição, cabendo, então, por fatalidade, exatamente os pães que recebera da mãe deles. Pediu que ficassem aguardando, enquanto voltou à vila e trouxe consigo a senhora já feliz de localizar os filhos. No entanto, qual não foi o desgosto de acha-los exangues, vítimas fatais do que armara na intenção de provar a inexatidão do que o pedinte tanto afirmava: Quem bem fizer pra si é. Quem mal fizer pra si é também.

 

2 - Sacerdotes católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri

Monsenhor Joviniano Barreto – O Mártir do Dever



   O ano de 1950 começou promissor para Juazeiro do Norte. A comunidade católica daquela cidade preparava-se para comemorar – no mês de março – os 15 anos do profícuo paroquiado de Monsenhor Joviniano Barreto. Este, por sua vez, após ajudar na instalação da Congregação Salesiana em Juazeiro do Norte, aguardava o dia 6 de janeiro com certa ansiedade. Era a data marcada para o lançamento da pedra fundamental do convento e seminário dos frades franciscanos capuchinhos, recém chegados àquela cidade, após pacientes negociações feitas entre o Bispo de Crato, Dom Francisco – com decisiva participação do Monsenhor Joviniano Barreto – e a Província Regional Franciscana.

     A quase totalidade da população ordeira e humilde de Juazeiro do Norte professava a religião católica. Mas, como ocorre em toda cidade em fase de grande crescimento, Juazeiro abrigava alguns portadores de esquizofrenias. Um deles, Manoel Pedro da Silva, natural de Açu, Rio Grande do Norte, vinha, nos últimos meses, insistindo (junto a Monsenhor Joviniano) para que o vigário o casasse com uma senhora já casada. Em vão o sacerdote explicou ao esquizofrênico que a Igreja Católica proibia a realização desse matrimônio.

     Consta que, por algumas vezes – por vingança ante a recusa do sacerdote em realizar o ilegal casamento – Manoel Pedro procurou assassinar Monsenhor Joviniano. Uma dessas ocasiões durante a Missa de Natal de 1949. E só não foi concretizada, porque, na hora planejada para o delito, faltou coragem a Manoel Pedro para praticar o homicídio.
Entretanto, no início da fatídica noite de 6 de janeiro de 1950, após a solenidade de lançamento da pedra fundamental do convento dos capuchinhos, Manoel Pedro veio na direção de Monsenhor Joviniano e lhe desferiu profunda facada no coração, matando-o na hora. A pedra fundamental do convento dos capuchinhos foi, assim, regada pelo sangue desse servo bom e fiel, um verdadeiro “Mártir do Dever”.

     Monsenhor Joviniano Barreto nasceu no município de Tauá, no Sertão dos Inhamuns, em 05 de maio de 1889. Oriundo de família com sólida formação católica, ele era afilhado de crisma do segundo bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira.
Estudou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde recebeu ordenação sacerdotal em 22 de dezembro de 1911, aos 22 anos. Enquanto aguardava a idade canônica para receber a ordem do presbiterato lecionou naquele Seminário, entre 1908 e 1909 e no Colégio São José de Crato, entre 1910 e 1911.

     A criação da Diocese de Crato veio encontrar o já então Padre Joviniano Barreto como vigário-cooperador de Lavras da Mangabeira. Posteriormente, ele foi Cura da Catedral de Crato, Secretário do Bispado, professor e reitor do Seminário Diocesano São José, vice-presidente do Banco do Cariri (pertencente à diocese) e diretor do Ginásio, posteriormente denominado (até sua extinção em 2020) de “Colégio Diocesano de Crato”.

     Segundo o escritor Mário Bem Filho: “Na administração episcopal de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo de Crato, Monsenhor Joviniano Barreto era o padre de maior projeção da diocese. Homem apostólico, dedicado, trabalhador, inteligente e culto. Tinha um caráter forte e uma personalidade marcante. Contava com a amizade e estima de todo o clero diocesano. Impôs-se pela bondade. No governo do segundo bispo, Dom Francisco de Assis Pires, Monsenhor Joviniano era depositário de toda a confiança do pastor diocesano que o tinha como conselheiro. Dom Francisco mandava-o chamar frequentemente, ao Palácio Episcopal, para ouvi-lo”.

     Com a morte de Monsenhor Esmeraldo, vigário de Juazeiro do Norte, ocorrida em outubro de 1934, aquela paróquia ficou novamente vaga e o Bispo de Crato encontrava dificuldades (junto aos seus padres) para que um deles assumisse aquela jurisdição paroquial. Um grupo de senhoras de Juazeiro do Norte veio, certa vez, ao Seminário São José, em Crato, pedir a Monsenhor Joviniano para aceitar a missão de pastor dos juazeirenses. Ele respondeu negativamente ao pedido. Dias depois, sem que ninguém soubesse o motivo da mudança, Monsenhor Joviniano procurou Dom Francisco e disse que aceitava a nomeação para Vigário de Juazeiro do Norte, uma função que representava, àquela época, um grande desafio.

      Assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Dores em 26 de março de 1935. Durante 15 anos reorganizou a vida paroquial. Dinamizou as associações religiosas. Reformou totalmente a igreja-matriz – hoje Basílica Menor – deixando-a com o aspecto como está hoje. Ajudou na evolução social da Terra do Padre Cícero, participando de todas as iniciativas que representavam progresso para Juazeiro do Norte. Foi professor da Escola Normal Rural e concluiu sua profícua missão pastoral em 6 de janeiro de 1950, quando foi assassinado por um débil mental, passando à história como “O Mártir do Dever”.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

11 agosto 2020

1 - Sacerdotes Católicos que ficaram no imaginário popular do Cariri


Padre Lourenço Vicente Enrile

   O dia foi 13 de novembro de 1876. Em Crato, Sul da Província do Ceará, esta integrante do Império do Brasil, na Rua das Flores (atualmente denominada Rua Teófilo Siqueira), em casa do farmacêutico prático Secundo Chaves, um sacerdote de 43 anos – com o organismo minado pela tuberculose – sentia que sua existência terrena chegava ao fim.  Em meio à febre, acessos constantes de tosse e hemoptise, o Padre Lorenzo Vicenzo Enrile – primeiro reitor do Seminário São José – rendeu sua bela alma a Deus, nos braços do farmacêutico citado, seu benfeitor.

     Dias antes, Secundo Chaves, após muita insistência, conseguiu que o Padre Lourenço Vicente Enrile deixasse o prédio do Seminário São José, no Alto do Granjeiro (hoje bairro do Seminário) e viesse se tratar na sua residência. Na casa do boticário, o sacerdote teria melhor assistência para o tratamento da pertinaz moléstia. Debalde foram os esforços do farmacêutico. A morte levou, naquele dia, um de mais virtuosos sacerdotes que residiam em Crato...

   Padre Enrile nasceu em Finalborgo, Diocese de Savóia, na Itália, em 28 de fevereiro de 1833.  Chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.

   Sobre o Padre Enrile assim registra o “Álbum do Seminário de Crato” (*) 

“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário”.

“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.

“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.

“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile”.

“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção”.

“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”. “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada” ...

       Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José.


Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Referências Bibliográficas
(*) LEMOS, Padre Emygdio. Albvm Historico do Seminário do Crato–1875-1925. Typ. Revista dos Tribunaes. Rio de Janeiro, 1925. Páginas 51/54.
 

10 agosto 2020

“As Histórias do Cariri – Fatos e Personagens”


("Orelha" que escrevi para o livro" de autoria de Célio Augusto Alves Batista e Halley Guimarães Batista)
Os autores do livro: pai e filho

   O Cariri cearense é uma terra mágica, onde se destacam a fé de sua gente e as manifestações das tradições populares. Ademais, esta região possui uma rica história, iniciada há cerca de 320 anos. A região do Cariri é uma terra abençoada!

   Célio Augusto Alves Batista e Halley Guimarães Batista acabam de escrever este interessante e útil livro: “As Histórias do Cariri – Fatos e Personagens”, resgatando o passado desta bela região, que se constitui num verdadeiro oásis do centro nordestino brasileiro.  Os autores enfatizaram, também, nesta obra, o esplendor do nosso patrimônio arquitetônico e histórico.

     Segundo respeitados historiadores, no início do século XVIII chegaram no Cariri os primeiros colonizadores. Já por volta de 1741, temos os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a “Missão do Miranda” (embrião da atual cidade de Crato), fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália.
    Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa, coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha.  Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos.

     E tudo isso tendo como moldura a belíssima paisagem caririense, onde ganhava realce a exuberante Chapada do Araripe. Pouca gente sabe que na língua nativa dos primitivos habitantes do Sul do Ceará – os índios Cariris – “Araripe” significa “lugar onde surge o dia”. Nos tempos atuais, além da flora e da fauna, a Chapada do Araripe é riquíssima em fósseis, que remontam ao período cretáceo, os quais proporcionam a pesquisa paleontológica. O meio ambiente está sendo preservado. Qualquer pessoa pode percorrer as trilhas na mata, conhecendo as nascentes, riachos e cachoeiras existentes naquela chapada arenítica.

          Parabéns a Célio e Halley pela produção deste livro. Ficamos orgulhosos do resgate que eles fizeram de episódios do nosso glorioso passado. Encerro com um comentário feito, anos atrás, pelo dramaturgo Oswald Barroso: “O Cariri não é apenas uma região privilegiada, é uma espécie de caldeirão cultural. Os vários Nordestes, o sertão, o da mata, o do agreste, o da praia, o da serra, com suas diferentes culturas, estão reunidos no Cariri. Nele se pode encontrar marcas da cultura ibérica medieval, com seus acentuados traços mourísticos; da cultura negro-africana, com suas danças e batucadas; da cultura ameríndia, com sua magia anímica, caldeada com elementos modernos das mais diferentes”.
            Salve o Cariri cearense!

Armando Lopes Rafael
 Historiador

“Coisas da República”: O desgaste do nosso Poder Judiciário


    Em dezembro de 2019, o Instituto Datafolha fez uma pesquisa, junto à população brasileira, sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Resultado da pesquisa? A baixa aprovação do STF pelos brasileiros. Naquela pesquisa, 39% dos entrevistados avaliaram o trabalho do tribunal como “ruim” ou “péssimo”. Já a porcentagem de brasileiros que aprovaram o STF, considerando seu trabalho “bom” ou “ótimo”, foi de apenas 19% - a avaliação “regular” aparece em 38% das respostas e a taxa de “não sabe” é de 4%."
     Se o Datafolha fizesse nova pesquisa hoje o resultado seria ainda pior.

      Acabo de ler uma notícia na mídia, desta feita sobre uma ação do Ministério Público Federal. O atual Presidente da República está na mira da Justiça. Por causa de alguma corrupção? Não. Devido à cloroquina, medicação usada no Brasil desde 1934 e registrada na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde–OMS. Esse fármaco, afirmam muitos, inclusive médicos renomados, ajudaria a combater a pandemia do vírus chinês que se alastra pelo Brasil. Consta que a cloroquina tem sido eficaz no tratamento dos infectados pelo coronavírus, no estágio inicial dos sintomas. E o Presidente autorizou a produção desse remédio pelo Exército Brasileiro.

      O Ministério Público–MP quer apurar a compra de insumos destinados à fabricação dos comprimidos de cloroquina pelo Exército Brasileiro. Ou seja, o MP foi sensível às críticas partidas  dos  partidos políticos da esquerda; da OMS (esta subserviente à China); da grande mídia (jornais e redes de televisão), e outros meios de comunicação, que não aceitam a distribuição da hidroxilcloroquina, um medicamente barato e acessível a todos, principalmente aos mais pobres. O leitor tire suas conclusões.

(Postado por Armando Lopes Rafael)

As mentiras da República – por Armando Lopes Rafael


Praça XV, na então capital do Império do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro,
15 de novembro de 1889.

“Mentir é dizer o contrário do que se pensa,
 com a intenção de enganar” Santo Agostinho

   A bem dizer, a República no Brasil foi imposta através   de uma série de mentiras. E de mentiras ela vem se sustentando – aos trancos e barrancos – desde o golpe militar de 15 de novembro de 1889. Se quiserem “apimentar” a funesta “proclamação”, dando a suas origens um “ar de folhetim”, basta relembrar um “caso de amor” acontecido na vida do Marechal Deodoro. Este, quando serviu no Rio Grande do Sul, disputou – com o político gaúcho Silveira Martins – o amor de uma certa viúva chamada Adelaide. Nessa testilha, o velho marechal levou a pior. Adelaide, que era viúva, preferiu o político. E a partir daí Silveira Martins virou um desafeto de Deodoro.  O jornalista Felipe van Deursen escreveu um artigo (“Uma mentira e uma rixa amorosa levaram à proclamação da República”) onde cita esse quiproquó.
   
   “Em 1889, os republicanos convenceram o Marechal Deodoro de que o então Presidente do Conselho de Ministros de Pedro II, o Visconde de Ouro Preto, havia expedido uma ordem de prisão contra ele. Não era verdade, mas bastou para que Deodoro juntasse um pequeno batalhão e marchasse pelo Rio de Janeiro exigindo a deposição de todo o ministério. 
    Deodoro, então, soube que o novo Ministro-Chefe seria Gaspar Silveira Martins, seu desafeto – os dois tinham disputado o amor da mesma mulher na juventude, e viraram rivais para o resto da vida.  “Aí já é demais”, Deodoro talvez tenha pensado. O fato é que isso levou Deodoro, que até então não via o Brasil sem a monarquia, a derrubar Pedro II e instituir um governo provisório. Estava proclamada a República. Graças a uma rivalidade romântica”
. (*)

   Seria longo citar os logros e aleivosias que se sucederam ao longo desta República em 130 anos da sua existência. Mesmo nos dias atuais, basta ler o que se publica nas mídias, para sentir os fracassos e insucessos das ações republicanas tupiniquins.

     Por que não se faz uma pesquisa, sobre o grau de aceitação do povo brasileiro para com esta república? O Instituto Datafolha, tão cioso em divulgar a opinião pública, continua omisso neste item.  Vox Populi, Voz Dei

 (*) https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/uma-mentira-e-uma-rixa-amorosa-levaram-a-proclamacao-da-republica/

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PS - Fatos poucos divulgados sobre o golpe militar de 15-11-1889:

Marechal Deodoro chamou o decreto que implantou a República de “Porcaria!”
Fonte: https://www.facebook.com/Brasil.Monarquia/posts/1195149510530392/

"A chamada Proclamação da República no Brasil é uma fábula. Nunca aconteceu.
Contudo, resta a pergunta: Se não houve uma proclamação, como foi implantada a República no País?

Após ter gritado "Viva o Imperador", Deodoro, o grande traidor, voltou para casa. Volta ao leito e, na cama, recebeu a visita alguns traidores republicanos. Tentaram fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república. O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.

Deodoro não era republicano. Havia mesmo escrito, poucos dias antes, a um de seus sobrinhos, o General Clodoaldo que "República no Brasil e desgraça completa são a mesma coisa".

De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins. Sabiam da inimizade entre os dois. Deodoro não havia perdoado seu antigo rival na disputa pelos favores da Viúva Adelaide.

Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga paixão, Deodoro disse textualmente: "Deixe-me assinar esta porcaria". Colocou sua assinatura no documento e pronto: havia se tornado um traidor... Era o primeiro decreto de um governo provisório constituído sem a aprovação do povo. Não representava coisa alguma. Nada além do oportunismo golpista".