02 julho 2020

Quando o povo souber de si - Por: Emerson Monteiro


Séculos inteiros vieram de ser questionados onde esforço de assumir direitos e anseios gerou novas classes de poder sob as máscaras da grande sociedade, indo além do oportunismo burocrata e alienante.

Grande mestra a História, desde que atentos se postem os ouvidos fixos nas entrelinhas dos palácios e das ruas. Aventureiros perspicazes fazem ponto nos cavados de tempo, dando preferência às épocas obscuras, e lançam mãos de postos vitais, mostrando condecorações duvidosas, táticas perversas, impostores nos mercados da política. De modo repetitivo as massas reclamam alternância, mas não se oferecem para isso. Delas tem de vir o comando. Depois ficou tarde, onde o preço explode nas convulsões indesejadas.

Daí aquele costume de achar que participação gera aborrecimentos e que os políticos não merecem confiança, enquanto eles mesmos se revezam eternizados, os custos da indiferença, deteriorando a pirâmide social.

Temos de encostar de perto nos que se dizem nossos representantes, pois ninguém merece este título sem cumprir a obrigação de que foi incumbido. Apenas querer, prometer e sumir pouco significa nos momentos críticos dos tempos atuais.

Olhos abertos, pois, aos partidos salvacionistas que assumem de modo ostensivo a prerrogativa, para depois se escafederem com a panela nos corredores sombrios da corrupção. Prováveis homens de bem devem primeiro demonstrar suas intenções: antes que os vejamos tais suspeitos e demagogos. 

O jogo de cores/palavras dos meios modernos de transmitir mensagens se presta à mistificação, dosada pelos grupos que juntaram forças na sombra. O espaço forjado pela injustiça germina líderes postiços como mercadoria de feira, maleáveis à propaganda, cabendo-nos avaliações e lucidez de escolha.

Nenhum homem isolado poderá sentir o sofrimento de um povo inteiro. Deus nos livre dos falsos cristos e falsos profetas. Deixemos correr o barco, de preferência sob lideranças honestas e nos padrões regulares do povo, isento de dores inoportunas.

Assumir quem somos deve significar mérito nas populações. Liberdade frutifica esperança e trabalho. Guardemo-nos daqueles que indicam o abismo como fim útil do drama moderno.


(Ilustração: Tríptico de Santo Antônio, de Ieronymus Bosch).

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