29 junho 2020

Há 19 anos, Dom Fernando Panico assumia a Diocese de Crato


   O dia 29 de junho de 2001, Festa dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, caiu numa sexta-feira.  Naquela data, pela manhã, chegou a Crato, para tomar posse como 5º Bispo da nossa diocese, Sua Excelência Reverendíssima Dom Fernando Panico. O povo saiu às ruas para saudá-lo, naquela manhã. Desde o primeiro momento, a simpatia do novo bispo conquistou a todos. À tarde, a Praça da Sé – onde fica a Catedral –, estava lotada com delegações dos diversos municípios componentes da Diocese de Crato, que vieram assistir à posse do seu novo pastor.
São Pedro e São Paulo
  
       Na sua homilia de posse, Dom Fernando leu um bonito e expressivo texto, do qual transcrevo abaixo uma pequena parte. Nela, o novo bispo antecipou um dos eixos que marcaria sua atuação pastoral:

“Esta de Crato é uma diocese que, sem conhecê-la ainda, já entrou no meu coração. Quem sabe, será porque para a nossa diocese convergem os olhares, os corações e os pés de um povo simples e bom? Refiro-me ao constante e numeroso afluxo de romeiros, que, carregados da fé dos simples, fizeram deste vale do Cariri, diria uma Terra Santa. Não podemos desconhecer este fato que é peculiar e desafiador para a nossa ação evangelizadora. O Pe. Cícero Romão Batista – o “Cearense do Século XX” – como foi aclamado pelo povo, é filho de Crato. 

Ao redor da sua pessoa e da sua memória, desencadeou-se uma expressão de religiosidade popular tão forte e tão rica de símbolos que, pelo menos, chama o meu interesse de pastor e estudioso de liturgia. Vejam só o que me aconteceu, no fim do mês passado. Encontrava-me em São Paulo, hóspede da casa provincial dos Missionários do Sagrado Coração. Ao abrir a porta dos meus aposentos, logo vislumbrei uma pequena imagem de madeira do Pe. Cícero, em cima do armário.

 Fiquei bastante surpreso. E pensei comigo: será este um sinal de Deus? De fato, não deixa de ser curioso o futuro bispo de Crato dando de frente com a imagem do Pe. Cícero, no seu quarto, e em São Paulo. Tomei aquela imagem nas mãos e pedi permissão ao Superior Provincial para levá-la comigo para Crato. Os meus confrades acharam isso muito interessante, desejaram-me um feliz encontro com o Pe. Cícero, em Juazeiro e ficaram comentando: “Será que o Pe. Cícero não está pedindo um auxílio ao seu novo bispo?”

   Naquele instante, a massa humana que lotava a Praça da Sé irrompeu em demorado aplauso. Por certo Dom Fernando sentiu, naquele instante, que a maioria do seu novo rebanho era simpática à memória e à herança espiritual deixada pelo Padre Cícero.

     Dom Fernando Panico foi vitorioso nessa sua batalha! Em 2015, o Papa Francisco enviou a hoje famosa Carta de Reconciliação da Igreja Católica com a Herança Espiritual do Padre Cícero.

Dom Fernando Panico permaneceu entre nós durante 15 anos e meio. Ao renunciar, por motivo de saúde, em dezembro de 2016, deixou um legado de grandes e profundos frutos como Bispo Diocesano de Crato. De forma resumida poderia citar.

– A valorização das romarias e do acolhimento aos romeiros, com novas atitudes e um cuidado pastoral com eles.
– As Santas Missões Populares que, preparadas ao longo de três anos, acentuaram o rosto missionário da nossa Igreja Particular.
– A reestruturação pastoral da Diocese em Foranias e Comunidades.
– A realização do 13º Encontro Intereclesial das CEB’s, na cidade de Juazeiro do Norte.
– A elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor.
– A criação de 13 novas paróquias e de quatro Santuários Diocesanos.
– A construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas.
– Reconhecimento diocesano de novas comunidades de leigos consagrados. Acolhimento de vários institutos religiosos, em cidades da nossa diocese, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.
– Ordenação de 68 novos padres para a diocese e a instituição do Diaconato Permanente, tendo ele ordenado 39 diáconos permanentes;
–  A abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri, outra grande vitória do seu episcopado, pois essa Beatificação ocorrerá em breve;
–  A criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, e formou sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba;
–  Entrega da administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como vem ocorrendo com outras instituições congêneres no Cariri;
–  Construção dos dois blocos que compõem a nova Cúria Diocesana;
–  Construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Granjeiro, em Crato, dentre outras iniciativas que delongaria aqui alinhar.

     A Dom Fernando Panico a nossa manifestação de gratidão e do nosso profundo reconhecimento pelo muito que ele fez pela Igreja Católica Apostólica Romana no Cariri e no Nordeste brasileiro.
(Por Armando Lopes Rafael)

2 comentários:

  1. Grande Armando, como fico feliz em ter uma mínima noção do que se passa em nossa terra através desse artigo esclarecedor. Várias vezes ouvi críticas em relação ao Dom Fernando, mas, invariavelmente nenhum crítico tem a ombridade de ser ético e elencar suas qualidades. Através de tantas ações pode-se dizer que o cristianismo não "esfriou" tanto como nós imaginávamos. Quem dera que nós outros fizéssemos um quarto disso em qualquer lugar do mundo. O Mundo certamente seria outro. Como todos sabemos, conhece-se os homens mais por suas ações do que por suas palavras. Vejo um cem números de católicos supostamente conservadores a fazerem críticas a homilia de certos padres, a questionar a fidelidade de outros, a duvidarem de quem celebra a "nova missa", e mais ainda de quem a frequenta. Por tais postulados tudo isso poderia (tentar) "diminuir" O Dom Fernando, mas, por graças de Deus, não é o acontece. Suas palavras precedem seu nome e, por pecados que os tenha (quem não tem?), que estes sejam julgados pelo nosso senho Jesus Cristo. Quem me dera ter dez por cento de tais ações acima citadas por você. Através do presente artigo sabemos o quanto ainda temos a fazer por uma sociedade mais justa e cristianizada.

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  2. É isto, Antônio Sávio.
    Dizem que a verdade é como uma moeda: possui duas faces. Mostrei, resumidamente, os frutos do episcopado de Dom Fernando Panico. Como afirmou Nosso Senhor Jesus Cristo: “Pelos frutos conhecereis as árvores” (Mateus, 7:16).
    Agora, procure os frutos daquela minoria – perversa e ruidosa – que tanto perseguiu Dom Fernando. Lembremos do diz o Evangelho de Lucas, 6:44: “Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois dos espinheiros não se colhem figos, nem tampouco, uvas de ervas daninhas”.

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