30 junho 2020

Sobral: 247° ano – por José Luís Lira (*)


    Este ano é atípico, já dissemos muitas vezes desde março último. Mas, existem eventos que mesmo em momentos difíceis merecem ser lembrados. E de uma coisa não podem nos acusar: de que não amamos esta terra, a Princesa do Norte, a capital e metrópole dessa região: Sobral. Dia 5 daremos início ao 247° ano da fundação da Vila Distinta e Real de Sobral que dava foros de Vila com Câmara e Cadeia, nos moldes coloniais (ainda não éramos parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves que seria criado anos depois, em 1815), à cidade que se originou da Fazenda Caiçara.

   Talvez a emoção aflore quando, sozinhos, cantarmos em nossos lares: “Oh! Meu Sobral quão, altaneira foste tu!/ Oh! Meu Sobral/ Oh! Meu Sobral/ Linda princesa cá do Norte do Ceará/ Oh! Meu Sobral/ Oh! Meu Sobral./ Cidade luz aqui da terra de Tupã”, mas, ao mesmo tempo lembrar-nos-á da força do povo dessa heráldica Cidade de Sobral. E isto nos servirá de alento para nos prepararmos para o retorno às nossas atividades quando for possível. Neste tocante, permitam-me um aplauso à administração municipal de Sobral, tendo à frente o Prefeito Ivo Gomes, tanto nas ações, quanto na transparência do que vem sendo feito, especialmente nesse período de pandemia.

    Sobral é a Cidade Luz proclamada em seu hino pelas mesmas razões que Paris o é: pelo saber! Conforme nos informou o estimado amigo Dr. Paulo Quezado, este epíteto foi dado a Sobral em face do saber de dois sobralenses que se destacaram na primeira turma de Acadêmicos em Direito da Faculdade Direito de Recife, iniciada em Olinda: Jerônimo Martiniano Figueira de Melo e José Antonio Pereira Ibiapina, o futuro Padre Ibiapina. Concluído o curso, o Diretor da Faculdade chamou-os para conversar. Após a brilhante conversação, o Diretor indagou de que cidade eles eram. Os dois formandos responderam: de Sobral, na Província do Ceará. Respondeu-lhes, então, o Diretor: ‘Sobral Cidade Luz’”.

    Luz da Religião que a se fez se tornar sede de nossa Diocese que deu origem a outras Dioceses e cuja fé é exemplar e os tantos padres e aqueles que se formaram em seu seminário e se destacaram em variadas áreas.

    Luz da Força de vontade que herdou de Luzia-Homem; dos que a engrandeceram e a engrandecem!

    Luz da Liberdade e aqui lembramos Da. Maria Thomazia, na libertação dos cativos e Luz da Luz, por meio da comprovação da Teoria da Relatividade que ano passado celebramos o centenário!

   Luz do Saber pela sua Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) que possibilitou-a tornar-se a Cidade Universidade com a chegada de tantas instituições universitárias.

   Luz do Progresso que sobre esta terra se irradiou e se reflete em sua região metropolitana.
É dia de celebrar e me permito citar alguns nomes dos que não estão mais entre nós: Dom Jerônimo (Arcebispo Primaz do Brasil), Dom José Tupinambá, Maria Thomazia, Barão de Sobral, Domingos Olímpio que criou a Luzia-Homem, José Saboia, Visconde de Saboia, Zenon Barreto, Teodoro Soares, os candidatos a santos católicos: Pe. Ibiapina, Dom Expedito Lopes, Mons. Arnóbio de Andrade e Mons. Waldir Lopes, o cantor Belchior e muitos ilustres mulheres e homens que viveram, nestes 247 anos de Sobral, o segundo município mais desenvolvido do Ceará, atrás apenas de Fortaleza!
     Ave, Sobral, Cidade Luz!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Há quatro décadas, Brasil recebeu pela primeira vez a visita de um Papa


Fonte: excertos da matéria publicada na "Folha de S.Paulo", 30-06-2020

Há exatamente 40 anos, o Brasil recebeu pela primeira vez a visita de um papa. O protagonista foi o polonês Karol Wojtyla, o Papa João Paulo 2º, que então chefiava a Igreja Católica havia um ano e dez meses. E a estreia no país, que tinha 89% da população como cristã católica, segundo censo de 1980, foi grandiosa.

Ao longo dos 12 dias em que esteve no Brasil, o papa mobilizou ao menos meio milhão de pessoas em cada uma das 13 cidades que visitou: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza. Tudo começou em 30 de junho de 1980, ao desembarcar em Brasília, quando o pontífice fez seu gesto característico ao beijar o solo brasileiro. Recebido pelo presidente João Batista Figueiredo, João Paulo 2º deixou uma marca por onde passou.


Pensaram até em depredar a estátua da Princesa Isabel

Sobre esse projeto terrorista – amplamente divulgado pelas redes sociais na cidade do Rio de Janeiro – assim se manifestou, oficialmente, Sua Alteza, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. Leia abaixo.


MENSAGEM DO CHEFE DA CASA IMPERIAL AOS MONARQUISTAS

   Meus muito caros monarquistas,
   Foi com profunda consternação que recebi a notícia de que, por meio das redes sociais, grupos de esquerdistas extremados vinham incentivando e planejando a depredação da estátua de minha veneranda Bisavó, a Princesa Isabel, localizada na Avenida que traz seu glorioso nome, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

   Valho-me, pois, destas linhas para agradecer aos beneméritos monarquistas que prontamente se mobilizaram para proteger o legado e render homenagens à nossa ancestral, cobrindo sua estátua com camélias brancas – flor-símbolo do Abolicionismo, movimento pelo qual a bondosa Princesa tanto se empenhou, chegando mesmo a sacrificar seu Trono para que o 13 de Maio se tornasse possível.

   Agradeço também à valorosa Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – instituição histórica e intrinsecamente ligada à Família Imperial, e pela qual os meus e eu nutrimos profunda admiração e respeito. O reforço na segurança da estátua naturalmente coibiu a ação dos marginais, que, tenho certeza, seriam punidos com todo o rigor da lei.

   O Brasil hoje assiste ao embate entre velhas forças demolidoras e uma ampla floração de boas tendências, entusiasmos e dedicações, que clama por seu País de volta. Nesse embate, cabe aos monarquistas a primeira linha, mesmo porque temos o melhor contributo a dar: a plena vigência em nossa Pátria, na esfera social como na política, dos princípios que decorrem do Decálogo.

   Nesse sentido, o exemplo da Princesa Isabel, cognominada a Redentora do elemento servil, e que por três vezes foi Regente do Império, mostrando ser, na condução dos destinos públicos da Nação, o modelo ideal de Soberana católica, continua inspirando a nós, seus descendentes, no cumprimento da missão perene que a Divina Providência confiou à nossa estirpe: servir ao Brasil.

   Que para tal propósito Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos abençoe e nos preste Seu auxílio.
São Paulo, 29 de junho de 2020
Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil



29 junho 2020

O senhor dos acontecimentos - Por: Emerson Monteiro


A cada geração há que se rever conceitos e guardá-los no íntimo da consciência até quando, lá belo dia, resolvermos praticar desse aprendizado em nossas relações. Enquanto isto, a máquina da perfeição não para de ordenar o Universo, tudo sob a primorosa exatidão das matemáticas. Aflito com essa dificuldade em localizar donde veio tudo o que existe e desvendar o propósito das existências, seguem na trilha dos destinos os seres humanos.

Sabem que o acaso jamais explicaria o quanto das maravilhas que totalizam os fenômenos da mãe Natureza. Resultado: perguntas sucessivas e respostas insuficientes. Com isso, nos deparamos face a face com o Senhor, o mestre dos acontecimentos.

Este procedimento de largas interrogações leva, pois, ao sentido das ciências e das filosofias, sem, contudo, preencher em absoluto a sede que esbarra no infinito das histórias e lendas, crenças e superstições. Ninguém a dizer-se dono da Verdade, porquanto persistirá abismo profundo até a plena noção dEle, do autor de tudo que existe e existirá.

Entretanto, eis um gênero de primeira necessidade, revelar a si mesmo nossa origem maior, a causa cáusica do que aqui estarmos diante, esmolés da sorte em noites escuras da alma. Uma epopeia de gênio viver com maestria, tarefa para os super-heróis e semideuses. E nisso, quantas e tantas gerações já pisaram no chão ao afã de ampliar os conhecimentos da Divindade e promover a harmonia do espaço comum e das criaturas humanas.

Conhecer Deus, aprimorar nosso espírito a fim de chegar à transcendência e modificar o instinto em sentimento, sendo amor o sentimento por excelência.

É ele o senhor dos acontecimentos a que tantos aspiram conhecer. Amaciar os valores materiais e abrir, nas gerações, o portal da imortalidade através de uma consciência clara. Destarte, tal conquista significará o clímax da aventura humana em perene evolução a regressar ao aprisco celeste e conquistar a definitiva Felicidade eterna.

EDUCAR É ELEVAR O ESPÍRITO



A busca do conhecimento é algo inato ao ser humano. Ninguém conscientemente prefere viver nas trevas da ignorância podendo facilmente acessar a luz da inteligência. No entanto, o estudo requer a identificação de um chamado interior, para que tudo aquilo que se queira aprender passe a ter um contexto adequado a cada um de nós. Nada mais é do que encontrar uma razão pela qual estudar um determinado assunto se torne importante em nossas vidas. Mas se uma mudança de postura começa dentro de nós mesmos, o segundo passo é mudar o nosso ambiente – seja restaurando o mínimo de razão nele; seja abandonando-o de uma vez por todas. E, como se fossem círculos concêntricos, essas mudanças de atitude devem se expandir, criar um vínculo entre as pessoas, num sentimento mútuo de que é realmente possível tornar menos insuportável a nossa vizinhança, o nosso bairro e, por que não dizer?, a nossa cidade, o nosso país. Qualquer ensinamento parte de precisas definições. Os conceitos fundamentais de um assunto são o que dão suporte ao que se eleva como conhecimento. Por outro lado, há sempre uma tentação irascível de saltar diretamente às tendências mais modernas, sem a preocupação de uma formação anterior. Também não seria ousadia dizer que, num empenho em buscar um pensamento estritamente novo e original, pode-se acabar por recusar ou esquecer uma tradição de pensamento já existente. Longe de negar o que ainda se possa fazer do futuro, mas nos privarmos do que possuímos de forma efetiva em sólidos fundamentos, reinventando uma cultura sem antes herdarmos as tradições existentes que expressam realmente o que somos, é repetir a experiência de formação de uma classe intelectual que não enxerga além de seus cacoetes sem sentido. Quando falamos em cultura, devemos abarcá-la em todas as suas possibilidades para definirmos bem o motivo que nos leva à manutenção de uma tradição. Grosso modo, e para não me estender demais neste tema que é, em verdade, o pano de fundo do que pretendo discutir aqui, toda uma tradição e seus costumes dedicam-se à unificação. É um elo entre um povo ou nação, aquilo que o torna único, que cria vínculo entre pessoas. Assim, tais tradições e costumes expressos principalmente nas artes têm apenas uma função: educar. Certamente os costumes e tradições vão evoluindo junto com uma cultura universal. Note que universal aqui é usado como uma ligação com o Eterno. Todavia, na ânsia de buscar uma cultura popular, tolera-se ignorar uma ligação – ou diálogo – com essa cultura universal. Não criamos a literatura, tampouco o teatro ou a pintura. Tratam-se de formas universais de expressão cultural. E ignorando este diálogo cria-se o que convencionalmente chamamos de crise. Segundo o filósofo Mário Ferreira dos Santos*, a palavra grega crisis significa separação, abismo. Onde há crisis, há uma separação, e separar é abrir distância entre pares. Mas como surgiria a ação de separar se não existisse aquilo que une? Eis aqui o ponto de vista acerca do coração desta crise: qual o elo entre os brasileiros? O que nos une? Nesta direção, observamos o fato de que habitua-se a memória para absorver somente alguns adornos, pouco se ocupando com os valores mais intrínsecos. Porque mesmo uma tradição ou costume pode ter qualidades nefastas. Na civilização Maia, para dar um exemplo, era costume extrair o coração de pessoas vivas em sacrifício aos deuses, enquanto batucavam-se ritmos ritualescos. E creio eu não haver um ser vivo não-dependente de haloperidol que se entusiasme na presença de tão infausta tradição. O que então devemos resgatar culturalmente? Tudo aquilo que possa se conectar com o Eterno, livrando-se, sem nenhuma culpa, daquilo que é lutuoso, imprestável e que fatalmente nos diminui. Educar é elevar o espírito. E só é possível uma ascensão quando olhamos para o alto, quando buscamos acessar o que nos parece inatingível. É uma forma de superação que traz consigo a possibilidade de crescimento, seja como indivíduo; seja como nação.

* Santos, Mário Ferreira dos. A Filosofia da Crise, São Paulo, Editora Logos, 1956.

Há 19 anos, Dom Fernando Panico assumia a Diocese de Crato


   O dia 29 de junho de 2001, Festa dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, caiu numa sexta-feira.  Naquela data, pela manhã, chegou a Crato, para tomar posse como 5º Bispo da nossa diocese, Sua Excelência Reverendíssima Dom Fernando Panico. O povo saiu às ruas para saudá-lo, naquela manhã. Desde o primeiro momento, a simpatia do novo bispo conquistou a todos. À tarde, a Praça da Sé – onde fica a Catedral –, estava lotada com delegações dos diversos municípios componentes da Diocese de Crato, que vieram assistir à posse do seu novo pastor.
São Pedro e São Paulo
  
       Na sua homilia de posse, Dom Fernando leu um bonito e expressivo texto, do qual transcrevo abaixo uma pequena parte. Nela, o novo bispo antecipou um dos eixos que marcaria sua atuação pastoral:

“Esta de Crato é uma diocese que, sem conhecê-la ainda, já entrou no meu coração. Quem sabe, será porque para a nossa diocese convergem os olhares, os corações e os pés de um povo simples e bom? Refiro-me ao constante e numeroso afluxo de romeiros, que, carregados da fé dos simples, fizeram deste vale do Cariri, diria uma Terra Santa. Não podemos desconhecer este fato que é peculiar e desafiador para a nossa ação evangelizadora. O Pe. Cícero Romão Batista – o “Cearense do Século XX” – como foi aclamado pelo povo, é filho de Crato. 

Ao redor da sua pessoa e da sua memória, desencadeou-se uma expressão de religiosidade popular tão forte e tão rica de símbolos que, pelo menos, chama o meu interesse de pastor e estudioso de liturgia. Vejam só o que me aconteceu, no fim do mês passado. Encontrava-me em São Paulo, hóspede da casa provincial dos Missionários do Sagrado Coração. Ao abrir a porta dos meus aposentos, logo vislumbrei uma pequena imagem de madeira do Pe. Cícero, em cima do armário.

 Fiquei bastante surpreso. E pensei comigo: será este um sinal de Deus? De fato, não deixa de ser curioso o futuro bispo de Crato dando de frente com a imagem do Pe. Cícero, no seu quarto, e em São Paulo. Tomei aquela imagem nas mãos e pedi permissão ao Superior Provincial para levá-la comigo para Crato. Os meus confrades acharam isso muito interessante, desejaram-me um feliz encontro com o Pe. Cícero, em Juazeiro e ficaram comentando: “Será que o Pe. Cícero não está pedindo um auxílio ao seu novo bispo?”

   Naquele instante, a massa humana que lotava a Praça da Sé irrompeu em demorado aplauso. Por certo Dom Fernando sentiu, naquele instante, que a maioria do seu novo rebanho era simpática à memória e à herança espiritual deixada pelo Padre Cícero.

     Dom Fernando Panico foi vitorioso nessa sua batalha! Em 2015, o Papa Francisco enviou a hoje famosa Carta de Reconciliação da Igreja Católica com a Herança Espiritual do Padre Cícero.

Dom Fernando Panico permaneceu entre nós durante 15 anos e meio. Ao renunciar, por motivo de saúde, em dezembro de 2016, deixou um legado de grandes e profundos frutos como Bispo Diocesano de Crato. De forma resumida poderia citar.

– A valorização das romarias e do acolhimento aos romeiros, com novas atitudes e um cuidado pastoral com eles.
– As Santas Missões Populares que, preparadas ao longo de três anos, acentuaram o rosto missionário da nossa Igreja Particular.
– A reestruturação pastoral da Diocese em Foranias e Comunidades.
– A realização do 13º Encontro Intereclesial das CEB’s, na cidade de Juazeiro do Norte.
– A elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor.
– A criação de 13 novas paróquias e de quatro Santuários Diocesanos.
– A construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas.
– Reconhecimento diocesano de novas comunidades de leigos consagrados. Acolhimento de vários institutos religiosos, em cidades da nossa diocese, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.
– Ordenação de 68 novos padres para a diocese e a instituição do Diaconato Permanente, tendo ele ordenado 39 diáconos permanentes;
–  A abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri, outra grande vitória do seu episcopado, pois essa Beatificação ocorrerá em breve;
–  A criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, e formou sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba;
–  Entrega da administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como vem ocorrendo com outras instituições congêneres no Cariri;
–  Construção dos dois blocos que compõem a nova Cúria Diocesana;
–  Construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Granjeiro, em Crato, dentre outras iniciativas que delongaria aqui alinhar.

     A Dom Fernando Panico a nossa manifestação de gratidão e do nosso profundo reconhecimento pelo muito que ele fez pela Igreja Católica Apostólica Romana no Cariri e no Nordeste brasileiro.
(Por Armando Lopes Rafael)

27 junho 2020

Querer falar dos abismos da alma - Por: Emerson Monteiro


Assim qual quem quer, por fina força, mudar de assunto e se apegar a outras histórias cotidianas lá de fora; no entanto essa vontade imensa de perscrutar as trilhas da consciência. Num jeito meio impetuoso de contrariar o pensamento e deixar que os sentimentos cuidem da condição do comboio. Saber das matas virgens dos céus interiores, avançar as fronteiras da inconformação e buscar justificativas da criatura humana persistir na ânsia de conhecer mais e desvendar o mistério da Eternidade que pulula nos refolhos desse universo adormecido da alma.

Nalguns momentos, feitos autores da própria existência, queremos desvendar os tais recônditos, e nos deparamos com a inexatidão das palavras e atitudes, quais infiéis a bater às portas do sagrado, porém de mãos profanas, meros aventureiros de novas conquistas do domínio das coisas vãs, atrozes produtores de altares de barro em meio das contradições do sentimento.

Noutros, contudo, haverá doce a calma de propósitos, enquanto as dores do parto do espírito confrontam as limitações deste Chão. Nessas horas, alquebrados aos valores da matéria, fingem sinceridade, dobram a cerviz sob o lenho das farpas deste mundo, e chegam menos estridentes. Discípulos da virtude, no entanto, mourejam debaixo de solidão estonteante. Restam, com isso, profetas de si mesmo noutro nível de compreensão, porquanto cruzaram as barreiras físicas e rasgam lá de dentro os véus da Verdade. A luz intensa desse sol reduz ao Nada o que antes significa motivo absoluto de viver.

Agora são músicas harmoniosas, perfeitas obras da criação artística. Abertas, pois, as comportas daquilo que vislumbrava, tontos de felicidade, adormecem nas profundezas do Infinito, espécie de esquecidos da alma antiga, agora transformados em senhores do desejo e luzes da realidade e do Amor puro. Na epopeia de revelar a Consciência, vê-se, então, integrados na claridade dos santos que sabem a Deus e chegam numa outra dimensão.

(Ilustração: Composição (1913), de Kandinsky.

Dentro das paredes deste lugar - Por: Emerson Monteiro


Ainda que visse lá de fora pela janela, era tudo, no entanto, o mundo cinza permaneceria quando vieram os primeiros raios de sol rasgando nuvens que passeiam pelo céu. Fome de tudo. Um gesto interno de pura vontade no querer transformar emoções antigas em máquinas de superação da dor. Pois o impulso de continuar vivo investe contra a vidraça feito besouro teimoso de permanecer aqui mesmo que o fastio queira tomar conta do universo em volta.

Ele sai batendo nos objetos espalhados pelo chão. Mochilas de antigas cavalgadas, rastros de campos de batalha e marcas de sangue espalhadas nas árvores secas da caatinga. Pedaços de saudades escorregando feitas formigas impacientes através das telas do horizonte. Fiapos de melodias. Nervos e engrenagens percorrendo o corpo inteiro, por se saber passageiro preso dentro da velha cápsula rumo do céu do infinito. Enquanto isso, as pessoas, que vêm e vão, acenam pela porta entreaberta nos cumprimentos agradáveis de parceiros da jornada em outros veículos iguais. Sabe que elas gostam dele. Respeitam sua história, sem com isso poderem sentir o tamanho da dor de existir que lhe fere o peito com a intensidade dos mil sóis.

Se as frestas todas se abrissem num único instante por certo dividiriam o passado interminável por milhões, daí querer responder a questão do porquê do que atravessa premido naquelas circunstâncias. Pisa quase automaticamente os passos que caminha. Solto pelo ar, voa integrado ao corpo do bólide que conduz, na missão da vida. Passageiro, comandante, deus. Olhos acesos, de algum ponto do espaço lhe contemplam o andamento da jornada. Deixaram de compor o quadro interior dos pensamentos, pois revelaram pouca razão de pensamento. Eles desaparecem do jeito que chegam, longe de mudar o nível de energia que alimenta os motores da nave.

Com isso, dias passam, os astros, os animais, as cores, as visões fantasmagóricas do destino, as amarguras, os sonhos. Passam, passam, passam pelas janelas, mexendo nos sentimentos. Pequenos filamentos de antigos módulos formam os restos das bodas que sumiram no escuro dos mares, fora, no céu imenso. Só permanece consigo os traços deste presente que unem com o presente seguinte, quais bolhas que nunca param de formar novos mistérios do foco de existir. Só isto. E sabe que há tantas conexões disponíveis todo tempo. Elas aparecem num dos lados da tela principal.

Ideia da transposição das águas do Rio São Francisco partiu de um cratense


  Segundo a Wikipédia (*) “A ideia de transposição das águas do rio São Francisco remonta à década de 1840, no tempo do Império do Brasil sob o reinado do Imperador  Dom Pedro II, já sendo vista, por alguns intelectuais de então, como a única solução para a seca do Nordeste. Os dois anos de estiagem que o Nordeste enfrentou – de 1844 a 1845 – motivaram o intendente (era assim que se denominava os “Prefeitos” naquele tempo)  da comarca do Crato, no Ceará, engenheiro Marcos Antônio de Macedo, a propor um projeto para trazer água do São Francisco para o seu estado.

Rio São Francisco no tempo do Brasil Imperial

    “O canal partiria de Cabrobó, em Pernambuco, para abastecer o Rio Jaguaribe, um dos principais do Ceará. Foi o primeiro projeto de transposição das águas do rio São Francisco, elaborado em 1847. Naquela época, não foi iniciado o projeto por falta de recursos da engenharia. 30 anos se passaram sem que o Imperador Dom Pedro II tomasse conhecimento do ousado plano, até que o Nordeste enfrentou uma das mais terríveis secas de sua história, conhecida como a “Grande Seca”, de 1877 a 1879. Toda região foi afetada, contudo a província do Ceará foi a mais atingida, onde cerca de 10% da população morreu (a província tinha por volta de 800 mil habitantes). Desistiu de retomá-lo, porém, porque estudos feitos pelo Barão de Capanema demonstraram não haver recursos técnicos para fazer com que as águas transpusessem a Chapada do Araripe, localizada na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco.

    Nos últimos 12 anos do Império, o parlamento brasileiro sempre recusou as propostas do imperador para a construção de um canal de transposição, alegando que tal idealização tratava-se de uma obra faraônica e de elevado custo. Dom Pedro II vendeu joias, obras de arte e pinturas para arrecadar fundos a fim de custear as obras, entretanto, a quantia obtida era insuficiente.

     Depois da seca de 1877, o imperador envia uma equipe de engenheiros para a região nordestina para estudar as possibilidades de projetos de engenharia com a intenção de amenizar as consequências das secas. Os resultados desses estudos, realizados por engenheiros brasileiros e ingleses, indicaram a construção de barragens ou açudes. O Açude do Cedro, em Quixadá,  foi umas das primeiras grandes obras de combate à seca realizadas pelo Governo Imperial. A ordem de construção foi dada por Dom Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca de 1877, porém o início das obras deu-se durante os governos republicanos entre 1890 e 1906.

(*)  https://pt.wikipedia.org/wiki/Transposi%C3%A7%C3%A3o_do_rio_S%C3%A3o_Francisco

Águas da Transposição: Ceará tem potencial para quadruplicar área irrigada, diz secretário

Fonte: “Diário do Nordeste”, 27-06-2020, por Carolina Mesquita


     As águas do Rio São Francisco chegam ao Ceará trazendo mais do que a garantia do abastecimento para o consumo humano em período de estiagem. O agronegócio local também comemora e será efetivamente beneficiado, abrindo possibilidade de expansão da produção. Segundo o secretário executivo do agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), Sílvio Carlos Ribeiro, o Ceará possui potencial para quadruplicar a área irrigada, totalizando 300 mil hectares.

     Atualmente, segundo Ribeiro, são apenas 70 mil hectares utilizados. Com mais recursos hídricos disponíveis, o crescimento da produção é natural. "É um momento histórico e importante para a economia. Até hoje, tínhamos a necessidade de ter segurança hídrica para diversos setores da economia. Desde 2012, quando começamos a enfrentar essa seca sem precedentes, o agronegócio vem com essa preocupação. Essa nova disponibilidade de água permite fazer um investimento, desenvolver a área irrigada, sabendo que será possível produzir por dois, cinco, dez anos. É um conforto maior", afirma.

Exportação
     Além da área irrigada propriamente dita, o Ceará tem diferenciais que também devem atrair mais investidores daqui para frente, entre os quais condições logísticas favoráveis à exportação e certificações de áreas livres de pragas, além do atual comportamento do câmbio e a abertura de mercados internacionais para a produção brasileira.

      Tendo isso em vista, a fruticultura deve ser uma das atividades mais beneficiadas com a Transposição. Por ter valor agregado mais alto que os grãos, por exemplo, e boa aceitação no mercado externo, as frutas passam a ser o foco dos negócios. Com produtos de maior valor, a participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB) cearense pode crescer em ritmo ainda maior que a área irrigada.

"Se nós só dobrarmos a área irrigada atual, para 140 mil hectares, apenas com fruticultura, o PIB agropecuário será bem maior do que se mantivéssemos as safras já existentes", ressalta Ribeiro.
Com a disponibilidade de recursos hídricos, novas colheitas poderão passar a ser cultivadas em solo cearense, hoje muito concentradas apenas no melão e melancia, além de garantir a produção de culturas permanentes, como a banana e a laranja.

"Tendo essa segurança hídrica, podemos diversificar as frutas no Estado. E mesmo quando se tiver pouca chuva, não teremos de deixar de plantar, como antes. Outros mercados estão se abrindo, como a China para o melão. Se começarmos a exportar para lá, teremos de ter mais área", aponta Luiz Roberto Barcelos, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas)".

     Ele ainda ressalta que as culturas com maior valor agregado e possibilidade de dar retornos mais consistentes serão as principais beneficiadas devido ao alto custo para a utilização das águas do Rio São Francisco. "Vários setores serão beneficiados, inclusive a pecuária com alimento para o gado. A fruticultura, sem dúvidas, será muito beneficiada", aponta Barcelos.

25 junho 2020

Conheça os símbolos presentes no quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


Um quadro rico em símbolos

    O milagroso ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro mede 53 por 41,5 centímetros. É uma pintura de estilo bizantino, executada em madeira sobre fundo dourado, cor muito usada pelos artistas no antigo Império Romano quando se tratava de retratar grandes personalidades. O ouro, no caso, é um expressivo símbolo da glória da Rainha dos Céus. Mais do que um simples retrato de Maria, a pintura reproduz uma cena.

    A Virgem Mãe segura com desvelo, afeto e adoração o Menino-Deus; seu olhar, porém, não está voltado para Ele, mas para nós, seus filhos adotivos. Jesus não olha nem para sua Mãe nem para nós, mas parece querer abarcar com seu olhar divino os dois anjos que seguram os instrumentos da Paixão: à esquerda, São Miguel, de manto verde, com a lança e a esponja de fel; à direita, São Gabriel, de manto lilás, com a cruz e os cravos que perfuraram pés e mãos do Redentor.

     Pormenor altamente expressivo é a sandália pendente do pé direito do Menino Jesus, segura por um fio, quase caindo. Ela é bem o símbolo da situação da alma em estado de pecado mortal: presa a Jesus por um fio, a devoção a Nossa Senhora. Sob o manto azul, Maria veste uma túnica vermelha. Nos primórdios do Cristianismo, as virgens se distinguiam pela cor azul, símbolo da pureza, e as mães pela cor vermelha, signo da caridade. Essa combinação cromática define, pois, excelentemente Nossa Senhora, Virgem e Mãe. Nota-se também o verde no forro de seu manto. Ora, a composição dessas três cores era de uso exclusivo da realeza. Assim, a dignidade régia da Rainha dos Anjos e dos Santos está bem representada em suas vestimentas.

Bem no alto do quadro, metade em cada lado, estão escritas, em letras gregas, as iniciais da expressão “Mãe de Deus”; ao lado da cabeça do Menino Jesus, as iniciais de “Jesus Cristo”; acima do anjo da esquerda, “Arcanjo Miguel”; e do anjo da direita, “Arcanjo Gabriel”.

(Fonte: Revista "Arautos do Evangelho", Junho/2006, n. 54, p. 36 à 39)

24 junho 2020

A bem da verdade – por Dom Bertrand de Orleans e Bragança (*)


A própria Família Imperial Brasileira tem sangue negro correndo em suas veias, da Princesa Zaida de Sevilha, casada com Dom Afonso VI, Rei de Leão e Imperador da Hispânia, e de Ludovico, o Mouro, Duque de Milão.
 
   Por ocasião da palestra que proferi na terça-feira, dia 16, no canal no YouTube da Fundação Alexandre de Gusmão, do Ministério das Relações Exteriores, certos veículos de comunicação de massa atribuíram a mim a seguinte declaração: “Não há racismo no país [sic]”. Para usar o termo corrente, trata-se de mais uma “fake newsda hoje tão desprestigiada grande imprensa. “Ipsis litteris”, o que afirmei foi o seguinte:

“Enquanto certos países têm um problema racial muito violento, aqui nós não temos. Estão procurando criar esse problema racial, mas não conseguem; aqui, todos nos damos bem. Todo brasileiro tem um pouco de sangue branco, de sangue índio e de sangue negro; isso deu uma mistura extraordinária, temos um povo fabuloso, um povo que tem um calor humano que nenhum outro tem.”

    Hoje, confirmo e reitero minhas palavras do dia 16. De fato, o Brasil tem problemas, mas nunca segregamos nossos compatrícios, e jamais conhecemos “apartheids” neste País. Isto porque – com a possível exceção de famílias que imigraram há apenas uma ou duas gerações – todo brasileiro traz dentro de si a fé e o empreendedorismo dos portugueses, o espírito intuitivo e maravilhável dos índios e a bondade, a força e o afeto dos africanos, que depois foram somadas às boas características de alemães, italianos, libaneses, japoneses e tantos outros povos que afluíram para esta abençoada Terra de Santa Cruz.

    Graças a essa maravilhosa miscigenação, o povo brasileiro é bom. E aquilo que tão orgulhosamente chamamos de “brasilidade” nos distingue de maneira singular dentro do Concerto das Nações. A própria Família Imperial tem sangue negro correndo em suas veias, da Princesa Zaida de Sevilha, casada com Dom Afonso VI, Rei de Leão e Imperador da Hispânia, e de Ludovico, o Mouro, Duque de Milão.

Imperadores Dom Pedro I, Dom Pedro II e a Princesa Isabel

    Meu Bisavô, o Marechal Conde d’Eu, após ter liderado as tropas vitoriosas da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai, aboliu a escravidão no país vizinho. Sua insigne Esposa, a Princesa Isabel, veneranda Redentora do elemento servil, sacrificou seu Trono para que o Brasil tivesse a felicidade de assinalar com festejos e flores aquilo que outros países tiveram o infortúnio de marcar com lutas fratricidas e derramamento de sangue.

     Sendo assim, como Príncipe brasileiro e católico, herdeiro de nosso glorioso legado e cioso de minhas responsabilidades para com meu País e meu povo, eu jamais poderia aderir a ideologias estranhas e enganadoras, disseminadoras da discórdia e da convulsão social, que no espírito marxista da luta de classes se empenham com afinco para criar um clima de animosidade entre os brasileiros.

     Lembremos sempre que uma Nação é, antes de tudo, uma grande família com um destino em comum a realizar. Com esta certeza, rogo a Maria Santíssima que abençoe o Brasil e seu povo maravilhoso.
(*) Dom Bertrand de Orleans e Bragança é o Príncipe Imperial do Brasil. Ou seja, é o segundo colocado na ordem de sucessão do Trono Brasileiro.

22 junho 2020

Senso de justiça - Por: Emerson Monteiro


Esta história a escutei de um professor, que por sua vez havia lido num livro de contos que, segundo consta, seria acontecimento da vida real e ocorrera nas terras do Antigo Egito.

Um faraó promulgara leis rigorosas a fim de conduzir o seu reinado, das quais nunca abria mão sob qualquer hipótese; que fossem aplicadas fielmente longe de favoritismos ou lisonjas. Tristes daqueles que fossem colhidos nas malhas previstas aos delitos, e tudo transcorria ao sabor das tais exigências daquele faraó que governava com determinação.

No transcorrer dos acontecimentos da história, lá um dia quem fora flagrado num daqueles crimes que mereceriam punição exemplar: o príncipe herdeiro do trono, uma figura por demais proeminente da família real.

Sem maiores intervenções do poder do genitor, seu primogênito deparava-se face a face com o tribunal maior do império, sendo tratado aos moldes dos demais cidadãos. Nisso, peremptoriamente, ver-se-ia enquadrado nos códigos prescritos e condenado, sem qualquer alternativa contrária senão ao cumprimento das penalidades previstas.

Ao erro praticado coube a letra fria da lei, e dois olhos teriam de ser cegados no exercício da pena a ser praticada pelo rei exercer no exercício da função.

Toda a corte reunida em volta do soberano assistia comovida ao pronunciamento taxativo do pai infeliz:

- Sim, sem sombra de dúvidas, amanhã, no claro do dia, dois olhos serão cegados; um do princípio culpado e o outro um dos meus olhos.

Dia seguinte, de tal jeito aconteceu diante da multidão silenciosa reunida na praça pública a fim de presenciar o espetáculo dantesco, quando o nobre soberano e seu herdeiro submeter-se-iam à horrenda sentença, com isso preservando o respeito dos súditos e coerência em respeito à Lei que deve ser justa a todos. 

21 junho 2020

A melhor definição de FAKE NEWS que eu já vi !




"Uma mentira repetida 1000 vezes, torna-se verdade" - Joseph Goebbels

Existem muitas definições derivadas da tradução da expressão de origem inglesa do que vem a ser "fake News", mas ainda não vi algo que retratasse mais a realidade que se vive hoje no Brasil como a seguinte:

"FAKE NEWS é toda e qualquer manifestação do pensamento contrário à narrativa oficial construída por uma imprensa corrupta, que, apoiada por uma suprema corte cujas decisões ao longo do tempo tem sido de caráter duvidoso, em que usam-se dois pesos e duas medidas, ora para soltar bandidos convictos e fartos de provas, e prender cidadãos comuns sem que estes sequer saibam de quais crimes são acusados, com um objetivo claro: O cumprimento de uma agenda cuidadosamente planejada para destituir o presidente do Brasil, usando-se de todos os subterfúgios possíveis, sob a égide de que "O fim justifica os meios", inclusive transformando-se atos ilegais em legais, através de "entendimentos particulares e pessoais" sobre a legislação em vigor e a constituição, e vice-versa, em que distorce-se a verdade e aquilo que é dito, a fim de ser usado contra todos aqueles que se opuserem a este projeto particular de poder. Foi dessa mesma forma, que Hitler arquitetou seu plano de domínio da Europa, quando apoderou-se de todos os veículos de imprensa da Alemanha em 1933, concentrados nas mãos de Goebbels e sua PROPAGANDA em toda a mídia, promovendo uma diuturna lavagem cerebral na população, usando a TV, o Rádio e a Imprensa escrita, até que todo alemão acreditasse piamente em suas fartas mentiras e factóides transformados em "verdade".

Pois sabemos que quem detém a "narrativa oficial" controla o quarto poder, e quem controla o quarto poder, possui poder absoluto, inclusive para iludir e ludibriar as cabeças mais esclarecidas, porém desatentas e ainda cegas a todo o plano que se desenrola bem diante dos olhos. Ainda mais quando se percebe que para a manutenção de uma única "narrativa oficial", é necessário calar a todo custo as vozes dissidentes, a ferro e a fogo, arrastando-os de casa, sem que os próprios policiais saibam do que os acusados são acusados. Institui-se uma ditadura semelhante à dos Estados totalitários, em que aqueles que ora detém o poder máximo da nação, usurpam quatro papéis: O de acusador, o de interpretador da lei, o de polícia, e o de juiz que promulgará a sentença. O resto ? Ah, o resto deve ser apenas ficção e fruto da imaginação..."

Por: Dihelson Mendonça


17 junho 2020

Ouvir os tempos e sonhar acordado - Por: Emerson Monteiro


Alimentar a certeza de que a Civilização dos primatas inteligentes parece querer refazer os rumos da caminhada após o susto por que passamos nestes dias de momentos incertos. Que haveríamos de regressar ao mistério ninguém dispõe de argumentos contrários. Desde as fogueiras e cavernas que imaginamos chegarem os deuses e nos levar consigo. Olhos fixos nas estrelas, catamos os limites do Chão que nossa gente ainda desconhece.

Porém o movimento das estações indica possiblidades amplas de salvar a pele das gerações mediante a vinda desses emissários das profecias, que virão dotados de tecnologia suficiente a vencer poderosos impérios no concerto das nações. Que conhecem de tudo, inclusive da missão que lhes permitirá renovar a face deste mundo.

É bem do atual instante a dúvida atroz do que virá logo ali adiante. Que outra vez o susto causará especulações financeiras, varrendo o Planeta quais guerras sem quartel, porquanto sobrou quase nada do que era no passado. Perante a periculosidade todos tratam de render homenagens à religiosidade da fé e da esperança, conquanto silenciam os astutos, escondidos debaixo da lona do circo. Avisaram os arautos que há Justiça maior, pronta a entrar em ação de uma hora a outra. Quem tem olho fundo chore cedo, no dizer popular.

E o que mais pesa nos humanos representa ter de encarar a si próprio no decorrer das horas mortas. Enquanto a volta parecia lá longe, de repente se vê bem perto, na próxima esquina, episódios e seriados assustadores. Com isso onde ficarão a fama, a fortuna e o glamour, na casa do eu sozinho às portas da inexistência dos seres? A realidade que gritava nas escadarias do Infinito ora encontra presença dos que sonharam com a Salvação. Os dias de hoje constituem essa clareza de propósito dos destinos. Nas horas críticas comporta, pois, grandes as reflexões do pensamento.

Em meio à crise republicana, brasileiros voltam o olhar para a restauração da monarquia – por Armando Lopes Rafael


Imperador Dom Pedro II

    Ligue os noticiários da televisão. Leia um jornal. Acesse as notícias divulgadas pela Internet. Fatalmente ouviremos ou leremos sobre assuntos que dominam os dias atuais:  escândalos de corrupção, o desemprego em alta, o Supremo Tribunal Federal–STF sendo chamado de “Vergonha Nacional”, o descrédito generalizado com a classe política...Resumindo: a população está totalmente descrente com o futuro desta   República Federativa do Brasil.

       E para piorar o cenário, com o advento dessa amaldiçoada “pandemia do corona vírus” – ou do vírus chinês como vem sendo chamada pelo povo – o Brasil definhou. A economia entrou em recessão, a fome voltou a rondar os lares mais humildes, o povo de um modo geral empobreceu há cerca de três meses. Neste cenário, quase caótico, em meio às várias incertezas, aumenta o número de pessoas – de todas as classes sociais – que começa a defender a restauração do Império do Brasil e a devolução do poder aos descendentes de Dom Pedro II.  Como diz um provérbio russo: “Tudo volta, tudo!”

           Seria o retorno de uma monarquia parlamentarista, com um rei exercendo o poder moderador a solução para o Brasil sair do buraco em que se encontra? Esta é uma pergunta que exige muitas respostas.

             Por enquanto, relembremos apenas uma frase, dita numa entrevista à televisão,  pelo Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança: “Para buscar como a nação era feliz, é preciso ver como ela era, como as coisas aconteciam na época em que ela era feliz sob a monarquia parlamentarista no reinado de Dom Pedro II. Não que na época do Império não tivesse problemas, não tivesse até corrupção. Mas era muito menor do que hoje em dia e, por exemplo, o Império do Brasil na época era a nação mais respeitada e mais próspera aqui na América do Sul”.

                Na verdade, o povo não participou do golpe militar que impôs a forma republicana no Brasil. O povo ficou à margem do golpe. O povo era majoritariamente monarquista. Basta lembrar que na última eleição que aconteceu no Império, no Senado só duas cadeiras foram ocupadas por “republicanos”. O resto dos eleitos eram todos monarquistas. O povo apoiava, a figura de Dom Pedro II. A monarquia era muito amada, era muito respeitada. O povo tinha orgulho da sua Família Imperial. Bem diferente do cenário que vivemos e sofremos nos dias republicanos atuais.

15 junho 2020

Afirmações e movimentos no mar das interrogações - Por: Emerson Monteiro


Mediante o rolar das esferas nos céus afora, gritos ecoam além do Infinito. Ninguém de sã consciência arriscará palpites do que voa feito pássaro gigantesco de asas monumentais. Isto de que falavam arautos do fim dos tempos, pitonisas e menestréis, do pouco, ou quase nada do que resta das certezas, grandezas perderam o glamour e fortes ventos varrem as praias velhas, numa espécie de revelação das causas e consequências do inútil.

Veja bem, insisto ser um otimista. O que sobrou na estrada servirá dalgum modo à construção dos tempos que chegam. Jamais fugiria de, portanto, aceitar a força de um Desconhecido maravilhoso, do Poder por excelência. Digam o nome que acharem ideal, de Quem criou e preserva o projeto inigualável da Natureza mãe. Por tais razões, buscar compreender o que está por trás dos fenômenos se tornar causa suficiente de insistir na descoberta da História.

Ao deparar situações extremas, o ser humano mergulha à procura das respostas, entre deslumbrado e ciente, no entanto alimentando o desejo de desvendar os enigmas, insistente e impávido, que sai por aí indagando, virando folhas secas, colhendo ossos e medindo distâncias. Ele, que escolheu lutar ainda que consigo próprio, visão e fantasma, nas mais frias madrugadas.

Tantos e tantos sábios imperam nos compêndios e vidas largadas às gerações, e nisso mudam o temperamento e as perguntas, mas parecem impossíveis que fossem alimentar conflitos e guerras, sem razões que representassem os sonhos imortais das gerações sacrificadas.

Nessas horas, de olhos ressequidos pelas visões, vamos tanger a Civilização, dotados de motivos gloriosos sob a permissão dos séculos, com fé e esperança a todo momento, algo religioso, puro e simples. Nunca descrer, mesmo frente ao furor das tempestades, conquanto há um bem maior que rege com amor a Verdade da existência.

(Ilustração: Biblioteca na República Tcheca).

11 junho 2020

O cemitério da Ponta da Serra – por Armando Lopes Rafael


       Duas denominações católicas – veneradas na sede do distrito de Ponta da Serra, município de Crato – agradam-me particularmente. Primeiro, a da Paróquia, que tem como Padroeiro São José. A devoção ao santo-patriarca, (tão cara aos cearenses)no entanto, antecede, a construção da atual igreja-matriz, erguida por volta de 1930. A afeição a São José, na Ponta da Serra, começou a se materializar num pequeno oratório, chamado pelo povo “casinha de oração”, construído por um vaqueiro – José Bernardo Vieira –, por volta de 1895. Em 8 de setembro 1967, o então Bispo de Crato, Dom Vicente Matos, criou a atual Paróquia. Anos depois resolveram acrescentar ao seu nome o epíteto de “Operário” ...

       A outra denominação é a do pequeno cemitério daquela comunidade. Oficialmente chamado de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Deve-se ao historiador Antônio Correia Lima a iniciativa de restaurar esse primitivo nome, que andava esquecido. Permita-me transcrever abaixo, um pequeno texto, de autoria do pensador católico Plínio Corrêa de Oliveira, sobre a invocação à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

“Na invocação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o que se enaltece especialmente não é Maria Santíssima enquanto nos auxiliando com muita frequência, liberalidade e ternura, mas o fato de que esse auxílio é perpétuo. Por pior que façamos, por mais que abusemos, por mais incríveis que sejam nossas ingratidões, por mais agudo que seja o risco, por mais extraordinário que seja o milagre implorado, por mais extremo e improvável que seja o auxílio pedido, desde que não seja uma coisa má em si, a Mãe do Perpétuo Socorro nos atenderá.

É, portanto, a Mãe que se glorifica em atender sempre, em acudir sempre, em acolher sempre, de maneira a não haver uma hipótese possível em que nós, rezando para Ela, não sejamos socorridos. Ela pode até atrasar o momento de conceder aquilo que pedimos, mas é para nos dar, depois, o cêntuplo, vindo a nós com as mãos carregadas com dons multiplicados. Felizes aqueles que Nossa Senhora demora em atender!”


10 junho 2020

Deputado Federal Luiz Philippe Orleans e Bragança sugere a saída do Brasil da Organização Mundial da Saúde–OMS



   O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança  encaminhou ao Poder Executivo a Indicação 639/2020 que sugere a retirada do Brasil da Organização Mundial da Saúde. De acordo com o documento, o desencontro de informações como em relação à necessidade ou não de lockdown para controlar a disseminação do novo coronavírus; o amplo uso ou não das máscaras de proteção; as pesquisas relacionadas ao tratamento com a cloroquina / hidroxicloroquina; e agora a disseminação por assintomáticos colocaram a instituição em descrédito.

   Além da saída da organização, Luiz Philippe sugere que o País não pague uma suposta dívida de R$ 170 milhões de reais que o Estado brasileiro possui, sem que antes sejam apurados os danos causados pelas sucessivas orientações da organização.
COMENTÁRIO DE ARMANDO LOPES RAFAEL

Estão viralizando nas redes sociais, curtas mensagens, sobre a Organização Mundial da Saúde–OMS, o que comprova a perspicácia do povo brasileiro, bem superior a outras populações de outros países.

São frases curtas tipo:
“Frase do Ano: “Mais perdido do que a OMS em meio de Pandemia”
“Só sei que nada sei”– Sócrates (Hoje repetida pela OMS).
E por aí vai...

O brasileiro raciocina rápido, o que não acontece com alguns povos, de alguns países, alguns bem mais ricos e poderosos do que o nosso Brasil, que não ousam contestar as sucessivas “derrapadas” da OMS nestes últimos 3 meses. Na verdade, dificilmente a comprometida mídia brasileira (que visivelmente torce pelo coronavírus),  conseguirá arranjar desculpas para  as, digamos, “vacilações” da OMS.


09 junho 2020

Bispo de Petrópolis comenta livro sobre a Princesa Isabel – por Armando Lopes Rafael


Lançado recentemente, o livro “Alegrias e Tristezas. Estudos sobre a autobiografia de Dona Isabel do Brasil” da lavra dos historiadores Fátima Argon e Bruno Antunes de Cerqueira, já pode ser considerado um clássico dentre os muitos livros escritos sobre a Princesa Isabel. 


   O Bispo Diocesano de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, monge beneditino, é um dos mais cultos bispos brasileiros, por todos reconhecido. Ele  publicou uma nota – no seu facebook – sobre o capítulo “Entre o Céu e a Terra”, constante do livro acima citado. Antes de publicar o comentário do bispo, permita-me fornecer algumas informações sobre Dom Gregório Paixão.

   Ele nasceu em Aracaju, Sergipe, em 3 de novembro de 1964. Cursou Filosofia e Teologia na Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil, vinculada ao Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, de Roma. Dom Gregório é Doutor em Antropologia pela Universidade de Amsterdã, na Holanda. Poliglota, foi Diretor do famoso e tradicional Colégio São Bento da Bahia e da Faculdade São Bento, assim como da Revista Análise e Síntese. Lecionou Língua Grega, Homilética e Antropologia. Possui mais de 20 livros publicados.

   É músico e pintor, tendo cursado Piano e Órgão de Tubos no Instituto de Música da Universidade Católica do Salvador, onde foi aluno da famosa pianista Zélia de Araújo Vital. Estudou Artes Plásticas no atelier do renomado pintor Waldo Robatto, em Salvador.

   Agora transcrevo o que publicou este bispo sobre o livro biográfico da `Princesa Isabel. A conferir.

"Apraz-me destacar um ponto crucial da vida de D. Isabel: sua religiosidade. Esse tema foi, não poucas vezes, tratado com descaso e preconceito por alguns historiadores que, sob um olhar ideologizado — como hoje costumamos falar — julgaram a aparência, sem uma leitura correta da alma oitocentista e sem perceber o valor recôndito de quem sonhara com uma “política do coração”. 

Alegrias e Tristezas. Estudos sobre a autobiografia de Dona Isabel do Brasil” é, portanto, uma parábola verídica, num tempo determinado, sobre uma pessoa específica, nos convidando a penetrar nas histórias misteriosamente sentidas, publicamente vistas e profundamente vividas. Desse modo, Fátima Argon e Bruno Cerqueira dão-nos a conhecer uma vida que construiu histórias, muito além das visíveis narrativas epistolares, centelha de uma existência madura que nunca cessou de nos instigar e ensinar, entre lágrimas e risos.

Parabenizo aos nossos escritores pela iniciativa e convido a todos para saborearem o que tive privilégio de experimentar por primeiro. Tenho certeza de que muitos poderão desfrutar da alegria de penetrar na história de uma mulher inteligente, virtuosa e cônscia de seu papel de cidadã, cristã e política, escrevendo suas memórias com a saudade de sua gente e da terra onde fora proibida de viver. 

Somos gratos a Fátima Argon e Bruno Antunes de Cerqueira por nos apresentar, com profunda clareza, o coração de D. Isabel... suas escolhas... suas alegrias e não poucas tristezas... dando-nos oportunidade para aprendermos com sua existência que “as palavras ensinam, mas os exemplos arrastam”.

08 junho 2020

Lá um dia - Por: Emerson Monteiro


Certa feita participei de um curso de contar histórias (estórias, qual diziam antigamente). A professora, depois de toda a explanação do material didático, nos passou de tarefa a elaboração de uma peça que correspondesse ao que havíamos aprendido. Dentre as determinações rígidas exigia a necessidade inevitável de que as histórias devessem principiar com o clássico Era uma vez, pois dizia que assim, e só assim, começavam as narrativas que se prezam.

Era uma vez, pois, apesar de querer contestar frontalmente a mestra daquele curso, era uma vez uma humanidade vivendo num mundo suspenso no ar dos universos, espécie de globo em movimento constante, inevitavelmente exato, perfeito e submisso a leis inderrogáveis, sofisticadas e profundas. Decerto, sem sombra de dúvidas, ambos, humanidade e mundo, criados por Ser soberano e único.

Cercados de extremas exatidões matemáticas, somos esses tais seres humanos trazidos aqui vindos de não sei ainda onde e guiados não sei ainda aonde. Envoltos nos mistérios e segredos de tudo enquanto, olhos postos nas estrelas ou na linha do horizonte, questionam a si e esgotam as inúmeras oportunidades que os levariam a revelar do enigma a origem, vagos sábios de mentes sombrias, que buscam no tempo o que só viverão na Eternidade.

Esses autores de histórias impossíveis apenas habitam o solo que lhes colherá as sementes de novas gerações. Heróis anônimos das próprias lendas, narram fábulas de gigantes milenares e sofrem fantásticas visões ao sabor dos sonhos, escravos e senhoras das interrogações pessoais. Sabem que são meros alienígenas que retornarão aos céus e aguardam as naves que virão sob imensa tempestade. e que lhes sofrerão de saudade maior que o firmamento que a tudo envolve.

Por isso, passageiros da agonia e do tempo, trocam de papéis cientes de guardar na alma o senso dessa revelação que virá, passados que sejam os dias e as horas, fiéis ledores da sorte nas portas do Infinito. Os profetas e os santos, no entanto, já avisaram que nada estará de todo perdido para sempre, disso eles têm certeza.

05 junho 2020

São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil - por Dom Fernando Arêas Rifan (*)



          Domingo celebramos a vinda do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos, a inauguração da Igreja. Ele é o continuador da obra de Jesus, ele é o santificador. Os santos que veneramos na Igreja são obra dos seus dons. Por isso a Igreja sempre teve santos, de todas as raças, línguas e feições. Aqui, também fruto da ação do Divino Espírito Santo, temos o Apóstolo do Brasil, cheio de zelo e santo dinamismo, o grande missionário São José de Anchieta, falecido em 9 de junho de 1597, em Reritiba, hoje Anchieta, no Estado do Espírito Santo.  Por isso, nesse dia, celebramos a sua memória.

     São José de Anchieta nasceu na verdade em Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, em 19 de março de 1534. Tendo recebido uma primorosa educação cristã em sua família, foi enviado a estudar em Coimbra, onde dividia o seu tempo entre o estudo e a oração. Sentindo-se chamado por Deus para a vida consagrada e desejando levar a luz do Evangelho aos que não o conheciam, entrou, aos 17 anos, na Companhia de Jesus, sociedade religiosa missionária recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Deus o provou com uma grave doença, com fraqueza e dores em todo o corpo, durante dois anos. Os superiores decidiram enviá-lo ao Brasil, na esperança de que o bom clima da terra lhe fizesse bem. Providência divina! Partiu de Lisboa em 1553, com 19 anos de idade, acompanhando o novo Governador Geral do Brasil, Duarte da Costa, e alguns outros jesuítas. 

     Viveu aqui no Brasil dos 19 aos 63 anos, idade em que morreu, sendo ao longo desses 43 anos o verdadeiro “Apóstolo do Brasil”, participando da fundação de escolas, igrejas e cidades, liderando a catequese dos índios, aprendendo perfeitamente a língua deles e escrevendo a primeira gramática brasileira em tupi. É, junto com o Pe. Manuel da Nóbrega, o fundador da cidade de São Paulo, tendo estado também no Rio por ocasião da fundação da cidade, onde dirigiu o Colégio dos Jesuítas.Preparou alas da escola como enfermaria, criando a Santa Casa do Rio de Janeiro, sendo, além disso, diretor do Colégio dos Jesuítas em Vitória (ES).

     Anchieta lutou para que o Brasil não ficasse dividido entre portugueses e franceses. Quando, apoiados pelos franceses, os Tamoios se rebelaram contra os portugueses, Anchieta se ofereceu como refém, enquanto Manuel da Nóbrega negociava a paz. Ficou cinco meses no cativeiro, resistindo à tentação contra a sua castidade, pois os índios ofereciam mulheres aos prisioneiros. Para manter a virtude, Anchieta fez uma promessa a Nossa Senhora de que escreveria um poema em sua homenagem: é o seu célebre “Poema da Virgem”, de 4.172 versos.

      A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo Brasil inaugurando missões, catequizando e instruindo os índios e colonos, consolidando assim o cristianismo e o sistema de ensino no país, fundando povoados, sendo o grande promotor da expansão e interiorização do país. Ele amou os pobres e sofredores, amenizando e curando seus males e foi solidário com os índios, ajudando-os conhecer e amar a Deus em sua própria língua e costumes. Sadia enculturação!
                                                                                                                                                                                                                                                                               
 ( *) Dom Fernando Arêas Rifan é Bispo da Administração Apostólica Pessoal, de Campos (RJ).

04 junho 2020

70 anos do Príncipe Dom Antônio de Orleans e Bragança



     Ele nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de junho de 1950, filho do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (neto da Princesa Isabel, de quem recebeu diretamente a herança do Trono, sendo, por isso, Imperador De Jure do Brasil) e da Princesa alemã Maria Isabel da Baviera. Dom Antônio João Maria José Jorge Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança (este o seu nome completo) viveu a infância e adolescência numa fazendinha que seu pai possuía em Jacarezinho, no Norte do Paraná. Jovem, foi estudar no Rio de Janeiro onde se formou em Engenharia Civil.

     Dom Antônio ocupa o terceiro lugar na linha de sucessão ao Trono Brasileiro derrubado pelo golpe militar de 15 de novembro de 1889. Dom Antônio casou-se, em 26 de setembro de 1981, com a sua prima (duas vezes) em oitavo grau, a princesa belga  Cristina de Ligne. O casamento foi celebrado na Igreja de São Pedro pelo Núncio Apostólico em Bruxelas, Monsenhor Eugène Cardinale, com as bênçãos do papa João Paulo II.

       Dom Antônio herdou dos seus pais a tendência para a pintura. É renomado pintor de aquarelas, nas quais usa invariavelmente como tema as belezas da arquitetura tradicional e das paisagens históricas do Brasil Colonial. Abaixo, uma amostra de pinturas de Dom Antônio.
Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro
 Capela Imperial da Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, Rio de Janeiro
 Museu da Inconfidência, Ouro Preto (MG)
 Paisagem de Ouro Preto (MG)

03 junho 2020

A hora da Razão - Por: Emerson Monteiro


Dentro das minhas lembranças de criança, lá um dia, por volta dos quatro anos de idade, fui com minha mãe visitar amiga sua que morava na Rua São Francisco, próximo à igreja do santo, no Bairro Pinto Madeira, em Crato. Chegáramos ao bairro alguns meses depois de virmos de Lavras da Mangabeira. Naquela tarde, sei bem não, estávamos na pequena residência, nessa visita, onde demoraríamos só pouco tempo, mas o suficiente a que eu presenciasse passar cena que marcou momentos posteriores. Viria passar em frente à casa um enterro, féretro de algum morador daquela área. Observador contumaz, notei o movimento daquelas pessoas a transportar a urna mortuário e quis saber do que aquilo se tratava.

Até então, vivendo na fazenda dos meus avós, nunca soubera detalhes do jeito de devolver a matéria ao chão; noutras palavras, desconhecia o suplemento de viver que espera a todos logo ali no final da curva da existência. Aliás, sabia que os bichos morrem, lógico, pois via morrerem os carneiros, os animais de quintal, frangos, galinhas, que eram levados à força ao repasto das pessoas. No entanto ignorava por completo aonde terminavam os humanos, revelação vinda naquela tarde fria, em Crato.

Primeiro contato direto com o derradeiro ato deste plano, isso mexeu nas minhas imaginações. É tanto que ainda agora lembro e conto. Causou espécie ao juízo do menino que, talvez, desconfiasse tivesse vindo aqui e permanecer feito Ahasverus, personagem de Machado de Assis, que não morreria jamais. Desde então pretendo me acostumar com a ideia da morte. Nos conventos, segundo consta das lendas, os religiosos adotavam usar crâneo envelhecido sobre os livros em que meditavam, isso na intenção de preservar em seus pensamento a imagem do que virá adiante, ao baixar o pano do espetáculo.

Muitos fazem de conta que não é consigo o drama dessa página conclusiva, e insistem nas paixões desenfreadas, nos distúrbios e nas festas. Quantas opiniões a respeito, do que poucos reconhecem inevitável. Existe até frase atribuída a um sábio que diz: Viva como se nunca fosse morrer, e morra como se não tivesse aqui vivido. Enquanto eu sigo buscando compreender melhor esse assunto dogmático e certo.

Crato: mesmo sem a presença do povo, Igreja Católica promoveu a Coroação de Nossa Senhora


Fotos: Site da Diocese de Crato

   A solenidade religiosa da Coroação da Virgem Maria, uma das mais belas tradições católicas de Crato – realizada todo dia 31 de maio, desde 1900, há 120 anos – não sofreu solução de continuidade em 2020, apesar da pandemia do coronavírus.

   A coroação da imagem da Santíssima Virgem ocorreu em ambiente fechado, no altar-mor da catedral de Nossa Senhora da Penha, sob a presidência do Bispo Diocesano, Dom Gilberto Pastana de Oliveira. Segundo o site da Diocese de Crato: “O altar, ornado com flores, trazia no centro a singela imagem de Maria sob o título de Nossa Senhora de Fátima, que em sua história impeliu a humanidade a busca da Oração incessante pela Paz no mundo. Excepcionalmente neste tempo de Pandemia, onde a aflição e o medo brotam nos corações dos homens, Maria reforça a súplica ao seu Filho para que não os desampare, mas livre-os do Mal”.

História da Coroação

   A tradição de coroar a imagem da Virgem Maria foi introduzida na Cidade de Frei Carlos, em 1900, pelo então Vigário Padre Quintino Rodrigues, depois primeiro bispo de Crato. Desde então, todos os anos, os párocos/curas da Catedral de Crato sempre se esmeraram em proporcionar aos fiéis um belo espetáculo de beleza e fé.

    É de Olga Gomes de Paiva, ex-Chefe da Divisão Técnica do Iphan-Ceará, esta declaração: "A Coroação de Nossa Senhora, na Catedral de Crato, é uma das mais belas celebrações católicas no Ceará! A participação das crianças, com suas famílias, é a constatação do repasse de importante tradição cultural que, sem nenhuma dúvida, representa o fortalecimento dos laços familiares, nos quais se destaca o respeito pela figura materna e o enaltecimento para nós, mães de família. O patrimônio imaterial do Cariri não poderia ser mais bem representado do que nessa solenidade de coroação da Virgem Maria na cidade de Crato!". 

A imagem coroada em 2020

   Este ano a imagem coroada foi a histórica escultura, do altar de celebração de Nossa Senhora de Fátima, venerada na capela lateral esquerda da catedral de Crato. Trata-se de uma imagem com cerca de um metro de altura, esculpida em Portugal, em 1954, por Guilherme Thedin, o mesmo escultor da imagem-peregrina de Nossa Senhora de Fátima que peregrinou pelo mundo inteiro. Para a confecção dessa imagem – ofertada à catedral pelo Sr. João Bacurau – seguiu de Crato para Portugal um toro de cedro brasileiro. A capela onde ela é exposta, construída por monsenhor Rubens Gondim Lóssio, foi inaugurada, em 8 de dezembro de 1955.

(Texto de Armando Lopes Rafael)