09 maio 2020

Maio das Mães – por José Luís Lira (*)


    O mês de maio é, para nós católicos, o mês de Maria. Maria de Nazareth, se submeteu à vontade de Deus e aceitou ser a Mãe do Salvador, Jesus. Era uma jovem, como dizem os historiadores e teólogos, de uns 16 anos. O seu sim possibilitou que Deus se fizesse humano. Isso é grande demais para mensurarmos. É quase imensurável, mas, sabemos que ela foi concebida sem a mancha do pecado original. Foi, permaneceu e permanece Imaculada. À Santíssima Virgem Maria toda homenagem é pouca. Aos pés da Cruz, ao fazer João, o apóstolo amado, seu filho, Jesus Cristo a fez, também, mãe de toda a humanidade. Analisando neste viés, podemos observar o retrato da humanidade nos apóstolos de Jesus.

    Todos com aquelas fragilidades, seguranças, certezas e incertezas que nós possuímos. Mas, estamos falando em maio e o segundo domingo de maio é o próximo e aqui no Brasil, celebramos o dia das Mães. Na minha família a celebração é dupla, pois, o aniversário de meu pai é dia 9 e muitas vezes coincide com o dia ou a véspera do dia das Mães. Sempre fazemos uma comemoração conjunta. Por sorte vim para cá antes do decreto do confinamento. Senão estaria longe deles e, talvez, como muitos filhos, por conta dessa situação vivida não só no Brasil, mas, em todo o mundo.

    Falar sobre as mães é fácil. Poetas já as louvaram, cantores usaram suas melhores músicas. Carlos Drummond de Andrade escreveu “Para Sempre”: “Por que Deus permite/ que as mães vão-se embora?/ Mãe não tem limite,/ é tempo sem hora,/ luz que não apaga/ quando sopra o vento/ e chuva desaba,/ veludo escondido/ na pele enrugada,/ água pura, ar puro,/ puro pensamento./ Morrer acontece/ com o que é breve e passa/ sem deixar vestígio./ Mãe, na sua graça,/ é eternidade./ Por que Deus se lembra/ - mistério profundo -/ de tirá-la um dia?/ Fosse eu Rei do Mundo,/ baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca,/ mãe ficará sempre/ junto de seu filho/ e ele, velho embora,/ será pequenino/ feito grão de milho”.

    Nessas palavras, Drummond resume o sentimento dos filhos que amam suas mães. E por que este ano está diferente? Ou até difícil? Esquecendo-me de que no espanhol esquisito é quase elogio, este ano está esquisito. Sempre no domingo das mães (e quase todo domingo é dia das mães), dia de revê-la, de almoçar com ela, tomar um café, enfim..., manifestar seu carinho. Sentir seu abraço, seu carinho, nós vamos ter que fazer tudo isso à distância. Mas, mesmo essa distância, é prova de afeto e de cuidado. Nossos pais e mães necessitam deste cuidado.

    Felizmente estou em casa e posso parabenizar tanto ao meu pai, neste sábado, quanto à minha mãe no domingo. Mas, se você está distante de sua mãe e este ano não pode abraçá-la, ligue pra ela. Faça uma chamada de vídeo. Ela ficará feliz. Diga que em coração está com e coração de mãe e filho nunca se separam. Daqui envio um beijo a uma mãe que comemora seu primeiro dia das mães, minha mana e comadre Elisiane Lira, e nela beijo as mães de primeira viagem, mas, de amor tão antigo. Elas entendem!

    A todas as mães, que se espelham em Maria Santíssima em seus vários títulos, da alegria, das dores, da saúde, do divino amor, da ternura, do bom conselho, da doce alegria, enfim... uma Mãe compreende outra mãe, nosso abraço e carinho.
     Feliz Dia das Mães!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


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