01 maio 2020

Esperança – por José Luís Lira (*)



   O Correio da Semana fez parada de um mês. O momento nos obrigou a isso. Hoje, retomamos. Timidamente. Esperançosos. Confiantes em Deus e em sua Mãe, Maria Santíssima. Parafraseando o Pe. Zezinho digo que é necessário esperar contra toda desesperança. Ainda não se tem a cura da covid-19 ainda não apareceu. Nem sequer algo preventivo, como uma vacina. O isolamento social ainda é a melhor alternativa. No dia que foi decretado o confinamento eu viajei para a casa dos meus pais para passar o dia de São José e por aqui fiquei.

    Essa semana fui a Sobral. Usei máscara, álcool em gel e tudo o que se recomenda. Vi o Acaraú, tão imponente. Pouco após, a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, com as portas fechadas. Barreiras colocadas para evitar o trânsito de veículos. A rodoviária, com seus cafés e lanchonetes, fechada. Não fiz um tour, apenas fui aos locais que precisei ir. Mas, isso tudo inspirou solidão. Sobral é uma cidade viva. Gostamos dela. Vivemos n’ela.

    A única força que nos move é a esperança. Vemos os esforços das autoridades municipais e estaduais para proteger a VIDA. Outro dia me questionaram sobre uma possível “violação” ao direito de ir-e-vir e eu respondi – como responderia em qualquer ocasião –, que o direito à vida é maior. O choque de princípios constitucionais é sempre solucionado com ponderação e com o princípio da proporcionalidade. De que adianta eu ter o direito de ir-e-vir se enquanto usufruo ponho minha vida em risco e posso pôr a vida do outro também em risco. É preciso prudência e proporcionalidade que rima com humanidade, humildade etc.

    Não estamos confortavelmente livres dessa situação. Mas, vamos torcer e oferecer nosso contributo, mantendo o isolamento. E na coluna que aqui não foi publicada em 25 de março, eu transcrevia uma bela crônica de Irene Vella, publicada, em francês, e que o português Rui Unas emprestou sua voz e o fez viralizar. Era março de 2020. Agora podemos dizer, foi abril de 2020 e agora é maio de 2020. As ruas continuam vazias, apesar da teimosia de alguns. Os hospitais estão em quase sua capacidade. Surgiram heróis, na medicina, na enfermagem, no serviço social, na psicologia, enfim, nas áreas da saúde, da compreensão humana, da religiosidade. Tivemos uma Semana Santa atípica. Passamos a valorizar a Missa transmitida os meios de comunicação. O Papa, os sacerdotes, os bispos, celebram sozinhos a Santa Missa e entramos em jejum Eucarístico, mas, certos de que Deus está sempre conosco.

    No Vaticano, um pastor sofrido com a dor das ovelhas, representa o maior estadista deste tempo de pandemia. Seu principal instrumento são a fé e o amor ao próximo. Ele é o Vigário de Cristo, Sua Santidade o Papa Francisco. Diariamente, na Missa que celebra naquela Cidade-Estado da Fé, o Papa nos envia esperança. Reza por todos. Idosos, jovens, crianças. Pelos que atuam nas frentes de trabalho e busca a unidade. Também em nossas Dioceses, Paróquias, vemos exemplos admiráveis. Na eterna capital do Brasil, o Rio de Janeiro, o grande Cardeal do Brasil, Dom Orani Tempesta, abençoou o mundo e, especialmente, o Brasil, aos pés da imagem do Cristo Redentor.


Aguardemos o dia em que venceremos essa etapa, o abraço da paz nas Celebrações em Ação de Graças será mais intenso e que Deus nos proteja!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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