31 maio 2020

A primeira grande epidemia que assolou a cidade de Crato – por Armando Lopes Rafael


    O coronavírus, ou o “vírus-chinês” – como está sendo chamado pela população – está se constituindo na segunda grande epidemia infectocontagiosa a castigar a população cratense. No século XIX, mais precisamente em 30 de abril 1862, teve início as mortes pela epidemia de cólera morbo nesta Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara.  Naquele ano, Crato era uma pequena cidade. 

    Sua área urbana começava na Rua da Pedra Lavrada (hoje Rua Dom Pedro II), localizada às margens do Rio Granjeiro. E o casario da cidadezinha subia até aos arredores da Rua Nelson Alencar dos tempos presentes. No sentido horizontal, Crato tinha início na atual Praça da Sé (àquela época chamado Largo da Matriz); e se estendia somente até ao “Fundo da Maca”, assim chamado alguns de terrenos baldios,  localizados no hoje final da Rua Senador Pompeu, após a igreja de São Vicente Ferrer. O surto do cólera de 1862 provocou a morte de cerca de 1.100 cratenses. Um número elevadíssimo para a época.

        A partir de uma monografia de mestrado do professor Jucieldo Ferreira Alexandre (“Impressões Sobre o "Judeu Errante": Representações Sobre o Cólera no Periódico Cratense O Araripe –1862-1864)”, defendida em 2010 – no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) –, ficamos conhecendo mais detalhes da epidemia do cólera, que causou mais danos aos cratenses do que vem causando o atual coronavírus.  Sim, porque em 1862 os infectados cratenses não dispunham de tratamento médico. Hoje, a assistência médica para os infectados pelo coronavirus é fato.  E a maioria das pessoas desempregadas está até recebendo uma ajuda – de R$ 600,00 a 1.200,00 – do Governo Federal.

             Voltemos à epidemia do cólera morbo. Segundo a monografia do prof. Jucieldo, aquele vírus entrou no Brasil pelo Estado do Pará, em 1855, por meio de uma embarcação de colonos portugueses. No entanto a epidemia só atingiu o Nordeste brasileiro a partir de 1862. Na cidade de Crato, a principal forma de transmissão da doença foi através do Rio Granjeiro, o qual, àquela época, cortava a cidade e abastecia o consumo de água da população citadina que ainda utilizava o rio para lavar roupas e tomar banho.
 
O Rio Granjeiro foi perene até a década 1930. A ação predatória da população transformou o bonito rio num canal-esgoto fedorento e feio. Foto da década 30 do século XX

               Desconhecia-se, em Crato, durante a epidemia do cólera morbo, que a doença infectocontagiosa era transmitida pela bactéria Vibrio cholerae, descoberta pelo alemão Robert Koch, o mesmo que descobriu o bacilo de Koch, que provoca a tuberculose. Em 1862, em Crato, o Governo Municipal, atendendo à recomendação do primeiro Bispo do Ceará, Dom Luís Antônio dos Santos, construiu outro cemitério, fora da cidade. Foi o chamado “Cemitério dos Coléricos”, localizado longe do centro citadino, onde hoje é a subestação de energia elétrica da Enel, próxima ao Supermercado São Luiz, no bairro São Miguel.

            Tinha razão o Bispo do Ceará ao sugerir uma nova necrópole, pois o recém inaugurado Cemitério Bom Jesus dos Pecadores (que posteriormente teria seu nome mudado para Nossa Senhora da Piedade) estava localizado a cerca de 500 metros da Matriz de Nossa Senhora da Penha, no centro da cidade. Enterrar as vítimas do cólera morbo lá, seria uma ameaça real aos habitantes de Crato.   Segundo o Prof. Jucieldo, os homens que transportavam, diariamente, dezenas de cadáveres para sepultamento no Cemitério dos Coléricos, vestiam indumentária vermelha e se embriagavam com aguardente, para realizar os enterros coletivos em vala comum.

                 Cenas como esta não se registraram em Crato na presente pandemia do coronavírus....

30 maio 2020

Imperador Dom Pedro I: Respeito à Constituição, sempre!


A abdicação de Dom Pedro I

     O então  Major Luiz Alves de Lima e Silva, o jovem futuro Duque de Caxias, ofereceu ao Imperador Dom Pedro I, dias antes de sua abdicação, a 7 de abril de 1831, os planos de reação contra as injustas e desleais agitações que se acumulavam contra a Coroa. O Soberano, contudo, recusou-os, nos seguintes termos:

O expediente proposto é digno do Major Lima e Silva, mas não o aceito, porque não quero que por minha causa se derrame uma só gota de sangue brasileiro. Portanto, siga o Major a sorte de seus camaradas reunidos no Campo de Santana.

    Já no momento supremo da abdicação, quando era intimado a demitir o Ministério, Sua Majestade respondeu:
– Diga ao povo que recebi a representação. O Ministério passado não merece a minha confiança, e do atual farei o que entender. Sou constitucional, e caminho com a Constituição. Admitir o mesmo Ministério, de forma alguma. Isto seria contra a Constituição e contra a minha honra. Prefiro abdicar. 

    Foram os usurpadores, após a quartelada republicana de 15 de novembro de 1889, que implantaram o desrespeito à Constituição e a infringiram tanto que acabaram reduzindo-lhe a um maço de folhas de papel esfarrapadas. Nenhum Presidente desta República teve o espírito constitucional dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, e foram esses mesmos Presidentes que deram ao povo brasileiro o exemplo de violar a Constituição – ou melhor, todas as seis Constituições que a República teve.

( Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria do Senhor Leopoldo Bibiano Xavier).
Publicado originalmente no Facebook de Pró Monarquia

29 maio 2020

À Matusahila, com carinho! – por José Luís Lira (*)


   Na sexta-feira, 08, partiu do mundo dos vivos nossa querida – nem sei como qualificar melhor –, Matusahila Pereira de Souza Santiago. Advogada, historiadora, beletrista, administradora. Pioneira em cerimonial no Ceará, cursou etiqueta na tradicional SOCILA, escola que ensinava etiqueta às mulheres da sociedade carioca que funcionou de 1953 a 1995. Estagiou no Ministério das Relações Exteriores – Itamaraty. Recebeu as mais variadas homenagens, incluindo uma muito especial, do Príncipe Dom Pedro Gastão de Orléans e Bragança e da Princesa D. Esperanza de Bourbon-Duas Sicílias, em Petrópolis. Funcionária concursada da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, dirigiu o cerimonial daquela casa, organizando a solenidade de Sanção da Constituição do Estado, em 5 de outubro de 1989.

   No campo literário escreveu para vários jornais cearenses, sobre etiqueta social e temas culturais. Presidiu a Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno de setembro de 2000 até a atualidade. Juntamente comigo, José Luís Lira fundou a Academia Fortalezense de Letras, em 2002, da qual foi a primeira vice-presidente; fundou a Academia Brasileira de Hagiologia, em 2004, também comigo. Em 2016, fundou com este mesmo companheiro, a Academia Cearense de Cultura, da qual era presidente. Foi a primeira mulher a ministrar aulas na Academia de Polícia Edgard Facó e seu curriculum é vasto, cheio de feitos.

   Ela nasceu no dia de Santa Doroteia que se apresenta com rosas. Seus melhores presentes eram livros e rosas. Vaidosa, gostava de viver. Sorriso fácil, mas, também muito franca. Dizia o que pensava. Era livre. Amava e foi amada. Com ela a vida era mais leve. Lembro-me de quando lhe relatava um problema, ela a tudo amenizava. Sahila, como a chamávamos, intimamente, era festa. Matusahila foi uma mulher autêntica, dinâmica, poeta, memorialista. Tinha orgulho das histórias de seu clã familiar e fazia destaque disso. Levou uma rosa azul, pois a rosa azul é rara que nem ela. E ainda não está sendo fácil falar sobre ela, por isso, peço emprestado as líricas palavras da Profa. Fátima Lemos que a sucede na Presidência da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno:

“Dezenas de rosas, na maioria grandes, de cores variadas, conversavam entre si. As vermelhas iniciaram o diálogo: – Companheiras de armário, vocês ouviram um suspiro de vossa majestade?. – Sim, sim! - Todas responderam. (...) Houve um silêncio. As rosas se curvaram em reverência às lágrimas dos humanos. O silêncio é quebrado com as interrogações: – Eu? Eu? Será eu?. Foram tantos os ‘eus’, que a voz de um príncipe interveio aos murmúrios das rosas e falou com voz trêmula: 

– A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar... A voz veio de longe, muito longe, todas as rosas em silêncio ouviram a voz do príncipe enquanto ele continua a falar: – Compreendo o sentimento de todas vocês, vermelhas, azuis, lilases, roxas... todas amadas e desejadas no adorno feminino. Porém, queridas, dentre vocês retiro uma azul. A última a enfeitar a sua majestade, em um evento recente, que a fez brilhar! É você, bela rosa azul, despeça-se de suas companheiras e venha enfeitar um belo vestido, também azul, e siga com ela na última viagem terrena”.

    Com muito carinho, até o reencontro, Sahila!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

28 maio 2020

Cem anos depois da Revolução Comunista, russos sonham com um retorno à monarquia


Fonte: revista ISTOÉ
Mikhaïl Ustinov, porta-voz dos monaquistas russos, com retrato de Nicolau II - AFP

"   Os ancestrais de Mikhail Ustinov foram fuzilados em 1917 por apoiarem o czar. Cem anos depois, em um apartamento na periferia de Moscou, seu descendente sonha com um retorno à monarquia.
“Os russos são monarquistas na alma, mesmo que os soviéticos tenham tentado induzi-los”, afirma Mikhail, autoproclamado porta-voz dos círculos monarquistas de Moscou.

"   Desde a queda da URSS em 1991, “para honrar o czar”, esse homem de 68 anos se veste todos os dias com um uniforme que lembra os do Exército branco que combateu entre 1917 e 1922 os bolcheviques por lealdade a Nicolau II. Assassinado pelos bolcheviques em 1918, o último czar foi reabilitado após o colapso da União Soviética. Seus restos foram enterrados em São Petersburgo, a antiga capital imperial, com vários membros de sua família em 1998 durante uma cerimônia na presença do presidente Boris Yeltsin.

"   Ele foi canonizado em 2000 pela Igreja Ortodoxa russa que o considera mártir, não pelo seu papel como último czar, mas por “se resignar à morte” nas semanas anteriores à sua execução. “Eu quero morrer no meu uniforme, proclamando meu amor pelo czar, como meu avô, meu bisavô e toda a minha família fizeram”, diz Ustinov, que perdeu cerca de 20 membros de sua família durante a Revolução de 1917, um “golpe de Estado” segundo ele.

"   Cerca de 28% russos são “a favor” ou “não contra” um retorno à monarquia em seu país, de acordo com uma pesquisa do instituto VTsIOM que data de março. Uma minoria, certamente, mas que tem aumentado: eles eram apenas 22% em 2006".
(Revista ISTOÉ)

 Bandeira da Rússia Imperial

27 maio 2020

Fiapos de nada - Por: Emerson Monteiro


A existência daqui do Chão pede atitude organizada pela inteligência. Circular entre as farpas em meio às alegrias e continuar caminhando, eis o resumo do quanto persiste dentro do coração das criaturas humanas ao preço módico de viver. Querer fugir de si mesmo significaria, pois, abandonar o único sentido de encontrar o lugar logo ali ao lado, espécie de monumento aos pensamentos e sentimentos que borbulham sem cessar. Tal na Esfinge, o desejo de revelar felicidade, que tem, sim, razão de ser.

Voltemos ao título, fiapos de nada, que representa essa disposição daqueles entes na firme intenção do desapego de um dia, enquanto que outros insistem à porta das dez mil coisas vagas, os elementos do desejo, que só ao nada levariam.

Buda expressava de jeito claro nascer o sofrimento do pensamento, a fonte de criar os desejos. O freguês anseia no prazer pelo prazer, esquecido das estações da insatisfação, porquanto impossível realizar tudo aquilo que vem na mente e se desmancha sempre. Exemplo disso, querer a perene realização do apego à juventude, à saúde e à imortalidade, quando apenas duram no decorrer de alguns anos. Em consequência, diante da irrealização do desejo, surge a dor. Até chegar a compreender isso demora vidas e vidas, na borda de uma Eternidade constante.

Qual assim, os fiapos que nos prendem ao nada são frágeis amarras ao tempo que flui, fase contada de aprofundamento na compreensão que irá libertar das fagulhas e das horas vagas. Porém a conquista desse conhecimento exige maturidade individual e persistência.

...

Nas epopeias das tantas oportunidades se deposita a evolução, estrada do progresso rumo ao eterno. Esse mergulho dentro da consciência desfaz a materialidade e desvenda o essencial, que alimenta vir à tona, sonho das gerações. A cada um a chance de aprimorar a caligrafia do Destino e escrever o código de todo mistério das filosofias e religiões, na alma da revelação de tudo quanto há que seja.

26 maio 2020

O legado deixado pela Imperatriz Leopoldina ao Brasil ¬ por Armando Lopes Rafael

   A historiadora Valdirene do Carmo Ambiel -- no seu livro “O novo grito do Ipiranga” -- afirma que “Dona Leopoldina foi uma personagem muito cultuada e admirada no século XIX (ou seja, no Brasil Imperial), mas infelizmente quase esquecida no XX” (ou seja, depois da instauração da República no Brasil).

   Mas isso não ocorreu por acaso e sim de forma programada pelas novas autoridades republicanas. Aliás, no prefácio do livro acima citado, Cláudio Prado de Mello escreveu: “A partir de informações passadas pelos “vencedores”, (ou seja, os golpistas republicanos responsáveis pela derrubada da monarquia em 15 de novembro de 1889) que formataram os livros de História no início do século XX, eles contaram “sua versão da História” do período monárquico sob a ótica de uma temida Restauração que algum dia poderia ocorrer”.

      Já o Prof. Paulo Napoleão Nogueira, em artigo publicado no “Diário Oficial Leitura escreveu: “Nos cem anos nos quais vigorou a proibição de sequer falar-se em monarquia, o País foi programaticamente induzido a esquecê-la. Diretrizes governamentais de todos os tipos, explícitas ou dissimuladas, foram adotadas nesse sentido. Substituíram Pedro I por José Bonifácio, mas a figura do Patriarca não calou fundo, além do que ele próprio era um defensor da monarquia”.

       Anos atrás, o historiador Paulo Rezzutti, escreveu um livro, “D. Leopoldina: a História Não Contada”. A revista “Veja” divulgou o texto abaixo sobre este livro:

        “Culta, esclarecida e decidida, Leopoldina dedicou-se com fervor ao movimento pela separação de Portugal depois que a corte de dom João VI retornou à Europa, o herdeiro Pedro permaneceu como seu representante e o Brasil se viu na iminência de voltar a ser mera colônia”. “Ela se apaixonou pela causa e abandonou o sonho de retornar à Áustria. “Costumo dizer que o ‘fico de Leopoldina é bem anterior ao de dom Pedro”, diz o pesquisador Paulo Rezzutti, autor do livro acima citado.

“Além da preocupação sincera com o futuro dos brasileiros ela era querida e admirada pela população, a mulher de dom Pedro tinha motivos muito práticos para apoiar a independência. Independentemente das razões que a moviam, a relevância política de Leopoldina é incontestável. Em pelo menos três ocasiões em que viajou, dom Pedro a instalou como sua representante no Rio. Ela presidia o Conselho de Estado, órgão que assessorava o príncipe, na sessão de 1822 em que os conselheiros se puseram a favor da separação do Brasil de Portugal e da contratação de mercenários para a luta contra as tropas portuguesas. O passo seguinte foi o grito às margens do Ipiranga”. “A biografia retrata com pinceladas até então desconhecidas a jovem arquiduquesa da rica e poderosa casa austríaca de Habsburgo que se casou por procuração com dom Pedro". 


 Bandeira do Brasil, criada em 1822. O verde representava a cor da
Casa de Bragança (do Imperador Dom Pedro I) e o amarelo representava a
cor da Casa de Habsburgo (da Imperatriz Leopoldina)

A China pode ter fabricado o coronavírus em laboratório? O que se sabe até agora sobre a origem da covid-19 – Por Rodrigo Lopes (Publicado no site Gaúcha ZH)



Começou como uma teoria conspiratória alimentada por setores ultraconservadores americanos, turbinada pelas redes sociais. Pela visão de grupos de influenciadores do governo Donald Trump, entre eles o ex-estrategista da campanha republicana Steve Bannon e o site Breitbart (espécie de porta-voz da Altright, a nova direita populista), a China teria fabricado o coronavírus como parte de um plano maquiavélico para derrubar os mercados, desbancar a hegemonia geopolítica dos Estados Unidos e ditar a nova ordem mundial.

Depois de minimizar inicialmente os riscos da pandemia, o próprio Trump passou a chamar o coronavírus de “vírus chinês”, não apenas em referência ao local onde a covid-19 surgiu pela primeira vez, mas para responsabilizar o governo comunista pelo aparecimento da doença. No Brasil, esse discurso foi emulado pelo presidente Jair Bolsonaro, por seu filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Mas o que era apenas um discurso de setores mais conservadores e ideológicos dos governos Trump e Bolsonaro ganhou corpo com declarações de outros líderes mundiais, como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

-- Acho que quanto mais transparente a China for sobre a história da origem deste vírus, melhor será para que todos nós ao redor do mundo aprendamos com ele - disse a líder alemã.

Na semana passada, uma reportagem do jornal The Washington Post teve acesso a troca de correspondências entre diplomatas americanos na China e o Departamento de Estado. Publicou que uma delegação que visitara, em 2018, um laboratório em Wuhan, cidade onde nasceu o vírus, teria alertado o governo dos Estados Unidos sobre a suposta falta de segurança do prédio. O cenário ao redor da edificação do Instituto de Virologia é perfeito para alimentar a narrativa da conspiração: em meio às colinas da cidade onde surgiu o vírus, a poucos quilômetros do mercado apontado inicialmente como local onde a doença teria aparecido pela primeira vez.

A partir daí a Casa Branca passou a afirmar que está realizando uma "ampla investigação" sobre a origem do coronavírus e a ameaçar a China com retaliações. Uma outra iniciativa partiu da Austrália, que pediu uma apuração independente sobre como Pequim administrou o início da pandemia. Na segunda-feira (20), o governo chinês afirmou que o pedido australiano “desmerece os enormes esforços e sacrifícios do povo chinês” para impedir a propagação do vírus e rejeitou qualquer “questionamento sobre a transparência da China na prevenção e controle da situação epidêmica”.

25 maio 2020

A primeira mulher que governou o Brasil – por Armando Lopes Rafael


Imperatriz Leopoldina
   É triste a realidade educacional do Brasil. Em 2018, um estudo feito pelo Ibope Inteligência, em parceria com a ONG Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro, indicou que que 29% da população brasileira estava enquadrada como “analfabetos funcionais”. Segundo a pesquisa citada, deste total, 8% eram analfabetos absolutos (aqueles que não conseguem ler palavras e frases) e 21% estavam no nível considerado rudimentar, ou seja, sequer conseguem obter informações num calendário.

     Se passarmos para as faixas da população que estudaram, mesmo as que atingiram as universidades públicas, o quadro não é dos mais animadores. Não só porque o ensino universitário público brasileiro ainda é direcionado pelo viés marxista; as disciplinas sofrem ideologização e patrulhamento ideológico por parte dos professores; estes ainda pregam a “luta de classes”, e outros princípios marxistas,  há muito abolidos (desde a queda do Muro de Berlim, na última década do século passado) nas universidades de países do primeiro mundo.  Haja atraso por aqui!

        Lamentável a grade de ensino de História no ensino público. Tem gente “graduada” ainda dizendo que "Dilma Rousseff foi a primeira mulher a governar o Brasil"  (SIC). Pode isso, Arnaldo? Se dissessem, pelo menos, que a Princesa Isabel governou,nosso país,  antes de Dilma...vá lá, estariam "parcialmente" certos. A Princesa Isabel foi Regente do Império do Brasil, em três ocasiões, substituindo seu pai – o Imperador Dom Pedro II – nas viagens deste ao exterior.

           Mas não. Desconhecem que a primeira mulher a administrar o Brasil, antes da nossa independência, foi Dona Leopoldina (depois nossa primeira Imperatriz), na condição de Princesa-Regente. Ela assumiu, o governo do Brasil, em 13 de agosto de 1822, durante a ausência do seu esposo, o então Príncipe-Regente, Dom Pedro de Alcântara (depois Imperador Pedro I), quando este foi à Província de São Paulo. Nessa viagem resultou – em 7 de setembro de 1822 – o Grito do Ipiranga, que desfez nossos laços de dependência com Portugal.

              Aliás, o papel de Dona Leopoldina na declaração de independência do Brasil foi bem mais amplo. Mas, por limitação de espaço, falarei sobre isso num próximo artigo.

23 maio 2020

O Imperador que era um pai para todos os brasileiros



   Durante viagem ao interior da Província de Minas Gerais, o Imperador Dom Pedro II observou, em meio à multidão compacta, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta procuravam impedi-la. Compadecido, o Soberano ordenou que a deixassem se aproximar.
A mulher se apresentou:
– Meu senhor, eu sou Eva, uma escrava fugida, e venho pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.

O Imperador mandou tomar as notas necessárias e prometeu lhe dar a liberdade quando regressasse. E efetivamente entregou à cativa seu documento de alforria.

Anos mais tarde, indo a uma das janelas do Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, Sua Majestade viu que um guarda tentava impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória prodigiosa imediatamente reconheceu a ex-escrava mineira, e o Soberano ordenou:
– Entre aqui, Eva!

A mulher se precipitou porta adentro e entregou ao Imperador, seu augusto protetor, um saco de abacaxis, colhidos na roça que ela havia plantado após ganhar sua liberdade.

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria de Leopoldo Bibiano Xavier).

21 maio 2020

O eterno presente - Por: Emerson Monteiro


Isso do movimento dos relógios e da Eternidade. Desse encontro do momento com a velocidade dos acontecimentos. Enquanto nas aparências estamos passando, o que passa decerto é o tempo, o mesmo tempo dos gregos de antigamente (Cronos), que pare e devora os próprios filhos. E nós permanecemos, aqui de dentro da gente mesma, invólucros do sonho. A voragem do tempo se retém tão só na memória destes eus que somos e que, de tanto susto, vertigem, medo, muitos fogem feitos condenados à coisa nenhuma, a um nada inatingível.

Pois esse eterno agora permanecerá conosco, apesar dos inúmeros esforços de embriaguez e prazer material. Nem adianta desconhecer a que somos, seres condenados à perenidade, porquanto ninguém se arvore de querer mudar o imutável, leis bem de antes, lá de dentro do Infinito que nos envolve, silencioso, nos papéis inevitáveis.

Remar, remar, remar... O rio é único, vez deslizar no íntimo de nós mesmos feitos lâmina de mistério e o segredo de tudo.

Bem assim, a velocidade estonteante, incessante, dos objetos, lugares, incidentes que escorrem pelas veias da alma jamais fixará residência no solo escorregadio de que fomos enquanto pedaços do Destino, órbita taxativa no sentido da imortalidade. Quais meras testemunhas do que produzimos agora com a matéria prima da vida, seremos sempre sujeitos e objetos da construção a que nos destinamos, filhos diletos de Justiça inadiável.

Daí querer escapar disso eis missão impossível, razão insustentável de reverter os quadros da história pessoal e, consequentemente, da história de que fazemos parte. Apenas exercitamos normas previamente permitidas, os frutos do que iremos colher logo ali nas dobras do futuro, escravos e senhores das nossas ações, livres porém responsáveis pelo que delas fizermos.

Fagulhas desta monumental fogueira das existências nos diversos níveis de consciência, elaboramos de nós o motivo face a face às maravilhas da Criação. Há sonhos e os sonhos valem uma realidade definitiva já agora em crescimento.

19 maio 2020

Para quem está em casa, com tempo suficiente devido à quarentena


Congresso online do Movimento Brasil Conservador



Temos a grande satisfação de anunciar que o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, será um dos convidados de honra, responsável por ministrar palestra intitulada “Temos motivos para amar o Brasil?”, no Congresso Online do Movimento Brasil Conservador, que será realizado virtualmente – devido ao presente período de quarentena e isolamento social – entre os dias 29 e 31 do corrente.

O Congresso terá como principal objetivo unir os conservadores em torno de assuntos fundamentais para a Nação, sobretudo em relação a formas de melhor se organizar e da importância da restauração da alta cultura. Afinal, sentimos na pele a máxima de que uma minoria organizada – a esquerda – sempre dominará a maioria desorganizada; o Brasil, que é majoritariamente cristão e conservador, foi dominado por uma minoria revolucionária, sem escrúpulos morais, e isto necessita ser mudado.

Sem dúvida alguma, será esta uma grata oportunidade para veteranos e jovens monarquistas adquirirem novos conhecimentos e perspectivas, na esperança de demonstrar aos nossos compatrícios – que veem a Monarquia com crescentes interesse e simpatia – que a restauração do verdadeiro Brasil passa necessariamente pela restauração de uma sociedade autenticamente cristã e monárquica em nosso País, para que esta possa vir a ser, verdadeiramente e sempre mais, a Terra de Santa Cruz.

O Movimento Brasil Conservador deverá disponibilizar a programação completa do evento nos próximos dias; contudo, as inscrições já podem ser feitas, através do site:

14 maio 2020

As luzes dos sentimentos - Por: Emerson Monteiro


Imagino o quanto os animais demoram de saber que sentem, isso de elaborar lá de dentro das entranhas os sentimentos; alguns milênios, talvez. A gente sabe que eles sentem, pois nós também somos animais e sentimos feitos da mesma matéria que foram criados dentro do fenômeno da biologia da Terra. E quanto tempo essa gente que somos demorou até saber o que é ter sentimentos e por em prática o atributo que oferecem invés de apenas ser puros animais, agora que sabem o que seja sentir. Eles, os outros bichos, assim já agora exercitam o dote dos sentimentos; se gostam ente si, a não dizer que se amem, porquanto ainda não descobriram a real cartilha de criar palavras e dizer das ideias, que vagariam soltas lá de onde adiante sairão os pensamentos; e eles, os tais bichos, nem sabem falar o que sentem quiçá bem mais que os seres ditos humanos, estes a tanger de trechos esquisitos a Civilização, de fazer mais guerras do que amar e ser amado.

Bom isto, de tanto pensar desse modo que nem nós sabemos de exato o que é ter sentimentos, conquanto os praticados até hoje não indicam que o saibamos no coletivo, por que lustramos botinas de pelotões e invadimos países, expulsamos populações e dominamos o subsolo? Bichos que descobriram que sentem, porém sob o efeito da relatividade dos séculos são lentos no aprender e lerdos no praticar.

Ao conhecer o princípio original de chegar à Consciência, o homem começa a cruzar o pântano da ignorância no sentido de libertar na alma um dispositivo que o transporta de vencer a matéria e chegar na Salvação, percurso indicado nas religiões e filosofias. Os místicos descrevem em detalhe a longa jornada desde o homem ao super-homem, resumo de tudo quanto há durante todo tempo. O fator essencial desse transcurso bem significa amar, o clímax dos sentimentos, e desvendar, enfim, os véus da Eternidade.

Pandemia e isolamento levam o Brasil para a sua mais profunda recessão – por Egídio Serpa (*)




Em março passado, quando a pandemia do coronavírus dava os primeiros sinais no Brasil, o Ministério da Economia previa um crescimento de 0,002% do PIB.

Ontem, a mesma fonte anunciou que a economia brasileira deverá registrar uma queda de 4,7% neste ano.

Previsões de economistas de fora do governo indicam que essa queda será maior - de 5% ou mais.
Nos cálculos da equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, a inflação fechará este ano em 1,77%.

A atividade econômica está praticamente paralisada em todo o País por causa do isolamento social, que no Ceará está no modo rígido.

A consequência só poderia ser a que se vê: empresas fechando, desemprego aumentando e já alcançando 20% da PEA - a População Economicamente Ativa.

O Brasil entrou na mais profunda recessão de sua história.

Ela só não é pior porque o setor do agronegócio - responsável pela produção, armazenamento, transporte e distribuição dos alimentos que abastecem a população - mantém sua plena atividade.
De acordo, ainda, com o Ministério da Economia, cada semana de isolamento social representa uma perda de R$ 20 bilhões para o País.

Um documento distribuído, ontem, pelo Ministério da Economia revela:

"Do ponto de vista econômico, os efeitos do coronavírus sobre a economia brasileira podem ser descritos em três períodos:

Período (1), em que a economia recebeu os primeiros choques (a partir de fevereiro até o fim de março);

Período (2), iniciado em abril, marcado por choques secundários e crise sobre o emprego, a renda e as empresas;

E Período (3), que se sucederá ao abrandamento ou fim das medidas sanitárias de contenção, em que se dará a retomada econômica".

Então, resta orar a Deus para que tudo passe logo.

(*) Publicado no Diário do Nordeste, de 14-05-2020

13 maio 2020

Os cartões corporativos "republicanos" – por Armando Lopes Rafael


   Acho risível ver certos figurões políticos brasileiros declarando, em entrevistas, que “precisamos agir republicanamente” (SIC) na “luta contra a corrupção”, ou “defendendo a moralidade pública”. Ora, me poupem! Implantada no Brasil, pelo golpe de 15 de novembro de 1889, esta República nunca foi paradigma de seriedade, competência, parcimônia ou honestidade para gerir a “res pública” (sentido literal de “coisa pública”).

       Uma coisa esquisita são os tais “cartões corporativos” do Governo Federal. Trata-se de um meio de pagamento utilizado de forma similar a um cartão de crédito. Esses cartões corporativos são utilizados na Presidência da República para compras de caráter excepcional e eventual, que não possam subordinar-se ao processo normal de licitação. Ou seja, é uma carta branca dada ao Presidente e seus parentes, para   gastarem na manutenção dos palácios, recepções imprevistas e viagens nacionais e internacionais.   

        Segundo o jornal “O Globo”, edição de ontem, 12 de maio, os gastos com cartões corporativos da Presidência da República, nos 3 primeiros meses de 2020, são os maiores desde 2014, época da farra do (des)governo de Dilma Rousseff. O jornal publicou que só de janeiro a março de 2020, os valores com gastos esses cartões somaram R$ 6 milhões e 200 mil reais (R$ 6.214.967,31). A Presidência da República justificou que foram gastos com voos feitos à China para trazer brasileiros e comprar materiais/medicamentos para combater o corona vírus.

        Verificando informações mais antigas, disponíveis no Portal da Transparência do Governo Federal, até então o maior valor de gastos desses cartões, nos 3 primeiros meses do ano, foi em 2014, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Naquele ano, foram gastos R$ 4 milhões e 700 mil reais (R$ 4.765.802,69), em valores corrigidos pela inflação.  Para finalizar meditem nesta informação: “Desde 2003, nos governos Lula e Dilma, ambos gastaram mais de R$ 670 milhões de reais com cartões corporativos. Tudo na conta do contribuinte. Alegando garantia da “segurança da sociedade e do Estado”, cerca de 95% dos gastos da Presidência de Lula e Dilma são classificados como sigilosos” (Fonte: site Jusbrasil.  link: sigilososhttps://folhapolitica.jusbrasil.com.br/noticias/381810779/gastos-de-r-670-milhoes-de-dilma-e-lula-em-cartoes-corporativos-foram-mantidos-sob-sigilo.

         E ainda vem deputados/senadores e ministros dizendo que precisamos agir “republicanamente”.

Dona Sônia, “mãe-companheira”



Maria Sônia Férrer Bezerra
*  17/01/1936
+ 12/05/2020

Não há como negar que as profusas mortes anunciadas nesses tempos coronavíricos, já não nos sensibilizam tanto. Isso porque se transmutam em meras cifras que escamoteiam as vidas ceifadas. E nossos corações empedernidos, mal acostumados na aparente dureza, até se consideram imunes de sofrimento por conta das dores alheias, distantes e anônimas.

Ledo engano! A vida, sempre mestra, ensina que somos elos de uma mesma corrente. Uma lição que se aprende, principalmente, em momentos de perda e de dor. É preciso reatar (e realçar) cada elo partido. Não se tratam de meros “números”. São seres humanos com rostos, nomes, sonhos e histórias de imensos significados e valor.

Dona Sônia é mais um desses elos que partiu, libertando-se dessa corrente material. Seu legado, no entanto, permanecerá.

Mãe que amou e educou os filhos, naturais, afins e adotivos, sem que essas inoportunas dicotomias fossem necessárias. Companheira que lutou pela justiça, ao lado dos necessitados e oprimidos, sem que esses às vezes inadequados chavões tivessem sido inapropriados. Mulher que desafiou seu tempo, superou limitações, venceu vicissitudes e tornou-se vitoriosa.

Dona Sônia é tudo isso e muito mais. Na sua simplicidade, não alardeou seus feitos, à moda do farisaísmo tão em moda. Sua casa sempre aberta, sua mesa sempre posta. O pouco lhe era muito e o muito lhe era pouco. Não tinha limites para servir ao próximo.

Da mesma forma, palavras não são suficientes para descrever-lhe. Só o sentimento permitido pelo convívio poderá vislumbrar um átimo de sua grandeza.

Deixará saudade, na certa. Mas uma saudade devidamente saldada. Afinal, o paradoxo é revelador de sua coerência: nos primeiros momentos após sua partida já deixou a sensação de uma lacuna completamente preenchida. Isso devido a certeza do dever cumprido.

Carlos Rafael Dias
Crato, 13 de maio de 2020.

11 maio 2020

Milagre: Ícone de Nossa Senhora estanca contágios em hospital da Itália

Fonte: Revista “Arautos do Evangelho”, maio/2020 – Com informações de Il Timone. 

Em Crotone, Calábria, a imagem da Madonna de Capocolonna foi levada ao Hospital São João de Deus e os enfermos por Covid-19 milagrosamente começaram a se curar.

Itália – Calábria (06/05/2020 15:00, Gaudium Press) A Fé move montanhas e torna possível o impossível. Em tempos de pandemia, como a que vivemos no mundo de hoje, os milagres também acontecem. Há pouco tempo, a Itália foi o epicentro de um muito notório, mas pouco difundido pelos meios de comunicação. Ocorreu na cidade de Crotone, na região da Calábria, no dia 26 de março. O ícone da ‘Madonna de Capocolonna’ (Nossa Senhora de Capocolonna) foi levado ao hospital São João de Deus para oferecer consolo e esperança aos enfermos por Covid-19. Após isso, as infecções por coronavírus começaram a estancar, até o ponto da província se livrar da enfermidade.

Enviada ao hospital pelo Arcebispo de Crotone
O capelão do hospital, Padre Claudio Pirillo, em entrevista com ‘Il Timone’, conta que a imagem da padroeira da Diocese da Calábria foi enviada ao centro hospitalar a pedido do Arcebispo de Crotone, Dom Angelo Raffaele Panzetta, que desejava expressar sua proximidade com os contagiados. São três as imagens que representam Nossa Senhora de Capocolonna, a que foi enviada ao hospital é uma cópia da original que habitualmente se encontra na capela privada do Arcebispo. Desde o dia 26 de março foi confiada ao Padre Pirillo para que estivesse acompanhando aos enfermos e equipe médica.

Acreditar em um milagre
O capelão contou ao meio de comunicação que desde que chegou o ícone da Madonna ao hospital, os contágios se detiveram, e que isso se deve à Fé daqueles que acolheram Nossa Senhora, representada no belo ícone de Nossa Senhora de Capocolonna. “Os caminhos do Senhor são verdadeiramente misteriosos, mas a partir de uma perspectiva de Fé devemos dizer que se não tivéssemos acreditado não a teríamos exposto e não teríamos confiado a Ela”. O Padre Pirillo também afirmou que é bom acreditar que aconteceu um milagre: “Neste caso sempre é melhor acreditar. Também porque não sabemos o que teria acontecido, e sobretudo quantos mortos haveriam, se Nossa Senhora não tivesse entrado na sala onde foi acolhida com a mesma devoção dos crotoneses que no século XVI a salvaram das águas”.

Devoção que nasce no século XVI
Precisamente a devoção à Madonna de Capocolonna tem sua origem no século XVI, e sua história está ligada com a proteção de Crotone diante das catástrofes naturais e também as pestes. Mas cada ano, em uma grande procissão levada a cabo no terceiro domingo de maio, se recorda especialmente o milagre que ocorreu em 1519. A pintura de Nossa Senhora, quadro que representa Maria amamentando o Menino Jesus que se acredita ter sido pintado por São Lucas, caiu nas mãos dos turcos que esse ano desembarcaram na cidade e decidiram incendiá-lo, mas a imagem não pegou fogo. Os muçulmanos, intimidados por tal fato, a jogaram ao mar, e o quadro, flutuando suavemente sobre as águas, chegou à margem onde foi encontrado por um pescador, que o ocultou por um tempo. Próximo de sua morte, confiou o segredo do milagre, entregando a imagem à cidade. Desde então, Nossa Senhora de Capocolonna tem protegido Crotone diante de diversos males como invasões, terremotos e pestes.

09 maio 2020

Sinais - Por: Emerson Monteiro


O dia que haverá de chegar trazendo os sinais, de uma hora a outra, quando os pássaros silenciarem; cuidem, pois, de reunir o que resta e tocar adiante o barco dessas ilusões que gradualmente perdem força. Qualquer esquina servirá de ponto de encontro aos que terão de tocar adiante mundo de corações aflitos. Serão os líderes que restam do jeito deles que conduzirão os destinos da massa ignara, olhos postos no futuro ausente. Portas que abrem de par em par manifestarão do caminho à multidão enfurecida. Pais, filhos e netos, todos de mãos firmes no porta-estandarte da esperança, sobrevivem aos mistérios e vagam soltos entre os dentes dos arranha-céus abandonados; só filmes fantasmagóricos e solitários aonde antes foram veículos, festas e ruídos estonteantes dos trastes acesos na lama da carne.

Qual disseram, a que mundo fugiram os pássaros, eles que aqui deixaram tontos de melodias artificiais as bocas amargas da véspera. Espécie de angústia elaborada de tantos noticiários, a tradição desapareceu. Uma grande tribulação prepara a humanidade em forma de passageiros de tempos novos que nascem da brisa matinal. Ali todas as nações já ouviram o Evangelho. Haverá sacrilégio, morte e destruição; templos fechados e gente buscando as derradeiras notas do passado distante.

As vozes gritam em movimento de acreditar nessas naves que virão colher os prometidos largados pelas calçadas do Universo. Tudo pedaços flutuantes de sonhos estranhos, juntos na hora do Arrebatamento. Por causa da maldade, o amor de muitos esfriará e pessoas ficarão perplexas com a agitação dos mares. Ocorrerão desavenças no seio das famílias e das nações. O Sol e a Lua deixarão de brilhar e as estrelas cairão do céu. Um tempo de sofrimento como nunca houve, mas que será abreviado em nome dos eleitos. Por isso, é importante estar preparado, vivendo de maneira que agrade a Deus (2 Pedro 3:14).

Maio das Mães – por José Luís Lira (*)


    O mês de maio é, para nós católicos, o mês de Maria. Maria de Nazareth, se submeteu à vontade de Deus e aceitou ser a Mãe do Salvador, Jesus. Era uma jovem, como dizem os historiadores e teólogos, de uns 16 anos. O seu sim possibilitou que Deus se fizesse humano. Isso é grande demais para mensurarmos. É quase imensurável, mas, sabemos que ela foi concebida sem a mancha do pecado original. Foi, permaneceu e permanece Imaculada. À Santíssima Virgem Maria toda homenagem é pouca. Aos pés da Cruz, ao fazer João, o apóstolo amado, seu filho, Jesus Cristo a fez, também, mãe de toda a humanidade. Analisando neste viés, podemos observar o retrato da humanidade nos apóstolos de Jesus.

    Todos com aquelas fragilidades, seguranças, certezas e incertezas que nós possuímos. Mas, estamos falando em maio e o segundo domingo de maio é o próximo e aqui no Brasil, celebramos o dia das Mães. Na minha família a celebração é dupla, pois, o aniversário de meu pai é dia 9 e muitas vezes coincide com o dia ou a véspera do dia das Mães. Sempre fazemos uma comemoração conjunta. Por sorte vim para cá antes do decreto do confinamento. Senão estaria longe deles e, talvez, como muitos filhos, por conta dessa situação vivida não só no Brasil, mas, em todo o mundo.

    Falar sobre as mães é fácil. Poetas já as louvaram, cantores usaram suas melhores músicas. Carlos Drummond de Andrade escreveu “Para Sempre”: “Por que Deus permite/ que as mães vão-se embora?/ Mãe não tem limite,/ é tempo sem hora,/ luz que não apaga/ quando sopra o vento/ e chuva desaba,/ veludo escondido/ na pele enrugada,/ água pura, ar puro,/ puro pensamento./ Morrer acontece/ com o que é breve e passa/ sem deixar vestígio./ Mãe, na sua graça,/ é eternidade./ Por que Deus se lembra/ - mistério profundo -/ de tirá-la um dia?/ Fosse eu Rei do Mundo,/ baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca,/ mãe ficará sempre/ junto de seu filho/ e ele, velho embora,/ será pequenino/ feito grão de milho”.

    Nessas palavras, Drummond resume o sentimento dos filhos que amam suas mães. E por que este ano está diferente? Ou até difícil? Esquecendo-me de que no espanhol esquisito é quase elogio, este ano está esquisito. Sempre no domingo das mães (e quase todo domingo é dia das mães), dia de revê-la, de almoçar com ela, tomar um café, enfim..., manifestar seu carinho. Sentir seu abraço, seu carinho, nós vamos ter que fazer tudo isso à distância. Mas, mesmo essa distância, é prova de afeto e de cuidado. Nossos pais e mães necessitam deste cuidado.

    Felizmente estou em casa e posso parabenizar tanto ao meu pai, neste sábado, quanto à minha mãe no domingo. Mas, se você está distante de sua mãe e este ano não pode abraçá-la, ligue pra ela. Faça uma chamada de vídeo. Ela ficará feliz. Diga que em coração está com e coração de mãe e filho nunca se separam. Daqui envio um beijo a uma mãe que comemora seu primeiro dia das mães, minha mana e comadre Elisiane Lira, e nela beijo as mães de primeira viagem, mas, de amor tão antigo. Elas entendem!

    A todas as mães, que se espelham em Maria Santíssima em seus vários títulos, da alegria, das dores, da saúde, do divino amor, da ternura, do bom conselho, da doce alegria, enfim... uma Mãe compreende outra mãe, nosso abraço e carinho.
     Feliz Dia das Mães!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


08 maio 2020

A luta da Princesa Isabel pela abolição da escravatura


Pintura: Sua Alteza Imperial a Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, presta juramento solene diante da Assembleia Geral do Império, antes de assumir a Regência pela primeira vez, a 25 de maio de 1871.

   Discutia-se na Assembleia Geral do Império a Lei do Ventre Livre, com discursos empenhados do Visconde do Rio Branco, então Presidente do Conselho de Ministros, e de outros parlamentares abolicionistas. Cinco meses duraram as discussões, com momentos de desânimo e entusiasmo. A Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, Regente do Império pela primeira de três vezes, empenhava-se junto aos Ministros, para que apoiassem a aprovação da lei.

    O próprio Rio Branco, sempre que conferenciava com a Princesa Imperial Regente, parecia voltar ao plenário da Assembleia mais bem disposto, mais animado, mais fortalecido para continuar a batalha. Em uma dessas vezes, quando ele se achava especialmente receoso, Sua Alteza fez o que pôde para animá-lo e, logo após o fim da audiência, encaminhou-se para o seu oratório e, ajoelhada, implorou incessantemente à Divina Providência que protegesse os que trabalhavam por aquela legislação, que emanciparia o ventre negro.

    No dia 28 de setembro de 1871, após a aprovação da Lei do Ventre Livre, o povo em massa esperou pelo Visconde do Rio Branco. Quando este apareceu à porta do Senado Imperial, recebeu a manifestação mais ruidosa e comovente que já se deu a um político no Brasil. A Princesa Imperial Regente foi ao seu encontro, com a fisionomia radiante, e o cumprimentou com efusão:

– Bravo, Visconde! A sua vitória foi o mais belo exemplo em que nossos homens de Estado se devem mirar.

– Perdão, Princesa! Se venci, é porque tinha apoio em Vossa Alteza e nos meus luminosos pares legislativos. Logo, o mérito é menos meu que da ilustre e humanitária Regente e dos insignes representantes do País.

– Que diz agora da situação dos nossos irmãos cativos?

– O cativeiro praticamente não mais existe no Brasil. A religiosidade da combativa Regente já o aboliu convenientemente.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de autoria do Senhor Leopoldo Bibiano Xavier).

07 maio 2020

Brava gente brasileira – por Armando Lopes Rafael


“Brava gente brasileira!
Longe vá… temor servil"
(Estribilho do Hino da Independência)

    Povo sem memória, o brasileiro!
    A transposição das águas do Rio São Francisco, para o semiárido nordestino, foi planejada na primeira administração do ex-presidente Lula da Silva (2003–2006). Iniciada apenas em 2007, já na segunda administração de Lula, a conclusão da obra era prevista para 2012. No entanto ela se arrastou por 2 administrações de Lula; 2 administrações de Dilma Rousseff; 2 anos do governo Michel Temer e 1 ano e meio da administração Bolsonaro...Lá se vão 17 anos de espera...
    Povo paciente, o brasileiro!

      Há um episódio nessa transposição que também foi esquecido.  Lembram-se daquele bispo católico que, em 2007, fez uma greve de fome, alertando para a preservação do Rio São Francisco? Há treze anos, Dom Luís Flávio Cappio, Bispo de Barra (BA) denunciou que o chamado Rio da Integração Nacional passava por inúmeros problemas ambientais, incluindo o assoreamento, o que fazia aquele curso de água ficar, a cada dia, mais raso. Dom Flávio Cappio dizia que o projeto faraônico da transposição das águas do Rio São Francisco corria o risco de naufragar devido ao pouco volume de água.

Dom Luiz Flávio Cappio -- Bispo de Barra (BA)

        Povo besta, o brasileiro!
       O Bispo foi execrado pela legião de pessoas que acreditava em Lula e no PT. Em 2007, todo mundo ficou ao lado do governo (naquela época Lula e o PT ainda tinham alguma credibilidade), e contra o bispo. Muitos escreveram que Dom Cappio era um desumano, que não queria dividir a água com os sertanejos do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Foi um Deus nos acuda...

         O que dizia Dom Luiz Cappio? Simplesmente que, antes de desviar as águas do rio para a transposição, o governo precisava de um projeto paralelo de recuperação ambiental com o objetivo de melhorar a qualidade da água daquela bacia hidrográfica. Isso incluía: o reflorestamento das margens na tentativa de recuperação da mata ciliar, impedindo a erosão, a qual, em muitos pontos estava entupindo os canais, gerando assoreamento, causando problemas para a navegação e diminuindo a concentração de espécies nativas. Outra iniciativa que precisava ser feita -- lembrava o bispo --, era a coleta e tratamento das águas dos esgotos das cidades ribeirinhas na Bahia e Pernambuco, na tentativa de diminuir a poluição hoje presente no rio.
             
              Moral da Opereta buffa: A transposição não foi concluída, até hoje 17 anos depois. E  Dom Luiz Cappio continua coberto de razão...

06 maio 2020

Estado de oração - Por: Emerson Monteiro

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e close-up



Esse nível de consciência em que o tempo se une à Eternidade, bem ali habitam seres silenciosos, às vezes de santos denominados, humanos tais misteriosos indivíduos que amadurecem rumo de uma supra realidade invisível. Além das previsões estabelecidas nos séculos, dormem agora sobre largas melodias e se vão; quase nunca voltam a contar o que descobriram lá fora que os resolveu para sempre.

A busca das religiões, das filosofias e dos sonhos, reúne isto de lá um dia abrir as comportas do mais íntimo da gente e despertar definitivamente aos olhos da Terra Pura, de que falava Buda. São passos ante passos diante do Infinito, portas abertas à Graça divina, o que de nada dependeu tão só dos místicos. Pouso da real felicidade, todos querem, porém raros desvendam o segredo universal a que vão por vezes de olhos fechados, quais mariposas à procura da luz desse Universo.

Tudo, afinal, resume o bem de clarear as próprias sombras, na certeza de haver lógica profunda no que viver nas pobres malhas deste mundo. Juntar gravetos de floresta escura numa fogueira que iluminará o trilho da percepção. Palavras ditas em momentos críticos, pensamentos de ânsia e sentimentos macerados nas dores da solidão, assim vamos nós os buscadores dessa luz mantida a sete capas no oceano da História das criaturas.

Face ao desejo de revelar a si mesmo aquilo que viemos achar pede oração de clamar aos abismos o sol da conformação, do perdão, da paz dos acontecimentos diversos e contraditórios. Aos olhos do momento, enquanto o coração treme de susto perante as dúvidas e dores, os parceiros dos fragmentos das coisas da vida, mesmo sabendo o quanto resta percorrer de sacrifício, vamos nessa linha estreita entre o Tudo e o Nada, o passado e o futuro, nas luzes dos elementos naturais. Guardadas, pois, em si as alternativas de renunciar aos apegos materiais, no deserto da alma existe a tal porta da Imortalidade. 

Esta imagem viu o Brasil nascer – por José Luís Lira


   3 de maio de 1500...Há 520 anos era celebrada a primeira Missa neste solo brasileiro, então dedicado à Santa Cruz. A celebração foi presidida pelo Frei Henrique Soares de Coimbra e no altar, além de uma cruz, estava a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança ou, simplesmente, Nossa Senhora da Esperança, que vinha na nau do descobridor Pedro Álvares Cabral, que aportara no Brasil quatro dias antes, em 22 de abril de 1500.


    Em 1722, o Frei Agostinho de Santa Maria, no Santuário Mariano, editado em Lisboa, em 1723, argumenta que Nossa Senhora dos Prazeres possui o mesmo significado da devoção de Cabral, portanto, nós, devotos e filhos de Nossa Senhora dos Prazeres podemos dizer que Ela estava no Altar da primeira Missa celebrada no Brasil, também esteve na 2ª Missa, celebrada no dia 1º de maio.

    Esta imagem de Nossa Senhora da Esperança, encontra-se na Igreja Matriz, de Belmonte (Portugal), para onde foi transferida em 1960. A imagem está num altar, acompanhada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida, oferecida à cidade de  Belmonte pelo Brasil e, ainda, por uma réplica da cruz de ferro que se fez presente nas duas Missas celebradas pelo Frei Henrique Soares de Coimbra, no Brasil.

Ave Maria, gracia plena, Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus ventris tui, Iesus

Sancta Maria Mater Dei
Ora pro nobis pecatoribus
nunc et in hora mortis nostrae.
Amem.

(LIRA, José Luís. Nossa Senhora dos Prazeres: da aparição em Portugal à devoção no Brasil. Rio de Janeiro: Novaterra Editora, 2016, pp. 18 e 19)

Nota publicada originalmente no Facebook do Prof. José Luís Lira

05 maio 2020

Dom Bertrand de Orleans e Bragança relembra uma frase do filósofo Sócrates

“Durante o período de crise na Grécia, o filósofo Sócrates foi questionado sobre o que deveria ser feito para voltar a ter felicidade, e ele deu uma resposta típica de um filósofo, mas genial: “Façam aquilo que faziam quando eram felizes”.

No Brasil houve prosperidade, honestidade e o País era magnificamente estável durante a Monarquia. Na República vieram as crises. Então, se perguntassem a Sócrates o que deveríamos fazer para melhorar, ele responderia a mesma coisa.”

(Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em declaração à imprensa).
(Publicado originalmente no Facebook Pro Monarquia)

04 maio 2020

Cuidados mínimos - Por: Emerson Monteiro

Do dizer popular, sábio por demais, se ouve: Livra-te dos ares que eu te livrarei dos males. Frase simples bem aos moldes dos tempos dagora quando a Natureza apresenta desafio à sobrevivência humana através dos gestos mínimos de segurança a fim de reduzir os riscos de uma epidemia que se alastra mundo afora.

Cabem, sim, providências individuais objetivas. Ainda que reclamem tanto do poder público, e é dever dele que cumpra seu papel de gestor social, no entanto aos indivíduos resta promover as ações particulares, evitar os riscos coletivos das multidões, passeios descabidos e outros, quando indicam recolhimento social. Sem contar as atitudes preventivas de máscaras e asseio.

Tem sido assim nesse tempo inesperado de virose, a recordar na história momentos outros de crises radicais e largos desaparecimentos na Humanidade. Chamar a si as orientações. Evitar fazer de conta que não é consigo. Erguer os olhos das vaidades tolas e alimentar o sonho plural de uma sociedade amiga, una, progressista. Porquanto isso tudo passa pela consciência dos componentes do grupamento social.

Há como que um aviso suspenso nos ares, de respeito ao que propõem as autoridades, isto numa época de ampla divulgação das normas e livre circulação de materiais de aconselhamento por várias vias. São tempos escuros, sem discriminação de quem quer que seja. A vida nos cabe zelar a peso de ouro, entretanto existem aqueles que se acham acima do mal e do bem, expondo-se a desconhecimentos propositais, qual quem desafia o Universo a encontrá-los no tumulto dessa fase de tantos habitantes. Teime não, meu amigo. E lembro aqui uma citação de Pitágoras: Uma lei existe que jungiu implacável o dom da liberdade às garras do destino.

Por isso, quando nada lhe impõe sair de casa de bobeira pelas veredas do dia, permanece no lar, que boa romaria faz quem na sua casa está em paz.

Com o suor do teu rosto - Por: Emerson Monteiro


Viver e trabalhar, eis o binômio da paz no coração das pessoas. Ser honesto diante dos desafios e responder à altura a responsabilidade perante a existência. Isto é, a bênção de exercitar a saúde e a coragem de respeitar a face do desconhecido que nos traz até aqui. O dever das criaturas humanas de cumprir, assim, as determinações ativas da própria Natureza, numa coordenação por demais justa, porquanto a cada um de acordo com o que mereça no afã de corresponder à justiça natural.

No transcorrer das gerações, contudo, a ganância impõe vícios tantos às relações humanas e que vemos são formas crescidas tais parasitas, no seio das sociedades, poucos detendo o muito da riqueza e inúmeros a padecer as injustiças ditas sociais; consequência disso, do descompasso das consciências nefastas. Daí virem lutas de classes e o complô das minorias em detrimento da grande população, espécie de conflito instalado invés das sonhadas soluções de harmonia, equilíbrio e progresso.

Esse raciocínio funciona perante a história da Civilização em largas fases de extermínio das massas tangidas que são aos mercados de trabalho apenas a título de peças de reposição da máquina cruel dos poderosos. Houve, sim, processos evolutivos e povos vivem turnos de relativo senso de organização do trabalho, porém a peso do esforço de líderes e largas iniciativas da coletividade organizada.

O desejo de paz nos grupos sociais há de imperar, quando a Justiça representa desejo de todos. Ainda que o ser humano apenas esboce ações quase incipientes de praticar a igualdade, o mundo das ideias ora representa as aspirações mais avançadas que os tempos de experiência ensinam. Trazer ao cotidiano os valores da liberdade e do justo desde sempre significa o objetivo do pensamento dos sábios, por vezes alimentado no exercício político demagógico.

Destarte, toquemos em frente o comboio da História e revivamos o quanto de empenho e sacrifício por que nossos ancestrais tiveram de passar na intenção de podermos desfrutar do mínimo de leis e juízos e possamos reduzir a exploração do homem pelo homem. Salve o Primeiro de Maio! Só estamos na primeiras letras do que virá...


Ilustração: Manifestacion, de Antonio Berni.

01 maio 2020

Esperança – por José Luís Lira (*)



   O Correio da Semana fez parada de um mês. O momento nos obrigou a isso. Hoje, retomamos. Timidamente. Esperançosos. Confiantes em Deus e em sua Mãe, Maria Santíssima. Parafraseando o Pe. Zezinho digo que é necessário esperar contra toda desesperança. Ainda não se tem a cura da covid-19 ainda não apareceu. Nem sequer algo preventivo, como uma vacina. O isolamento social ainda é a melhor alternativa. No dia que foi decretado o confinamento eu viajei para a casa dos meus pais para passar o dia de São José e por aqui fiquei.

    Essa semana fui a Sobral. Usei máscara, álcool em gel e tudo o que se recomenda. Vi o Acaraú, tão imponente. Pouco após, a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, com as portas fechadas. Barreiras colocadas para evitar o trânsito de veículos. A rodoviária, com seus cafés e lanchonetes, fechada. Não fiz um tour, apenas fui aos locais que precisei ir. Mas, isso tudo inspirou solidão. Sobral é uma cidade viva. Gostamos dela. Vivemos n’ela.

    A única força que nos move é a esperança. Vemos os esforços das autoridades municipais e estaduais para proteger a VIDA. Outro dia me questionaram sobre uma possível “violação” ao direito de ir-e-vir e eu respondi – como responderia em qualquer ocasião –, que o direito à vida é maior. O choque de princípios constitucionais é sempre solucionado com ponderação e com o princípio da proporcionalidade. De que adianta eu ter o direito de ir-e-vir se enquanto usufruo ponho minha vida em risco e posso pôr a vida do outro também em risco. É preciso prudência e proporcionalidade que rima com humanidade, humildade etc.

    Não estamos confortavelmente livres dessa situação. Mas, vamos torcer e oferecer nosso contributo, mantendo o isolamento. E na coluna que aqui não foi publicada em 25 de março, eu transcrevia uma bela crônica de Irene Vella, publicada, em francês, e que o português Rui Unas emprestou sua voz e o fez viralizar. Era março de 2020. Agora podemos dizer, foi abril de 2020 e agora é maio de 2020. As ruas continuam vazias, apesar da teimosia de alguns. Os hospitais estão em quase sua capacidade. Surgiram heróis, na medicina, na enfermagem, no serviço social, na psicologia, enfim, nas áreas da saúde, da compreensão humana, da religiosidade. Tivemos uma Semana Santa atípica. Passamos a valorizar a Missa transmitida os meios de comunicação. O Papa, os sacerdotes, os bispos, celebram sozinhos a Santa Missa e entramos em jejum Eucarístico, mas, certos de que Deus está sempre conosco.

    No Vaticano, um pastor sofrido com a dor das ovelhas, representa o maior estadista deste tempo de pandemia. Seu principal instrumento são a fé e o amor ao próximo. Ele é o Vigário de Cristo, Sua Santidade o Papa Francisco. Diariamente, na Missa que celebra naquela Cidade-Estado da Fé, o Papa nos envia esperança. Reza por todos. Idosos, jovens, crianças. Pelos que atuam nas frentes de trabalho e busca a unidade. Também em nossas Dioceses, Paróquias, vemos exemplos admiráveis. Na eterna capital do Brasil, o Rio de Janeiro, o grande Cardeal do Brasil, Dom Orani Tempesta, abençoou o mundo e, especialmente, o Brasil, aos pés da imagem do Cristo Redentor.


Aguardemos o dia em que venceremos essa etapa, o abraço da paz nas Celebrações em Ação de Graças será mais intenso e que Deus nos proteja!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.