07 fevereiro 2020

Valentine's Day – O Dia de São Valentim – por José Luís Lira (*)

No próximo dia 14 de fevereiro, nos Estados Unidos e em vários outros países, incluindo os da Europa, se celebra o Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados aqui no Brasil. Vemos, vez por outra, se dizer que é, também, o Dia da Amizade, embora oficialmente este só seja comemorado em julho. E aqui lembro a frase de Richard Matheson, o “amor, muito amado, fala manso”.

A celebração ao santo se dá nas igrejas católica romana e orientais . E poderíamos nos indagar, quem é Valentim? Existe mais de um mártir considerado santo naqueles primeiros séculos do cristianismo. O primeiro seria um sacerdote, o segundo um bispo, ambos martirizados em Roma e o terceiro um soldado que recebeu o martírio na África, junto a outros companheiros.

No Martirológio Romano (Martyrologium Romanum, existente desde o remoto pontificado do Papa Milcíades – 311-314), lemos na data de 14/2: “Em Roma, na Via Flamínia, junto à ponte Mílvio, São Valentim, mártir”. Este seria o Bispo nascido em Terni (cerca de 105km de Roma) e que naqueles dias de perseguição aos cristãos foi a Roma, contrapor-se aos desmandos do Imperador Cláudio II.

Lembro-me de minha primeira visita guiada a Roma, a guia apontou para a Basílica onde está o crânio de São Valentim. Na ocasião ela explicou que era ele o patrono dos namorados. Segundo as narrativas, durante o governo de Cláudio II, no antigo Império Romano, este proibiu a realização de casamentos no reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que sem famílias, esposas ou filhos, os jovens iriam alistar-se com maior facilidade no Exército Romano. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição. Seu nome era Valentim, teria nascido em 226 d.C., na comuna de Terni (Itália) e as cerimonias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.

Valentim teria sido preso numa prisão domiciliar, na residência do prefeito romano Asterio, onde todos eram pagãos. Consta que ao chegar à casa, o bispo foi informado que o prefeito tinha uma filha cega. Disse aos familiares que iria rezar e pedir para Jesus Cristo pela cura da jovem, o que ocorreu alguns dias depois. Lendas indicam o nome dela como Artérias, “filha do carcereiro”. Falam de uma suposta paixão platônica que não tem confirmação. Valentim foi decapitado em 14/2/270. Sua canonização ocorreu no pontificado do 49° Papa, Gelásio I (492 a 496). No século VIII, o crânio do santo que depois de ser sepultado em Roma foi levado a Terni com todo o seu corpo, retornou a Roma, por iniciativa do Papa Adriano I (772 e 795) e levado para a Basílica de Santa Maria in Cosmedin.

Há três anos, um dia antes da celebração do santo, viralizou no mundo a imagem dele reconstruída a partir de seu crânio. Foram mais de 30 idiomas. A TV chinesa, a Rádio do Vaticano, entre outras, deram notoriedade à reconstrução por mim coordenada, eu fiz as fotografias que possibilitaram a reconstrução, realizada pelo confrade e amigo Cícero Moraes, com a anuência do Pe. Mtanious Haddad, reitor da Basilica di Santa Maria in Cosmedin, na Diocese de Roma.
Salve São Valentim!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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