28 fevereiro 2020

Mons. Sadoc de Araújo – Sacerdos in Aeternum – por José Luís Lira (*)




    Escrevo esta coluna na terça-feira de carnaval. Para a Igreja Católica, festa móvel da Sagrada Face de Jesus. Que todos tenhamos a graça de um dia contemplar a face de Nosso Senhor Jesus Cristo. A data, 25/02, remete às comemorações da ordenação sacerdotal do Pe. Sadoc – Francisco Sadoc de Araújo, primo de meu avô materno, Francisco Assis Araújo; recordo uma, em especial. Era sábado de carnaval, há 14 anos, e muitos amigos e admiradores seus lotávamos a Igreja da Ressurreição para celebrar o Jubileu de Ouro Sacerdotal do Mons. Sadoc. A celebração foi presidida pelo então bispo da Diocese de Sobral, Dom Antonio Fernando Saburido. O homenageado recebeu saudação do Pe. José Linhares Ponte.

   Na ocasião, o então reitor da Universidade que o Pe. Sadoc fundou, a Universidade Estadual Vale do Acaraú, Prof. José Teodoro Soares fez a entrega da Medalha do Mérito Educacional da UVA ao fundador e primeiro reitor. Sadoc de Araújo foi ordenado sacerdote, em 25 de fevereiro de 1956, na Basílica de São Paulo Extramuros, na Cidade Eterna, Roma, longe da família, dos amigos, da sua Pátria, do seu Bispo, Dom José Tupinambá da Frota. Dia seguinte, na mais antiga das igrejas católicas do mundo, a Basílica de São João de Latrão, “cantava” sua “missa nova”. Em junho de 1956, o Padre Sadoc defendeu a dissertação de Mestrado “A ciência criadora”, interpretação do pensamento de Santo Tomás de Aquino.

    O sacerdote retornou à sua Pátria, agregou o magistério, a gestão do Seminário Diocesano de Sobral, a direção do jornal “Correio da Semana”, tantas e tantas atividades que o fizeram fundar a Universidade Estadual Vale do Acaraú e, aposentado da docência, passou um tempo em Olinda, onde dirigiu o Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Olinda e Recife; foi Capelão e Pároco do arquipélago de Fernando de Noronha; postulou a fase Diocesana da Causa de Beatificação do conterrâneo Pe. Ibiapina, na Paraíba, Diocese de Guarabira. Regressando a Sobral, fundou e dirigiu o Centro de Evangelização Padre Ibiapina – CEPI, inaugurado em 1995 e, também, a Igreja do Cristo Ressuscitado – a Paróquia da Ressurreição.

     Pesquisador incansável, Mons. Sadoc escreveu quase duas dezenas de livros sobre Sobral, o clero e sua região, ingressando na Academia Cearense de Letras, no Instituto do Ceará, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, na Academia Brasileira de Hagiologia, entre outras.

      Neste dia 25 de fevereiro de 2020, desde cedo lembrei da efeméride, fazendo publicação em rede social alusiva à data. No silêncio em que se encontra, imaginei que não haveria celebração. Passava de meio-dia quando recebi uma mensagem do Pe. João Batista Aragão de Oliveira Filho, o Joãozinho, seu afilhado, discípulo e amigo. Pe. Joãozinho, que tantas vezes fora acólito do Pe. Sadoc de Araújo, autorizado por nosso Bispo, Dom Vasconcelos, celebrou a Santa Missa em Ação de Graças pelo sacerdócio do Pe. Sadoc, no apartamento em que o Monsenhor se acha hospitalizado, na Santa Casa de Sobral, ministrando-lhe os sacramentos da Santa Madre Igreja. As lágrimas correram na face e lembranças bíblicas vieram à mente: “... o tempo da colheita chegou” e “Tu és Sacerdote para sempre – sacerdos in aeternum –, segundo a ordem de Melquisedec”.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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