08 janeiro 2020

Igreja histórica do Rio de Janeiro é interditada por má conservação

Onde estão os defensores da cultura negra do Brasil?
Carta Aberta do Instituto Dona Isabel I (IDII) às Autoridades Brasileiras em prol da Igreja do Rosário, do Rio de Janeiro

 Brasília, 07 de janeiro de 2020.

Aos Excelentíssimos Senhores
Jair Messias Bolsonaro,
Presidente da República Federativa do Brasil

Senador da República David Samuel Alcolumbre Tobelem,
Presidente do Senado Federal

Deputado Federal Rodrigo Felinto Ibarra Epitacio Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados

Ministro José Antonio Dias Toffoli,
Presidente do Supremo Tribunal Federal

Dr. Antonio Augusto Brandão de Aras,
Procurador-Geral da República


 Com os melhores votos de Ano Novo, dirigimo-nos a Vossas Excelências para demandar em nome deste Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora e dos Irmãos Conscientes da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, localizada na Cidade do Rio de Janeiro, providências quanto ao estado lastimável em que se encontra o templo da Irmandade, na Rua Uruguaiana, 77, Rio de Janeiro.

Em ocasião anterior (24/05/2008), este Instituto endereçou carta aberta aos então Senhores Ministros de Estado da Cultura, Gilberto Gil, e de Políticas de Igualdade Racial, Edson Santos, rogando que auxiliassem a Irmandade do Rosário na reconstrução de sua igreja, haja vista a penhora judicial do próprio bem tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde a década de 1930. Atendendo parcialmente ao pleito, o MinC determinou ao Iphan que procedesse a obras emergenciais na Igreja do Rosário, evitando que a fiação elétrica entrasse em curto-circuito e destruísse esse riquíssimo e valoroso prédio histórico.

É de quase todos os brasileiros consabida a história dessa igreja carioca mas, para efeitos mnemônicos, resgata-se. A Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos foi palco dos acontecimentos que culminaram em nossa emancipação enquanto Estado nacional desde março de 1808, quando a Corte portuguesa transmigrou-se para sua antiga colônia americana. Funcionando, então, como Sé Episcopal do Rio de Janeiro, nela o Príncipe Regente D. João, a família real e os altos dignitários foram então recebidos para o Te Deum Laudamus de celebração pela travessia.

Em 09 de janeiro de 1822, sediando o Senado da Câmara em seu consistório, uma deputação saída em direção ao Paço da Cidade do Rio de Janeiro convenceu o Príncipe Regente D. Pedro de Alcantara a não sair do Brasil, resultando no célebre “Dia do Fico”.


Em 13 de maio de 1822, portanto antes do “Grito do Ipiranga” (07 de setembro), D. Pedro foi aclamado “Defensor Perpétuo do Brasil” na mesma Igreja do Rosário.

Feita a Independência e mantendo-se unido o Brasil, infelizmente manteve-se também a escravidão. Pois foi na Igreja do Rosário que, na década de 1880, constituiu-se o quartel-general do Movimento Abolicionista brasileiro.

No ano passado, por ordem do ínclito Juízo da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no âmbito de Ação Civil Pública movida pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro, a Igreja do Rosário foi interditada, uma vez que inexiste segurança para os fiéis, celebrantes e visitantes em geral.

Estamos às vésperas do Bicentenário da Independência do Brasil. É inadmissível que a Igreja do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos permaneça no estado de abandono em que se encontra, mormente tendo em vista que se trata de patrimônio histórico nacional e não apenas bem particular de uma associação de fiéis católicos do Rio de Janeiro.

Certos de que a Vossas Excelências aprazerá contribuir de modo indelével para a recuperação desse tesouro da História do Brasil, subscrevemo-nos, ficando à disposição.

Respeitosamente,
Bruno da Silva Antunes de Cerqueira
Presidente do IDII




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