05 janeiro 2020

Gecinelda se encantou – por Armando Lopes Rafael


“Cada experiência esconde uma lição.
Até mesmo a dor vem ensinar e evoluir.
Não pergunte: Por que devo passar por isso?
Mas sim: o que tenho a aprender com isso?
Entender a vontade de Deus nem sempre é fácil.
Mas crer que Ele está no comando e teve um 
plano para nossa vida, faz a caminhada valer a pena.
Com paciência, sabedoria, discernimento e humildade”


   No seu discurso de posse, na Academia Brasileira de Letras, o romancista João Guimarães Rosa pronunciou esta frase: “As pessoas não morrem, ficam encantadas… a gente morre é para provar que viveu.” Em assim sendo, Francisca Gecinelda de Souza Ribeiro se encantou no último dia 29 de dezembro.

    Convivi com ela, na Agência do Banco do Nordeste, em Crato, já próximo da minha aposentadoria, daquela instituição financeira. Cheguei a Crato em 1998. Mesmo ano que Gecinelda retornava ao trabalho, depois de um longo afastamento, para tratamento de insidiosa doença. Chegou curada, após uma cirurgia oncológica e as sessões de quimioterapia. Mas a traiçoeira moléstia voltou, como recidiva, 21 anos depois.  E, bravamente, cheia de esperanças, Gecinelda enfrentou os novos sintomas com a mesma garra e bom humor que marcaram o primeiro tratamento. Esta a principal característica de Gecinelda: ela era uma guerreira!

       Mas não só. Ela possuía um temperamento dócil e alegre. Tinha sempre uma palavra otimista para enfrentar as dificuldades. Aconselhava os colegas. Era solidária com o próximo quando este enfrentava obstáculos.  Era profundamente cristã. Servia como modelo de leiga católica. Nesse mister, Gecinelda testemunhava e difundia o Evangelho. Incentivava a procura do Reino de Deus.  Atuava em diversas pastorais da Paróquia onde residia.

  Na epístola aos Gálatas (5,22) São Paulo escreveu: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.  Pois isso, Gecinelda tinha de sobra.  E se a pertinaz doença que a acometeu, passa, agora, a impressão de ter vencido, para nós – que cremos – o sono da morte não é o fim da história. Na tumba, Jesus disse a Marta, irmão de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25).

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