26 janeiro 2020

Cidade de São Paulo inaugura mais um monumento ao Imperador Dom Pedro I


     O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, participou ontem (25), dia do aniversário de 466 anos de São Paulo, da cerimônia da inauguração da estátua de D. Pedro I, no Parque da Independência, próximo à Casa do Grito.


    Parece que, ainda hoje, as homenagens feitas a este grande Imperador são pequenas, em relação aos grandes feitos de Dom Pedro I. Quando vemos, estes tempos medíocres vivenciados pelo Brasil,  onde pululam administradores(as)  públicos rebaixados ao nível de anãos (e anãs) políticos,  resta-nos o consolo de que nem sempre vivemos um cenário assim, nesta imensa pátria.

    Após a nossa independência política fomos liderados pelo Imperador Pedro I. Aliás, seu nome completo era: “Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon”. Ele viveu apenas 36 anos. Com tão pouco tempo de vida foi um caso raro na história: governou dois países, localizados em dois continentes diferentes, pois foi Imperador do Brasil (com o título de Dom Pedro I) e Rei de Portugal (com o título de Dom Pedro 4º). Chegaram a oferecer a Dom Pedro I o reino da Grécia. Mas ele declinou dessa oferta.

   Dom Pedro I não foi apenas um grande estadista. Foi um homem plural. Em rápidas pinceladas vejamos algumas de suas facetas.

Pedro I, o músico

   Dom Pedro I foi poeta, modinheiro, clarinetista e compositor, em tão curto espaço de tempo. Estudou música com José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm. Há um registro de que Marcos Portugal regeu o Te Deum de D. Pedro, em 1821. Ele é também o autor do Hino da Independência do Brasil (letra de Evaristo da Veiga). De sua autoria é também o Hino Constitucional ou Hino da Carta (possivelmente cantado no Teatro São João, em 1821) o qual foi o Hino Nacional Português até 1910, quando a monarquia foi derrubada, naquela nação,  pelos republicanos, os quais, antes, assassinaram -- em 1908 -- o Rei Dom Carlos I de Portugal e o seu herdeiro,  o Príncipe Luís Filipe.

   Cleofe Pearson de Mattos identificou um Credo e Monsenhor Schubert descobriu a antífona Sub tuum presidium, ambas de autoria de D. Pedro I. O cabido metropolitano ainda possui outra obra atribuída ao Imperador, o Moteto a S. Pedro de Alcântara. Essas músicas foram recentemente resgatadas em um CD pelo Conservatório de Juiz de Fora (MG).

Aventureiro e boêmio

   Dom Pedro I tinha fama de mulherengo. E foi. Casou-se com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria. Com fama de aventureiro e boêmio, teve 13 filhos reconhecidos e mais cinco naturais: sete com a primeira esposa, a arquiduquesa Leopoldina, da qual enviuvou (1826); uma filha com a segunda esposa, a duquesa alemã Amélia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive com uma irmã de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba (1), com uma uruguaia Maria del Carmen García (1), com duas francesas Noémi Thierry (1) e Clémence Saisset (1) e com uma monja portuguesa Ana Augusta (1). Ao lado disso era um pai amoroso que apoiou todos os filhos, fato reconhecido por todos os seus biógrafos.

Outras facetas

   Dom Pedro I atingiu todos os postos da hierarquia militar: de cavalariano a general. Mas, no dia-a-dia, gostava mesmo era de fazer  trabalhos manuais. Era exímio marceneiro, amansador de potros e  tocava 10 instrumentos musicais. Era poeta (embora como poeta sua produção não tenha sido das melhores). Deve-se, ainda, a Dom Pedro I, a criação da  Bandeira do Brasil – cujas cores, verde e amarelo, foram de sua escolha. “O amarelo representa a Casa de Habsburgo (de Dona Leopoldina) e o verde representa a Casa de Bragança (de Dom Pedro I), bem como foi ele quem criou o Brasão/Escudo de Armas do Brasil-Império. Belíssimo!
     Bem diferente da feiúra e pobreza de desenho que é o atual brasão republicano...



(Texto de Armando Lopes Rafael)

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