31 janeiro 2020

O Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde – por Armando Lopes Rafael


  O meu caro amigo José Luís Lira – coração generoso e um “gentleman” a toda prova – sempre que dispõe, envia-me duplicatas de estampas com relíquias de segundo grau, de santos ou de candidatos à beatificação, da Igreja Católica Apostólica Romana.

     Dias atrás, fê-lo, através de uma remessa que muito me alegrou. Junto a algumas relíquias, uma delas – a do Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde –  chamou-me particularmente a atenção. Nunca tinha ouvido falar nesse futuro santo. Mas, vendo a sua fotografia, onde se sobressai um olhar profundo, puro e cheio de bondade, tal imagem inspirou-me a buscar, na Internet, informações sobre este santo homem.

       Por onde passou, Pe. Júlio Maria, cumpriu fielmente sua missão sacerdotal, dentro da mentalidade da Santa Igreja Católica, àquela época. Começou seu ministério no Brasil na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá. Por onde morou ministrou os sacramentos católicos. Pronunciou sermões edificantes e palestras; fundou escolas, hospitais, asilos e três congregações religiosas: Filhas do Coração Imaculado de Maria (1916), Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora (1929).

          Foi escritor e jornalista, tendo fundado em, em Belo Horizonte (MG), a Gráfica e Editora O Lutador, a qual edita, ininterruptamente, há mais de 90 anos, o periódico “O Lutador”.

           Padre Júlio Maria de Lombaerde faleceu em 1944, vítima de um acidente de trânsito, entre as cidades de Alto Jequitibá e Manhumirim, em Minas Gerais. Aliás é na cidade de Manhumirim (integrante da Diocese de Caratinga) onde fica a sede da Causa de Beatificação do Pe. Júlio Maria.

     Quem quiser adquirir estampas/relíquias desse Servo de Deus, pode se dirigir ao Pe. Heleno Raimundo da Silva – Praça Bom Jesus, 38 – Manhumirim (MG) Cep 36970-000.

Lua em descompasso – por José Luís Lira (*)



     Maria Beatriz Rosário de Alcântara, a escritora Beatriz Alcântara, querida amiga e festejada intelectual cearense, lançou, em dezembro último, o livro “LUA em DESCOMPASSO”, capa artisticamente preparada, edição primorosa. Característica comum em seus livros, não tem prefácio, nem apresentação ou posfácio. Dedicado a Lúcio Alcântara, marido de Beatriz, a quem diz: “sempre, ainda e sobretudo na busca da ‘palavra’ exata”, o livro é iniciado com poesia e poesia das boas. Antes de cada “caderno”, digamos assim, de poesia, a autora faz citações, iniciadas pela “melodia sentimental”, de Villa-Lobos.


     A poeta (ou poetisa?, não sei, mas, poeta ou poetisa, compõe poesia e poesia é o que move a vida e penso que poesia não tem gênero algum) define o título de sua obra dando voz à Lua(r) em Descompasso: “Gosto, às vezes, de sorrir/ de mim mesma,/ muito sozinha/ madrugada tardia e/ espreitar a lua ao luar,/ distante de todo enlevo,/ sem verdades lisas e cruas,/ tudo avesso ao pensamento longo,/ demorado, que não se sabe onde vai chegar./ Súbito, vem aquela vontade de fazer um pedido/ com meiguice: tem um chocolate de leite para mim?”. E a noite segue escura, “Do céu cerrado sem estrelas./ piado de coruja chama/ lua nova, noite soturna,/ cipreste sombrio,/ nada tem luz para se olhar...”.

    E as dúvidas e incertezas do “Por Isso ou Aquilo”, chegam ao texto: “Daquilo e disso/ herdamos muito mais/ do que temos ideia./ Pensamos ser estranhos...”, mas, “Muito vai além do que acreditamos/ serem revelações entre suposições”. “Por isso ou aquilo, o tempo dança,/ eu danço e, na família, fica a herança”. E “Indo e vindo”, “Vivo a divagar por tudo que fui/ e nem pensava que queria,/ assim, complexa e indivisível/ num devanear de lua cheia,/ alma sôfrega, saudade e ternura”. A vidraça, ah a vidraça... “Vidraça, olhar de mistério/ e segredos, vem me contar.../ Vamos, janela, faz de conta...”.

     A pátria-mater brasiliensis Portugal é presente não só na vida de Beatriz, visto que seus pais são portugueses e ela fora lá educada, embora nascida no Ceará, mas, na obra que lemos. Vale lembrar um trecho da mini-autobiografia que ela tece na orelha do livro, “... vim de férias ao Ceará, onde, em menos de quinze dias, decidi permanecer. A liberdade de expressão, a toância da música, a alegria em tudo presente, as praias de mar verde e o calor ameno, criaram em mim a certeza de um elo encantatório para sempre”. E assim, vez por outra, cenas portuguesas aportam na Lua em Descompasso. E Rachel de Queiroz e Artur Eduardo Benevides, poderia dizer meus padrinhos literários, são citados por Beatriz. De Rachel cita trecho d’As Três Marias, de uma, Rachel, ela fora amiga; de outra, Alba Frota, ela fora aluna. E Artur foi seu Mestre, o homem da “Pacatuba, Pacatuba, bá...”. E os idiomas inglês e francês se juntam nesse descompasso da lua e velhas amizades, dias de juventude e de ternura são lembrados.

     Artur Eduardo Benevides abre caminhos para Iracema, a mãe romantizada dos cearenses, mas, temos também Canindé, fotos de viagem e Fortaleza. E, POESIA... que “existe/ porque a vida não basta!”, como dizia o Mestre Gullar, aqui citado.
      Parabéns, Beatriz Alcântara, com iniciais literalmente maiúsculas!


  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

30 janeiro 2020

Pau-do-Guarda: um ‘lugar’ que não quer ser esquecido

Carlos Rafael Dias
Professor do Curso de História da Universidade Regional do Cariri – URCA
Tabuleiro da Carne, sucessor e mantenedor da memória do Pau-do-Guarda

‘Pau do guarda’, no lado malicioso do senso comum, é uma expressão, no mínimo, ambígua. Porém, quando antecedido do substantivo ‘restaurante’ e permeado de hifens, passa a ser uma forte referência na memória dos cratenses com mais de 40 anos, assumindo uma ‘entidade’ que transcende sua singular origem e se dimensiona em contextos sociais e sentidos culturais mais amplos, capazes de provocar as mais diversas reações de emoção e enlevo.

Nesse contexto, uma questão é relevante: por que estamos agora a celebrar a memória do Pau-do-Guarda?

Antes de tudo, o Pau-do-Guarda enquadra-se naquilo que o historiador francês Pierre Nora chama de ‘lugares de memória’, espaços importantes onde a ideia da reminiscência é plena, por enxergar neles a vontade de ser lembrado por aqueles que querem revisitar o passado sob um prisma diferente.

Em segundo lugar, o desejo de lembrar é universal, a partir de esforços frequentemente projetados para evocar uma reação específica ou conjunto de reações, como reconhecimento público de situações vividas e compartilhadas. Assim, a memória possui uma forte carga de emoções, de histórias e de vidas, o que remete, para além dos rótulos, quase sempre superficiais ou artificiais, ao lado humano e fascinante das ‘coisas’, constituído de pessoas que, tidas comuns, se destacam no cotidiano local.

Falo, notadamente, de Cícero Ribeiro Lobo, mais conhecido por Cicinho do Pau-do-Guarda, e de sua esposa, Dona Raimunda, os principais ‘inventores’ deste hoje reconhecido patrimônio da cultura caririense. Por sua vez, os filhos de Cicinho e Raimunda dão continuidade ao empreendimento pioneiro, a despeito da outra ‘roupagem’ que reveste o seu sucessor. E o fazem com a utilização de alguns elementos discursivos, imagéticos e estratégicos, como o retrato do casal-fundador na parede e o cardápio ‘recheado’ de pratos herdados do menu original. Promovem, dessa forma, a permanência do antigo e tradicional perante ao novo e moderno, em um esforço que foi reforçado com a celebração festiva (e não poderia ser diferente) dos 65 anos do estabelecimento, mantido com uma nova (e antiga) denominação – Tabuleiro. Este é o atual e foi o primeiro nome deste consagrado monumento da memória regional.

Iniciativas como estas concorrem para o processo de materialização da memória, visto que transformam em símbolo um resgate histórico de valor coletivo para uma determinada comunidade, objetivando evitar o esquecimento e o descaso para com a história local. Como disse o filósofo austríaco Alfred Schültz, “só aquilo que já decorreu pode ser simbolizado”.

No mais, a ideia da materialização da memória é de suma importância para promover a compreensão e a consciência a respeito de como fenômenos passados contribuem para o bem-estar e a satisfação de uma comunidade consciente de seus direitos e obrigações.

O Pau-do-Guarda cumpre assim sua missão, mesmo já tendo, com esta nomenclatura, “cerrado suas portas” que, a rigor, nunca existiram. Uma de suas mais interessantes características era o de servir os clientes todos os dias e o dia todo, o que torna local historicamente distinto e, portanto, fadado a ser sempre lembrado.

O Pau-do-Guarda continuará nos servindo diuturnamente com o ‘néctar’ da memória coletiva, que será indelével ser for constantemente alimentada pelo exercício da manutenção da história como um espaço que renasce com as experiências que marcam e demarcam os tempos.

Celebração dos 65 anos do Pau-do-Guarda. Da esquerda para a direita: Cacá Araújo, Irene Lobo, dona Raimunda, Orleyna Moura, Cicinho e José Flávio Vieira

Ontem (29/01), portanto, foi uma data para celebrar a memória através dos sabores, das cores, dos sons e das falas do presente. O Tabuleiro (da Carne) estava lotado com a velha e a nova guarda do Crato e do Cariri, rememorando ou (re)conhecendo as imbrincadas velhas e novas cartografias da noite boêmia regional, em um palimpsesto que remete aos tempos e às experiências tidas como inolvidáveis.

Gastronomia tradicional, verdadeiro patrimônio da cultura regional, aliou-se à música de seresta e ao teatro que narrou, de forma bem-humorada, a história do tradicional restaurante Pau-do-Guarda, em um magistral texto escrito por José Flávio Vieira e interpretado pelos atores Cacá Araújo, Orleyna Moura e João do Crato.

Quem foi viu, sentiu, degustou e comprovou: é possível voltar no tempo, desde que o passado permaneça vivo na memória.

P.S.: O restaurante Pau-do-Guarda tinha este nome em decorrência de um pau-cancela que existia nas proximidades, na saída do Crato para o Juazeiro. O pau era manuseado por um guarda fiscal, visando controlar o fluxo de carros que transportavam cargas e mercadorias - o que hoje se chama posto fiscal e que naquele tempo a população chamava de pau-do-guarda.

29 janeiro 2020

Seminário São José de Crato completa 145 anos neste 2020

Breve histórico da construção do Seminário São José de Crato -- por Armando Lopes Rafael

Este ano, os alunos daquele educandário comemorarão a data no dia 7 de março próximo

   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou, em 1872, dois sacerdotes lazaristas – Padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade de Crato e com o entusiasmo com que a população cratense acolheu as missões.

     Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano em Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, a fim de acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874.

       Esta foi a terceira e última visita que Dom Luís Antônio fez a Crato. Nesta cidade ele permaneceu por sete meses, pois só retornou a Fortaleza nos primeiros dias de agosto de 1875. Nesta sua permanência ele veio, exclusivamente, para acompanhar a construção do Seminário São José.

       Durante sua estada em Crato, foi-lhe preparada uma residência episcopal pelo seu grande amigo e compadre, coronel Antônio Luís Alves Pequeno, que arcou também com as despesas de cama e mesa de Dom Luís Antônio e sua comitiva. A residência ficava num sobrado localizado na esquina da atual Rua João Pessoa com Praça Juarez Távora. Como sempre, a população de Crato acolheu com festas, respeito e muita alegria o primeiro Bispo do Ceará. Pôs-se Dom Luiz à frente da construção, mas, dada a grandiosidade da obra, o Seminário São José foi inaugurado, em 07 de março de 1875, em barracões provisórios, feitos de taipa e cobertos de palha, enquanto a construção dos blocos de alvenaria tinha prosseguimento. O povo cratense apelidou os barracões de taipa de “seminarinho”. Este funcionou com salas-de-aulas, dormitório, refeitório, cozinha e uma pequena capela até o mês julho, quando foi concluído o lado sul do atual prédio do Seminário São José.

         Estava realizado o grande sonho de Dom Luís, dotar Crato do seu Seminário, que vem funcionado, com algumas interrupções nos primeiros anos, até os dias atuais. No início de agosto de 1875, Dom Luís Antônio retornou a Fortaleza para nunca mais voltar às terras caririenses. Em 1881, ele foi transferido para Salvador, como Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, e lá permaneceu até 11 de março de 1891, data do seu falecimento. Foi sepultado na capela do Santíssimo Sacramento da Catedral de Salvador.

Pe. Lourenço Enrile, primeiro Reitor do Seminário São José
       
 Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Ele chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.


Segundo o “Álbum do Seminário de Crato”, editado em 1925:

“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário.

“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.

“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.

“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile.

“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção”.

É ainda o “Álbum do Seminário de Crato” que informa:

“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”.

      Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José. Conforme o “Álbum do Seminário de Crato”: “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada” ...

26 janeiro 2020

Cidade de São Paulo inaugura mais um monumento ao Imperador Dom Pedro I


     O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, participou ontem (25), dia do aniversário de 466 anos de São Paulo, da cerimônia da inauguração da estátua de D. Pedro I, no Parque da Independência, próximo à Casa do Grito.


    Parece que, ainda hoje, as homenagens feitas a este grande Imperador são pequenas, em relação aos grandes feitos de Dom Pedro I. Quando vemos, estes tempos medíocres vivenciados pelo Brasil,  onde pululam administradores(as)  públicos rebaixados ao nível de anãos (e anãs) políticos,  resta-nos o consolo de que nem sempre vivemos um cenário assim, nesta imensa pátria.

    Após a nossa independência política fomos liderados pelo Imperador Pedro I. Aliás, seu nome completo era: “Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon”. Ele viveu apenas 36 anos. Com tão pouco tempo de vida foi um caso raro na história: governou dois países, localizados em dois continentes diferentes, pois foi Imperador do Brasil (com o título de Dom Pedro I) e Rei de Portugal (com o título de Dom Pedro 4º). Chegaram a oferecer a Dom Pedro I o reino da Grécia. Mas ele declinou dessa oferta.

   Dom Pedro I não foi apenas um grande estadista. Foi um homem plural. Em rápidas pinceladas vejamos algumas de suas facetas.

Pedro I, o músico

   Dom Pedro I foi poeta, modinheiro, clarinetista e compositor, em tão curto espaço de tempo. Estudou música com José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm. Há um registro de que Marcos Portugal regeu o Te Deum de D. Pedro, em 1821. Ele é também o autor do Hino da Independência do Brasil (letra de Evaristo da Veiga). De sua autoria é também o Hino Constitucional ou Hino da Carta (possivelmente cantado no Teatro São João, em 1821) o qual foi o Hino Nacional Português até 1910, quando a monarquia foi derrubada, naquela nação,  pelos republicanos, os quais, antes, assassinaram -- em 1908 -- o Rei Dom Carlos I de Portugal e o seu herdeiro,  o Príncipe Luís Filipe.

   Cleofe Pearson de Mattos identificou um Credo e Monsenhor Schubert descobriu a antífona Sub tuum presidium, ambas de autoria de D. Pedro I. O cabido metropolitano ainda possui outra obra atribuída ao Imperador, o Moteto a S. Pedro de Alcântara. Essas músicas foram recentemente resgatadas em um CD pelo Conservatório de Juiz de Fora (MG).

Aventureiro e boêmio

   Dom Pedro I tinha fama de mulherengo. E foi. Casou-se com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria. Com fama de aventureiro e boêmio, teve 13 filhos reconhecidos e mais cinco naturais: sete com a primeira esposa, a arquiduquesa Leopoldina, da qual enviuvou (1826); uma filha com a segunda esposa, a duquesa alemã Amélia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive com uma irmã de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba (1), com uma uruguaia Maria del Carmen García (1), com duas francesas Noémi Thierry (1) e Clémence Saisset (1) e com uma monja portuguesa Ana Augusta (1). Ao lado disso era um pai amoroso que apoiou todos os filhos, fato reconhecido por todos os seus biógrafos.

Outras facetas

   Dom Pedro I atingiu todos os postos da hierarquia militar: de cavalariano a general. Mas, no dia-a-dia, gostava mesmo era de fazer  trabalhos manuais. Era exímio marceneiro, amansador de potros e  tocava 10 instrumentos musicais. Era poeta (embora como poeta sua produção não tenha sido das melhores). Deve-se, ainda, a Dom Pedro I, a criação da  Bandeira do Brasil – cujas cores, verde e amarelo, foram de sua escolha. “O amarelo representa a Casa de Habsburgo (de Dona Leopoldina) e o verde representa a Casa de Bragança (de Dom Pedro I), bem como foi ele quem criou o Brasão/Escudo de Armas do Brasil-Império. Belíssimo!
     Bem diferente da feiúra e pobreza de desenho que é o atual brasão republicano...



(Texto de Armando Lopes Rafael)

Canto de Menestrel – por José Luís Lira (*)



Nesta coluna, comentarei o livro de Neil Silveira, “Canto de Menestrel”, lançado semana passada na Academia Sobralense de Estudos e Letras. O autor exerce belas profissões, a advocacia e o jornalismo, não bastassem essas é professor, participa de entidades de classe e é imortal da Academia Cearense de Letras Virtual: ACLV, inovação dos tempos atuais. Sempre suspeitei de suas aptidões para a literatura. Até pensei que ele se candidataria à cadeira de seu pai, meu saudoso colega na Academia Sobralense, Edinardo Silveira, mas, para tudo há um tempo.

Na epígrafe do livro encontramos trecho de uma das mais belas canções da música popular brasileira, “Tocando em frente”, “Cada um de nós compõe a sua história/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz/ E ser feliz”. É mais ou menos uma síntese do que encontraremos no livro, composto com versos rimados e versos livres, demonstrando a versatilidade do autor na arte poética.

Li com atenção as páginas do “Canto de Menestrel” e comecei a observar seus versos pelo último poema: “O tempo ensina/ que nenhuma dor é em vão/ que todo tropeço é aprendizado”. E me recordei do Vate Fernando Pessoa que nos ensinou que o Poeta é, usando de licença poética, um “finge-dor”, que “Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente”.

Canta Neil: “Das letras, fiz canção./ Do silêncio, reflexão./ Desmitifiquei o mito.// Letras também fazem mentir/ O que o coração não revelar”. E existe local mais adequado para se guardar segredos que no coração? Não imagino.

Mas, não é só dor, mesmo que com ensinamento, não é só letras que se tornam canções. A vida também é primavera e o Cantor/Autor comemora: “As cores voltaram a enfeitar/ E a brisa de novo acalenta a face”. E a natureza convivendo consigo mesma é lembrada: “O vento tenta enxugar a água da chuva/ Mas a tempestade deixou rastro tão sinuoso/ Incapaz de ser ofuscado pelo mais belo arco-íris/ Somente um dia arrebatado pelo senhor do tempo”. Em “Outro jardim” seria a raposa absolvendo a rosa por ter enganado o Pequeno Príncipe ou a desculpá-la pelo espinho que naturalmente surge em seu caule? Seria uma metáfora?

E um silêncio tão grande se instaura que quase nos faz chorar. Chorar não em homenagem ao silêncio, mas, à dor gerada pelo silêncio: “Lembrar de outrora/ Me segurando a mão/ Protege mundo afora”. Penso referir-se à proteção paternal que nos acompanha a vida toda em diversas formas, mas, sempre cuidando de nós.

Quem não sente “saudades” de um jogo de cartas despretensioso, sem apostas ou cobranças? O Poeta responde: “Cada carta, com diferentes valores e naipes,/ uma história, um curinga!/ Um dia fizeram glória de uma morada feliz./ Valetes, damas e reis, sem casa, jazem superpostos/ Sem castelo, sem castelo./ Qual a brisa que passou, passou – o castelo”. E natureza não foge à sua poesia: “Amo o canto do sabiá,/ O cheiro da terra,/ O afago da brisa leve”. Por poesia ser vida e quase tudo que n’ela há, o autor canta: “Estimo as melodias das canções,/ O retrato de Van Gogh/ E os versos de Camões”... “O alvorecer inspira o querer/ Para nunca desistir./ É assim que se vive/ Sem deixar passar a vã sutileza”. “Preciso do meu riso”, exclama, e eu completo com Sater, “É preciso paz pra poder sorrir!”

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


20 janeiro 2020

Nomes das ruas do Crato antigo - por Armando Lopes Rafael


   Começou, ainda nos primeiros anos do século XX – a triste iniciativa dos vereadores desta cidade (o que vem sendo usual ao longo das últimas legislaturas) o mau costume de mudança dos nomes de ruas e praças de Crato. Essas alterações sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e foram feitas sem ouvir a população, resultando na destruição de denominações tradicionais, preservadas por várias gerações de cratenses.

   Tenho em mãos um artigo publicado na Revista do Instituto do Ceará, com o título “Descrição da Cidade do Crato em 1882”, de autoria do Dr. Gustavo Horácio. Esse artigo cita, a certa altura, o fato de, naquele recuado ano, a cidade de Crato possuir 11 ruas principais, conhecidas por Rua de Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro.

   No mesmo artigo, são nomeados os becos e travessas do Crato antigo, a saber: Travessa do Cafundó, da Caridade, do Candeia, da Matriz, do Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta. Infelizmente, não restou nenhuma dessas tradicionais, poéticas e curiosas denominações.

    Não sou contra a denominação de pessoas às ruas das cidades, condicionando-se apenas à exigência de os homenageados – todos falecidos – terem gozado de bom conceito social, terem prestado serviços relevantes à comunidade, terem se destacado no cenário municipal, enfim que sejam nomes identificados com a história da cidade, do Ceará ou do Brasil.

   Apenas lamento o fato de que nossos vereadores – muitos deles destituídos de cultura regular – haverem substituído nomes antigos, ao invés de denominarem somente as novas ruas. Ao extinguirem antigas e tradicionais denominações das artérias urbanas, apagou-se um pouco da história e da memória coletiva da Cidade de Frei Carlos, a nobre e heráldica “Princesa do Cariri”.

    Anos atrás, a Câmara de Vereadores de Independência – município localizado no Sertão dos Inhamuns do Ceará – aprovou um projeto de lei, dispondo sobre a identificação de ruas, praças, monumentos, obras e edificações públicas daquela cidade. Tornado lei, exige-se, agora, para qualquer mudança na denominação de ruas e praças, um pedido antecipado, contendo lista com assinaturas de pelo menos cinco por cento do eleitorado. Idêntica providência já deveria ter sido adotada, há muito tempo, pela Câmara de Vereadores de Crato.

As repúblicas são perdulárias; as monarquias gastam menos


No passado, quando foi monarquia, o Brasil foi prova disso

Os Reis da Suécia -- Carlos Gustavo XVI e Sílvia -- embarcando, em dezembro de 2019, num voo
comercial,  para fazerem uma visita oficial à Índia

   O Rei da Suécia, Carlos Gustavo XVI, e a Rainha Silvia (nascida no Brasil) viajaram recentemente em visita oficial à Índia, utilizando um voo comercial. Os soberanos foram fotografados carregando sua própria bagagem. 

   Tudo muito diferente da República brasileira, onde se gastam milhões na manutenção das mordomias dos nossos governantes, e seus vários palácios em Brasília. Nas viagens dos Presidentes da República ao exterior, com grandes comitivas, no uso de centenas de carros oficiais, nas demais regalias, o povo vê o quanto sai caro a manutenção da república.

 Nas duas fotos acima, o avião comprado pelo Presidente Lula
(chamado de  "Aerolula") utilizado para as viagens do "presidente-operário"
 ao exterior. Observe o interior  da aeronave.

    Contudo, esse nem sempre foi o caso no Brasil: podemos nos recordar do sadio exemplo deixado pelo Imperador Dom Pedro II, que pagava suas viagens oficiais do próprio bolso, contraindo empréstimos se necessário fosse, recusava sempre as ofertas da Assembleia Geral do Império, que insistia em pôr um vaso de guerra à sua disposição, preferindo viajar em um navio comum, e levava consigo, além da Imperatriz Dona Thereza Christina, apenas seu mordomo, uma dama de companhia para a esposa, o médico particular e seu professor, pois nunca deixava de estudar. 

    Na Suécia, com destaque na Família Real, prevalece a parcimônia com o dinheiro público e   o bom funcionamento das instituições. No Reino da Suécia, as más tendências dos agentes públicos são inibidas, os políticos não têm regalias, e vivem como os funcionários públicos, o que de fato são, a serviço do povo e de suas legítimas aspirações, manifestadas nas eleições parlamentares.
    Justifica-se, assim, porque em tantos e tantos problemas que afligem o Brasil atual, é sempre comentada a possibilidade da restauração da Monarquia, existente aqui entre 1500 e 1889. Durante 389 anos.
(Baseado em postagem do face book Pro Monarquia)

18 janeiro 2020

A SAGRADA FACE JESUS -- por Rita de Sá Freire -- 1ª Parte

Revelada milagrosamente no Santo Sudário pela Ressurreição do Senhor
"Quem me contempla, me consola” (Jesus à Beata Maria Pierina de Micheli).
                “Mostrai-nos, Senhor, a Vossa Face e seremos salvos”! (Salmo 79,4)

O homem sempre procurou contemplar o rosto de Deus. Jesus nos disse: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). Dessa forma, a contemplação da Sagrada Face de Cristo é a própria contemplação de Deus. Ver a Face do Senhor é, de alguma forma, ter um encontro, é conhecer a Pessoa de Cristo. E assim, sua Face vem inspirando os cristãos a um maior conhecimento e amor ao Senhor, desde os primeiros séculos.

O culto à Sagrada Face tem por finalidade render à Face Adorável de Jesus, desfigurada na sua Paixão, homenagens particulares de respeito e de amor; reparar as blasfêmias e as violações dos dias santos, que O ultrajam de novo; além de obter de Deus a conversão de todos nós, pecadores. Nesse sentido, as orações devocionais à Sagrada Face de Jesus são um modo muito especial de honrar Nosso Senhor e de reparar todas as blasfêmias que Ele tem sofrido ao longo dos séculos, desde a Sua Paixão no Calvário. Trata-se de uma salutar devoção, que se diria, instituída pelo próprio Salvador no dia de sua Ressurreição, imprimindo, milagrosamente, Sua Sagrada Face no Santo Sudário. Uma veneração piedosa sempre conhecida e praticada na Igreja como incentivo poderoso à Reparação. Cabe ressaltar, que a vida de Jesus foi extraordinária e humana também. Devemos nos lembrar que Jesus Cristo assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus: é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, 483: “A encarnação é, pois, o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana, na única Pessoa do Verbo”. Por essa razão, temos que ser adoradores e reparadores da Sagrada Face do Senhor, que Ressuscitado, ainda sofre por nossos pecados e de toda a humanidade. É mister considerar, que as orações de reparação a Nosso Senhor Jesus Cristo, em Sua Sagrada Face são tão necessárias e urgentes, hoje, mais do que nunca, pois o homem está excluindo Deus da nossa sociedade. Os verdadeiros valores cristãos e morais estão sendo substituídos por ideologias anticristãs e com isso, avançam os pecados do aborto, da impureza, da irreverência e da falta de respeito para com Jesus.

 Com isso, Nosso Senhor é escarnecido novamente. Reparamos e honramos a quem amamos. Então, lembremo-nos do amor de DEUS por nós.  Jesus Cristo, em seu extremo amor pela humanidade, depois de consumada a Redenção do gênero humano, quis deixar-nos a sua imagem gravada, milagrosamente, no Santo Sudário, dando-nos a graça, a nós, seus remidos, de nos inebriarmos nos Seus traços régios, para ler neles a Sua Paixão e o Seu amor por nós. Seguramente, na vida de Jesus, houve, incontáveis feitos gloriosos, cuja representação podia nos deixar, por exemplo:  a adoração dos Reis Magos, sua Transfiguração no Monte Tabor, sua Ascensão aos céus, a ressureição de Lázaro, o milagre da multiplicação dos pães, dentre outros. Entretanto, nas palavras de São Bernardo, a cor rubra da Paixão seria a mais apropriada para representar o amor e por essa razão, deixou de lado todos os demais fatos gloriosos da sua vida, e quis se representar, perante nós, como o Homem das dores, a fim de que nos fosse tanto mais amável, quanto mais desfigurado. Na devoção à Sagrada Face contemplamos o rosto sofredor de Jesus, ensanguentado e esbofeteado durante a sua Paixão. É a Face de Cristo no Horto das Oliveiras, na flagelação, na coroação de espinhos, e no caminho do Calvário, carregando a cruz às costas.

Sabemos que a maioria das pessoas tem dificuldade em meditar os sofrimentos de Jesus, pois se sente mais atraída pelas alegrias de Sua vida. Porém, é indispensável sabermos contemplar todos os mistérios da vida de Jesus: os alegres, os luminosos, os dolorosos e os gloriosos, como fazemos na reza diária do Santo Rosário em companhia de Nossa Senhora, a Mãe Dolorosa. Devemos contemplar, também, como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, o Semblante Divino de Cristo: “Sob esses traços desfigurados, reconheço Vosso infinito amor e desejo ardentemente Vos amar e Vos tornar Amado por todas as pessoas”. ... Contemplar a Face de Cristo Crucificado nos une com todas as Suas tristezas, amor e total abandono: "Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.



 Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Isaías, 53:4-5). Nas palavras do Padre José Fernandes Lucena, Prior e Fundador da Comunidade de Sagrada Face - Umuarama Paraná (Brasil): “A devoção (à Sagrada Face) nos faz sentirmos fortes para superar as dificuldades, enche a alma de generosidade e audácia, clareia a mente e faz crescer o entusiasmo por Deus; diminui as paixões pelas coisas do mundo e coloca no coração a prontidão e a alegria pelas coisas do céu”.

Certamente, as consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
"Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas". (Nosso Senhor à Irmã M. Pierina, 1945, em Milão).

A SAGRADA FACE E O SUDÁRIO DE TURIM
Primeiramente, cabe ressaltar que a Devoção à Sagrada Face está relacionada com o Santo Sudário. Ela é diferente da representação de Jesus no Véu de Verônica, mesmo tendo ele sido utilizado no passado como início desta mesma devoção. A imagem do Véu de Verônica seria uma imagem da pré-crucificação, obtida quando Santa Verônica encontrou Jesus, em Jerusalém, na Via Dolorosa, a caminho do Calvário. Já, a representação da Sagrada Face foi obtida, na pós-crucificação, revelada milagrosamente, a partir da mortalha de Jesus ou seja, do Santo Sudário. 

BREVE HISTÓRICO
Esta santa devoção teve origem com a impressão milagrosa do Rosto de Cristo no lenço de Verônica, uma tradição muito respeitada na Igreja. Em Tours (França), durante a década de 1840, uma jovem freira carmelita, Ir. Maria de São Pedro, recebeu uma série de revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre uma devoção que Ele desejava que fosse estabelecida em todo o mundo: a devoção a Sua Sagrada Face. O propósito expresso dessa devoção era fazer reparação pelas blasfêmias e ultrajes cometidos pela humanidade contra o Sagrado Coração de Jesus e também, pela profanação dos domingos pelos católicos.

Em 1884, uma arquiconfraria da Sagrada Face foi estabelecida em Tours, na França e seus membros fazem reparações pelas blasfêmias lançadas contra Cristo. Também, a devoção cresceu muito por causa da importância que a Divina Face teve na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Outro fato que fortaleceu a devoção foram os surpreendentes estudos da figura de JESUS no Santo Sudário de Turim, além das revelações à Irmã Pierina de Micheli (†1945), a mensageira da Sagrada Face dos últimos tempos. A Irmã Pierina, beatificada em 30 de maio de 2010, foi uma freira, religiosa da Imaculada Conceição, nasceu em Milão, em 11 de setembro de 1890 e faleceu em 26 de julho de 1945 (aos 55 anos). Na Sexta-feira Santa de 1902, a futura Beata Pierina, com doze anos esperava na fila para beijar o Crucifixo, quando ouviu a voz de Jesus: “Ninguém me dá um beijo de amor na Face para reparar o beijo de Judas? ” A pequena não hesitou e respondeu: “Eu te dou um beijo de amor, Jesus! ”...quando chegou diante ao Crucifixo lhe imprimiu um forte beijo na face. Jesus chamou pedindo amor e a alma generosa respondeu. Naquele momento, nascia a devoção à Sagrada Face.

 Pierina foi privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Senhor Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face. Jesus e Maria a encorajaram a reparar os muitos insultos que Jesus sofreu em sua paixão, bem como, agora sendo desonrados de muitas maneiras no Santíssimo Sacramento por negligência, sacrilégios e profanações. Em sua terra natal, a irmã Pierina serviu como Mestra das Noviças até 1939. Empreendeu a tarefa de lidar com a nova fundação da Casa de sua Congregação, em Roma, que foi nomeada Superiora até sua morte.

APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA PARA A FESTA DA SAGRADA FACE
No dia 10 de janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a Festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Dessa forma, os sacerdotes que desejarem, sempre poderão rezar a missa votiva em honra à Sagrada Face, às terças-feiras, e mais especialmente ainda, na Terça-Feira de Carnaval, dia da Festa da Sagrada Face.

A PROPAGAÇÃO DA SAGRADA FACE, OS PAPAS RECOMENDARAM
Sobre a propagação da Devoção a Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: “O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores”. Nesse sentido pronunciou-se também o Papa Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Síndone, ou seja, A SAGRADA FACE DE JESUS”.

ELEMENTOS DE DEVOÇÃO

- A MEDALHA DA SAGRADA FACE
A medalha da Sagrada Face de Jesus é um ícone de Cristo, morto na cruz para a redenção da humanidade e de Cristo vitima imolada e vivente na Santíssima Eucaristia. A Santíssima Virgem a deu como um presente à Igreja, por meio de Madre Maria Pierina de Micheli, para o crescimento espiritual de seus filhos. Assim a conta a Irmã Maria Pierina, em uma carta memorando ao Papa Pio XII: Na noite de 31 de maio de 1938, enquanto Madre Maria Pierina de Michelli (*1890 a +1945), religiosa da Congregação das Filhas da Imaculada Conceição de Bueno Aires, se encontrava em oração na capela da Casa de seu instituto em Milão, imersa em uma profunda adoração aos pés do sacrário, lhe apareceu, em uma nuvem de luz, uma Senhora de celestial beleza, levando em suas mãos um escapulário formado de duas flanelas brancas unidas por um cordão. Em uma estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: "Ilumina Domine Vultum Tuum super nos" (Fazei resplandecer sua face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: "Mane nobiscum Domine". (Fica conosco senhor). 

  Lentamente, a Santíssima Virgem aproximou-se e lhe  disse: “Escuta atentamente e relata tudo ao padre (Confessor): este Escapulário é uma arma de defesa, um escudo de  fortaleza, um sinal de amor e misericórdia que Jesus deseja dar ao mundo nestes tempos de luxuria e ódio contra Deus e a sua Igreja. Redes diabólicas estão expulsando a fé dos corações, os males aumentam, os verdadeiros apóstolos são poucos, e o remédio é a Sagrada Face de meu Filho Jesus. Todos aqueles que levarem este escapulário, e façam se for possível, cada terça-feira uma visita ao Santíssimo Sacramento, para reparar os ultrajes que a Sagrada Face de meu Divino Filho recebeu durante sua paixão e recebe todos os dias na Santíssima Eucaristia, serão fortalecidos na fé, superarão todas as dificuldades internas e externas, terão uma morte serena sob o olhar amoroso do meu Divino Filho”.

  APROVAÇÃO E DIFUSÃO DA MEDALHA DA SAGRADA FACE
O culto da medalha da Sagrada Face teve aprovação eclesiástica em 09 de agosto de 1940, com a bênção do Beato Cardeal Ildefonso Schuster, monge beneditino, devoto da Sagrada Face de Jesus, então arcebispo de Milão.
Vencendo muitas dificuldades, morais e econômicas, Madre Maria Pierina conseguiu a aprovação eclesiástica e a permissão para cunhar as medalhas. Sentindo em seu coração, se, haveria alguma diferença entre as medalhas e o escapulário que havia sido incumbida de confeccionar, recebeu da Santíssima Virgem a confirmação das promessas que havia feito para o escapulário: “Fique tranquila, a medalha substitui o escapulário com todas as suas graças” (07 de abril de 1943 - Do diário da Ir. Pierina página 122). Dessa forma, a medalha iniciou o seu caminho no mundo, que continua cada dia, graças à ação apostólica de fiéis de todos os continentes que, colaborando para sua difusão, participam da obra de evangelização da igreja.

- A FESTA DA SAGRADA FACE:
Em 1938, Jesus disse a Pierina: “Quero que Minha FACE seja honrada com uma festa própria na Terça-feira da Quinquagésima (terça-feira de carnaval) e que esta festa seja preparada por uma novena durante a qual todos os fiéis façam Comigo reparação”.

- O QUADRO DA SAGRADA FACE ("QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”).
A devoção deve ser feita diante de um quadro da Sagrada Face (imagem impressa no Santo Sudário) para que fique gravada em suas mentes e corações. Jesus disse à Irmã Pierina di Michelli: “Cada vez que se contemplar Minha Face, derramarei Meu Amor nos corações, e por meio de minha Sagrada Face obter-se-á a salvação de muitas almas”.

Na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração”. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?
Palavras de Jesus à Ir. Maria Pierina de Micheli, em 27/5/1938: “Contemple minha Face e penetre no abismo de dor do meu Coração. Console-me e procure almas que se imolem comigo pela salvação do mundo”.

Jesus disse à irmã Maria de São Pedro, em 1846: “Aqueles que venerarem a minha Santa Face em espírito de reparação, serão tão gratos por mim como fui à Santa Verônica. Eles farão uma generosidade igual à dela e gravarei os meus Traços Divinos em suas almas. Eu lhes darei a minha Face adorável”.

Jesus disse à Serva de Deus Maria Concetta Pantusa (1894-1953): “Minha querida filha, eu quero que faça uma divulgação muito ampla de minha Imagem. Eu quero ir a todos os lares e converter os corações mais endurecidos. Fale a todos da minha misericórdia e meu amor infinito. Eu vou te ajudar a encontrar novos apóstolos. Eles serão os meus novos eleitos, os amados do meu Coração onde terão um lugar especial. Eu abençoarei suas famílias e me substituirei para dirigir seus negócios. Eu quero a minha Divina Face fale aos corações de todos e que a minha Imagem seja impressa no coração e alma de cada cristão para brilhar o esplendor divino, pois agora eles estão marcados pelo pecado. Pela minha Sagrada Face o mundo vai ser salvo".


(*) Rita de Sá Freire, escritora e administradora do Apostolado “Nos Passos de Maria”


A SAGRADA FACE JESUS - por Rita de Sá Freire (*) - 2ª Parte

- O TERÇO DA SAGRADA FACE
Este terço da Sagrada Face é para ser rezado todos os dias; foi pedido pelo próprio Jesus Cristo. O terço da Sagrada Face foi dado por Nosso Senhor à Irmã Maria Pierina de Micheli (+ 1945), a privilegiada mensageira da “Sagrada Face dos Últimos Tempos”.

- O EXORCISMO (ORAÇÃO) DE SÃO MIGUEL ARCANJO (sugerimos que seja rezado entre as dezenas do Terço da Sagrada Face).
A oração a São Miguel foi composta pelo Papa Leão XIII no dia 13 de outubro de 1884, exatamente 33 anos antes do Milagre do Sol, em Fátima: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso auxilio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, humildemente o pedimos. E Vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a satanás, e a todos os espíritos malignos, que vagueiam pelo mundo para perder as almas! Assim seja!”   

- A NOVENA DA SAGRADA FACE
“Quero que Minha Face seja venerada particularmente nas terças-feiras” (Jesus à Madre Pierina de Micheli em1937). Início da novena: toda Primeira terça-feira de cada mês.

- A LADAINHA DA SAGRADA FACE
Esta ladainha foi composta pela carmelita Irmã Maria de São Pedro e aprovada por François-Nicholas-Madeleine, Cardeal Morlot, Arcebispo de Tours, onde existia a Arquiconfraternidade da Sagrada Face, em 1847. Foi reescrita em 27 de janeiro de 1853 e o Papa Pio IX concedeu a todos os que recitam essa ladainha, com um coração contrito, uma indulgência de 100 dias para cada vez, aplicáveis às almas do Purgatório.

- A LADAINHA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS
A devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus sempre esteve presente na Igreja desde o início e sempre aumentou através de solenidades, orações, escritos dos papas. É uma Ladainha para pedir a Deus o perdão dos pecados e afastar de nós os males do corpo e da alma.

- A CONSAGRAÇÃO À SAGRADA FACE
Várias orações foram compostas sob a inspiração da bela devoção a Jesus em Sua Sagrada Face, esta é um modo de consagração pessoal: “Ó boníssimo Jesus, que quereis salvar o mundo de hoje, com aquele infinito amor com que fora criado e redimido, incluí-me também no número dos que realmente trabalham pelo triunfo do vosso Reino de Amor na terra. Recebei para esse fim a total entrega de todo o meu ser, dispondo de mim. Quero difundir a Imagem de Vossa Divina Face e as misericórdias do Vosso Sacratíssimo Coração para que a Vossa Imagem ilumine e vivifique todas as almas. JESUS, operai milagres de conversão! Chamai os apóstolos para esta nova época, que por sua vez, se encarreguem dessa sublime missão. Que as ondas do vosso misericordioso Amor se espalhem sobre o mundo inteiro, e afundando o maligno e destruindo os males, renovem a terra e façam os homens, ao sentirem os seus corações tomados de caridade, viverem o Novo Testamento à Luz desse Sol que é a Vossa Divina FACE e as misericórdias do vosso Sacratíssimo Coração. Amém”.

-  O CANTO : Ó Face do Redentor (melodia de “Vitória, tu Reinarás")
Ó Face do Redentor /A Vós, todo nosso amor! (bis) Ó Face adorável,/ Refúgio do pecador/Asilo inefável,/ Conforto em nossa dor!/ Em Vós encontraremos/ a graça e o perdão!/no céu louvar-Vos-emos/ Ó Fonte de Salvação!/Jesus, nós vos pedimos/ por vossa morte atroz/que a luz de Vossa Face/ resplenda sobre nós!

PROMESSAS E GRAÇAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO PARA AQUELES QUE HONRAREM COM PROFUNDA DEVOÇÃO SUA SAGRADA FACE
“Por Minha Sagrada Face alcançareis a salvação de muitas almas! Pedi, nada: vos será negado”. (a Ir. Maria Pierina de Micheli)
“Cada vez que se contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações”. (a Ir. Maria Pierina de Micheli)
“Oferecendo a Minha Santa Face a Meu Pai apaziguarão a Minha cólera divina e obterão a conversão dos pecadores, como se fosse uma moeda celestial”. (a Ir. Maria Pierina de Micheli)
“Eles farão milagres pela Minha Santa Face. Iluminá-lo-ei com a Minha luz, rodeá-los-ei com o Meu Amor e fá-los-ei perseverantes no bem”. (a Ir. Maria Pierina de Micheli)
“Nenhum daquele que honrar Minha Face será separado de Mim”. (a Santa Matilde).
“Os devotos da Sagrada Face receberão, pela contemplação de Minha natureza humana, um vivo resplendor da Minha Divindade, e serão esclarecidos no fundo de suas almas”.  (a Santa Gertrudes)
“Do mesmo modo que procurardes reparar a Minha Face desfigurada pelos pecadores, assim Eu cuidarei de vossa alma, tornando-a tão bela como era ao sair das fontes batismais”. (a Soror Maria de São Pedro, carmelita de Tours).
“Esta Face é como um selo de Divindade, pois tem o poder de imprimir nas almas, que a Ela se dedicam, tão perfeita, que mesmo os seus pecados serão transformados, diante de Mim, em joias de ouro precioso”. (a Soror Maria de São Pedro, carmelita de Tours).
“Venerando a Minha Santa Face, em espírito de expiação, serão para Mim tão gratos como Santa Verônica. Farão uma generosidade igual a dela e Eu gravarei os Meus traços divinos em suas almas”. (a Soror Maria de São Pedro, carmelita de Tours).
“Eu serei o defensor, perante Meu Pai, de todos aqueles que por palavras, escritos ou orações defendem a Minha causa nesta Obra de reparação. Na hora da morte purificarei a Face das suas almas de todas as manchas de pecado e lhes devolverei a sua formosura original”. (a Soror Maria de São Pedro, carmelita de Tours, na França).
Para merecer as graças prometidas é necessário: usar a medalha, contemplar com amor, muitas vezes a Sagrada Face, zelar pela devoção, fazendo a Hora Santa, nas Terças-feiras, promover, anualmente, a novena em preparação à festa na terça-feira de carnaval, e seguindo o exemplo dos grandes devotos da Sagrada Face, ler e meditar diariamente o Novo Testamento. Todos os dias rezar 5 Pai Nossos… 5 Ave Marias… 5 Glórias… em honra das Cinco Chagas de Nosso Senhor JESUS CRISTO, rezando também a oração composta por Pio IX, e a aspiração que a segue: “Ó meu JESUS, lançai sobre nós um olhar de misericórdia! Volvei Vossa Face para cada um de nós, como fizestes à Verônica, não para que A vejamos com os olhos corporais, pois não o merecemos. Mas volvei-A para os nossos corações, a fim de que, amparados sempre em Vós, possamos haurir nesta fonte inesgotável, as forças necessárias para nos entregarmos ao combate que temos que sustentar. Amém”. Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos! ”

TEXTOS BÍBLICOS SOBRE A SAGRADA FACE DE JESUS
Ante a face de Deus treme, ó terra. SL 113,7
Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face. Confiado na Vossa justiça, eu contemplarei a Vossa face; ao despertar, saciar-me-ei com a visão de Vossa imagem. (Sl 4, 7; 16, 15).
O Senhor te mostre a sua face e te conceda sua graça! (Números 6,25)
Recorrei ao Senhor e ao seu poder, procurai continuamente sua face. (I Crônicas 16,11)
Se meu povo, sobre o qual foi invocado o meu nome, se humilhar, se procurar minha face para orar, se renunciar ao seu mau procedimento, escutarei do alto dos céus e sanarei sua terra. (II Crônicas 7,14)
Mas eu, confiado na vossa justiça, contemplarei a vossa face; ao despertar, saciar-me-ei com a visão de vosso ser. (Salmos 16,15)
Tal é a geração dos que o procuram, dos que buscam a face do Deus de Jacó. (Salmos 23,6)
Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro. (Salmos 26,8)
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? (Salmos 41,3)
Tenha Deus piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a luz da sua face, (Salmos 66,2)
Restaurai-nos, ó Senhor; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos. (Salmos 79,4)
Restaurai-nos, ó Deus dos exércitos; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos. (Salmos 79,8)
Recorrei ao Senhor e ao seu poder, procurai continuamente sua face. (Salmos 104,4)
Fazei brilhar sobre o vosso servo o esplendor da vossa face, e ensinai-me as vossas leis. (Salmos 118,135)
Ante a face de Deus, treme, ó terra, (Salmos 113,7)
Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. (Isaías 50,6)
Em todas as suas aflições. Não era um mensageiro nem um anjo, mas sua própria Face que os salvava. No seu amor e na sua ternura ele mesmo os livrava do perigo. Durante o passado sustentou-os e amparou-os constantemente. (Isaías 63,9)
Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas. (São Mateus 26,67)
Porque Deus que disse: Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo. (II Coríntios 4,6)
Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes. (Apocalipse 22,4)

ENDOSSO POR PAPAS SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Mais de 30 Papas expressaram confiança na autenticidade do Santo Sudário. Bênçãos e indulgências foram colocadas pelo Magistério Papal na devoção à Santa Face para nunca serem tiradas, devido à importância desta devoção.
1. O Beato Pio IX disse: Esta salutar reparação da Santa Face de Jesus é uma divina ação, destinada a salvar a moderna sociedade;
2. São Pio X expressou seu desejo de que isso fosse venerado nos lares de todas as famílias cristãs;
3. O Papa Pio XI ofereceu figuras da Santa Face do Sudário para os jovens, dizendo: “Elas são retratos do Filho Divino de Maria; elas vêm, de fato, do que se tornou conhecido como o Sudário de Turim, ainda um mistério, mas certamente não foi o trabalho de nenhuma mão humana”.
4. O Venerável Papa São Pio XII pediu para difundir o conhecimento e a veneração tão grande como se fosse uma relíquia;
5. O Papa São João XXIII, olhando a relíquia disse: “Isto só pode ser uma obra do Senhor”.
6. São Paulo VI louvou o Santo Sudário dizendo: “Talvez somente a imagem do Santo Sudário revele-nos alguma coisa de humana e Divino da personalidade de Cristo”.
7. São João Paulo II, após beijar o Santo Sudário, acompanhado de Bispos, refere-se a essa relíquia com um “silencioso, mas eloquente testemunha da ressurreição de Cristo”.

ALMAS ESCOLHIDAS QUE VENERARAM A SAGRADA FACE DE JESUS
Durante todos os séculos, foram escolhidas almas que tiveram especial devoção à Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo: Santo Agostinho, São Bernardo, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santa Gertrudes, Santa Matilde, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Boaventura, São Francisco de Assis, Beata Maria Pierina de Micheli,  São João XXIII, dentre outros.

1.    Ter em suas casas uma imagem da Sagrada Face, em lugar de destaque, para seja honrada como protetora da família e do lar doméstico. Deve beijá-la devotamente de manhã, ao despertar e à noite, antes de ir dormir. O devoto deve consagrar suas ações diárias e tudo que tiver que resolver à Sagrada Face;

2.    No começo de suas orações ou de qualquer exercício de piedade, deve colocar-se na presença de Deus, olhando para a Sagrada Face, cujos olhos estão abertos e fixos em nós, para adorá-la com fé e amor;

3.    Na presença do Santíssimo Sacramento, recordar a nossa lembrança de que o rosto do Salvador está presente na Hóstia Sagrada que nos vê, nos escuta, nos abençoa e nos fala interiormente;

4.    Deve empenhar-se em imitar as virtudes da paciência, da mansidão, da serenidade, da modéstia, que resplandecem na Sagrada Face. Ouça o Divino Mestre que disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”: sabendo que, de fato, a delicadeza e a humildade do coração de Jesus são, como num espelho muito claro, admiravelmente refletido no rosto do homem Deus;

5.    Nas provações, doenças, acidentes, tentações, prostrar-se diante da imagem da Sagrada Face, seja no seu oratório particular ou, sobretudo, na igreja, onde estiver especialmente exposta;

6.    Propagar a adoração da Sagrada Face em sua localidade, entre seus amigos e conhecidos, e fazer uso dela para combater, de todas as maneiras possíveis, os terríveis efeitos de indiferença, do ateísmo e da heresia;

7.    Divulgar a devoção à Sagrada Face de Nosso Senhor para que seja conhecida e amada por todas as gerações, hoje e sempre;

8.    Os devotos e “Apóstolos da Sagrada Face”, devem ser “Adoradores do Santíssimo Sacramento”. Toda a vida de um “Apostolo da Sagrada Face” deve refletir a Luz da íntima união de vida com JESUS EUCARISTIA;

9.    Diante da Pessoa Adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo os servos “no apostolado” devem conservar a alma e o coração em estado de total reverência, submissão e obediência à vontade do Senhor e por isso, humildemente devem ser os seus instrumentos de Evangelização e não devem agir no orgulho nem pensar que em alguma coisa, receberão recompensas;

10.    Oferecer humildemente reparação à Sagrada Face de Jesus pelos sacrilégios, blasfêmias, ignominias, afrontas e indiferenças pelas quais é ofendida;

11.    Promover vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa consagrada por meio das horas sagradas, orações, bem como, por sacrifícios pessoais e atos de caridade.

12.    Agradecer, diariamente, à Santíssima Trindade pelo envio de Jesus, que assumiu a humanidade e deu a vida por nós, sofrendo e morrendo na cruz.

13.    Procurar consolar e reparar a Santíssima Face de Jesus e a salvação das almas.

14.    Buscar a santificação pessoal, que através da ajuda da Sagrada Face de Jesus, alcançaremos a salvação eterna.

15.    Usar a Medalha da Face Sagrada.

16.    Receber o Sacramento da Reconciliação (confissão). Fazer uma consagração de si mesmo e do lar à Sagrada Face de Jesus;

17.    Tentar fazer, às terças-feiras, reparação diante do Santíssimo Sacramento por um período sugerido de 15 minutos. Se não for possível, passar o tempo diante da Imagem da Sagrada Face em sua casa;

18.    Recitar as orações da Sagrada Face, diariamente;

19.    Ser fiel na participação da Santa Missa Dominical; receber os sacramentos, de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica Apostólica Romana

CONCLUSÃO
De acordo com muitas profecias, em vários lugares da Terra, muitas catástrofes estão para atingir a humanidade e com estas palavras do Nosso Pai do Céu, busquemos a Sagrada Face de Cristo e divulguemos esta devoção para que a Ira de DEUS diminua sobre nós. Portanto, não percamos as graças que Nosso Senhor nos promete por meio da Devoção à Sua Sagrada Face. O tempo está passando. Corramos ao encontro do Senhor, o mais rápido possível e ajudemos outras pessoas a se abrigarem diante da Sua Face para que sejam salvas. “Mostrai-nos, Senhor, a Vossa Face e seremos salvos! ” (Sl 79)


Obs.: As orações mencionadas neste artigo estão disponíveis no site www.nospassosdemaria.com.br

Contato com a autora: nospassosdemaria@gmail.com

Referências e fontes consultadas:
APÓSTOLOS DA SAGRADA FACE DE JESUS - 4ª edição, 2019.  Organizadores: Maria José Istorino de Souza e o Grupo de Oração dos Apóstolos da Sagrada Face de Jesus – Uberlândia (MG).
BARBERIS, Bruno e SAVARINO, Piero - Sudário, Radiodatação e Cálculo das probalidades, Edições Loyola, 1999.
BARBET, Pierre. A Paixão de Cristo - Segundo o cirurgião, Editora: Cléofas e Edições Loyola. 2014, 12º Edição: 240 páginas.
BIBLIA SAGRADA AVE MARIA
CORCIONE, Antônio Carlos - O RETRATO DO REI - Editores Associados- SP, 1998. 
LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 329-331.
SÁ FREIRE, Rita de – A Sagrada Face de Jesus, Revelada milagrosamente no Santo Sudário pela Ressurreição do Senhor (Devocionário da Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo – Origem, devoção e orações). Editora Petrus SP,  2020, 1ª edição: 224 páginas.
SOLIMEO, Plinio Maria — O Santo Sudário, Artpress, São Paulo, 2002
Sites visitados:
http://www.catholictradition.org
www.holyface.com
http://www.oblatosdecristo.com.br/novo/conheca-nos%20-%20novena.htm
HOLY FACE ASSOCIATION. The Theasure of the Holy Face of Jesus. Montreal-Canadá. 2000
The Holy Face of Jesus( Leafl et). Montreal, 2002.
Revelations of the Holy Face of Jesus - BT041 (Site https://fatima.org/wp-content/uploads/2017/03/BT041_Revelations_of_the_Holy_Face_of_Jesus.pdf)
padrepauloricardo.org/blog/uma-devocao-para-a-terca-de-carnaval

(*) Rita de Sá Freire, escritora e administradora do Apostolado “Nos Passos de Maria”

17 janeiro 2020

17 de janeiro: Dia do Ceará (por José Luís Lira)


   O dia 17 de janeiro faz parte do calendário oficial de eventos do Estado por meio da Lei nº 13.470, de 18 de maio de 2004, que instituiu a data comemorativa referenciando o dia em que o Ceará ganhou autonomia da Capitania de Pernambuco, em 1799, tornando-se administrativamente independente. A emancipação do Ceará foi garantida por Carta Régia assinada pela Rainha de Portugal, D. Maria I, em virtude do crescimento populacional e econômico que a antiga capitania do Ceará apresentava em 1799.

    Que nosso Padroeiro, São José, nos abençoe com muitas chuvas e bênçãos!

    Viva o Dia do Ceará

(Fonte: face book de José Luís Lira)

15 janeiro 2020

Humberto Macário de Brito -- por Armando Lopes Rafael

Dr.Humberto Macário de Brito. Foto de sua
formatura como médico

   No decorrer da sua profícua vida pública, o médico Humberto Macário de Brito deixou visível dois sentimentos: ajuda ao próximo e uma profunda coragem cívica na defesa dos interesses do município de Crato.

   Excelente profissional da medicina – um dos mais brilhantes da história do Cariri – Dr. Humberto Macário de Brito enveredou pela política. Como nesta seara não existe perfeição, não há gestor que não tenha cometido (pelo menos uma vez) algum erro. E isso ocorre por motivos vários. Às vezes, alheios à vontade do homem público, seja por engano de algum assessor, seja pelos entraves burocráticos. No entanto, se olharmos para o saldo da atuação pública do Dr. Humberto, veremos nele um grande líder e um vocacionado para a vida pública. Um homem honrado, que entrou limpo e saiu limpo nas atividades políticas.

    A ele nossa cidade deve muitos benefícios que a fizeram progredir. As novas gerações, infelizmente, desconhecem essas conquistas advindas pela atuação do Dr. Humberto. Ademais, ele soube conduzir bem seus sentimentos de liderança, quando exerceu os cargos de vice-prefeito, prefeito, secretário de Estado, deputado estadual e superintendente da Sudec.

    Ele sempre teve atenção por todos que o procuravam. Seja no diálogo, seja na ajuda material aos que buscavam um emprego para sobreviver. Milhares de pessoas, humildes e desempregadas,àquela época,  hoje vivem muito bem graças à ajuda recebida de Humberto Macário de Brito.

    Ele foi um líder. E a liderança o levou ao sucesso. Hoje, na ancianidade recebe o reconhecimento das pessoas de bem e das pessoas que possuem o sentimento da gratidão.

    Dr. Humberto: parabéns pela sua existência. Saúde e paz. Ad multos anos.


 Dr. Humberto Macário de Brito, nos dias atuais


12 janeiro 2020

Conhecendo a História do Cariri


A primeira romaria feita a Juazeiro do Norte – por Armando Lopes Rafael

   Capela de Nossa Senhora das Dores, da povoação de Joaseiro, onde, na primeira sexta-feira de 1889, ocorreu o fenômeno do sangue na boca da Beata Maria de Araújo

     Em 6 de março de 1889, ocorreu – na capela de Nossa Senhora das Dores, na então vila de Joaseiro, um fato inusitado. Uma hóstia consagrada, dada em comunhão, pelo Pe. Cícero Romão Batista, a Maria de Araújo, transformou-se em sangue na boca da Beata. A notícia, como não podia deixar de ser, correu – como um rastilho de pólvora – pelo interior nordestino.   Quatro meses depois do acontecido – num domingo, 7 de julho daquele ano – aconteceu a primeira romaria feita a Juazeiro do Norte. Ela foi planejada e partiu da cidade de Crato. Milhares de fiéis cratenses, sob a coordenação e liderança do Mons. Francisco Rodrigues Monteiro, seguiram a pé de Crato até à “povoação do Joaseiro”.

        Amália Xavier de Oliveira relata no seu livro “O Padre Cícero que eu conheci”: “Do púlpito da Capela de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro, pequena vila pertencente ao município de Crato, (Mons. Monteiro) divulgou, oficialmente, perante mais de 3 mil pessoas os fatos extraordinários que se passavam ali, afirmando aos presentes, que o sangue verificado por todos, naquelas toalhas por ele apresentadas, era o próprio sangue de Jesus Cristo, arrancando dos presentes, copiosas lágrimas” E acrescentou:  "Se um dia eu negar o que vi que me falte e a luz dos olhos”.

         Anos depois, Mons. Monteiro, pressionado pelo Bispo do Ceará, Dom Joaquim Vieira (que desde o início do fenômeno não acredita que fosse “milagre”), voltou atrás naquelas suas palavras, proferidas na primeira romaria feita A Juazeiro. Amália Xavier de Oliveira concluiu assim seu depoimento, no livro acima citado: “Mas, sem a luz dos seus olhos (Mons. Monteiro tinha ficado cego devido à catarata), veio ele muitas vezes a Juazeiro onde passava semanas e mais semanas, hóspede do Pe. Cícero, em casa da sua irmã Angélica, sob os cuidados de Giluca, uma Beata da família Pinheiro Monteiro que ali residia”.

11 janeiro 2020

O amor do Imperador Dom Pedro I pelo Brasil



  Em 1831, se o Imperador Dom Pedro I desembainhasse sua invencível espada, a uma só palavra, a um só aceno seu, ondas de sangue teriam tingido nossas praças, e a fúria de uma indômita guerra civil invadiria por inteiro o Império do Brasil.

    Sua abdicação espontânea, portanto, teve ainda a vantagem de arrancar a Pátria ao estigma de revolucionária. Foi a Coroa devolvida na ordem de sucessão, segundo o direito fundamental, e por ato legal e voluntário do Soberano abdicante. Não houve combate, sangue ou resistência.

    Uma testemunha ocular dos fatos afirmou que durante os dias em que o Imperador, agora Duque de Bragança, esteve a bordo da nau britânica Warspite, preparando-se para partir para a Europa, recebeu valiosíssimos oferecimentos de algumas das mais leais espadas. Agradecendo, pediu a todos que as reservassem para a defesa do Trono de seu filho, o pequeno Imperador Dom Pedro II, acrescentando:

     – Desde que livremente abdiquei, o desembainhar a minha espada já não seria ato de Rei, mas de rebelde. 

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, escrito por Leopoldo Bibiano Xavier).

10 janeiro 2020

15º ano da Academia Brasileira de Hagiologia – por José Luís Lira (Fundador e Presidente de Honra)



      A ideia de criar a Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI) foi da Acadêmica Matusahila Pereira de Souza Santiago. Ao retornar de Canindé, Ceará, onde participei do encerramento do novenário de São Francisco, em outubro de 2004, trouxe comigo um exemplar da revista sobre a peça “Francisco – O homem que se tornou Santo”, encenada naquela cidade. Na revista continha um artigo assinado por mim, falando sobre Francisco. Após ler o periódico, Matusahila me interrogou: por que não se criar uma entidade acadêmica para estudar os santos? Constatei, por meio de informações e consultas a páginas na Internet, muito especialmente nas do Vaticano e da CNBB, que não existia a mencionada Academia. Feitas as constatações, Matusahila Santiago e eu, José Luís Lira, convidamos a Desembargadora Gizela Nunes da Costa, para juntos formularmos a ABRHAGI.

      Com estatuto, brasão, quadro de patronos por mim preparados, conversei com Dom José Bezerra Coutinho, bispo emérito e vigário geral da Arquidiocese de Fortaleza. Este deu seu total apoio e foi o único cargo definido antes da Assembleia de Criação da Academia. Seria ele o nosso Presidente de Honra. Depois falei com os amigos Profa. Norma Soares e Prof. Teodoro Soares. A Profa. Norma sugeriu buscarmos a Irmã Elisabeth Silveira para ser a Academia sediada no Colégio da Imaculada Conceição. Irmã Elisabeth, segunda Presidente de Honra, se tornou grande entusiasta da Academia.

        Formamos uma sociedade científica e cultural dedicada ao estudo dos santos, candidatos à honra dos altares, movimentos messiânicos e cousas sagradas e santificadas. A hagiologia é considerada ciência e se volta ao estudo sobre os santos, no cristianismo.

       O dogma da Imaculada Conceição foi decretado pelo Papa Pio IX, em sua bula Ineffabilis Deus, em 08/12/1854. O dogma iria fazer 150 anos e escolhemos esta a data da criação da Academia Brasileira de Hagiologia, 08/12/2004. Era o ano do 150º aniversário da Arquidiocese de Fortaleza; 140º aniversário de fundação do Seminário da Prainha, em Fortaleza e 100º aniversário da coroação de Nossa Senhora Aparecida, patrona geral da Academia. Resolvemos realizar a Assembleia de criação no Seminário da Prainha.

      A ABRHAGI é de Nossa Senhora. Sua fundação, no dia da Imaculada Conceição; sua sede, no Colégio da Imaculada Conceição. Em 1830 ela recomendou a Santa Catarina Labouré a confecção de uma medalha com a inscrição: “Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Em 11/02/1858, a Santíssima Virgem disse a Santa Bernadette Soubirous, “Eu sou a Imaculada Conceição”. Então, se a fundação se deu no dia do anúncio do dogma, a instalação dar-se-ia no dia em que a Virgem se proclamou a Imaculada Conceição: 11/02/2005, data da posse social da Diretoria.

       As letras inicial e terminal do alfabeto grego, Alfa e Ômega, dentro de um círculo perpassado por uma Cruz incolor, no brasão, nos lembram que a Academia tem aquele caráter de eternidade. “Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos”, confrades retornaram à Casa do Pai, outros deixaram a ABRHAGI, vieram novas diretorias, novos acadêmicos, novos tempos, mas, a Academia resistiu, resiste e resistirá, porque não é nossa. Ela é de Deus, dedicada aos seus santos, com a proteção da Imaculada Conceição Aparecida!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

08 janeiro 2020

Igreja histórica do Rio de Janeiro é interditada por má conservação

Onde estão os defensores da cultura negra do Brasil?
Carta Aberta do Instituto Dona Isabel I (IDII) às Autoridades Brasileiras em prol da Igreja do Rosário, do Rio de Janeiro

 Brasília, 07 de janeiro de 2020.

Aos Excelentíssimos Senhores
Jair Messias Bolsonaro,
Presidente da República Federativa do Brasil

Senador da República David Samuel Alcolumbre Tobelem,
Presidente do Senado Federal

Deputado Federal Rodrigo Felinto Ibarra Epitacio Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados

Ministro José Antonio Dias Toffoli,
Presidente do Supremo Tribunal Federal

Dr. Antonio Augusto Brandão de Aras,
Procurador-Geral da República


 Com os melhores votos de Ano Novo, dirigimo-nos a Vossas Excelências para demandar em nome deste Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora e dos Irmãos Conscientes da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, localizada na Cidade do Rio de Janeiro, providências quanto ao estado lastimável em que se encontra o templo da Irmandade, na Rua Uruguaiana, 77, Rio de Janeiro.

Em ocasião anterior (24/05/2008), este Instituto endereçou carta aberta aos então Senhores Ministros de Estado da Cultura, Gilberto Gil, e de Políticas de Igualdade Racial, Edson Santos, rogando que auxiliassem a Irmandade do Rosário na reconstrução de sua igreja, haja vista a penhora judicial do próprio bem tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde a década de 1930. Atendendo parcialmente ao pleito, o MinC determinou ao Iphan que procedesse a obras emergenciais na Igreja do Rosário, evitando que a fiação elétrica entrasse em curto-circuito e destruísse esse riquíssimo e valoroso prédio histórico.

É de quase todos os brasileiros consabida a história dessa igreja carioca mas, para efeitos mnemônicos, resgata-se. A Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos foi palco dos acontecimentos que culminaram em nossa emancipação enquanto Estado nacional desde março de 1808, quando a Corte portuguesa transmigrou-se para sua antiga colônia americana. Funcionando, então, como Sé Episcopal do Rio de Janeiro, nela o Príncipe Regente D. João, a família real e os altos dignitários foram então recebidos para o Te Deum Laudamus de celebração pela travessia.

Em 09 de janeiro de 1822, sediando o Senado da Câmara em seu consistório, uma deputação saída em direção ao Paço da Cidade do Rio de Janeiro convenceu o Príncipe Regente D. Pedro de Alcantara a não sair do Brasil, resultando no célebre “Dia do Fico”.


Em 13 de maio de 1822, portanto antes do “Grito do Ipiranga” (07 de setembro), D. Pedro foi aclamado “Defensor Perpétuo do Brasil” na mesma Igreja do Rosário.

Feita a Independência e mantendo-se unido o Brasil, infelizmente manteve-se também a escravidão. Pois foi na Igreja do Rosário que, na década de 1880, constituiu-se o quartel-general do Movimento Abolicionista brasileiro.

No ano passado, por ordem do ínclito Juízo da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no âmbito de Ação Civil Pública movida pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro, a Igreja do Rosário foi interditada, uma vez que inexiste segurança para os fiéis, celebrantes e visitantes em geral.

Estamos às vésperas do Bicentenário da Independência do Brasil. É inadmissível que a Igreja do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos permaneça no estado de abandono em que se encontra, mormente tendo em vista que se trata de patrimônio histórico nacional e não apenas bem particular de uma associação de fiéis católicos do Rio de Janeiro.

Certos de que a Vossas Excelências aprazerá contribuir de modo indelével para a recuperação desse tesouro da História do Brasil, subscrevemo-nos, ficando à disposição.

Respeitosamente,
Bruno da Silva Antunes de Cerqueira
Presidente do IDII