31 dezembro 2020

O Cartão-de-Natal do Chefe da Casa Imperial do Brasil

 Todos os anos, os milhares de monarquistas brasileiros ficam no aguardo do cartão natalino de Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil. 

Este ano, já contemplando o vindouro Bicentenário da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 2022, aprouve ao Chefe da Casa Imperial recordar uma importante efeméride de nossa História: a Batalha dos Guararapes de 1648, berço da brasilidade, uma vez que portugueses, índios e negros ali se uniram e, mesmo em desvantagem, lograram vitória, expulsando o invasor holandês, graças ao auxílio sobrenatural da Santíssima Virgem, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres.

Nossa Senhora dos Prazeres

Abaixo, excertos da mensagem do Príncipe:

“A maior ameaça à integridade e identidade do Brasil em seus cinco séculos de existência foi indiscutivelmente a ocupação holandesa em Pernambuco na primeira metade do século XVII, ambicioso projeto para um definitivo estabelecimento nas Américas, a “Nova Holanda”. Três esquadras, dezenas de milhares de homens em armas, artesãos de todas as especialidades, almirantes e generais e até mesmo um Príncipe de sangue empenhou a Holanda em tal intento. Mas, se abundaram os recursos materiais, faltou o mais importante para uma conquista definitiva, o dom das gentes. As populações pernambucanas, avessas a essa outra cultura e sobretudo à omnipresente e brutal pressão calvinista, passaram da resistência passiva às ações de guerrilha (...)

“Em 1645, os principais chefes luso-brasileiros firmaram um pacto para a luta organizada contra o invasor: André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira e outros, Henrique Dias e Felipe Camarão – luso-brasileiros, negros, índios, logrando vitória, já naquele ano, na batalha do Monte das Tabocas, e em 1648 e 1649, nas duas decisivas batalhas dos Montes Guararapes. Nas três, travadas em grande inferioridade de condições dos nossos, foi patente o auxílio sobrenatural, registrado que está nos relatos do tempo (... )

“Vale recordar o acontecido em 1648. Era o dia 18 de abril, Domingo de Páscoa, por volta das 11 horas da noite, quando o General Dom Francisco Barreto de Menezes deliberava com João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros sobre o enfrentamento com o inimigo que se daria no dia seguinte, festividade de Nossa Senhora dos Prazeres. Ciente de que dispunha de apenas 2.200 homens para enfrentar 7.400 do invasor, Dom Francisco, dirigindo-se a seus companheiros, disse-lhes: “Quero declarar-lhes que me lembro de nestes lugares erigir um templo à Virgem Nossa Senhora dos Prazeres se Ela, por sua poderosíssima intercessão, nos alcançar do Senhor das vitórias mais esta. Uma voz interior, uma força irresistível me aconselha que empenhemos a batalha, que a Virgem será conosco e ficaremos vencedores.” 

“No mesmo instante, em meio a um grande estrondo, aparece-lhes uma estrela fulgurante e ouve-se distintamente uma voz que diz: “Dom Francisco, a proteção com que contas te será outorgada! Combate e vencerás!”


A crônica de 31 de dezembro

 Como surgiram as monarquias? – por Armando Lopes Rafael

   No decorrer dos séculos, pelos usos, costumes e tradições dos povos, foram se formando as chefias naturais, sempre de baixo para cima. Pois tudo que é orgânico nunca emana de cima para baixo, mas decorre de baixo para cima. Assim nasceram as primeiras lideranças e os primeiros regimes políticos. Semelhantes a uma semente vegetal, que uma vez plantada no solo, tende naturalmente a crescer para cima, a se desenvolver, a alcançar uma plenitude e a realizar uma vocação. O mesmo que ocorre com as pessoas e com as sociedades. A riqueza da sociedade está exatamente nesta diversidade de vocações. Nesta harmônica e proporcional desigualdade. Se todos quisessem ser médicos, não teríamos o camponês, o artista, o engenheiro, o professor, o artesão, o historiador, o literato, etc. O igualitarismo continua sendo uma utopia (E onde foi implantado tornou a sociedade mais pobre, mais triste, mais desumana).

   Estima-se que a Monarquia tenha surgido juntamente com a organização da própria sociedade, ou seja, com a aglomeração de pessoas e a formação das primeiras cidades. No início era uma monarquia com muitos defeitos. Comandada pelos mais fortes, até que evoluiu para a escolha de uma família destacada. Posteriormente, foi adotado o direito hereditário e a primogenitura, evitando lutas e crises na busca pelo poder. Depois, tivemos as monarquias absolutas com todos os seus defeitos. É por isso que as monarquias absolutas são hoje descartadas pelos atuais monarquistas.

      Até que se consolidaram as monarquias parlamentaristas constitucionais, nas quais o Rei é só o Chefe de Estado. E o Governo (todo governo é sempre transitório, daí a alternância do poder) é formado após os resultados das eleições livres, quando o povo vota para escolher os vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores.   
    
        Acertadamente escreveu o escritor Armando Alexandre dos Santos: “A monarquia longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou desconhecimento. Pode até parecer um sonho, mas como escreveu Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. E se a monarquia parece um sonho, a república que temos no Brasil sem dúvida é um pesadelo”.


30 dezembro 2020

Do direito de ser feliz - Por: Emerson Monteiro


Isto, no entanto, é fruto de um plantio doutras horas. Fixar os propósitos no território fértil da esperança e seguir adiante. A todo instante persiste essa matéria prima da tranquilidade, desde que plantemos o que queremos ao sabor dos demais seres. Num templo de compreensão dos mecanismos internos, aqui habitamos constantemente. Olhos postos nos mistérios contidos no mundo, armamos nossas ações no sentido da realização do Ser no qual imperamos, se assim o quiser.

Dentro das possibilidades humanas, há isto de obter alegria sempre. O que define sobremodo a força de viver significa administrar a vida interior. Todos, sem exceção, trabalham na mesma direção, porém sujeitos esquecer a melhor parte. Invés de exercer função essencial de viver em estado positivo, quase que deixam de lado o senso e agarram só que passa. Porém, bem aqui, contudo, é estender a mão e domar a fera dos instintos, e aportar no porto seguro da certeza dos dias melhores. A toda manhã, os pássaros nos despertam às novas chances de nós mesmos. Instrumentistas da realidade plena, eles vêm recordar nossos compromissos com a luminosidade dos valores eternos. E demonstram a firmeza do destino que nos aguarda de braços abertos, desde que admitamos a força de tudo quanto existe em volta.

Por isso, eis um direito fundamental que pertence aos padrões dos humanos. Agir, pois, sob quais atitudes demonstrar o poder infinito da Criação a que pertencemos, tais a razão principal do processo e dos valores da imortalidade.

As cores, os sons da Natureza, sonhos nossos, tudo bem representa esse tesouro que herdamos do Universo. Aprender, a isso aqui nos vemos face aos dias. Confiar de corpo e alma ao objetivo essencial que representa, sem sombra de dúvidas, a valiosa espécie humana e sua religiosidade original; exercitemos a função de administrar as oportunidades que transportamos na existência. Tais compositores de novas harmonias, tangemos os momentos à busca da verdadeira felicidade, com saúde e paz.


28 dezembro 2020

Ano novo, seus presságios e outras considerações - Por: Emerson Monteiro


Ao que parece, o mundo ficou pequeno para tantas modificações de perspectivas em tão pouco tempo. Em um único período anual, 2020, houve acontecimentos que valeram pelos milênios anteriores, isto sem a menor previsão que fosse acontecer. Então, agora, véspera de novo ano, eis que nos deparamos com indefinições de vários âmbitos, desde o aspecto sanitário, sob a ameaça de um vírus desconhecido da Ciência, até transformações radicais nas relações de trabalho e mudanças diplomáticas que remontam a Guerra Fria, numa reedição tardia dos dois blocos de poder, o Comunista e o Conservador capitalista, entranhado em todas as nações, mundo afora, gestos de ganância pelo comando e alterações radicais das formas de conduzir a distribuição da riqueza, sem esquecer a formação de bolsões de exclusividade e corrupção espalhados em todos os escalões e classes sociais.

Diante, pois, desse quadro indefinido em termos absolutos, inexistem barreiras às contradições do que nos espera daqui à frente; isso acrescentado desde quedas radicais da atividade econômica, face às restrições de circulação de pessoas impostas pelo isolamento social da pandemia, gerando prejuízos incalculáveis de países antes ditos autossuficientes. Face ao tanto de movimento em ação, tornam-se por demais impossíveis previsões claras do que virá a ser o próximo ano, conquanto alterações na balança do poder econômico isto resultarão inevitáveis e profundas.

Doutro lado, no que tange ao Brasil, este de certeza merecerá a atenção exclusiva das outras nações, vista a sua importância de maior área agricultável do Planeta, já a abastecer um quinto da humanidade mundial através da agroindústria e do agronegócio, ocasionando assédio político das principais potências, em consequência aumentando a voltagem das disputas internas pela hegemonia dos poderes. Olhos de todas os povos tendem a reconhecer o patrimônio natural brasileiro, o que o novo ano evidenciará, sem sombra de dúvidas. 

No cenário político entre as nações, países ditos ricos defrontar-se-ão no domínio dos mercadores consumidores, enquanto a Europa refletirá mais de perto os riscos da geopolítica emergente, vista sua proximidade com os países árabes, de longe populosos e subdesenvolvidos; o continente africano, também vítima das superpotências na exploração das riquezas no decorrer da civilização; e a explosão populacional chinesa, que atinge os limites de sua capacidade produtiva e dependerá, daqui adiante, do que produzirem outras nações, sobretudo em termos de alimentos.

Portanto, viveremos fase de indefinições jamais imaginadas, carecendo, como nunca, de grandes líderes que visualizem meios administrativos coletivos de superar as contradições impostas pelo que chegaram os seres humanos neste momento da História.


A libertação interior - Por: Emerson Monteiro


A submissão humana aos valores criados pelos tempos e tradições requer largo empenho individual de chegar, um dia, aos níveis superiores de evolução. Sair das águas turvas deste chão e mergulhar às profundezas do Ser, eis a destinação última dos quantos aspiram desenvolver o potencial de que somos dotados. No entanto isto requer esforço, dedicação circunstanciada e anseio intenso. 

Tarefa por demais necessária a fim de inteirar o tal impulso de viver, contudo exige empenho da constituição sob a qual aqui nos achamos durante todo tempo. A finalidade última que tantos imaginam está, pois, às nossas mãos pronta ao gesto de se autoconhecer, o que reclama tão só atitude; a coerência do querer com o agir. Muitas escolas indicam esse caminho, porém os passos vêm de nossos próprios pés. 

De um modo simples, está nisto a finalidade derradeira do quanto existem todos os fenômenos da Natureza, permitir, o que alguns denominam a Salvação, a libertação da deste mundo e a evolução aos níveis infinitos da Criação pela Verdade e o Amor.

A isto estamos no caminho... Transformar chumbo em ouro, no conceito dos alquimistas. Tempo que passa a Eternidade inigualável. Guerra exterior em paz interior dos pensamentos e sentimentos. Luz na consciência.

Ainda que vejamos, em princípio, o burburinho das civilizações pelo afã de segurança e funcionalidade, todavia bem dentro do universo dos seres habita incessante o desejo da perfeição, o que somente será conquistado mediante o exercício dos valores imortais desde sempre analisados à luz da religiosidade. Nada mudou há milênios perante este sonho de felicidade sem fim a que tantos aspiram e trabalham.

Da harmonização dos instintos através de reflexões e providências da gente com a gente mesma, virá esta iluminação de nossas almas pela transformação de sonhos em pura realidade. 


26 dezembro 2020

Esses tempos bíblicos - Por: Emerson Monteiro


Tempos de Babilônia e Jerusalém, quando nem tudo parecia tão normal assim e as caravanas demoravam a passar enquanto ladravam, impacientes, os cães, à beira das estradas desertas. De hora a outra, séculos ficaram diferentes do que videntes avisavam e brilharam com força as estrelas nos céus. Bem ali, num abrir e fechar de olhos, planos e expectativas quedaram inúteis. Agora, só o silêncio das esferas a percorrer firmamentos imaginários; lá dentro o vazio das distâncias impossíveis de viver. 

Nisso, hordas bárbaras seguiram com as suas invasões territoriais. Do quanto de herança definitiva apenas restaram intactas as capitanias hereditárias na memória dos livros abandonados. De certeza plena restaram os fragmentos dos poemas soltos pelo ar. Daquilo de coerência nas leis quase nada real ficou grudado às paredes inexistentes.

Por isto, na história, um instante de séculos e séculos de tantos erros são frutos das vaidades neste chão. Fome e ingenuidades do poder preenchem as horas dos humanos. Ninguém, pois, que garanta o dia seguinte, face as tais ameaças dos ventos contrários do flagelo inesperado. 

Vêm de volta lendas judias na busca incessante da Terra Prometida, que hoje existe em lugar algum no íntimo das pessoas; porquanto sombras já encobrem o conforto das cidades, os parques e vilas. Pessoas silenciosas vagam pelas ruas feitas visagens na fuligem do drama coletivo, quais meras ausências esquecidas em viagens intergalácticas. Longas filas nos bancos, nas lotéricas e nos becos e avenidas. Solidão. Multidão. Seres humanos. Viver passou a significar atividade de alto risco, aventura de causar espêcie, pânico religioso que preenche ruas e praças, campos e arvoredos, nas noites escuras de medo e dúvidas, aos sons desconhecidos de sinfonias enigmáticas, a menos que saber o valor da esperança e da paz toque por perto o coração dos viventes em seus movimentos atuais.


Esperança – José Luís Lira (*)

 

    Esta é a última coluna do ano e como diria um narrador de futebol, a escrevo nos últimos minutos do segundo tempo do tempo que a redação nos deu. É manhã de véspera de Natal. Em casa estamos papai, mamãe e eu. À tarde e noite estaremos no sítio. “Veremos” a Missa pela TV.  E aquele clima de alegria, de festa não se fez ausente, graças a Deus! Quando tendemos a fraquejar, vem uma mensagem, uma ligação, um áudio e nós lembramos que há 2020 anos Aquele que é a razão da celebração de hoje, nascia numa manjedoura. Seus pais, aflitos, buscavam um local digno para a criança nascer. Eles tinham a certeza de que o Redentor estava prestes a nascer, mas, uma dúvida sobre sua segurança pairava. Será que também não estamos assim? Por outro lado, a fé e a esperança nos movem. E por falar em esperança, não posso deixar de citar um comercial de uma rede bancária brasileira que há alguns anos nos premia com a voz da grande dama da TV, Fernanda Montenegro. 

    Este ano de incertezas, dona Fernanda, aparece numa praia. Está de costas, olhando para horizonte. Enquanto ouvimos sua fala como se lêssemos seus pensamentos, pois, na filmagem ela não fala: “Não espere que eu repita tudo que já foi dito esse ano. Eu não olho para o passado. Eu existo para o futuro: me chamo Esperança. Eu sei, tem horas em que você quase me perde, mas sempre que isso acontece nós terminados juntos de novo, a esperança não existe sem você e você não existe sem ela. É por isso que esse filme termina não com uma marca, mas, com um convite: acredite em 2021! Acredite!”.

    É o que precisamos: ter fé, esperança, acreditar que novos tempos virão. É esta a força motora da humanidade. É preciso também que façamos nossa parte. Saíamos apenas o necessário. Evitemos aglomeração. E nesta noite de Natal, assim como penso será a de Ano Novo, estaremos mais próximos da família. Em minha família sempre reunimos família, familiares e amigos de quase uma vida toda no nosso cantinho que é o Sítio Monte Alegre (o nome não é poético, está na escritura do imóvel). E na noite de Natal o Monte é mais Alegre, mais iluminado pelas luzes, colorido pelas presenças e feliz porque é a festa maior da Cristandade. Este ano estaremos apenas a família, mas, felizes, primeiro pelo nascimento de nosso Salvador, depois, porque estamos com saúde, em paz com cada um de nós, maravilhados porque teremos as presenças das duas joias mais raras que temos: Isadora e Anne Eloísa que ano passado tinha pouco mais de um mês e hoje tem um ano e um mês. Ela ensaia seus primeiros passos e palavras e tudo é festa para seus pais, Robério e Elisiane, e para nós todos. Conversei com a Isadora que o Papai Noel pertence ao grupo de risco e não pôde vir este ano, mas, lhe mandou presente. E seu lindo sorriso, talvez um pouco desconfiado dessa “estória”, mas, com toda a ternura da inocência, se esboçou.

     Que em 2021 tenhamos boas-novas, boas-notícias e lembremo-nos das palavras do Samuel, último dos Juízes em Israel e primeiro dos Profetas após Moisés, “Até aqui nos ajudou o SENHOR” (1Sm  7,12). Que Ele continue a nos ajudar e a escrever nossa História! Concluo com o lema da Ordem Pontifícia da qual sou Cavaleiro, a nobre e pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém: Deus lo vult (Deus o quer).
Feliz 2021!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.
 

23 dezembro 2020

A força do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Neste mundo cercado de notícias e prédios matemáticos, em meio aos ruídos diversos do império absoluto do Tempo e seu tribunal, permanecem os humanos face a face consigo a buscar a calma dos elementos. Às vezes, se olha o passado, quarto de despejo do futuro, abarrotado dos trastes de quem ninguém sabe o sucesso, porém largados na trilha das ausências e dessas a impaciência de encontrar felicidade, mesmo naqueles outros que fitam o futuro e também ali um dia existirão. Dentro, pois, do espaço contínuo desses existires, transcorre, numa velocidade estonteante, o caudal dos acontecimentos, pensamentos e sentimentos. 

Bem isto, do tal ser que somos, testemunha de si próprios nos vastos campos do Senhor, vêm questões principais, os dramas das existências só quase no início de compreensão. E nisso ficar observando, sem saber interpretar direito, a razão do que vivemos aqui. Uns receitam viagens, outros festas, mais outros, argumentos vários, em marés de sustos e alegrias.

Quantos gostariam, nesta hora, de aceitar as normas do Destino e cruzar noites de pura paz?! Quantos e tantos. Sorrir aos dias tais crianças em estado de inocência e caminhar destemidos nas escarpas do Infinito. Porém houve que conhecer os dois lados de si e poder aceitar o que de melhor existe, no entanto. Descobrir o efeito das marés nas profundezas da alma, o que perfaz o mais íntimo...

Em face das persistentes aflições e angústias de desconhecer a plena Sabedoria, arrastamos o instante, a fazê-lo eterno pelos confins do firmamento. Remamos o barco da presença nas ânsias incontidas da História, onde reis e súditos confundem seus papeis. Entretanto, cientes de que ignoram os motivos de estar aqui, ainda assim adotando de certeza que justos são os princípios que regem o Universo inteiro. Então, brumas de silêncio cobrem lentamente de gritos as horas e trazem o senso da consciência aos corações adormecidos.

(Ilustração: Ingmar Bergman, em O sétimo selo).

Uma reflexão

 A águia e o corvo

O único pássaro que se atreve a atacar uma águia é o corvo.

Este se senta sobre suas costas e bica seu pescoço. No entanto, a águia não responde, nem luta com o corvo. Não perde tempo e nem gasta energia com ele.

Simplesmente abre suas asas e começa a subir mais alto. Quanto mais alto é seu voo, mais difícil é para o corvo respirar, e logo ele cai por falta de oxigênio.

Assim é como a águia deixa de perder tempo com os corvos, e os liquida.

E você continue seu voo nas alturas, porque “eles” por si mesmos, despencarão.

22 dezembro 2020

O senhor do impossível - Emerson Monteiro

Mergulhar em algumas avaliações místicas justamente em um tempo quando resta mundo esquecido de valores antes fundamentais, se é que um dia foram fundamentais, nesse pesar das eras. Lembrar os raciocínios de Deus a que neles se detiveram filósofos sós nas páginas amareladas dos velhos livros quase abandonados no decorrer das práticas cotidianas deste mundo insano. Hoje, falar em Jesus, Buda, Lao-tsé, Kierkegaard, Platão, Orígenes, remexe as fibras machistas dos tambores acelerados  e os padrões da era nuclear de deuses entontecidos e estéreis, ícones de acrílico e fibra de vidro, rolados e impressos nos painéis gigantes da terceira dimensão, vazios de conteúdo real.

Às raias do absurdo, indiferentes, jogaram os dramas da espécie, comédia insólita dos porões vazios da máquina embrutecida e esfumaçada na embriaguez de farras. Há gigantes em tudo, nas vitrines e nos paraísos artificiais da massa melancólica, que vaga absorta e de olhos pegajosas.

Enquanto isto, a única saída verdadeira é precisamente onde não há saída no juízo humano. Senão, para que precisaríamos de Deus? As pessoas só se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam, afirma o filósofo russo León Chestov. 

Nunca, tal nestas datas momentâneas dos princípios de século XXI, houve tamanha ausência dos instrumentos morais que permitissem aos humanos adotar um sentido justo às suas existências tangidas pela engrenagem do magno sistema dominante. Quais lesmas de aquário, eles descem, sórdidos, acomodados, as escadarias de pedra dos altares do sagrado e se deixam imolar feitos mercadoria nos salões engalanados da ilusão artificial, racional.

As almas, no entanto, ansiosas de virtudes e banhadas nas lágrimas da solidão dos grupos, buscam meios de recordar o trilho abandonado nas selvas da Natureza, e erguem aos Céus preces esquecidas. Eis Deus: devemos remeter-nos a Ele, ainda que não corresponda a nenhuma de nossas categorias racionais, insiste Chestov.

Aos raios dourados da Esperança, Razão em seus frágeis argumentos agora demonstra o pouco do que trazia na caixa das fantasias, presa também de nenhuma possibilidade além da matéria em fria decomposição. 

Eis Deus, o absurdo que renasce das cinzas no coração dos vales de antigamente.

21 dezembro 2020

A trégua do Natal - Emerson Monteiro


Na fase do pós-Segunda Grande Guerra, o cinema americano intensificaria a produção de filmes, em sua maioria em preto e branco, contando as histórias do conflito. Lotavam salas inteiras, isto aos finais da década de 40 e primeira metade dos 50. As narrativas dramáticas das escaramuças destacavam sempre o heroísmo e a pujança dos Aliados, os dramas dos quarteis e as aflições que o conflito espalhara pelo mundo. Praticamente o esforço de Hollywood, à época, focalizaria suas câmeras nesse estilo de produções.

E lembro bem um dos filmes, visto tratar deste período de dezembro, na frente russa, quando os exércitos se digladiavam cruamente e, na noite do Natal, suspenderiam fogo, indo soldados de ambos os lados fazer confraternização em homenagem ao nascimento de Jesus, numa cerimônia conjunta, próxima das trincheiras. Eles, inimigos ferrenhos, nem sabendo falar a mesma língua, ali estiveram reunidos pacificamente, durante algumas horas, no jantar improvisado, para, em seguida, retornarem ao confronto. Naquela noite, no entanto, não disparariam única arma que fosse.

Qual à nossa Humanidade, em respeito ao mistério da Salvação que o Cristo nos veio conceder, permissão de vivenciar a Luz através do Amor, transformação de todos diante da mensagem do Calvário, nesse encontro das duas percepções humanas, a materialidade que ora habitamos e a possiblidade infinita de sermos agraciados com a espiritualidade consciente, Jesus nascerá em nossos corações.

Neste momento da História, pois, quando tantos padecem os tempos difíceis das agruras de uma pandemia até então desconhecida, que espalha medo entre os povos, há que desenvolver o senso de fidelidade ao Criador, em respeito à sua justiça soberana, render-se diante dos desafios evolutivos e erguer a visão ao equilíbrio universal da Paz.

Quais guerreiros na busca de uma certeza maior, cessemos as batalhas internas e nos tranquilizemos pela confiança nos dias melhores que virão trazendo, a todos nós, um pouso de esperança e Fé.

18 dezembro 2020

Os lados da moeda - Por: Emerson Monteiro


Dois aspectos da existência e suas funções principais, morte e amor fornecem os meios necessários à compreensão universal. Dois passos de um só corpo, margens do mesmo rio, alimentam a possibilidade no chegar nalgum momento ao objetivo certo. Examinar em volta os infinitos aspectos da realidade, nisso persiste a descoberta do segredo que todos esperam revelar do filme que somos nós. Fugir de si, impossível. Apenas rever os papéis desempenhados, e aceitar decidir lá um dia pela porta que quer entrar, final ou início eterno do amor.

Transcender, elevar a visão, sobreviver, nisso a ressurreição do processo onde caminhar. Agir rumo da transformação do ser falível num ente livre e desperto. Trocar de pernas, permanecer aqui neste chão ou descobrir a que se vem pelas reencarnações. Caminhar no sentido da liberdade. 

Que morrer ninguém quer, novidade nenhuma. Apesar de apreciar o sensacionalismo do sofrimento alheio e dos fins trágicos dos outros, defeito que alimenta as aves de rapinas, no entanto lá por dentro mora solta a vontade no continuar. 

Justa das alternativas que oferece continuidade, amar significa sempre a perpetuação da individualidade, no mistério de existir. Correr aonde mais de nada importa que represente realidade além da forma de perder sem outra chance, ainda aqui nesta hora.

Conquanto cheios de furor e festa, os humanos deitam na lama do extermínio de si as ganas de eliminar a monotonia aparenta deste mundo artificial. Pura perda de imaginação e jogar fora todas as maravilhas da genial Criação, lançam nos lixões da aparente facilidade o final feliz da imortalidade.

Amar, amor, vida eterna de que falam os místicos, assusta os pretensos materialistas do plantão em queda livre. Enterram a cabeça na areia do prazer embriagador que mata na maior sem cerimônia. Enganam, se enganam e gostam de perder a melhor parte, o todo.


Carta ao Menino Jesus – José Luís Lira (*)

    Querido Menino Jesus. Sei que para vós nada é comparável ao que vivemos, ao que sonhamos. Há mais 2019 anos celebramos vosso nascimento. E, podemos tratá-lo por Menino, embora saibamos que crescestes, que neste mundo encontrastes ternura e amor, mas, encontrastes a fúria, a inveja e a maldade. Ainda assim, sabemos da missão que vivestes – quase igual a nós –, mas, não tinhas o pecado em vós; que crescestes em fé e sabedoria; que foste ao deserto; escolhestes doze amigos para acompanhar-vos e n’eles retratastes a humanidade: homens de fé, corajosos, fracos... a inveja e a traição esteve entre eles; ensinaste que o amor é o maior mandamento; fostes  c-r-u-c-i-f-i-c-a-d-o.... ressuscitastes e a glória se instalou entre os que vos viram e, também, entre aqueles que não vos viram.

   Querido Menino Jesus, vou continuar a me dirigir a vós, Menino. Terno. Lindo como toda criança, independente de sexo, de cor, de raça, é. Todas as crianças são lindas e um dia dissestes, “deixai vir a mim as crianças, pois, delas são o reino dos céus”.

    Sabe Menino Jesus, penso que este ano muitos e muitos recorremos a vós. Não tem sido muito fácil. O mundo se abala com uma pandemia. Não se pode dizer que há uma parcela da população que foi atingida. Todos podem e não podem ser vítimas da pandemia. E eu venho vos pedir não “o retorno à normalidade”, mas, o fim da pandemia. Que a nova normalidade tenha mais amor, mais dignidade. Que, no momento, haja mais responsabilidade e que o mundo reconheça suas fragilidades e reconheça que é em vós que devemos buscar a solução para os problemas da humanidade. Nós vos pedimos que ilumineis os cientistas; aclareis as mentes arrogantes e que a solução para essa pandemia chegue à terra. 

    Ouvi uma mensagem comovedora de um neto para uma avó sobre a possibilidade deles não se encontrarem no Natal. O vosso aniversário acabou se tornando uma celebração da humanidade. Nem sempre a ternura prevalece. Sei que é difícil, mas, este ano a solidariedade tem que ser nosso diferencial. Muitas pessoas necessitam e mesmo com as limitações impostas, temos que fazer nossa parte. Aqui me recordo, mais uma vez, da missão de vosso filho Pe. Júlio Lancellotte, para quem Natal é todo dia, indo ao encontro dos irmãos mais necessitados.

     Vejo a cidade se preparando para a Noite Feliz, noite de vosso nascimento. E um clima de preocupação paira no ar. Até no Vaticano a Missa teve o horário alterado e haverá limitação de participantes. O medo ronda o mundo. 

     Essa semana, enquanto trabalhava na causa de beatificação de um servo vosso, Mons. Waldir Lopes de Castro, me impressionou um escrito dele na véspera do encontro definitivo dele convosco. Ele falava da visita de vossa Mãe, Maria Santíssima, à prima dela, Isabel. Ele dizia que Deus também nos quer visitar... e que “se essa visita foi ardentemente desejada, ela acontecerá. E essa visita poderá continuar-se. Assim, Natal nunca mais deixará de existir...”

   Que o medo se afaste e ouçamos o anjo: “Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Que convosco, Sagrado Menino, nos venham boas-novas, literalmente.
     Santo Natal a todos!

     (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

16 dezembro 2020

Dos desafios que vive a Civilização - Por: Emerson Monteiro


Isso além até da própria sobrevivência das pessoas, há, nos tempos de agora, necessidade do crescimento da cultura face às interrupções do ritmo regular ao qual nos víamos submetidos. Menos previsíveis do que os planejamentos, vieram impactos cruciantes, qual numa oscilação de curva, e aquilo que antes parecia definitivo nada mais era do que respiração a que logo começassem, outra vez, severos desafios. Nisto são as hecatombes naturais, as crises sociais, os impactos de guerras e revoluções, as dores das populações, enfim a tal pandemia que ora grassa nas noites tormentosas, seguidas de horas alegres e festas, festivais e progressos só parciais. Bem assim caminha a nossa humanidade.

Ao exemplo disto, transcorrem a Terra e seus povos um período crítico coletivo, envolto de nuvens escuras, ansiedade e aflições. Do ponto de vista da saúde comum, multidões padecem a ameaça de inimigo invisível que rompe fronteiras e invade os lugares distantes. Vírus letal ceifa vidas, enquanto a Ciência busca respostas que impeçam o pior, nem sempre com o sucesso desejado.

As marcas dos recentes acontecimentos, desta segunda década do milênio, revelam marcas profundas nos limites humanos. Diante de tantos avanços tecnológicos, revela-se ausência quase absoluta de meios que ofereçam resposta à crise sanitária atual, onde todos abrem os olhos a incapacidade que assusta, quadra difícil da espécie humana, quando ninguém mais confia em ninguém mais, por causa do risco de contágio. Uma dúvida galopante, por isso, toma conta da espécie, neste momento. A herança do quanto acumulado virá mera peça de museu, num questionamento geral.

Bom, eis o resumo do que acontece nos diversos países, vista a fase difícil que exige atitudes sobre-humanas e impõe questionamentos severos à espécie inteira. Em menos de 365 dias, aqueles valores e providências que davam segurança perderam sentido, pondo por terra os brios das conquistas acumuladas durante milênios.  

A História padece, pois, ter de reiniciar desde os princípios arcaicos e descobrir meios urgentes de reverter seu curso, inclusive substituindo as prioridades que dominaram até aqui. Nunca houve, na existência de tudo deste chão, tamanha importância da solidariedade e do respeito de uns pelos outros irmãos, que é mesmo o que somos.

(Ilustração: Ran, de Akira Kurosawa).



14 dezembro 2020

De tudo o que nos resta - Por: Emerson Monteiro


Assim a brisa / Nos ramos diz / Sem o saber / Uma Imprecisa / Coisa feliz.                                                                                                        
Fernando Pessoa (Foi um momento)

Isto de ser feliz. Adormecer para sempre nos braços da Paz. Fugir pelas estradas de nós mesmos. Ir além do nada absoluto que nos cerca dos laços de uma existência ainda incerta. Pisar as nuvens quais andarilhos invisíveis da humana condição. Partículas das ausências num mar de contradições. Seres insanos, no entanto luzes do Universo e chamas que não se apagam. Pólem de flores exóticas em matas inexploradas. Sons e letras dos versos que nunca serão escritos. Nós, parceiros do desconhecido, presas das horas deste tempo que nunca passou.

Por isso, andar aqui nas folhas virgens do mistério. Sonhar sonhos distantes que jamais tocarão os pensamentos. Sentimentos puros de corações embevecidos. Olhos que se fecham sobre si à busca de almas penadas nesse teto da ilusão. Tons leves de canções românticas aos raios avermelhados dos fins de tarde; naves da imaginação.

Aqueles, que insistem seguir adiante, mesmo cientes de ter chegado ao destino serão os parceiros da Eternidade, onde ali repousarão junto do inexistente tais espectros de vidas jamais vividas. Prometeus da infinitude, veem transcorrer existências intermitentes e observam, no furor das esferas, a solidão cósmica do Infinito. 

Querer das palavras tão só pausas e o silêncio persistente da Criação original. Melodias suspensas no ar frio das manhãs, trilhas do instante, marcas indeléveis de amor definitivo. Neste manto de firmamentos que a tudo envolve, presenças inevitáveis, dores e marcas contam suas histórias felizes. 

Porém em tudo há imensidade, vidas interiores que jamais perecerão. Esse fluir constante de estrelas na longa calma de preencher todos os espaços e sobreviver às intempéries das lutas insanas. Saudades, pois, na forma de suave perfume a deslizar no coração e harmonizar as tempestades onde antes fora apenas desejo de emoções que agora eclode e sustém a visão dos instintos puros na perene felicidade.


Um “granjeiro” que vinha a ser o herdeiro do Trono de Dom Pedro II

   Pouca gente sabe, mas os descendentes de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, desde que voltaram do exílio, vivem no Brasil de forma modesta e exemplar

       Em 1971, o “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro, noticiou que um fiscal que cadastrava as propriedades rurais de Vassouras, município do Centro-Sul daquele Estado, chegou a uma granja cujo dono era conhecido naquela região apenas como o “Granjeiro Pedro”. Após as apresentações, o fiscal começou a qualificar o homem. A primeira pergunta foi quanto a sua nacionalidade, ao que este respondeu:
Brasileira.
– Naturalidade? – quis saber o fiscal.
Francesa – respondeu o granjeiro.
– Então o senhor é naturalizado?
Não, senhor. Eu nasci mesmo na França.

    O fiscal de início pensou que estava sendo vítima de alguma brincadeira, mas o granjeiro explicou:
Os membros da Família Imperial Brasileira, em qualquer lugar que nasçam, são sempre brasileiros.

   Foi neste momento que o fiscal, prestando mais atenção, leu o nome completo do granjeiro: Pedro Henrique de Orleans e Bragança.

     Conforme explicou o “Jornal do Brasil”, aquele não era outro senão o bisneto do Imperador Dom Pedro II e neto da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu, nascido em exílio, mas que seria então o Imperador do Brasil, não fosse a quartelada republicana de 15 de novembro de 1889.

      Sua Alteza vivia em Vassouras com a esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e os mais novos de seus doze filhos. O periódico informava ainda que o filho primogênito do Casal, o então Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança (atual Chefe da Casa Imperial do Brasil), de 33 anos de idade, residia em São Paulo, onde trabalhava como engenheiro químico.

Foto: O Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1921-1981), Chefe da Casa Imperial do Brasil, acompanhado de sua esposa (à direita), tendo, ao centro sua irmã, a Princesa Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, em sua propriedade, o Sítio Santa Maria, no município de Vassouras, no Norte do Estado do Rio de Janeiro.


13 dezembro 2020

Nova e eterna aliança - Por: Emerson Monteiro


A importância de tudo isto que aqui se vive no decorrer das existências tem, pois, nítida finalidade, ou seja, encontrar consigo próprio, no desvendar do enigma deste Chão de tantas contradições. Afinal haveria de ser assim, demonstração perfeita da exatidão de um Criador sublime, sábio naquilo que faz e mantém na face dos momentos. 

São muitos exemplos de respostas parciais, enquanto o Universo prossegue firme suas determinações, e a gente a observar os fenômenos, vivendo de dentro toda a história das almas nas sombras da perfeição que conduz o fluir dos acontecimentos. 

Seres quais observadores de si mesmos, no entanto peças insubstituíveis da humana condição, desenvolvem o conhecimento e têm milhares de oportunidades na espera de reverter mudanças em favor de todos, contudo insistentes sacerdotes do egoísmo, já no limite das ações. Absortos nas chances jogadas fora, sentem por demais a fome da paz que agora circula solta nas nuvens e nos sóis. 

Nisso, pelas frestas de pensamentos e sentimentos, começam a perder o brilho vaidades e prazeres, e, espécies de guerreiros individuais, um silêncio lhes fere nos desejos selvagens. Calafrios afligem o espinhaço das trevas e tais forçados da dor começam limpar as aparentes certezas escondidas pelos séculos, vendo de vez que há bem outras estradas no trilho das ocasiões. 

Buscam o que sempre imaginaram devessem buscar; resolvem, por si só, ativar mecanismos da sorte que cumpram o roteiro de seriedade e deixam de lado as perdas ilusórias. Os mesmos que antes visavam instintos, descobrem existir novas luzes no firmamento. Querem a todo custo alimentar sentidos melhor responsáveis. Visto que hordas bárbaras invisíveis aceleraram o processo, nesta vida, rendem homenagem a novo pacto com o Destino e oram contritos aos Céus pela vitória do Amor.

(Ilustração: O Angelus, de Jean-François Millet).

12 dezembro 2020

As fronteiras do definitivo - Por: Emerson Monteiro


A sensação extrema de ter de cruzar o rio da existência e se deparar, do outro lado, com o eu espiritual, havendo de largar de vez por todas as emoções da carne, vencer os apegos e despertar do sonho de viver contradições de uma vida provisória, olhe o que seguiu da correnteza inevitável rio abaixo.

Por mais houvessem de lutar nesse campo de batalha, a enganar a si perante a transitoriedade do universo do Chão, os humanos padecem a síndrome da impermanência, todo tempo, e saber que existir nas batalhas que ora enfrentam significa tão só adiar esse encontro definitivo com o Eterno, ser que o somos sem alternativa se não viver.

Deslizar no fio do tempo e abrir mão do que deixa na estrada, eis o senso de habitar essa cápsula onde transitamos diante do desconhecido; saber que tudo acaba em um nada que pergunta pelas razões da consciência que carregamos conosco aqui dentro.

Enormes interrogações de matéria, vasos de profundidade infinita, luzes em formação, que tangemos feitos autores de nossas almas no dia seguinte da viagem, no entanto envoltos nos véus das escolhas insistentes. Aves de arribação de nós mesmos face do Absoluto. Artesões da compreensão do que virá e que plantarmos, infernos ou céus de frutos que semeamos.

Bem isso, o caudal do que cumprimos aqui, ainda quais aprendizes de dores e amores, olhos postos nas paisagens inesperadas da Justiça inevitável. Vilões e mocinhos das longas histórias de uma Humanidade inteira de que somos partes proporcionais às práticas dos vícios e virtudes, resumo das gerações que compõem na melodia das horas.

Portanto, aos passos e apalpadelas, construímos tal roteiro, nosso e dos demais; e sejamos dignos, pois, das boas novas de tantas notícias dos místicos que veem antes o que iremos ver após dobrar as fronteiras do definitivo, bem ali adiante, no vão da sorte que nos espera, o outro nome do Destino.

(Ilustração: Jogos infantis, de Brueguel o Velho).

Do seriado "Coisas da República"

"Memórias republicanas de Crato: a “Lei de Chico Brito”

 
Cel. Francisco José de Brito
 

   O fato abaixo seria impensável no Brasil Império, nação constitucional e cumpridora das leis vigentes, emanadas do Parlamento. Mas a monarquia foi derrubada em 15 de novembro de 1889 e a coisa mudou...

   Entre 1896-1912 – por 16 anos – governou o Ceará a oligarquia dos Accioly. Vem de longe, como se vê, a tradição de “famílias importantes” dominarem o poder no Ceará. Era “Intendente” de Crato, àquela época, o Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, fiel ao clã dos Accioly. “Intendente” era como se chamava (no início dos conturbados tempos republicanos), o atual cargo de “Prefeito Municipal”. Derrubado o Governo Accioly, assumiu o Coronel Franco Rabelo. Este, nomeou como novo intendente de Crato seu aliado, o Coronel Francisco José de Brito.

     O antigo intendente, Antônio Luiz Alves Pequeno, não quis entregar o cargo. O Coronel Francisco José de Brito, inteligente e astuto, foi ao então sítio Lameiro (que anos depois viraria distrito e hoje é um bairro citadino de Crato)  e de lá trouxe até a Praça da Sé (onde ficava o prédio da Intendência, hoje túmulo do antigo Museu de Artes Vicente Leite) um grupo de amigos. Encontrando a Intendência fechada, arrombou a porta e sentou-se na cadeira antes ocupada pelo Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, Intendente anterior. 

    Nisto apareceu o Dr. Irineu Pinheiro, sobrinho do Cel. Antônio Luiz. Irineu (considerado um dos maiores historiadores do Cariri) ficou revoltado ao ver a cena  e perguntou:

– “Mas qual é  lei que o Sr. se arrima para assumir a Intendência”?

     O Cel. Chico de Brito, tranquilamente, sentenciou:
– “É a “Lei de Chico de Brito”! Esta lei eu mesmo fiz. E estamos conversados”.


11 dezembro 2020

Velhos provérbios populares do Cariri

      Outrora, nas suas conversas corriqueiras, os caririenses tinham o costume de inserir – nos seus colóquios com vizinhos e conhecidos – os tradicionais “ditados populares”. 

      Estes resumiam o jeito do povo de entender e viver a vida naquele tempo. Relembremos alguns desses conceitos morais, muito repetidos naqueles períodos passados: “Mato tem olhos, paredes têm ouvidos”; “Brigam as comadres, descobrem-se as verdades”; “Boi sonso é que arromba a cerca”; “Ladrão de  tostão, ladrão de milhão”; “Cajueiro doce é que leva pedradas”; “Não  há fogo ameno, nem inimigo pequeno”; “O bom remédio amarga na boca”; “A bocas loucas, orelhas moucas”; “Ser valente com os fracos é covardia”; “Quem vê cara não vê coração”; “Para desaforado, desaforado e meio”; “De pequena fagulha, grandes labaredas”; Mais fere má palavra do que aguda espada”; “Quem debocha não tem bom coração”.


Na alegria do advento, a felicidade dos santos! – – José Luís Lira (*)

   Vivemos o período do advento, tempo de esperas, literalmente. Naquela noite magna em que a Estrela brilhou nos céus de Belém, nasceu-nos o Salvador, Jesus. Deus-Filho que quis vir até nós, viver como nós, experimentando as dificuldades da vida, exceto em relação ao pecado. Neste domingo, a Igreja celebra o domingo da alegria, da grande esperança. Que essa alegria se irradie sobre nós e esperança não nos falte!

    Neste clima, escrevo estas linhas da cidade de Marco, da Diocese de Sobral. Vim com a equipe do Dr. Paolo Vilotta, postulador credenciado junto à Congregação das Causas dos Santos, na Santa Sé. Além do Dr. Vilotta aqui estão o Dr. Ronaldo Frigini e Dra. Ana Lúcia Frigini. Aqui estamos para tratar de assuntos relacionados à Causa de Beatificação e de Canonização do Servo de Deus Waldir Lopes de Castro, o Mons. Waldir, respeitado e admirado pelo povo desta Cidade. Sua presença é tão grande, 19 anos depois de seu falecimento, que impressiona. Suas virtudes são relatadas pelos que o conheceram e sua memória se perpetua com nome de rua, monumentos, até mesmo em plano funerário. É a compensação de uma vida digna a serviço do povo de Deus e da Santa Madre Igreja.

   A causa foi requerida ao Bispo de Sobral, Dom Vasconcelos, pelo Pároco da Paróquia de São Manuel de Marco, Pe. Raimundo Nonato Timbó de Paiva, acompanhado de representação da Paróquia, em setembro de 2019. Definido o postulador, o Bispo Diocesano requereu à Santa Sé o Nihil Obstat (nada obsta) para proceder ao inquérito diocesano. O pedido, de 3 de outubro de 2019, foi destinado ao postulador, Dr. Paolo Vilotta, em Roma, que protocolizou na Congregação das Causas dos Santos, que emitiu o documento em 14 de janeiro deste ano. Pelo documento, a Santa Sé concede a autorização para a abertura da Causa de Beatificação.

     Na noite de 9 de fevereiro passado, Dom Vasconcelos presidiu Missa em Ação de Graças no adro da Matriz de São Manuel de Marco, concelebrada pelo pároco, Pe. Nonato Timbó e pelo vigário, Pe. Espedito Coelho. Durante a celebração, o Sr. Marcelo Lopes (irmão) e o Sr. José Cavalcante da Ponte (sobrinho) do Servo de Deus Waldir Lopes de Castro conduziram sua fotografia ao local da celebração, sob aplausos e salva de fogos. Em seguida o Bispo Diocesano determinou a leitura do Nihil Obstat, traduzido do latim e lido pelo encarregado da Causa na Diocese, Prof. José Luís Lira. Dom Vasconcelos ressaltou a importância da santidade na vida da Igreja e da Diocese de Sobral que agora conta com dois Servos de Deus, Mons. Arnóbio de Andrade e Mons. Waldir Lopes e, ainda, dois filhos da Diocese de Sobral: Pe. Ibiapina e Dom Expedito Lopes, também servos de Deus. 

     Hoje, vivemos o clima de expectativa da abertura da Causa, dia 15 próximo, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, em Marco, para onde os restos mortais do Servo de Deus serão trasladados, depois da exumação e criterioso tratamento tendo à frente o Postulador, Dr. Paolo Vilotta.

    Devido à pandemia, a instauração do Tribunal e a Celebração em Ação de Graças, serão campais e se exigiu o uso de máscaras e álcool 70. Será uma celebração revestida de muita fé e amor a Deus que nos presenteou com este Servo que retornou à Casa do Pai uns dias antes do Natal de 2001. Deus seja Louvado!

     (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


09 dezembro 2020

Previsões otimistas desta hora - Por: Emerson Monteiro


Certa feita, quando levava as meninas à escola, isso logo cedo de manhã, e falava desse esforço de todos de chegar na perfeição, missão de nós seres humanos, então Janaína, criança do ensino fundamental, saiu com essa:

- Mas, meu pai, a perfeição só existe no mundo das ideias, segundo Platão - ora, ora, lá da Grécia Antiga e o filósofo trazendo suas conclusões amadurecidas aos primeiros raios de sol daquele dia.

Nem parei a fim de me contrariar, mesmo porque fiquei satisfeito com a opinião abalizada de quem podia, um clássico das letras. No entanto, vez ou outra, vem à tona, nos meus juízos, a urgência de mudar o mundo, transformar o imutável e compreender o incompreensível, necessidades constantes dos costumes dessa humanidade dos movimentos incertos.

Desvendar mistérios, receber segredos, acalmar os desassossegos impostos pelas contradições. Aceitar, simplesmente, eis tarefa por demais inadmissível, face os desmandos praticados quais normas de sobrevivência na selva dos tempos atuais. Acreditar naqueles que falseiam a verdade em nome do poder, jamais. Deglutir as formas da condução que adotam, em muitos lugares, sob o pretexto de servir ao povo por meio de sistemas falidos, carcomidos, injustos, nem pensar. Baixar a cabeça perante atitudes perversas de quem receber montanhas do dinheiro público, isto só porque chegaram nos postos e ainda precisa de virtude nesta hora, há que sorrir e exercitar os deveres da esperança durante as existências em xeque.

São inúmeros reparos de peças e funções de que tanto carece o universo dos humanos, porém se sabe que estamos a caminho da sonhada perfeição, dalgum modo, sobretudo face aos sonhos e desejos das maiorias que padecem nas crises, no aguardo de um estadista maior que venha qualificar de real o modo de vida em grupo, em todos os países. Urgente exercitar a justiça justa e a democracia dos povos, ensinadas pelos filósofos gregos, sem, entretanto, abrir mãos das condições que existem, mesmo que precárias, e, numa dessas gerações que passam tão rápido, ver clarear o longo itinerário entre o mundo das ideias e o mundo das verdadeiras ações.

(Ilustração: São Benedito).


Ah! essa “atrasada” Monarquia


   Pois é. O mundo inteiro foi surpreendido com a noticia abaixo, no dia 8 de dezembro de 2020: “No Reino Unido, idosa de 90 anos, foi a primeira pessoa no mundo a receber a dose de vacina contra a covid 19”.

    Tinha que ser mesmo no Reino Unido...
     Oxente, e não nos ensinaram nas escolas que “monarquia” é velharia do passado?

      Pois pasmem: no “ranking” das 15 nações com melhor Índice de Desenvolvimento Humano–IDH, apurado pela ONU em 2019, 8 são monarquias. Ou seja, mais de 50% dos países que estão no topo da riqueza e do desenvolvimento do primeiro mundo têm um rei ou uma rainha como Chefe de Estado.

      E quais são essas monarquias? Noruega (IDH 0,954), Austrália (IDH 0,938), Suécia (IDH 0,937), Holanda (IDH 0,933), Dinamarca (IDH 0,930), Canadá (IDH 0,922), Nova Zelândia (IDH 0,921, Reino Unido (IDH 0,92), (O Reino Unido é formado pelos países: Inglaterra. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). E o Brasil em que colocação ficou?  Vergonha: perdemos posição no ranking. A nossas "adiantada" república  ficou em 79º lugar...na companhia de atrasadas republiquetas...

       Ah! caro leitor: como nós fomos enganados nos tempos de estudantes. Naquele época funcionava o “patrulhamento ideológico republicano” que vigorou no Brasil durante 100 anos (1889 a 1988). Só a partir da Constituição de 1988 (a sétima desta instável república) foi que passamos a ser bem informados. Hoje sabemos que a Monarquia é uma forma de governo moderna e eficiente. Das 18 economias mais fortes do mundo, 12 são monarquias... e o numero de monarquias é de pouco mais de 30. O demais países (mais de 150) são repúblicas, ou "republiquetas"...
 
(Postado por Armando Lopes Rafael)      

08 dezembro 2020

Raimundo Araújo - Por: Emerson Monteiro


A literatura exerce papel fundamental nos registros históricos, máxime nos interiores deste mundo afora. Pessoas vocacionadas a narrar o dia-a-dia das localidades destinam seus esforços ao ímpeto de guardar os detalhes dos tempos e da sociedade, recolhendo peças-chave nesse procedimento, deixando à posteridade gestos pessoais de preservar os acontecimentos. Por vezes personalidades anônimas que insistem na observação daqueles mais evidentes do grupo social, a descrever seus momentos, reunir fotografias, recortes de jornais e revistas, gravações, livros, convites, num afã inigualável perante os outros profissionais do cotidiano. Suas salas de estudos ganham a aparência de verdadeiros museus, com armários e estantes preenchidas de peças raras dos tempos passados, escrivaninhas abarrotadas de relíquias de época, num acervo de décadas a fio.

Bem assim vi de perto o território de trabalho de Raimundo Araújo, desses historiadores inatos de Juazeiro do Norte, no Ceará. Jamais deu por perdido contar a história do seu tempo da tradicional comuna do Cariri, onde viveu e presenciou com esmero o transcorrer de quatro gerações, das quais foi testemunha fiel de todos os instantes. Recolheu com afinco os documentos exemplares da rotina do lugar e publicou vários livros contendo as narrações autênticas frutos do seu espírito astuto de observação.

Estive com Raimundo nalgumas ocasiões, quando tratávamos de temas ligados ao Cariri e, sobretudo, à Terra do Padre Cícero. Nas paredes do seu escritório ali estavam as fotografias daqueles que admirava com especialidade, entre políticos, religiosos, educadores, artistas, escritores, a face do que guardava consigo na sua admiração de escritor e memorialista. Sempre dotado de bom ânimo perante a vida, jamais esgotou a capacidade produtiva no campo das letras.

Deste modo, transcrevo em rápidas pinceladas o retrato que mantenho desse intelectual caririense, exímio apreciador das belas letras e profícuo trabalhador da memória sulcearense, porquanto a grande literatura sobrevive da obra desses heróis solitários que fazem da escrita um dever de ofício em nome da perenidade da cultura humana.  

07 dezembro 2020

Atitudes mentais positivas - Por: Emerson Monteiro

 


Paciência, bondade, compaixão... Dominar a vontade e buscar agir de modo que atenda aos impulsos da humildade, e servir sem distinção aos demais seres da natureza, a preencher de amor os dias que nos restam. Isso das ações voltadas ao desenvolvimento do Eu maior, o ser essencial que o somos, ainda que necessitados de compreensão clara, e isto será sempre a real finalidade do existir.

Conquanto viver apresente demais significados aos olhos dos dias, perante o Infinito seremos instrumentos da própria evolução e buscadores, nas pegadas deste momento, do caminho da realização do ente espiritual que habita nossa carne e nada mais representa do que o início da longa jornada rumo ao Eterno

A existência na Terra envolve, pois, a descoberta dessa finalidade, ainda que insistam desdizer os chamamentos e valores imediatos aos quais multidões rendam homenagem e perdem, por isto, o sentido das horas em face do brilho fosco da ilusão.

A permitir desvendar esse mistério das existências, dispomos de atitudes mentais positivas que são, por vezes, redes que nos libertam dos paredões da inconsciência. De perenes passageiros da agonia neste chão, tocamos adiante o trilho do tempo e deixamos de jogar ao léu os valores inimagináveis da virtude.

Ninguém, de pleno senso, jamais se verá dotado da compreensão plena sem aceitar as limitações quanto a tudo em torno de si, porquanto meros aprendizes do destino, na verdade somos viajantes da imensidão e deslizamos nesse mar de tantos símbolos, a tecer o desconhecido, servos e senhores das nossas ações. O quanto de melhor e positivo pudermos praticar no correr das vidas, moveremos forças e eventos transformadores da nossa iluminação. Laboratórios de nós mesmos, arquitetamos as cidades do futuro de dentro da perfeição que já trazemos conosco bem no íntimo do coração.

05 dezembro 2020

Dezembro chegou – José Luís Lira (*)

 

   Anualmente preparo-me para receber o mês de dezembro, mês no qual a história da humanidade se dividiu em antes e depois do principal aniversariante: Jesus, Deus-Menino. Este ano o tempo foi passando... E acumulamos expectativas, perdas e ganhos. E, de repente, não mais que de repente, como dizia Vinícius de Moraes, o mês mais belo chegou. Ainda vemos lágrimas nos olhos, preces nos lábios, risos contidos, esperanças sempre renovadas. O mês do Natal chegou. Vivemos literalmente o tempo das esperas. É advento e aguardamos a chegada de Deus-Menino. Desde que me entendo por gente é o mês de dezembro mais emblemático. O medo povoa o mundo, mas, a certeza de que Deus não nos desampara nunca nos faz esperar... Esperar, como diz o Padre Zezinho, contra toda a esperança e eu ouso dizer contra toda desesperança. Esperamos sempre e Deus nos guiará!

     As ruas já estão mais iluminadas, as ceias de Natal este ano serão reservadas a famílias. O tempo não é fácil, mas, se tornará fácil, pois o Deus-Menino-Ternura nos conduzirá ao milagre tão esperado: o fim da pandemia. Certamente nos abraçaremos sem temor, sem receios e celebraremos, lembrando: Deus é maior, guiou seu povo à Terra Prometida e agora o conduz à cura física! Alguns não conseguiram chegar a esse dia e a tristeza deseja se tornar saudade. Poucos são os que não sentirão falta de alguém neste mês. Aquela ligação, aquele e-mail, aquela mensagem não tem mais endereço certo. Não podemos enviar nada além de orações e preces aos céus. Os olhos marejam, mas, a vida segue. Deus quer que sejamos felizes e seguiremos. Viveremos. Esperaremos. Sempre e por tudo daremos glórias a Deus.

      Toda essa vivência de meses nos ensinou. Nos ensina. É preciso que saíamos dessa “batalha” melhores do que quando começamos. Lembro-me da Semana Santa, tão diferente. A imagem do único verdadeiramente Chefe de Estado desse período, caminhando sozinho numa Praça que sempre reúne o mundo para encontrar o Crucificado e aos pés dele juntar suas lágrimas às águas da chuva fina que caía naquela Praça de São Pedro. Obrigado, Senhor, pelo testemunho do Santo Padre, o Papa Francisco. Lembrar-me-ei sempre daqueles que saíram às ruas para a caridade e aqui é preciso citar um santo homem que perambula pelas ruas da maior cidade deste País e que sempre me emociona por sua coragem e heroísmo: Padre Júlio Lancellotti. Que Deus o proteja sempre, Pe. Júlio e multiplique homens e mulheres com sua coragem, seu amor e zelo pelo próximo!

      E o próximo dia 8 é, mundialmente, a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora para celebrarmos a pureza daquela que trouxe Deus ao mundo. Não é exagero a afirmação. Foi de Maria Santíssima, Nossa Senhora, ou, simplesmente, a Mãe de todos, que nasceu Jesus. Deus que se humanizou na ternura de uma criança e ensinou-nos a amar o próximo como a nós mesmos! Salve!


      É este também, no Brasil, o dia da família e da Justiça. As celebrações se irmanam. Sendo eu devoto da Mãe de Deus, oriundo de uma família à qual tento me dedicar e ter escolhido a Justiça para nela viver, sou muito feliz com essas festividades. Festividades, sim. Com contratempos ou não, alegremo-nos. Respiremos o ar puro que Deus nos envia e a Ele confiemos o futuro, o Natal, o ano novo, o amanhã. Amém!

      (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.
 


04 dezembro 2020

E dizem que os objetos têm vida - Por: Emerson Monteiro


Isso nesse tempo em que máquinas parecem já adotar comportamentos humanos, em que se acredita mais nas mídias do que na realidade; que faz algum sentido imaginar isto. Onde os humanos querem resolver tudo de dentro das engrenagens que criaram no decorrer dos tempos, desde laboratórios matemáticos de contar partículas do sangue às retroescavadeiras, drones, ultrassons, câmeras, monitores, radares, foguetes, etc. 

Um tempo na Bahia, e colega do banco me contava emocionado a respeito da Rural que possuía, para ele mais que só um bem de família, um dos seus membros. Detalhou lá certo dia que haviam viajado, no final de semana, ao interior e, ao voltarem, no domingo à noite, ele narrava: 

- Veja o quanto ela gosta da gente; aguentou chegar na porta de casa, depois de longa travessia; e nessa hora é que ouvimos um estalo forte, acabava de quebrar a barra da direção. – E sensibilizado considerou: - Ela resistiu até o derradeiro momento, a fim de não sacrificar minha família – afirmava quase com lágrimas nos olhos, de voz embargada. 

Daquele tempo distante, relembro essa história e trago à cena os dias atuais, quando tantos, nesta hora, estão de vistas fincadas nos pequenos celulares, a viajar mundos adentro, quase a viver diante de oráculos fieis, irretocáveis. Agora, da mais tenra idade aos provectos, todos firmam seus movimentos e preferências nas luzes das telinhas sensibilizantes, objetos de primeiríssima necessidade, que riem, falam, denunciam, mentem, desmentem, alimentam, dão as horas, o clima, a localização, as músicas, os filmes, os medicamentos, as preveem, profetizam; verdadeiros arautos das populações, são maquininhas que parecem controlar o Planeta, tal num abrir e fechar de olhos. 

Nisso lembro os livros e filmes em moda na década de 60 do século anterior, Admirável mundo novo1984O Céu e o infernoLaranja mecânicaFahrenheit 451As crônicas marcianasAs portas da percepçãoUtopia 14, etc., ali prevíamos existiriam outros níveis de compreensão nas máquinas, em que elas imporiam o risco de demonstrar   humanização compatível ao próprio ser humano. 

Por vezes, imagino mesmo que vivamos era de intensas contradições e acesas expectativas de presenciar com clareza qual o lugar de cada vivente; caso mecânico, entre as máquinas; caso animais pensantes, entre os pares ditos inteligentes.


O poder infinito que cada um tem - Por: Emerson Monteiro


Isso mesmo, todos sem exceção possuem o poder, se assim o quiser. Seja em todas as direções que desejemos, dispomos em nós da força que também move o Universo inteiro nos seus mínimos aspectos. O caudal dos rios, a disposição das ondas do mar, o desejo das árvores de galgar os ares, a insistência das crianças de conhecer o mundo, o equilíbrio dos fenômenos, o impulso, afinal, de movimentar as estrelas do céu, tudo, tudo, ao dispor de nossa vontade. A propensão poderosa de vencer a inércia e dar o primeiro passo através das novas possibilidades, eis o sentido que move a vida sem dúvidas.

Quando Jesus Cristo afirmou sermos deuses e não o sabemos, resumiu o potencial da iniciativa que bem compõe na nossa existência diante da Eternidade. De sermos feitos da mesma constituição de quem originalmente nos criou e criou tudo quanto há. Esse mesmo condão que aqui perfaz a perfeição das presenças no seio do Nada; Ele que habita nosso íntimo, e carecemos apenas acordar e habitar os dias da História, a história dos nossos dias, hoje.

Contudo tal exige um primeiro, o despertar do conhecimento, do saber, porta do quanto se poderá. Daí a importância da educação, fonte de saber, razão das transformações, luz nas consciências. No entanto saber essencial, honesto, longe das mistificações, das falácias que a sombra da ignorância insiste conter, sem, todavia, dominar a essencial de todos, onde mora a nossa liberdade. Precisamos praticar, pois, a sabedoria de ultrapassar a mediocridade dos tolos e mostrar a verdade que realmente trazemos conosco no poder que possuímos. 

Isto no que tange ao que quer que seja, desde mínimas atitudes aos avanços tecnológicos tão em voga nos dias de agora. Quanta maravilha o gênio da Humanidade produz a toda hora, vitória constante sobre o atraso dos séculos, quiçá demonstração insistente do quanto evoluímos e mais existe a evoluir. 

Portanto, transportemos conosco as luzes da esperança de vencer a escuridão das guerras e da morte, e iluminar a natureza que trazemos em forma de novos valores, a modificar em definitivo a face da Civilização, eis a missão principal de todos nós. 


Diferenças entre um Rei e um Presidente da República

1)    O Rei pensa nas futuras gerações; o presidente pensa nas futuras eleições.

2)    O Rei é educado desde criança para reinar com honestidade, competência e nobreza, e durante toda a vida participa dos problemas e do governo do país. O presidente não é educado para o cargo, sendo frequentemente um aventureiro. É como um passageiro de avião, que conseguiu ser eleito pelos outros para pilotar. 

3)    O Rei não está vinculado a partidos políticos nem depende de grupos econômicos, por isso pode decidir com independência o que é melhor para o país. O presidente se elege com o apoio de partidos e dependente de grupos econômicos, que influem nas suas decisões.

4)    O Rei representa para o povo a figura de um pai e cria na nação a consciência de uma grande família, com um destino comum a realizar. O presidente trata seus correligionários como um pai e seus adversários como um padrasto porque não votaram nele.

5)    O Rei é o símbolo vivo da nação, personifica sua tradição histórica e lhe dá unidade e continuidade. O presidente tem um mandato de apenas quatro anos e é eleito por uma parte da população. Por isso não personifica a nação nem lhe dá unidade. O Rei une, o presidente divide.

03 dezembro 2020

E por falar em Monarquia...

 

Fatos desconhecidos pela população brasileira

Você sabia?

1)    A Monarquia é uma forma de governo moderna e eficiente. Das 18 economias mais fortes do mundo atual, 12 são monarquias.

2)    O Monarca, sendo vitalício, pode inspirar e conduzir um projeto nacional, com obras de longo alcance e longo prazo. Já na república, o presidente executa seu próprio projeto de 4 anos de governo, e, com frequência, interrompe as obras dos antecessores.

3)    O Rei ou Rainha não têm interesse em interromper as obras dos seus antecessores, até porque participa dessas obras e projetos antes mesmo de subir ao trono.

4)    A sucessão monárquica é imediata e sem traumas: O Rei morreu – Viva o novo Rei! A sucessão de um presidente da república é cara e traumática. Trata-se de longo processo eleitoral que desestabiliza e convulsiona o país. Às vezes tem até atentados, como ocorreu com a facada em Bolsonaro.

5)    O Brasil Império era um país de primeiro mundo, junto aos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

6)    Se não tivesse havido o golpe de 15 de novembro de 1889, que derrubou a monarquia e rasgou nossa Constituição os sucessores de Dom Pedro II teriam sido apenas três: Princesa Isabel (até 1921); Dom Pedro Henrique (até 1981) e Dom Luiz de Orleans e Bragança (Imperador de jure atual). No entanto, no mesmo período tivemos 45 presidentes de república, em meio a crises, golpes e instabilidade. 

        E o Brasil paga (até a morte deles) uma caríssima pensão mensal para sustentar os ex-presidentes José Sarney, Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. Cada um tem direito, além do salário integral da Presidência, a dois carros com motorista, 10 assessores, 4 seguranças, passagens aéreas para suas viagens e plano de saúde...tudo pago com os impostos dos contribuintes...

01 dezembro 2020

O mistério do Inconsciente - Por: Emerson Monteiro


De uma profundidade a bem dizer inalcançável, existe uma camada de nós que significa todos os mistérios da Natureza, o Inconsciente. Dotados de muitas definições através de inúmeros pensadores, representa a matéria prima das descobertas necessárias ao encontro definitivo da Consciência maior.

Do Inconsciente vêm os sonhos, as artes, as intuições, as religiões e tantos outros fatores das revelações isto além da realidade externa, manifestada. Verdadeira usina de produção dos avanços da ciência, ele conduz a personalidade ao domínio de si mesmo, permitindo avanços inestimáveis do equilíbrio emocional e espiritual.

A busca do Inconsciente resume toda a história humana durante todo tempo. Jamais se verão em desamparo os que desvendam, por mínimos que sejam, esse segredo guardado nas furnas desse universo interno que nós o somos. 

Nisso a literatura traz considerações imaginativas que indicam o mito do Inconsciente, por exemplo, a caverna de Platão, célebre citação dessa possibilidade aberta a todos de um dia descobrir e exercitar a libertação por meio da luz exterior que projeta nossa sombra de encontro às paredes deste mundo até nos voltarmos para fora e sair em evolução. Outro exemplo disto, o conto das Mil e Uma Noites, de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, indicação de um instrumento de poder que existirá dentro da caverna de nós mesmos, entre pedras e joias preciosas ao dispor dos que estenderem as mãos e aceitaram sua utilização. 

Há imenso caudal de riquezas no íntimo de todos, carecendo tão só desenvolver métodos dos pensamentos e sentimentos os quais devem focar a essência da concentração mental e causar uma prática fiel. Uns chamam de fé, outros, de atenção, meditação, ioga, etc. O que conta, na verdade, é estarmos vivos nesta intenção fundamental de achar a porta do Reino de Deus, de que nos fala Jesus, a fim de purificarmos os reais objetivos de nosso viver e galgar o encontro definitivo com Deus, causa origem de tudo. 


28 novembro 2020

É hora de parabenizar e agradecer – José Luís Lira (*)

 


   Uma coluna semanal requer temas novos. Após quase cinco anos escrevendo para este jornal, temos a responsabilidade de não ter repetido temas. E hoje escolhi realizar um tributo à amizade em sua dimensão mais pura. A de filho para mãe, espontânea, natural. A de tio para sobrinhas e a de amigos, irmãos que a vida nos ofereceu. A Sagrada Escritura diz que “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé”. Celebremos!

    No dia 11, Anne Eloísa, tesouro novo em nossa família, completou seu primeiro ano; dia 19, Isadora apagou a 7ª velinha; ontem, 27, a sobrinha Laiza Maria e a Mamãe, Luíza, celebraram a vida. Por tudo isso, só tenho muito a agradecer a Deus! Todos os que me conhecem sabem o quanto eu sou família e me orgulho deste presente sagrado que é a família. Parabenizo a estes e, também, a Ana Beatriz, sobrinha, dia 1º, e aos cunhados Robério, o pai da Anne Eloísa, dia 8, e Valnice, a mãe da Laiza Maria, dia 9. 

     A última quinta-feira foi o dia mundial de Ação de Graças. O primeiro Dia de Ação de Graças ocorreu nos Estados Unidos, em 1621. Duzentos anos depois a data se tornou um dos principais feriados na norte-américa. Aqui, no Brasil, a celebração foi criada em 1949, pelo então presidente Gaspar Dutra. A ideia de criar o Dia Nacional de Ação de Graças veio do embaixador Joaquim Nabuco, que ficou admirado de como os norte-americanos levavam a sério as comemorações quando atuava como embaixador do Brasil nos Estados Unidos e quis trazê-la para nossa Pátria, mas, não se popularizou.

     E o último dia do mês chegará em breve: festa de Santo André, irmão de São Pedro, um dos que ouviu o chamado do Mestre: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. E neste dia tão simbólico, lembramos a ordenação sacerdotal do saudoso Pe. Joaquim Colaço Dourado – o Padre Dourado. E, ainda, o aniversário natalício de nosso querido amigo Prof. Dr. Antônio Colaço Martins. 

     Prof. Colaço é um exemplo de retidão, de intelectual e nome expressivo na educação cearense, com estudos de mestrado e doutorado na Cidade Eterna, Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana e Doutor em Filosofia (Summa Cum Laude – Com a maior das honras) pela Pontifícia Universidade Lateranense. Exerceu a direção da Faculdade de Filosofia de Fortaleza, foi Professor e Diretor do Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor e Reitor da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Cearenses, por dois mandatos. Reitor da Universidade Vale do Acaraú (UVA). Também membro efetivo do Conselho de Educação do Ceará (CEC), do Grupo de Avaliadores do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB) e, atualmente, Presidente da Academia Fortalezense de Letras, Acadêmico da Academia Brasileira de Hagiologia e Acadêmico Honorário da Academia Sobralense de Estudos e Letras. É casado com a Profa. Maria da Graça Holanda Martins, com quem constituiu uma bela família. É ele aquele amigo nas definições bíblicas: um tesouro!

     Portanto, mesmo nestes tempos estranhos, eu, particularmente, manifesto estes agradecimentos e parabéns. E Você?

      (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


27 novembro 2020

Aceitar as contingências - Por: Emerson Monteiro

 


Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão. - Jesus (Atos, 9:5)

Situações que se apresentem no decorrer dos dias exigem por demais atenção e paciência, trazendo à tona ensinos religiosos e filosóficos guardados atentamente nos livros. Quase sempre é preciso que adotemos medidas estratégicas de concentração mental e positividade, a fim de cruzar barreiras quase a dizer intransponíveis. Isso, aquilo, pede paz ao coração das pessoas, persistência e ânimo firme. Determina atitudes adequadas a viver, ainda que diante das adversidades. Bem porque carregamos no íntimo a força suficiente de vencer todos os desafios que por ventura assim tenhamos de encontrar.

São ensinos pertinentes, úteis e necessários, e que deles carecemos, invés de naufragar no mar das frustrações e deixar que o desespero atinja o direito sagrado de sobreviver a tudo, porquanto viemos no intuito de avistar a terra da promissão. Só em pensar nas quantas gerações de seres iguais a nós vieram e regressaram, todas a braços com os mesmos transes os quais batem às portas de muitos, isso determina que utilizemos de práticas de pensamento elevado, otimismo, paciência, e levemos em conta a oportunidade dos aprendizados e das determinações que compõem o quadro das ocasiões.

Tal dizem os pensadores existencialistas, somos nós e as nossas escolhas. Apenas confrontar, por isso, nada representa, visto serem os instrumentos de construções da vitória o que logo à frente sorrirá aos que desenvolvam habilidade em administrar situações, conquanto viver e lutar trazem o mesmo significado neste tabuleiro das existências.

Usar, deste modo, o condão das palavras a título de alimento sadio aos leitores, impõe a quem escreve o dever fundamental de oferecer meios práticos e elementos exatos de atravessar as tempestades deste mundo em mudança. Queiramos, pois, desvendar os mistérios das jornadas no sentido favorável à esperança, caminho da paz e da tão desejada felicidade.