26 março 2020

Vândalo destrói imagem do Padre Cícero na estrada Crato-- Ponta da Serra (por Armando Lopes Rafael)



    Na rodovia que liga Crato à Ponta da Serra, logo após a saída da Cidade Princesa do Frei Carlos, existe uma singela e artística Cruz de Cristo, feita de Alvenaria. Ao lado desta, pontifica um  belo e artístico nicho de pedra, a lembrar o local onde morreu um bom Filho de Deus, que deixou ótimos exemplos de cidadão e cristão. Naquele nicho de pedra existiu, por longos anos, uma imagem do Padre Cícero Romão Batista. Cruz e nicho tinham por finalidade abençoar os que transitavam por aquela  estrada.

     Soube hoje, através de uma postagem do Sr. José Danúbio Bezerra Primo, que um meliante quebrou o vidro do nicho e destruiu a imagem do Padre Cícero. Esse marginal danificou mais do que uma iniciativa particular. Ele destruiu um bem que já era público; uma demonstração da mentalidade religiosa do nosso povo.

      Isso ocorreu em plena pandemia do Corona vírus, que varre o mundo. Como se o malfeitor, ao danificar   o monumento, quisesse mostrar que o mal corre solto, sem freios... Mas uma coisa ele não destruiu:  a importância do Padre Cícero na vida das pessoas simples e humildes.

      Bastaria relembrar o que escreveu o Cardeal Pietro Parolin, Secretário do Papa Francisco, em nome de Sua Santidade, na carta que dirigiu a Dom Fernando Panico, 5º Bispo de Crato, quando o Vaticano oficializou a reconciliação da herança espiritual do Padre Cícero com a Igreja Católica:

“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual.  Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanha-los e de ajuda-los na vivência de sua fé”. (grifos meus).

       A misericórdia de Deus é infinita. Padre Cícero, segundo palavras do Papa, representa um pouco essa misericórdia.Que ela saiba perdoar ao delinquente que destruiu  uma imagem dessa Misericórdia, simbolizada na imagem do humilde e querido sacerdote nascido em Crato.

(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)

Era março de 2020 – por José Luís Lira (*)


    Logo que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, ficou famoso mundialmente um livro seu: “A audácia da Esperança”, título que nos inspira, em meio à pandemia que assola o mundo. Dois poemas surgidos, de tão belos, os citaria e declarava encerrado este texto e estaria feliz. Um é de Irene Vella, publicado, em francês, e que o apresentador português Rui Unas emprestou sua voz e o fez viralizar. É uma beleza. O tempo presente se torna passado.

“Era março de 2020... As ruas estavam vazias, as lojas fechadas, as pessoas não podiam sair. Mas a primavera não sabia (...).

Era março de 2020... Os jovens tinham que estudar online e arranjar como se ocupar em casa, as pessoas não podiam ir mais aos centros comerciais nem tão pouco ao cabeleireiro. Dentro em breve não haveria mais vaga nos hospitais, e as pessoas continuavam a adoecer (...).
Era março de 2020... As pessoas foram colocadas em confinamento, para proteger avós, famílias e crianças. Acabaram as reuniões e refeições em família. O medo tornou-se real e os dias eram todos iguais (...). 

As pessoas começaram a ler, a brincar com a família, a aprender nova língua. Cantavam nas varandas e convidavam os vizinhos a fazer o mesmo. As pessoas aprenderam uma língua nova, ser solidários e concentravam-se n'outros valores.
As pessoas aperceberam-se da importância da saúde, do sofrimento, deste mundo que tinha parado, da economia que tinha tombado (...).

Então chegou o dia da libertação. As pessoas ouviram na televisão: ‘ - O vírus perdeu!’. As pessoas saíram às ruas. Cantavam, choravam, abraçavam-se os vizinhos... sem máscaras, nem luvas...  E então o verão chegou, porque, a primavera não sabia. Ela continuou lá, apesar de tudo, apesar do vírus, apesar do medo, apesar da morte... Porque a primavera não sabia... mas, ensinou às pessoas... o Poder da Vida”.

    No Nordeste brasileiro conhecemos praticamente duas estações: verão e inverno. É tempo chuvoso. É o mês de nosso Padroeiro, São José, a quem quase sempre rogamos pedindo chuva. Choveu, chove, mas, no dia do Santo não fomos à Missa, os padres celebraram sozinhos nas Igrejas. O homem do campo, agradeceu, mas, de sua casa. Olhou a lavoura e parece que ajudou à chuva, unindo a ela algumas lágrimas, mas, não perdeu a Esperança em Deus e no amanhã.

    Aí entra o amigo Dr. Ronaldo Frigini, com seu belo “Templo vazio”

“Eu vi, Senhor/ Os bancos de teu Templo vazios/ Todos os teus não estavam neles/ Mas Tu estavas lá.// Eu vi Senhor/ O teu ungido a dignificar-Te/ E proclamar a Tua palavra/ Por que Tu estavas lá”. E, a exemplo d’A Primavera não sabia, apresentou-nos uma luz: “Eu percebi Senhor/ Que embora estejamos cada um no escondido/ Tu nos dás força e coragem/ Para, no tempo que é Teu, podemos voltar para lá”.

    Março é, ainda, mês do Museu Diocesano Dom José que completa 69 anos e do Jornal Correio da Semana que chega aos 102 anos. Celebraremos tudo depois, pois, Deus tudo sabe, nos protege e tem seu Tempo, e, pedimos ao Criador, pela intercessão da Virgem da Conceição, padroeira de Sobral, dos Santos e Santas que foram cientistas, médicos, enfermeiros, militares e jornalistas, proteção aos que trabalham e o fim dessa pandemia e as luzes do Espírito Santo aos cientistas para que encontrem a solução médica para essa doença. Amém!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

25 março 2020

Dr. Leandro Bezerra Monteiro, um brasileiro ilustre -- por Armando Lopes Rafael


Singela homenagem ao
líder católico,
político de projeção,
monarquista fidelíssimo,
cratense valoroso
e grande homem que foi
Dr. Leandro Bezerra Monteiro
Por ocasião do centenário do seu falecimento

Introdução

   A grande maioria das novas gerações brasileiras desconhece os homens que marcaram a construção do nosso país. Paradoxalmente, isso ocorre numa sociedade bem mais informada do que a existente, há cem anos. Ninguém ignora que, hoje, a mídia divulga – em tempo real – os acontecimentos, não só do Brasil, mas de todo o planeta. A Internet, televisão, rádio e jornais estão à disposição da quase totalidade da população brasileira.

   No entanto, na tarefa de informar, os meios de comunicação dão prioridade aos fatos ordinários e banais, ao grotesco, à violência, à decadência dos costumes e ao sensacionalismo. Por outro lado, a imprensa brasileira colocou no esquecimento fatos relevantes que marcaram a história da nossa pátria, além de não dar destaque às nossas mais sadias tradições cívicas e religiosas.

    O dia 15 de novembro de 2011 assinala o centenário de falecimento do advogado Leandro Bezerra Monteiro. Quem já ouviu falar neste nome? Quando muito, algumas pessoas – residentes no Cariri cearense – talvez tenham escutado rápida menção ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, fundador da cidade de Juazeiro do Norte e também responsável pela contrarrevolução que derrotou a Revolução Pernambucana de 1817, na cidade de Crato. O Dr. Leandro Bezerra Monteiro – do qual vamos nos ocupar agora – era neto desse Brigadeiro, de quem herdou o nome.

    Nas próximas páginas, o leitor terá acesso – de forma breve, é verdade – a algumas informações sobre o Dr. Leandro Bezerra Monteiro, que deixou sua marca como líder católico e homem público exemplar.

Biografia

    Leandro Bezerra Monteiro nasceu na cidade de Crato, no dia 11 de junho de 1826, filho primogênito do Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e de Jerônima Bezerra de Menezes, sendo seu avô o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de quem herdou o nome. Descendia de uma família que se transportou de Portugal para o Brasil, acompanhando o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, aí fixando residência. Tempos depois, membros dessa família, já nascidos no Brasil, migraram para o Ceará. Aqui, à custa de trabalho e honradez, atributos que sempre caracterizaram o clã, ganharam destaque na vida sócio-econômico-política da terra cearense.

    Leandro Bezerra Monteiro começou seus estudos em Crato e, na sequência, frequentou escolas nas cidades de Jardim e Icó, sendo posteriormente aluno do Liceu, em Fortaleza, capital do Ceará. O curso de humanidades, concluiu-o no Colégio das Artes, em Olinda. Em 1847, com vinte anos de idade, iniciou o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, onde recebeu o título de Bacharel, em 1851, com vinte e cinco anos de idade.

    O ano 1852 vai encontrá-lo com residência em Sergipe. Aí, em 31 de janeiro, ocorreu o seu casamento com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra, oriunda de um dos clãs mais importantes da então província de Sergipe del Rey. Durante seis anos, foi magistrado em Sergipe. Atraído pela política, foi eleito vereador e presidente da Câmara de Maruim, sendo eleito, também, deputado provincial (hoje deputado estadual). Em 1860, conseguiu o mandato de deputado geral (hoje deputado federal).

    Em 1863, já com residência na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, seu mandato de deputado geral terminou com a dissolução da Câmara, como era prática no sistema parlamentarista, que vigorava, àquela época, no Brasil. Sem mandato, o Dr.Leandro mudou-se com a família para a cidade de Paraíba do Sul, na província do Rio de Janeiro, onde passou a atuar como advogado, em sociedade com seu primo, Dr. Leandro Ratisbona. Em pouco tempo, Leandro Bezerra conquistou a simpatia da população de Paraíba do Sul, graças a sua postura exemplar, aliada à competência profissional. Consta que nunca aceitou advogar contra os fracos e, sempre que possível, procurava um acordo que não prejudicasse as partes litigantes. Naquela cidade fluminense, foi colaborador dos jornais “O Paraybano” e “O Provinciano”. Lá fundou a Casa de Caridade e o Asilo Nossa Senhora da Piedade, destinados ao tratamento de doentes e à educação gratuita de crianças pobres. Graças a esses serviços, foi vereador por doze anos, oito dos quais como presidente da Câmara Municipal de Paraíba do Sul.

    Em 1872, foi novamente eleito deputado geral pela província de Sergipe. Foi nessa legislatura que o Dr. Leandro Bezerra Monteiro ganhou fama nacional, devido ao episódio que passou à história do Brasil, como a “Questão Religiosa”.

O líder católico

     A "Questão Religiosa", chamada no início de “Questão Maçônica”, foi um conflito ocorrido no Brasil – no último quartel do século 19 – entre a Igreja Católica e a Maçonaria, esta apoiada pelo Governo Imperial. Em maio de 1872, o Bispo de Olinda, Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, após várias e seguidas admoestações, interditou uma confraria religiosa em Recife, da qual faziam parte dois padres e vários leigos. Todos eles se recusaram a abandonar a Maçonaria, apesar da nova proibição de católicos pertencerem a lojas maçônicas, feita pelo Papa Pio IX, através da Encíclica "Omi Pluribus", de 1864. Também o bispo do Pará, Dom Antônio Macedo da Costa, adotou idêntica providência, na sua diocese. Ambos foram processados e presos por ordem do presidente do Conselho de Ministros, Visconde do Rio Branco, que era o grão-mestre da Maçonaria, no Rio de Janeiro. Este defendia a opinião de que, em face da união do Estado com a Igreja Católica – prevista na Constituição de 1824 –, além do fato de o governo bancar as despesas com o sustento do clero, as bulas papais condenando a Maçonaria só teriam validade no Brasil, se o Imperador assim o permitisse.

    Como os dois bispos não recuaram de suas decisões, o Visconde do Rio Branco mandou prendê-los, em 1873. Dom Vital e Dom Macedo Costa foram transferidos para o Rio de Janeiro, onde foram condenados a trabalhos forçados, por quatro anos. Como era previsível, o fato causou grande revolta, junto à sociedade brasileira, àquela época majoritariamente católica. O Parlamento brasileiro passou a ser o foco dos debates entre os que apoiavam os bispos e os que defendiam a decisão do Visconde do Rio Branco.

    Os vários pronunciamentos feitos na Câmara pelo deputado Leandro Bezerra Monteiro, em defesa dos bispos Dom Vital e Dom Macedo Costa, constituiram-se em peças oratórias de grande coragem. Ninguém o excedeu, neste mister, naqueles momentos difíceis para a Igreja Católica no Brasil. Seus discursos tinham grande repercussão em todo o Brasil e até no exterior. Em Portugal, o Padre Senna Freitas, conhecido literato e polemista, publicou um livro, “Escritos Católicos de Ontem”, no qual, com grande entusiasmo, reproduziu e comentou um discurso proferido por Leandro Bezerra Monteiro, em defesa dos bispos. Naquele período, era comum chegarem ao gabinete do deputado Leandro Bezerra mensagens de congratulações e apoio de todas as províncias brasileiras. Certa vez, recebeu ele, de Minas Gerais, uma moção de apoio com centenas de assinaturas, em forma de abaixo-assinados.

    Em 1875, com a formação de novo Conselho de Ministros – agora sob a presidência do Duque de Caxias – e fruto também de um trabalho persistente da Princesa Isabel, em defesa dos dois prelados, o imperador Dom Pedro II concedeu anistia aos bispos, encerrando a “Questão Religiosa”.

Um bonito ocaso de vida

    Desgostoso com a indiferença do povo de Sergipe em relação à “Questão Religiosa”, Dr. Leandro Bezerra Monteiro apresentou-se, novamente em 1877, como candidato a novo mandato de deputado geral, mas agora pelo seu Estado natal, o Ceará. Eleito, voltou à Câmara de Deputados, mas seu mandato foi interrompido, em 1878, devido à ascensão do Partido Liberal. A partir daí, não mais conseguiu novos mandatos. Afastado da política, o golpe militar, que derrubou a monarquia e instaurou a forma de governo republicana, em 1889, veio encontrá-lo como advogado e empresário rural, em Paraíba do Sul. No entanto, manteve-se fiel ao seu ideal monárquico, ao tempo que via, decepcionado, antigos companheiros aderirem ao novo regime implantado pelo Marechal Deodoro.

    Depois disso, mudou-se com a família para um subúrbio de Niterói – o Fonseca – onde viveu os últimos anos de vida ensinando catecismo às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Nessa localidade, com tempo suficiente, lia, rezava e praticava os preceitos e obrigações da Igreja Católica Apostólica Romana.

     Faleceu em 15 de novembro de 1911. Conforme escreveu o Barão de Studart, no livro “Dicionário Biobibliográfico Cearense”, Volume II, publicado em 1913: “O enterro do Dr. Leandro Bezerra Monteiro foi uma procissão, abalando uma multidão enorme e para mais de 200 crianças – meninos e meninas – que o amavam de coração”.

O reconhecimento de sua cidade natal

    Crato soube reconhecer o exemplo de vida do seu ilustre filho. Transcrevemos abaixo um trecho escrito por Raimundo de Oliveira Borges, constante no livro “O Crato Intelectual”, onde é destacada uma homenagem que o poder público municipal de Crato prestou à memória do Dr. Leandro Bezerra Monteiro.

    “Reconhecendo-lhe os inúmeros e incontestáveis méritos, pelos inestimáveis serviços prestados (por Leandro Bezerra Monteiro) não apenas à terra natal como ainda ao País inteiro, Crato rendeu-lhe expressiva homenagem, dando o nome à antiga Rua da Glória, através do Decreto nº 7, de 21 de Novembro de 1944, firmado pelo então Prefeito, Dr. Wilson Gonçalves, e que traz também com muita honra para mim, a minha assinatura na qualidade de Secretário que era, àquele tempo do aludido Prefeito Municipal.

    Este diploma legal está na íntegra transcrito na revista Itaytera, nº 16, página 54, ano 1972. Nele, diz o chefe da comuna em um dos seus considerandos:

“Considerando que o ilustre morto, preclaro filho do Crato, é merecedor da admiração dos seus pósteros pelos relevantes serviços prestados à Pátria, através de uma atuação brilhante, fecunda e destemida no Parlamento brasileiro e em outros setores da vida nacional, jurídica e religiosa do País, na qual deixou patente, por mais de uma vez, o seu talento, a sua bondade e a sua inexcedível honestidade, decreta:

Art. 1º – Passa a ter denominação de “Dr. Leandro Bezerra Monteiro”, como homenagem ao ilustre cratense, a atual Rua da Glória.

Art. 2º – O presente decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

                                                    Prefeitura Municipal do Crato em 21 de Novembro de 1944.
                            Wilson Gonçalves – Prefeito Municipal
                            Raimundo de Oliveira Borges – Secretário”

Cronologia

1826 – Nasce na cidade de Crato.
1847 - Inicia o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, com vinte anos de idade.
1851 – Recebe o título de Bacharel, aos vinte e cinco anos de idade.
1852 – Fixa residência em Sergipe, onde se casa, em 31 de janeiro, com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra.
1860 – Eleito deputado geral (hoje deputado federal), por Sergipe mandato interrompido em 1863 por dissolução da Câmara.
1864 – Fixa residência na cidade de Paraíba do Sul, estado do Rio de Janeiro.
1872 – Eleito, mais uma vez, deputado geral por Sergipe. Nessa legislatura ganha destaque nacional pela defesa que faz dos bispos de Olinda, dom frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira e do Pará, dom Antônio Macedo Costa, processados e presos pelo Governo Imperial.
1877 – Eleito, novamente, deputado geral, agora pelo Ceará, mandato interrompido em 1878 pela ascensão do Partido Liberal.
1880 – Em 31 de julho é iniciada construção da Casa de Caridade de Paraíba do Sul, que foi concluída e inaugurada em 4 de abril de 1883.
1889 – No dia 15 de novembro um golpe militar, comandando pelo Marechal Deodoro, derruba do trono o Imperador Dom Pedro II e instaura a forma de governo republicana no Brasil.
1911 – No dia 15 de novembro morre no bairro Fonseca, em Niterói.


Bibliografia

Livros
BORGES, Raimundo de Oliveira. O Crato Intelectual. Crato (CE): Coleção Itaytera, 1995.
NASCIMENTO, F.S. Clã Bezerra de Menezes. Fortaleza (CE) Editora ABC, 1977.

Artigos
– Jornal “O Fluminense”, Niterói (RJ), edição de 11 de junho de 1907.

23 março 2020

O Corona vírus e o Sacrário de Niepokalanów – por Armando Lopes Rafael


O Sacrário da Capela Eucarística de Niepokalanów, na Polônia

   A quarentena que o Corona vírus impôs ao mundo resultou numa rápida mudança comportamental e atitudinal pelas pessoas em todo o planeta Terra. Fomos dormir num mundo globalizado e acordamos obrigados a ficar trancados em nossas casas. Essas, passaram a ser o nosso mundinho nas 24 horas do dia. De repente, mensagens de WhatsApp passaram a ser a nossa conversa trivial com as pessoas do nosso convívio, já que hoje a maioria da população possui telefone celular.

    Numa das mensagens de WhatsApp que recebi, enviada por um bondoso sacerdote do Rio de Janeiro, descobri que na Polônia, próxima a Varsóvia, existe uma comunidade católica, chamada Niepokalanów. Traduzida para o português, Niepokalanów significa “Cidade da Imaculada”. Essa comunidade foi criada por São Maximiliano Kolbe, um franciscano polonês, assassinado pelos nazistas, durante a 2ª Grande Guerra, no campo de concentração de Auschwitz. Maximiliano ofereceu-se para morrer no lugar de um pai-de-família condenado à morte, em represália por uma fuga de um prisioneiro polonês. Por isso, São Maximiliano foi proclamado "Padroeiro do Século XX".

       Volto à mensagem que recebi do sacerdote residente no Rio de Janeiro. Na igreja de Niepokalanów existe uma capela de adoração perpétua a Jesus Sacramentado. Ou seja, durante as 24 horas do dia, fiéis podem ir àquela capela eucarística e lá adorar a Santa Hóstia Consagrada, colocada num dos sacrários mais bonitos existentes no mundo. Esse Sacrário possui uma câmera ligada on-line à Internet transmitindo ao vivo pelo link do Youtube. Tal ferramenta possibilita acessarmos, de nossas casas, e colocarmo-nos na presença de Jesus Eucarístico – lá na Polônia – Adorando-O e rogando ante Ele pelas nossas dificuldades e necessidades.

         A diferença do fuso horário de Varsóvia é de 4 horas à frente de Brasília. Por isso, às vezes acordo à noite, e para fugir da rotina do Corona vírus, acesso o meu celular, e vejo a capela de Niepokalanów, vazia, mas com todas suas luzes acesas. Um espaço disponível para qualquer pessoa, em qualquer hora, em qualquer lugar no mundo.

           Considerando que estamos com nossas igrejas fechadas, sem celebrações religiosas, com os padres trancados em quarentena, sempre vejo, a qualquer hora do dia ou da noite, na Capela Eucarística de Niepokalanów, fiéis rezando. Exceto durante as horas mais frias das madrugadas polonesas.  Parece um milagre! Deus está presente, aqui no Brasil, em nossas casas. Para quem quiser acessar este lugar místico eis o link: https://youtu.be/BKoweAT723g


             Deus não nos abandona. Feliz colóquio com Ele.


21 março 2020

Para Você Refletir ! Por Maria Otilia

Estamos vivendo um momento crucial em que um minusculo organismo, conhecido como coronavírus de Wuhan, ou simplesmente novo coronavírus,vem abalando todo o planeta.Bem como trazendo mudanças trágicas em todas as esferas do sistema: econômico,social,ambiental e politico.
Neste momento precisamos entender que a presença de  bactérias, fungos e outros microrganismos como este vírus, responsável por este sofrimento, serve para acordar de nossa alienação existencial.Nos obrigando assim a exercitar mais a solidariedade e efetivar nosso característica que nos diferencia  dos demais seres vivos , ou seja somos seres humanos pensantes.
Esta epidemia já diagnosticada como pandemia, aparece numa nova era das grandes redes sociais, que nem sempre é  saudável, pelo contrário  vem resultando  na instalação do medo, da insegurança, de informações veiculadas tipo "fakes".
Precisamos lembrar também de que somos parte de um ecossistema, de um todo, embora alguns setores do mundo globalizado da nossa sociedade, insistam em não aceitar.Daí indagamos ? A presença de vírus, bactérias, fungos,etc, são os verdadeiros culpados por tanto sofrimento ? Ou o próprio homem nas suas decisões  de testar a natureza, o meio ambiente, ignorando as suas consequências ? Sem compreender que  o fenômeno da globalização não globalizou somente o mercado , mas as doenças. A exemplo disso foi o surgimento dos primeiros casos de contágio com este vírus, a partir de experiencias da comercialização de animais exóticos.E e mutação deste vírus que com certeza estava em algum hospedeiro, seja no morcego ou outros que as pesquisas científicas vão constatar. Precisamos olhar esta situação com uma visão sistêmica, para que tenhamos solução a curto prazo e a médio/longo prazo maior consciência  para descartar ações globais desfavoráveis ao bem comum da humanidade.
Para fortalecer nossa reflexão posto abaixo uma pequena fábula que retrata as doenças da alma. Boa Leitura. 
                     O Trigo e o Guaxinim
A fábula é assim: Um homem andava pelo campo quando viu um Guaxinim arrancando todas as espigas de um trigal. O homem sem entender o que via, perguntou-lhe o que estava fazendo.  Procuro uma espiga madura para comer. – Mas, nessa época ainda estão verdes, retrucou o homem.  Não importa, disse o Guaxinim, se não estão boas agora, não me interessa amadurecerem depois. Veja, posso lhe dar algo para comer. Assim, você mata sua fome e não estraga o trigal. – Eu sou assim e é assim que atuo, sua oferta não me interessa. Moral: quem não enxerga os outros e não compartilha a vida, limita o futuro.

20 março 2020

Os pais de São João Paulo II nos caminhos da santificação – por José Luís Lira (*)

 Os pais de São João Paulo II, com o filho Karol, no colo

     Nestes dias difíceis para toda a humanidade, não tratarei da situação que preocupa a todos e, sim, rogo a Deus que nos proteja, citando as palavras do Salmista, “O SENHOR jamais desamparará seu povo” (Sl. 94,14). O momento requer serenidade e prudência e isto me remete ao belo olhar de um santo que quase todos nós conhecemos, seja pessoalmente, pelos meios de comunicação e todos o encontramos na oração. É São João Paulo II, o papa amado da humanidade e santo que, “da janela da Casa do Pai, nos vê e nos abençoa”. Ele que foi “pai” da humanidade e, certamente, roga a Deus pela Itália que um dia foi sua e por todo o mundo do qual ele foi Pastor tão amado e próximo das ovelhas de seu rebanho. Ele dizia que depois de ser eleito Papa, sua Diocese era o mundo. E o mundo necessita dele nessa situação e em tantas outras.

     No dia 13 último, a grande imprensa anunciou que, após o parecer positivo da Conferência Episcopal Polonesa, a arquidiocese vai abrir a causa de beatificação e de canonização de Karol Wojtyła e de sua esposa, Emília Kaczorowska, pais de São João Paulo II. Não é este o primeiro casal a ser enxergado na questão da santidade, mas, também não será o último, pois, Deus continua a abençoar-nos com a presença em nosso meio de mulheres e homens santos.

     Conforme se lê na página Episcopado Polaco, o arcebispo metropolitano de Cracóvia (Polônia), Dom Marek Jędraszewski, anunciou na quarta-feira (11/03), a decisão de iniciar Causa e que a recordação de Emília e Karol, especialmente nas comunidades de Wadowice e Cracóvia, é ainda viva e mesmo tendo passado muito tempo da morte deles, há ainda alguém que os conheceu pessoalmente. Para nós que não os conhecemos, lembramo-nos dos evangelistas, “pelo fruto conhecereis a árvore”. O exemplo de santidade e de amor à humanidade de São João Paulo II serve-nos de referência sobre seus amados pais.

     Emília nasceu em 26/03/1884, em Bielsko-Biała, Polônia e faleceu, em Wadowice, Polônia, a 13/04/1929. Emília e Karol Wojtyła, sênior, nascido, a 18/07/1879, em Bielsko-Biała, Polônia, e falecido em 18/02/1941, em Cracóvia, Polônia, se casaram em 10/02/1906. O casal deu à luz dois filhos: em 1906, Edmund, depois médico, falecido aos 26 anos, em 1932, e, em 1920, Karol, além da filha Olga, falecida pouco depois do nascimento. Após Emília falecer, Karol Wojtyła, pai, cuidou dos dois filhos sozinho.

     Em meados de 1938, Karol, suboficial no Exército da Polônia, e seu filho Karol deixaram Wadowice e se mudaram para Cracóvia. Com a morte do pai, em 1941, Karol, filho, o último sobrevivente de seu grupo familiar imediato, poeta, ator, abraçou o sacerdócio, vieram depois o episcopado, cardinalato e pontificado. São João Paulo II é modelo a todos nós, ainda hoje. Para o Cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo emérito de Cracóvia e secretário pessoal de São João Paulo II, durante 39 anos, “Não há dúvida de que a atitude espiritual do futuro papa e santo se formou na família, graças à fé de seus pais”.

     Depois de beatificados e canonizados, Emília e Karol Wojtyła entrarão no rol de casais santificados, onde já estão os santos Louis Martin e Zélie Guérin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
      Que eles intercedam a Deus por nossas famílias e toda a humanidade!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


18 março 2020

Diocese de Crato reza a São Sebastião pedindo a proteção contra o Corona vírus – por Armando Lopes Rafael


Foi muito bem recebida, nas redes sociais, a mensagem gravada pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo Diocesano de Crato, rezando a oração de São Sebastião, e suplicando a proteção deste santo para nos livrar da pandemia do Corona vírus que se alastra por todo o mundo.

Crato já experimentou, em 1862, a proteção especial de São Sebastião na epidemia do cólera-morbo que matou centenas de cratense. Leia abaixo o relato a este respeito.

Quem percorre a estrada Barbalha-Arajara-Crato, em direção à última cidade, é surpreendido — cerca de cinco quilômetros, antes de chegar ao destino — quando avista, no lado direito, uma singela e respeitável capelinha, típica dos templos rurais de antanho. Trata-se da Capela de São Sebastião do sítio Currais, erguida para atestar, às gerações futuras, uma grande graça concedida por Deus, à população daquela localidade, na segunda metade do século XIX.

Corria o ano de 1862. Uma doença contagiosa e mortal, causada pelo vibrião colérico, se abateu, e dizimou considerável parcela da população sul cearense. O pânico se espalhou pelas cidades, povoados, fazendas e sítios do Vale do Cariri. Mas, naquele tempo, a fé do nosso povo, diferente de hoje, era patente. As pessoas tinham o costume de se voltar para Deus, nas grandes dificuldades coletivas. Isso ocorria nas freqüentes crises climáticas e nas epidemias. Estas mais raras.

Capela de São Sebastião dos Currais, em Crato

Damos a palavra ao historiador Irineu Pinheiro que fez menção deste fato no seu livro “O Cariri”, página 245:

“Em 1862 prometeu o major Felipe Teles Mendonça erigir uma capela em seu sítio Currais, a uma légua do Crato, dedicada a S. Sebastião, se não morresse de cólera-morbo nenhum dos membros de sua família ou de seus moradores. Naquela época a epidemia do mal asiático abateu milhares de pessoas em todo o Ceará. Nada sofreram o major Felipe e os de sua casa e sítio. Em 12 de outubro de 1863, para cumprir o seu voto, pediu ao Bispo D. Luiz Antônio dos Santos licença para edificar a igrejinha, licença que lhe foi dada no dia 13 do mesmo mês e ano, depois de informação favorável do vigário Joaquim Aires do Nascimento. Mas só em 1888, após ter o segundo Bispo do Ceará, D. Joaquim José Vieira, confirmado a graça concedida por D. Luiz, foi erguida a capelinha e benzida pelo vigário do Crato, Antônio Fernandes da Silva”.

Como há cerca de 160 anos,  os cratenses se voltam  novamente para São Sebastião, pedindo a proteção deste grande Santo, neste 2020.

13 março 2020

São José, o Pai Amoroso do Filho de Deus– por José Luís Lira (*)

   Os desígnios de Deus são insondáveis. Agostinho, o grande Bispo de Hipona, reconhecido santo da Santa Madre Igreja, uma das maiores inteligências conhecidas, protagoniza uma dessas situações. Andava ele numa praia quando viu um menininho com um búzio buscando água no mar e colocando num pequeno buraco. Agostinho, curioso, indagou: “O que fazes filho?” Ele respondeu: “Estou mudando o mar para cá”. O Bispo retrucou: “Isto é impossível”. A criança disse: “É mais fácil eu conseguir isso do que o Senhor desvendar o mistério da Santíssima Trindade”. Assim é a obra de Deus. Nossa mente não a alcança. José e Maria entram neste rol de mistérios sagrados e sobre eles pouco sabemos, historicamente.

    José viveu em Nazareth, na Galileia. Seu ofício era de carpinteiro. Chegando o tempo de casar-se, encontrou uma jovem, bela, órfã de Joaquim e Ana, chamada Maria. Os dois, com as bênçãos de familiares e de Deus, decidiram formar sua família, ficando noivos. Naqueles dias, Maria estava rezando, em seu quarto, quando tudo ficou muito iluminado. Era um Anjo e lhe trazia uma mensagem que mudaria sua vida, o mundo. Ela seria a mãe do Salvador, Filho do Altíssimo Deus. Ainda hoje a saudamos com as palavras do Anjo, “Ave Maria!”. Ela explicou que não “conhecia” nenhum homem e o Anjo a acalmou: “o Espírito Santo virá sobre Ti”. Assim se deu. Ela foi cuidar de sua prima Isabel, casada com o sacerdote do Templo Zacarias, que, conforme a revelação do Anjo, também esperava um filho.
   E José, como ficou José?

   Estive na Igreja construída sobre sua carpintaria, em Nazaré, na Terra Santa, e foi difícil controlar a emoção. Os Evangelhos se referem a São José, aclamando-o “homem justo” (Mt 1,19), escolhido por Deus para ser o pai amoroso de seu Filho Jesus (Lc 2,27.33.41.43 e 48), ao casar-se com Maria (Mt 1,24; Lc 1,27). Ele pertencia à estirpe de David (Mt 1,20; Lc 1,27), razão pela qual se deslocou com Maria Santíssima a Belém para comparecer a um censo e ali, num estábulo, nasceu o Salvador, Filho de Deus, Jesus. José passou pela provação da gravidez de Maria de quem ele era noivo, mas, não era o pai do filho dela. Sem saber do que se tratava, conforme o costume de então, José, “sendo justo” e não a querendo infamar, resolveu deixar Maria. Mas, eis que lhe apareceu, em sonho, um Anjo, dizendo: José, “filho de Davi”, não temas receber Maria, tua mulher, porque “o que nela foi gerado é do Espírito Santo”. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher, com todo amor e respeito, respeito que perdurou por toda a sua vida.

   São José é o Patrono Universal da Igreja e Padroeiro do Ceará. No calendário cívico estadual, – 19 de março –, é feriado, em sua homenagem. Antiga é a tradição do povo cearense rogar ao seu Padroeiro pedindo chuvas. Se diz que o inverno é confirmado se chover até o dia de São José. Cientificamente, nas proximidades do dia do Santo, ocorre o equinócio que marca o início do outono e que sempre traz chuvas sobre a terra. Poeticamente diríamos que somos um povo que vive olhando para o céu. Este ano, o inverno já está confirmado e rendemos graças!
    A São José, nosso amor e gratidão!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

10 março 2020

Coisas da República – No ar, um cheiro de 2013 – por Eliton Rosa (*)




O próximo domingo, dia 15,  está cheirando ao junho de 2013, quando os movimentos sociais convocaram manifestações em todo o País para dar um basta na corrupção, na bagunça organizada pelo PT e seus governos, que culminaram com a saída de Dilma Rousseff da Presidência.

Hoje, quase sete anos depois, a história se repete, agora especificamente contra o Congresso e o STF e seus personagens que ultrapassaram os limites da democracia ao tomarem decisões à sua revelia, contra a Nação. Além de R$ 2 bilhões para o fundo partidário, R$ 30 bilhões para as emendas, os senadores e deputados tomaram para si o País junto com o STF que instituiu o juiz de garantia para tornar mais digerível a impunidade, como também a anulação da prisão em 2.ª instância.

Ninguém acreditou, nem o governo, os políticos e a imprensa, nos protestos de 2013, que começaram no Rio de Janeiro e em São Paulo, e se espalharam pelo País inteiro. Muitos não acreditaram, zombaram, jornais e renomados jornalistas diziam, por exemplo, que no Rio de Janeiro era por conta do aumento de apenas R$ 0,20 nas tarifas de ônibus, mas no fundo era muito mais além da máfia dos transportes, eram para protestar contra Sérgio Cabral, contra o MDB & cia., contra a a cleptocracia generalizada no Brasil.

Naquele ano, 1 milhão de pessoas foram para a Avenida Presidente Vargas para protestar. E a TV Globo anunciou 300 mil, enquanto a PM não quis revelar o seu verdadeiro número.

(*) Eliton Rosa – e-mail: elitonrosa@gmail.com


Bomba: Presidente Jair Bolsonaro diz que provará suposta fraude na eleição de 2018


Fonte: Site Terra – Por Lisandra Paraguassu 

Presidente Jair Bolsonaro discursa a empresários em Miami 09/03/2020 REUTERS
/Marco Bello - Foto: Reuters

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, em Miami, que em breve poderá apresentar evidências de que teria vencido as eleições de 2018 no primeiro turno se não tivesse ocorrido algum tipo de fraude. O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, em Miami, que em breve poderá apresentar evidências de que teria vencido as eleições de 2018 no primeiro turno se não tivesse ocorrido algum tipo de fraude.

Bolsonaro afirmou ainda que acredita que teve uma votação muito maior do que efetivamente foi computado, derrotando o petista Fernando Haddad já no primeiro turno.

09 março 2020

Segredos e Revelações da História do Brasil: A primeira Condecoração brasileira


Verso e anverso da Ordem do Cruzeiro, à época da Monarquia

    No dia 1° de dezembro de 1822, data da aclamação do Imperador Dom Pedro I, o herói da nossa independência criou a primeira Ordem Brasileira. Tratava-se da Imperial Ordem do Cruzeiro.
O desenho dessa ordem foi inspirado em modelo francês, mas seu nome e suas características foram baseados na posição Austral do Cruzeiro do Sul uma constelação que só pode ser avistada no nosso hemisfério.

 Seu designer é: "Estrela branca de cinco pontas bifurcadas e maçanetadas, assentada sobre guirlanda de ramos de café e fumo, pendente de coroa imperial. Ao centro, medalhão redondo azul-celeste, com cruz latina formada por dezenove estrelas brancas (representando as 19 Províncias brasileiras,  circundado por orla azul-ferrete com a legenda "Benemeritium Praemium". Reverso – Igual ao anverso, com alteração no medalhão para a efígie de D. Pedro I, e na legenda para "Petrus IBrasiliae Imperator D". Fita e banda azul-celeste. Graus: Cavaleiro, Oficial, Dignitário e Grã-Cruz."

    Essa ordem era outorgada a brasileiros e estrangeiros e sua maior distribuição ocorreu no dia da Coroação e Sagração de D. Pedro I. Aos condecorados não eram cobradas taxas, exceto o feitio da insígnia e o registro dos diplomas. Ficavam, porém, obrigados a dar uma joia qualquer, os agraciados ao seu arbítrio, para dotação de uma Caixa de Piedade, destinada à manutenção dos membros pobres da Ordem ou dos que, por casos fortuitos ou desgraças, caíssem em pobreza.

     No Golpe Militar que implantou a República no Brasil, a 15 de novembro de 1889, essa Ordem foi extinta pela Constituição de 1891, a primeira de uma série de 6 constituições republicanas. Mas, depois, foi restabelecida – pelo Decreto 22.165, de 5 de dezembro de 1932, pelo presidente Getúlio Vargas, com uma nova denominação a "Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul".

(Publicado originalmente no Face book Império dos Trópicos)

"Coisas da República": Comenda foi desmoralizada em 1961

   No decorrer da tumultuada vida  republicana brasileira, em 1961, o então Presidente da República, Jânio Quadros, resolveu condecorar, com a Ordem do Cruzeiro do Sul, o ministro e guerrilheiro cubano "Che" Guevara, que visitava o Brasil,   Pisou na bola!

    Houve protestos contra essa concessão,em todos os setores da vida nacional, principalmente na imprensa. Para piorar, não havia estoque da comenda, no Palácio da Alvorada. E Jânio Quadros pediu emprestada uma comenda já concedida anteriormente, a outro agraciado,  com a promessa de entregar-lhe uma nova, tão logo tivesse outro exemplar disponível. Por isso, o sanguinário "Che" Guevara levou uma Ordem do Cruzeiro do Sul de segunda mão. O agraciado -- o que emprestou sua comenda -- nunca mais recebeu outra. Jânio renunciou à Presidência, dias depois de condecorar "Che", após tomar um porre homérico, como era costume dele...

Presidente Jânio Quadros condecorou o guerrilheiro
cubano com a maior comenda brasileira. 


07 março 2020

A culpa não é do eleitor – por Marcos Lefreve (*)



      Brasileiro não sabe votar. Essa falácia é desmontada pelo artigo A crise na representação que ainda assola o País, de José Nêumanne (publicado no  Estadão). Conforme aponta o articulista, 93% dos deputados ocupam seus cargos graças aos puxadores de votos do seus partidos. Aponta também que o voto de um eleitor em Roraima vale 13 vezes mais que o de um eleitor paulista. Adicione-se o fato de que nosso sistema político não aceita candidatos independentes, mas só os que são aprovados pelos partidos, que em sua maioria têm donos, que ainda distribuem as verbas eleitorais – por si sós injustificáveis – aos candidatos de sua preferência.

Esses e outros fatos evidenciam que o erro está no sistema político, e não no coitado do eleitor. A questão é: como mudar isso, se os maiores interessados na manutenção desse sistema injusto são exatamente os que têm poder para fazer a mudança?

(*) Marcos Lefevre – e-mail: lefevre.part@hotmail.com

O afeto que se encerra – por Eliton Rosa (*)


“Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!”

(estrofe inicial do Hino à Bandeira Nacional)



Além de título de um livro, a frase acima faz parte do Hino à Bandeira Nacional, de inspiradas belas letra e música de Olavo Bilac e Francisco Braga, que traz a terna lembrança dos tempos de escola, da infância, adolescência e juventude de outras gerações, de amor à Pátria que esse hino encerra. Título apropriado para começar e permear o artigo sobre a situação que vivemos (Fabio Giambiagi, 4/3, A2).
O que fazer para conviver com a perda de sentimento por um lugar, pessoas, país de origem? Vivemos hoje um Brasil maniqueísta. Perdemos a noção de nação. Ainda pode demorar algum tempo para que “o afeto que se encerra em nosso peito juvenil” volte a florescer. Para tal é preciso alimentação, educação e saúde. Enquanto isso não se concretizar, vale lembrar a máxima cruel, dura e real: “terra é onde se vive, se trabalha, se come”, com todas as suas mazelas.

(*) Eliton Rosa – e-mail: elitonrosa@gmail.com

Marcelo Câmara e a Santidade no Direito – por José Luís Lira (*)



   Em 2013, em palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, falávamos sobre os advogados santos, destacando o padroeiro dos advogados, Yves Hélory de Kemartin, o Santo Ivo, que viveu entre os séculos XIII e XIV na França, filho de nobres que, após estudar Direito, se tornou franciscano e depois de morto, santificado, por suas brilhantes ações em vida em prol da justiça e dos mais necessitados. Falava, então, dos candidatos brasileiros à santidade que eu havia relacionado no meu livro “A Caminho da Santidade”: Padre Dr. José Antônio de Maria Ibiapina (1806-1883), sobralense, e o Dr. Franz de Castro Holzwarth (1942-1981), nascido no Estado do Rio de Janeiro, mas, cuja causa corre na Diocese de São José dos Campos (SP). Então, uma amiga me falou do advogado, professor e promotor Marcelo Câmara, de Santa Catarina, falecido na quinta-feira santa de 2008, em fama de santidade. Ao final da reunião, tínhamos uma foto dele.

    O tempo passou, até que em novembro de 2019, participando do VII Encontro de Postulação – Autores das Causas dos Santos – sob a responsabilidade do Dr. Paolo Vilotta, sentou-se ao meu lado, Guilherme Ferla. Era da causa de beatificação de “Marcelinho”, estava com dois sacerdotes. Um deles, o Pe. Vitor Feller, postulador. Ao ver o livro “No caminho da santidade: a vida de Marcelo Câmara, um promotor de Justiça”, de Maria Zoê Bellani Lyra Espíndola, abandonei minha habitual timidez e pedi para ver o livro, com o qual fui presenteado.

    Marcelo Henrique Câmara nasceu na véspera de São Pedro de 1979. Eu tinha pouco mais de cinco anos. Foi batizado na memória litúrgica de Santa Clara, 11 de agosto de 1979; no Brasil é o dia do advogado. Teve uma infância e juventude comuns. Entrou para a faculdade de Direito no mesmo semestre que eu entrei, só que em Santa Catarina e eu no Rio de Janeiro. Fui me prendendo à leitura detalhada e complementada. Dedicado aos estudos, num dos relatos, se vê a participação dele numa aula de História do Direito. Noutro ponto, mostra-se sua admiração pelo Vasco, também meu time e uma expressão me lembrou Jorge Luís Borges: “... se pudesse, ele viveria feliz dentro da biblioteca”.

    E Marcelo se enamorou de Deus. Depois de um Encontro no movimento católico de Emaús. Aí sua santidade se revelou e eu me lembrei do colega advogado que há tantos anos fora a Ars, França do século XIX, para ver a pregação de São João Batista Maria Vianney e voltou à sua terra dizendo ter “visto Deus num homem”. É assim o que os relatos colhidos por Zoê Espíndola, sua colega de Faculdade, em síntese, dizem. Lembrei-me do Apóstolo, “... já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2,20).

    O francês Victor Hugo disse ao ser eleito para a Academia Francesa: “Verdadeiramente imortais são os santos católicos que quase 2000 anos depois de sua morte ainda recebem culto”. Marcelo viveu apenas 28 anos, mas, penso que seu nome ultrapassará nossa Pátria e ele continuará a levar Cristo, no testemunho de sua vida.

     Neste domingo, 8, a Arquidiocese de Florianópolis fará a Abertura de sua Causa de Beatificação e de Canonização, com relatos diversos que apontam uma santidade genuína. E quem sabe teremos um santo que usou paletó e gravata, com riso nos lábios e que foi exemplo de humildade e ternura? Oremos!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

05 março 2020

Grande obra será construída em Crato: Centro Cultural do Cariri vai revitalizar prédio que já abrigou Seminário da Sagrada Família

 Mais um equipamento vai integrar o rol de opções culturais na região do Cariri. No dia 10 de março será aberto o certame licitatório para definir a empresa responsável pela construção do Centro Cultural do Cariri (CCC), no Crato. O valor orçado para o empreendimento é de R$ 68,4 milhões, via Secretaria da Cultura (Secult). A implantação será fiscalizada pela Superintendência de Obras Públicas (SOP).



“O Centro Cultural do Cariri comporá a Rede de Equipamentos Culturais da Secult-CE e faz parte de uma meta da Lei 16.026/2016 do Plano Estadual de Cultura para implantação de centros culturais no interior do Estado, compromisso do Governador Camilo Santana. O Centro Cultural do Cariri é também uma instituição que articula as políticas de acesso à cultura, de fomento à criação e circulação artística, de patrimônio cultural, de formação artístico-cultural e de produção do conhecimento”, explica Fabiano Piúba, secretário da Cultura.

O equipamento será construído em área que no passado pertenceu a edificações de arquitetura marcante, como o Seminário da Sagrada Família, fundado em 1948, e posteriormente, o Hospital Regional Manuel de Abreu, que funcionou de 1973 até 2014, quando foi desativado. As estruturas existentes hoje no local serão parcialmente aproveitadas para receber o Centro Cultural do Cariri , compreendendo uma área construída total de 12 mil metros quadrados (m²).

O projeto se volta a preservar o patrimônio e seu valor histórico. Para a composição do Centro Cultural está prevista a integração de três grandes áreas: o edifício antigo do hospital a ser restaurado, um novo bloco adjacente onde será construído um teatro de seis andares com capacidade para 500 lugares, e os arranjos exteriores formados por passeios, praça, parque e estacionamentos. O CCC contará com um pátio central (átrio), museu, biblioteca, teatro, residências artísticas, espaços para ensino, pesquisa, artesanato, exposições e workshops, duas áreas de estacionamento, além de um parque verde a ser revitalizado e entornos urbanizados. Há ainda a previsão de requalificação da Rua Vicente Máximo Feitosa.

“Será um centro cultural-parque de junção entre cultura e natureza, um espaço catalisador das instituições, manifestações e expressões da região do Cariri em conexão com o Ceará, o Brasil e o mundo em um contexto fértil em que estamos desenvolvendo a candidatura da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade”, conclui Fabiano Piúba.

O Centro Cultural do Cariri trará novas potencialidades de investimento ao Crato e cidades vizinhas, impulsionando de forma dinâmica a produção cultural, o turismo e o lazer pelo Interior do Ceará.


Fonte:Governo do Estado do Ceará

02 março 2020

Símbolos nacionais do Brasil, uma herança da Monarquia – por Armando Lopes Rafael




    No caos moral em que se encontra a sociedade brasileira, dois símbolos ainda resistem nesse estado de muita desordem de confusão de ideias e de subversão dos valores morais: o Hino e a Bandeira Nacional.

      Nossa Bandeira, a mesma que hoje tremula nas manifestações do povo pedindo “Quero o meu Brasil de volta", é a mesma criada no Império do Brasil, com ligeira modificação.  Nosso principal símbolo pátrio foi criado através dor Decreto de 18 de setembro de 1822, desenhada pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret. Composta de um retângulo verde e um losango amarelo, cores escolhidas por Dom Pedro I, a lembrar o verde da Casa de Bragança (origem do nosso primeiro Imperador) e o amarelo da Casa Real dos Habsburgos, de onde provinha a Imperatriz Leopoldina.

     Essa história de "verde das nossas matas e amarelo do nosso ouro" é outra Fake News dos republicanos...

      No Centro da linda bandeira, pontificava o Brasão do Império, cercado de ramos de café e tabaco, e indicados – no mencionado decreto – como "emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação". As 19 estrelas de prata correspondem às 19 províncias que o país tinha na época. Menos de quatro meses depois, a coroa real que se sobrepunha ao brasão foi substituída por uma coroa imperial "a fim de corresponder ao grau sublime e glorioso em que se acha constituído esse rico e vasto continente", afirmava o decreto de 1º de dezembro de 1822.

      Também o nosso Hino Nacional (igualmente oriundo dos tempos imperiais), o mesmo  ouvido ainda hoje, com todo respeito, por milhões de brasileiros, remonta ao reinado de Dom Pedro I. Esse Hino era executado, à época da Monarquia, sem ter ainda uma letra. Conhecida apenas como “Marcha Imperial”, nosso Hino foi tocado nos campos de batalhas da Guerra do Paraguai. Depois desse conflito foi popularizado na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil.

       Com o advento do golpe de estado que implantou a República dos Estados Unidos do Brasil, no chamado “Governo Provisório” – dirigido pelo Marechal Deodoro da Fonseca – foi instituído um concurso para a adoção de um novo hino nacional. A ordem era (tentar) apagar tudo que restasse do Brasil-Império. Vivia-se os novos tempos republicanos e a propaganda oficial dizia que tudo iria melhorar; que o Brasil iria trilhar uma nova senda do progresso e de bem estar para a “brava gente brasileira” ... Quantas vezes, nos últimos 130 anos, vimos esse filme...

      Pois bem, na noite de 20 de janeiro de 1890, o Teatro Lírico do Rio de Janeiro estava superlotado, reunindo as mais destacadas personalidades da então capital brasileira, para conhecer o novo Hino Nacional. No camarote de honra, o velho Marechal Deodoro, àquela época já bastante decepcionado com alguns companheiros do golpe militar de 15 de novembro de 1889. O hino que obteve o primeiro lugar no concurso foi composto pelo maestro Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque. Na verdade, uma bonita peça (hoje chamada de “Hino da República”, que começa com o refrão: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

      Ao final da execução do hino, o Marechal Deodoro bateu o martelo e impôs:

– Prefiro o velho!

      Manda quem pode e obedece quem tem juízo, diz o dito popular! Foi quando ficou preservada para as gerações vindouras, a bela “Marcha Imperial”, o mesmo Hino Nacional Brasileiro de hoje, cujos primeiros acordes (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ De um povo heroico o brado retumbante”) nos enche de orgulho e nos faz reviver o pouco de patriotismo que ainda resta à “Pátria amada, Brasil".



Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

01 março 2020

Rápido balanço sobre os 61 anos da ditadura cubana – por Armando Lopes Rafael





   Desde 1959 – há 61 anos – prevalece na “ilha-prisão” de Cuba um regime comunista de partido único, controlando toda a vida daquela nação, a começar pela comunicação social. Televisões, rádios e imprensa são propriedade do Estado. Acesso à Internet só com autorização do governo. E, mesmo assim, a Internet vive sob censura. O e-mail não é utilizado porque, segundo afirmam, também é controlado pelas autoridades oficiais.
     As estimativas variam, mas os números mais sensatos dizem que mais de 17.000 pessoas foram fuziladas, pela ditadura da Família Castro, no “paredón” desde o início da ditadura comunista cubana.  Quem pôde fugiu. Há cerca de 2 milhões de exilados – um em cada seis cubanos vive no exterior, uma proporção de exilados maior que a existente na Venezuela e na Síria, para citar dois casos recentes. Mas não só. 178.000 cubanos – homens, mulheres e crianças – morreram em alto mar tentando fugir para os Estados Unidos.

      Os que não puderam fugir da ilha-cárcere sobrevivem com alimentos racionados. E não venha alegar que houve algumas “conquistas” (nas áreas da educação e saúde) na ditadura cubana. A Costa Rica desfruta uma posição melhor que a de Cuba no IDH, sem ter para isso abolido as eleições livres, fuzilado milhares de cidadãos, prendido opositores ou impedido os cidadãos costa-riquenhos de viajar para o exterior.

     A Comissão dos Direitos Humanos aprovou, diversas vezes, resoluções onde condena Cuba pela limitação de alguns direitos como a liberdade de expressão, associação, reunião ou de movimento. A ONU pediu, reiteradamente, a Cuba a libertação de pessoas detidas com base nesse tipo de acusações. As Nações Unidas pressionam o governo cubano para que leve a cabo reformas legais que coloquem as leis em conformidade com as normas internacionais dos direitos humanos.  Mas a ditadura da ilha-presídio nega sistematicamente aos seus cidadãos direitos básicos de liberdade de expressão, associação, reunião ou de movimento.

        As autoridades cubanas restringem qualquer tipo de discordância política, e usa avisos policiais, vigilância, detenções, prisão domiciliária e demissões por motivos políticos como métodos para reforçar a conformidade política. A defesa dos direitos humanos é reconhecida como uma atividade legítima, mas a ditadura dos Castro interpreta-a como uma “traição” à soberania cubana.

Educação no Brasil Republicano: uma das piores do mundo



    Em certa ocasião, perguntado o que gostaria de ser se não fosse Imperador, Dom Pedro II respondeu sem hesitar “professor”, tal a importância que dava à instrução de seu povo. E com frequência fazia incursões em escolas cariocas para avaliar não só alunos, mas também professores.

     Passados 130 anos de República, o nível de aprendizado dos brasileiros se tornou um dos piores do mundo, ficando em 58º no ranking da PISA, sigla em inglês que significa “Programa Internacional de Avaliação de Alunos”. 

     A pesquisa é feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos com estudantes de 15 anos de 79 países, e os testes abrangem leitura, matemática e ciência. Participaram 17.507 adolescentes brasileiros, e o índice só não foi inferior porque o teste abrangia também escolas particulares, na média bem melhores do que as públicas.

     Não é de se estranhar que a República trate desta forma nossa Educação, pois é muito mais fácil manipular ignorantes.

(Postagem inicial: Face Book Pro Monarquia)

28 fevereiro 2020

A estratégia usada pelo Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança para divulgar as vantagens da Monarquia



   Dizia Adenauer, o estadista que conseguiu reerguer a Alemanha após a derrota na Segunda Guerra Mundial, em 1945, que a primeira preocupação de qualquer corrente política deve ser detectar e aglutinar todos os que pensam como ela. Somente em segundo lugar sua propaganda deve ser dirigida para a conquista dos eleitores de outros partidos. Foi justamente essa a diretriz que o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, adotou em seu trabalho, tão logo sucedeu à alta posição de herdeiro do Trono e da Coroa do Brasil e à condição de legatário das tradições do nosso Império, em 1981.

     Em uma primeira fase, por meio de suas já tradicionais Mensagens de Natal, e através de intensa correspondência, Sua Alteza retomou antigos contatos da Família Imperial Brasileira e aglutinou em torno de sua augusta pessoa as simpatias esparsas com que a Monarquia contava por todo o Brasil. Já em uma segunda etapa do processo, incorporou às fileiras monárquicas inúmeros brasileiros que se poderia chamar – usando expressão que, à época, era corrente em certos meios políticos norte-americanos – de os “agredidos pela realidade” republicana. Eram pessoas que os sucessivos malogros da República havia tornado descrentes dessa forma de governo, e que se encontravam assim dispostas para, desde que devidamente esclarecidas, reconhecer na Monarquia a solução natural para os males do Brasil.

      Somente em uma terceira fase, servindo-se de uma então moderna tática de propaganda, a propaganda por mala direta, bem como da propaganda convencional, pelos meios de comunicação social, o Movimento Monárquico se lançou com sucesso na conquista das largas faixas do eleitorado que optaram pela restauração da Monarquia no Plebiscito de 1993.

     Nossos Príncipes e Princesas já viajaram e continuam viajando por todo o Brasil, participando de conferências e ministrando palestras nos ambientes mais diversos, desde universidades até associações de operários, concedendo entrevistas a jornais, rádios e televisões.  O que antes era um punhado de patriotas, hoje é um movimento organizado e ativo à frente de uma vigorosa corrente de opinião, verdadeiro polo de pensamento político-ideológico que impõe respeito em todo o Brasil.

(Baseado em trechos do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, de autoria do Professor Armando Alexandre dos Santos). 

Foto abaixo: Tirada em 1989. Dom Luiz de Orleans e  Bragança (ao centro) ladeado pelos seus dois i mediatos substitutos: Dom Bertrand (à esquerda) e Dom Antônio (à direita), além de outros membros da Família Imperial Brasileira.



Lição de sabedoria

(Publicado originalmente no face book de José Luís Lira)

Mons. Sadoc de Araújo – Sacerdos in Aeternum – por José Luís Lira (*)




    Escrevo esta coluna na terça-feira de carnaval. Para a Igreja Católica, festa móvel da Sagrada Face de Jesus. Que todos tenhamos a graça de um dia contemplar a face de Nosso Senhor Jesus Cristo. A data, 25/02, remete às comemorações da ordenação sacerdotal do Pe. Sadoc – Francisco Sadoc de Araújo, primo de meu avô materno, Francisco Assis Araújo; recordo uma, em especial. Era sábado de carnaval, há 14 anos, e muitos amigos e admiradores seus lotávamos a Igreja da Ressurreição para celebrar o Jubileu de Ouro Sacerdotal do Mons. Sadoc. A celebração foi presidida pelo então bispo da Diocese de Sobral, Dom Antonio Fernando Saburido. O homenageado recebeu saudação do Pe. José Linhares Ponte.

   Na ocasião, o então reitor da Universidade que o Pe. Sadoc fundou, a Universidade Estadual Vale do Acaraú, Prof. José Teodoro Soares fez a entrega da Medalha do Mérito Educacional da UVA ao fundador e primeiro reitor. Sadoc de Araújo foi ordenado sacerdote, em 25 de fevereiro de 1956, na Basílica de São Paulo Extramuros, na Cidade Eterna, Roma, longe da família, dos amigos, da sua Pátria, do seu Bispo, Dom José Tupinambá da Frota. Dia seguinte, na mais antiga das igrejas católicas do mundo, a Basílica de São João de Latrão, “cantava” sua “missa nova”. Em junho de 1956, o Padre Sadoc defendeu a dissertação de Mestrado “A ciência criadora”, interpretação do pensamento de Santo Tomás de Aquino.

    O sacerdote retornou à sua Pátria, agregou o magistério, a gestão do Seminário Diocesano de Sobral, a direção do jornal “Correio da Semana”, tantas e tantas atividades que o fizeram fundar a Universidade Estadual Vale do Acaraú e, aposentado da docência, passou um tempo em Olinda, onde dirigiu o Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Olinda e Recife; foi Capelão e Pároco do arquipélago de Fernando de Noronha; postulou a fase Diocesana da Causa de Beatificação do conterrâneo Pe. Ibiapina, na Paraíba, Diocese de Guarabira. Regressando a Sobral, fundou e dirigiu o Centro de Evangelização Padre Ibiapina – CEPI, inaugurado em 1995 e, também, a Igreja do Cristo Ressuscitado – a Paróquia da Ressurreição.

     Pesquisador incansável, Mons. Sadoc escreveu quase duas dezenas de livros sobre Sobral, o clero e sua região, ingressando na Academia Cearense de Letras, no Instituto do Ceará, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, na Academia Brasileira de Hagiologia, entre outras.

      Neste dia 25 de fevereiro de 2020, desde cedo lembrei da efeméride, fazendo publicação em rede social alusiva à data. No silêncio em que se encontra, imaginei que não haveria celebração. Passava de meio-dia quando recebi uma mensagem do Pe. João Batista Aragão de Oliveira Filho, o Joãozinho, seu afilhado, discípulo e amigo. Pe. Joãozinho, que tantas vezes fora acólito do Pe. Sadoc de Araújo, autorizado por nosso Bispo, Dom Vasconcelos, celebrou a Santa Missa em Ação de Graças pelo sacerdócio do Pe. Sadoc, no apartamento em que o Monsenhor se acha hospitalizado, na Santa Casa de Sobral, ministrando-lhe os sacramentos da Santa Madre Igreja. As lágrimas correram na face e lembranças bíblicas vieram à mente: “... o tempo da colheita chegou” e “Tu és Sacerdote para sempre – sacerdos in aeternum –, segundo a ordem de Melquisedec”.

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

16 fevereiro 2020

Padre-mestre Ibiapina e suas passagens pelo Cariri – por Armando Lopes Rafael



   Na próxima quarta-feira, 19 de fevereiro, completam-se 137 anos da morte do lendário Padre Ibiapina.  Embora nascido em Sobral, em 5 de agosto de 1806, o adolescente José Antônio Pereira Ibiapina viveu – entre 1819 e 1823 – em Crato (onde frequentou aulas de religião com o vigário José Manuel Felipe Gonçalves) e na cidade de Jardim (onde estudou latim com o mestre Joaquim Teotônio Sobreira de Melo). Depois de ordenado sacerdote ele voltaria outras vezes ao Cariri, onde construiu as Casas de Caridade de Crato, Barbalha, Missão Velha e Milagres, bem como a igreja, cemitério e um açude em Jamacaru.

    Na vida civil Ibiapina foi professor de Direito Natural na Faculdade de Olinda; foi eleito Deputado Geral (hoje deputado federal) representando o Ceará na Câmara Legislativa, no Rio de Janeiro; foi nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia da Comarca de Quixeramobim (CE). Exerceu a advocacia em Recife. Abandonou tudo isso e, aos 47 anos, foi ordenado Padre da Igreja Católica. A partir daí, percorreu o interior do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco levando o conforto, através da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino. Mas não só. A cavalo ou a pé, sempre vestido com a batina, pregava nas “missões”; paralelamente, construía igrejas, capelas, cacimbas, açudes, cemitérios e hospitais. Chegou a construir mais de 20 Casas de Caridade para moças órfãs e carentes.

    Sobre ele, escreveu Gilberto Freyre: “ Ibiapina foi realmente uma enorme força moral a serviço da Igreja e do Brasil. [...] exemplos como o do padre Ibiapina – que,  sozinho, fundou e organizou vinte casas de caridade nos sertões do Nordeste – se impõem aos brasileiros como grandes valores morais”.

    Faleceu no município de Solânea, na Paraíba, em 19 de fevereiro de 1883. Sua causa de beatificação corre na Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

   Ao Padre Ibiapina se aplica com toda justeza as palavras do livro bíblico “Eclesiástico”: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras da sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,1-3)