27 dezembro 2019

Educação do Crato de Luto - Por Maria Otilia


Hoje, o nosso município recebe com tristeza a noticia do falecimento de Madre Maria Carmelina Feitosa, ou simplesmente Madre Feitosa. Uma mulher de voz baixa, suave e de muita escuta.Sábia, de bom senso e que foi gestora com muita competência do Colégio Pequeno Príncipe e Madre Ana Couto (extinto).Deixa um grande legado como mulher educadora e evangelizadora. 

“Fonte única da vida, [...]
Tenha vida em vosso Reino
vossa serva, que Jesus,
consagrou no Santo Espírito
e a guiou da fé à luz.”
(Hino do Ofício das Leituras dos fieis defuntos)


PROGRAMAÇÃO - VELÓRIO DO CORPO DA REVERENDA
 MADRE FEITOSA - FILHA DE SANTA TERESA DE JESUS
                        
HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES EUCARÍSTICAS

Capela Santa Teresa de Jesus
DIA 27 de dezembro (sexta-feira)
16h: Saída do corpo da Funerária Anjo da Guarda em Juazeiro do Norte para a Capela Santa Teresa de Jesus - Crato, em frente ao Palácio Episcopal
17h: Eucaristia – Pe. José Vicente
18h:Terço mariano – Missão Resgate
21h: Eucaristia – Pe. Ivo
DIA 28 de dezembro (sábado)
7h: Eucaristia – Pe. Ricardo na Capela Santa Teresa de Jesus -
 e TRANSLADO para o Auditório do Colégio Pequeno Príncipe
HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES EUCARÍSTICAS – Auditório do Colégio Pequeno Príncipe
10h: Eucaristia no Auditório – Pe. Adelino
15h: Terço da Misericórdia
19h: Eucaristia – Dom Edimilson
DIA 29 de dezembro (domingo)
9h: Eucaristia de Exéquias na Sé Catedral – Dom Gilberto Pastana de Oliveira
10h: Sepultamento na Capela da Casa de Caridade

Madre Feitosa, uma unanimidade

 
Carlos Rafael Dias

Uma frase, atribuída ao dramaturgo Nelson Rodrigues, é recorrentemente usada para expressar a necessidade do contraditório nas relações sociais:  toda unanimidade é burra!

Tido como um dos maiores nomes da crônica brasileira, incluindo aquela inspirada no mais profundo cotidiano urbano, Nelson Rodrigues é muito pouco contestado quando se trata dessas contundentes tiradas. Mas, no objetivo que me leva hoje a escrever, tenho que discordar do genial escritor. Às vezes, a unanimidade é um pertinente qualitativo para se referir a pessoas extraordinariamente belas e boas. É o caso de madre Feitosa, uma unanimidade pela sua irretorquível passagem terrena, espelhada na mais pura e legítima filosofia de vida cristã.

Tive o privilégio de conviver com a madre e por ela ser ajudado. Recém-casado, recém-formado e desempregado, bati-lhe à porta para entregar um minguado curriculun vitae. Almejava ser professor do colégio por ela fundado e dirigido. Na sua sabedoria e generosidade, madre Feitosa talvez tenha percebido que eu não estava ainda devidamente preparado para assumir o magistério. O contrário talvez tivesse encerrado minha carreira de professor precocemente. Ela não me contratou para o que eu pretendia, mas, lembro bem, o que ela me disse naquela ocasião, com sua voz serena e angelical: “você vai ficar na biblioteca por enquanto, preparando-se para na hora certa ser um bom professor”.

O trabalho de bibliotecário era a mais leve das funções do colégio. Passei lá o restante do ano, estudando e preparando-me para o magistério, o qual se tornou realidade logo depois, quando me tornei professor universitário.

Outra dádiva que dela recebi ocorreu em um dos momentos mais cruciantes da minha vida, quando enviuvei. E veio na forma de palavras sábias que serviram de bálsamo para a dor e ânimo para reconstruir a vida.

Tenho diversos outros motivos para devotar-lhe reconhecimento, admiração e gratidão, a exemplo do dia em que, depois de ouvir pacientemente minhas reclamações a respeito dos dissabores de um cargo de confiança que exercia, ouvi dela palavras que faltavam para que tomasse a crucial decisão de não mais assumir tais funções: “tem cargos que são verdadeiras cargas”.

Hoje madre Feitosa transcendeu, depois de uma longa, profícua e bondosa existência, deixando a humanidade órfã de suas caridades, do seu amor e da sua dedicação incondicional ao próximo. Entretanto, o sentimento que se percebe nos depoimentos e tributos que se multiplicam nos meios de comunicação, não é de tristeza, mas de júbilo, pela certeza de seu súbito regresso ao Supremo.

Que ela deixará uma lacuna difícil de preencher, não resta dúvida. Mas, essa existência material é transitória e o seu maior desafio é cumprir a missão tão simples e ao mesmo tempo tão complexa de fazer o bem, amando o próximo e contribuindo para tornar o fardo terreno mais leve.

Madre Feitosa, sempre terna e agora eterna, dobrou esta meta.

A ignorância da maioria dos brasileiros sobre o tema "Monarquia" – por Armando Lopes Rafael


Imperador Dom Pedro I
Fundador do Império do Brasil

   A imensa maioria dos brasileiros não sabe a diferença entre “forma” e “sistema” de governo. Não obstante, um plebiscito -- aqui realizado -- em 1993, quando a população brasileira deveria optar, conscientemente, (o que não aconteceu) por uma nova forma e novo sistema de governo para o Brasil. Prevalece ainda -- após aquele plebiscito --  uma  crassa ignorância, por parte da sociedade brasileira, no tocante a tão relevante matéria. Ignorância mais acentuada, notadamente,  nos ambientes das universidades públicas

     As formas de governo são duas: República e Monarquia.  Essas formas abrigam, quando se trata da República,  dos   dois sistemas: Presidencialismo e Parlamentarismo. Segundo a Doutrina Social da Igreja Católica, ambas as formas são legítimas, desde que atendam ao bem comum. (Será que a atual República vem atendendo ao bem comum da população brasileira?)

     Ao longo da sua existência, o Brasil já foi governado sob as duas formas e os dois sistemas acima citados. Nossa Pátria viveu sob a forma monárquica de governo, desde o seu descobrimento, ou seja, de 1500, até 1889.  O Brasil foi monarquia, durante 389 anos, os quais – na feliz expressão do Prof. Denizard Macedo – vivenciaram “... todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo”.
      
       Após a nossa independência de Portugal, o Brasil continuou sob a forma de governo   monárquico-parlamentarista. E sob ela funcionou (e funcionou muito bem) durante 67 anos, de 1822 a 1889. Somente em 15 de novembro de 1889, foi implantada – por meio de um golpe militar, sem consulta ao povo e sem apoio popular – a atual república presidencialista, ora vigente. Deu no que deu.  


A monarquia brasileira foi o período áureo da nossa história

      O atual Chefe da Casa Imperial Brasileira, Príncipe Dom Luiz de Orleans de Bragança, sintetizou – em 1989 – muito bem o que foi o vasto e grandioso Império do Brasil. Disse ele. “Cem anos já se passaram, e os contrastes entre o Brasil atual e o Brasil Império só têm crescido. No tempo do Império, havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população; havia credibilidade do País no exterior; havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia”. 

   O Império Brasileiro era tão democrático, estável e respeitoso para com os seus cidadãos que o então presidente da Venezuela,  Rojas Paul, ao saber do golpe militar de 15 de novembro de 1889, no Brasil, declarou: “Foi-se a única República (“Res publica” , ou seja “coisa pública”) que funcionava no Hemisfério Sul.”

   Nos reinados de Dom Pedro I e de Dom Pedro II, o Brasil passou por um grande surto de progresso. No tempo do Império, o Brasil tinha uma moeda estável e forte (o “Real”) que correspondia a 0,9 (nove décimos) de grama de ouro, e era equivalente ao dólar e à libra esterlina. No período monárquico, o nosso Parlamento era comparado com o da Inglaterra. E a diplomacia brasileira era uma das mais importantes do mundo de então. Diversas vezes, o Imperador Dom Pedro II foi chamado para ser o árbitro de questões envolvendo a Itália, França e Alemanha.      Sob a monarquia, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo. E foi o primeiro país do continente americano a implantar a novidade dos Correios e Telégrafos.

   Tivemos, sob a monarquia, uma inflação média anual de apenas 1,58%. A título de ilustração, transcrevemos o que publicou o jornal “O Globo”, edição  de 14.11.2011 (sob a manchete: “O país que domou a inflação de 13,3 trilhões por cento”): “13 trilhões e 342 bilhões por cento (13.342.346.717.617,70%) foi a inflação acumulada, pela República Brasileira, nos 15 anos que antecederam o Plano Real, em 1994” (grifo nosso).

    Em 130 anos, sob a nova forma de governo de  República, o Brasil já teve 9 moedas, algumas que não duraram nem 1 ano de existência. Fato inédito na história dos povos. Aliás, numa dessas mudanças, o “Real” voltou a ser o nome de nossa moeda, a partir de  1994...

Bandeira Imperial Brasileira, criada por Dom Pedro I.
O verde representa a  cor da Casa dos Bragança, de Dom Pedro I,
O amarelo representa a cor da Casa dos Habsburgo,
 de onde procedia a Imperatriz Leopoldina.