14 dezembro 2019

O Natal se aproxima... – por José Luís Lira (*)




   As cidades se iluminam mais. Nos shoppings e outros espaços públicos vemos decorações natalinas. Existe incentivo ao consumismo e a mente, inquieta, insiste em voltar 2019 anos. Maria e José já haviam deixado sua Nazaré, na Galileia, para realizarem o recenseamento, conforme edito de César Augusto. José, o carpinteiro (diga-se de passagem que a carpinteira tinha destaque naquela época), era nascido em Belém, a cidade de David, na Judeia, e para lá deslocar-se-ia com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ainda hoje não é uma pequena distância. Imaginemos naquela época. Penso que a esta altura, dez dias praticamente do nascimento de Jesus, José, seu pai amoroso, e Maria, sua mãe, já estavam a caminho… e, diríamos, do caminho que trouxe a redenção, a salvação à humanidade.

   A história do Filho de Deus é inspiradora. Digo isso sem ameaças de cair em lugar comum. Vejamos: a concepção. Um anjo veio à terra e foi ao encontro de uma virgem, hoje sabemos, concebida sem a mácula do pecado, pois, Deus “jamais entrará numa alma de má fé e jamais habitará num corpo sujeito ao pecado” (Sb. 1,4). Maria estava noiva e “não conhecia” homem algum. Mas, o Espírito Santo de Deus viria sobre ela e quem n’ela fora gerado é o Filho de Deus. Maria aceitou a vontade de Deus. Anunciou o Anjo que a prima de Maria, Isabel, estava grávida. Então, sem nada contar a José sobre os acontecimentos, Maria vai ajudar à prima. Isabel exulta em ver a prima, exclamando: “Donde me vem a honra de receber a Mãe de meu Salvador”.

   Após o nascimento do filho de Isabel e Zacarias, Maria volta à Nazaré. Àquela altura, a barriga já era evidente e ela ainda não casara com José. Ele, um homem justo, decide abandonar Maria para que ela não fosse apedrejada, conforme as leis da época. Mas, o anjo aparece em sonho a José e revela o que estava a acontecer e diz mais, ele, José, daria o nome ao Filho de Deus, Jesus, e seria seu guardião. É ou não é uma superação, como dizemos hoje? Inspira-nos e faz-nos lembrar a pequenez das dificuldades cotidianas ante essa realidade.

    Mas, recordando a ideia principal, Maria e José se encaminhavam a Belém. José não tinha mais parentes na cidade, Maria também não. Mas, mostrando que Deus tudo planeja e “há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ecl. 3,1), o recenseamento foi um modo de Deus determinar que seu Filho humanizado nascesse na Cidade de David, Belém, a “Casa do Pão”. Jesus se tornaria, depois, o Pão Eucarístico. E nós veremos nos dias seguintes. Eles chegarão a Belém e lá não encontrarão hospedagem. É tarde. Maria sente que o nascimento de Jesus se aproxima. Hora ímpar em que Deus se faz homem e diríamos que o céu se encontra ou se faz terra. Os animais são os anfitriões. O berço do Filho de Deus será uma manjedoura, cocho de comida dos animais...

    Será que não encontramos outras famílias nessas condições, guardadas as proporções? Onde está o aniversariante? Jesus – Luz da Luz, é a luz principal da decoração natalina? Será que a figura do papai Noel – da tradição de um bispo católico dos primeiros séculos –, não toma o lugar do aniversariante? Será que o consumismo não ocupa o espaço da solidariedade?
Reflitamos e não hesitemos em colocar o verdadeiro aniversariante, Jesus, no centro do Natal!

  (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Pisando o solo sagrado de Genazzano –– por Armando Lopes Rafael


Pequeno quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano

  Até parecia um sonho para mim!
  No dia 6 de dezembro de 2019, primeira sexta-feira deste mês, chegávamos à cidadezinha de Genazzano, situada na região do Lácio, próxima a Roma. Vínhamos em peregrinação ao Santuário-Basílica de Nossa Senhora do Bom Conselho. Na véspera da viagem, encontrei-me com Dom Fernando Panico, Bispo-emérito de Crato  – na Basílica Maior de Santa Maria Maggiore – e ele prometeu que às 9:00h do dia seguinte passaria com um táxi, a fim de levar-nos – eu e minha esposa Yêda – a Genazzano. Pontualmente, Dom Fernando chegou ao Hotel Windrose, localizado na Via Gaeta nº 39, próximo à Piazza Della Republica, em Roma.

Um resumo da história da Mãe do Bom Conselho

     Quando, em 1467 – após 23 anos de tentativas – os muçulmanos turcos conseguiram dominar a Albânia, ocorreu naquela pequena nação um fato miraculoso. Para evitar que fosse profanado, pelos infiéis islâmicos, a Divina Misericórdia interveio num afresco da Santíssima Virgem, existente numa parede de uma igreja católica, na cidade de Scútari. O pequeno reboco se desprendeu. Alçou um suave voo dentro do templo e elevou-se, ainda mais, quando chegou na parte externa da igreja. Dois soldados albaneses (chamados Georgis e De Sclavis), que se encontravam ajoelhados em oração naquele momento, levantaram-se e seguiram a imagem.

    Chegada do santo afresco a Genezzano, em 25 de abril de 1467. (Pintura existente na igreja de Genazzano)

Esta imagem, conduzida por anjos celestes, atravessou a parte mais estreita do Mar Adriático, e, sempre envolta em luminosa nuvem, chegou a Itália. Na tarde de 25 de abril o milagroso afresco pousou suavemente numa igreja inacabada, na cidadezinha medieval de Genazzano.

    
    Envolta numa névoa de mistério sobre sua origem, essa pintura, feita sobre fina camada de reboco, mede apenas 31 cm de largura por 42,5 cm de altura. Ninguém sabe quem a pintou. E a notícia desse extraordinário fato, ocorrido em Genazzano, logo se espalhou por toda a Itália.

     Desde então, há mais de sete séculos, o afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano se encontra numa capela da igreja-matriz daquela cidade, espargindo bênçãos e realizando milagres incontáveis. Comprovamos o que sempre nos diziam: a pintura parece ter sido feita há poucos dias. E, no entanto, há 552 anos ela se encontra na igreja de Genazzano. Sem falar no tempo que esteve na cidade de Scútari, na Albânia. Hoje, são incontáveis os devotos da Mãe do Bom Conselho de Genazzano em todos os países do mundo.

      Para aumentar as bênçãos advindas dessa nossa peregrinação, Dom Fernando Panico celebrou uma Santa Missa, no altar da capela da Mãe do Bom Conselho. Celebrando em italiano, ele fez um pequeno sermão – em português – para nós. Na sua fala, Dom Fernando ressaltou que diante do santo afresco, os pedidos feitos a Mater Boni Consilii nunca deixam de ser atendidos. Ou seja, nas nossas dúvidas, provações, sofrimentos e perplexidades, Maria Santíssima nos traz ao fundo da nossa alma, de alguma forma, os bons conselhos e as misericordiosas consolações que necessitamos. Eu sou testemunha de que isso é verdade.