05 outubro 2019

A crônica do sábado -- por Armando Lopes Rafael

A melhor notícia do ano: Vaticano autoriza beatificação de Benigna

“O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!”
Palavras de São João Paulo II, quando de sua visita ao Brasil em 1991


Essas palavras ainda ecoam forte, a nos ensinar que santidade não é algo distante, ou uma coisa estranha a nossa realidade. E elas foram bem presentes nesta amada Diocese de Crato, na última quinta-feira, 3 de outubro. No meio de tantas notícias ruins, trazidas  ao Brasil neste 2019 (Tragédia de Brumadinho, a consolidação da falta de credibilidade, junto à população, das nossas   instituições , com destaque para a Câmara de Deputados, Senado da República, Supremo Tribunal Federal–STF e outras igualmente desgastadas, a exemplo da mídia brasileira, a mais sórdida do mundo)   eis que o Vaticano anuncia a aprovação da Beatificação da primeira santa cearense: Benigna Cardoso da Silva.
    
         Quem foi Benigna? Uma menina de apenas 13 anos de idade, residente na paupérrima zona rural de Santana do Cariri, barbaramente assassinada em 1941, ao defender-se de uma tentativa de estupro, preservando a sua castidade e os princípios cristãos que norteavam a sua breve e santa vida. Desde então, Benigna tornou-se alvo de devoção por parte a população de Santana do Cariri, que a tinha como uma santa.

         Em 2001, a Diocese de Crato recebeu o seu 5º Bispo: Dom Fernando Panico, um missionário italiano, que ficou impressionado e sensibilizado com duas grandes devoções populares existentes na sua nova diocese: a do Padre Cícero e a da menina Benigna. Incompreendido e injustiçado muitas vezes, dentro do próprio clero, partiu de Dom Fernando Panico – hoje Bispo-Emérito de Crato – a abertura de dois processos relacionados à essas devoções populares: a Beatificação de Benigna e a Reconciliação da Igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Dom Fernando foi vitorioso em ambos os pleitos.

           Em audiência, no último dia 2 de outubro, o Papa Francisco, assinou o decreto reconhecendo o martírio da menina Benigna, que será beatificada em 2020, em grande solenidade a ocorrer na Catedral de Crato em data ainda a ser marcada. Para mim, essa notícia representou uma pausa – um oásis no árido deserto que estamos a atravessar –  em meio à confusão que varre o nosso confuso e caótico  país, onde membros da Suprema Corte e veículos da mídia, utilizam até gravações ilegais e criminosas para enganar   nossa população, promovendo a inversão de valores, com o objetivo de libertar  criminosos presos e castigar as pessoas honestas que levaram esses meliantes à prisão...

A Bem Aventurada Benigna Cardoso da Silva, nascida na Diocese de Crato


Revista VEJA: Papa reconhece martírio da jovem brasileira Benigna, que será beata


Menina brasileira foi brutalmente assassinada aos 13 anos em 1941 em Santana do Cariri, no Ceará

Papa Francisco: declaração do martírio é decisiva para a beatificação (Yara Nardi/Reuters)
 

O papa Francisco assinou um decreto que reconhece o martírio da menina brasileira Benigna Cardoso da Silva, que foi brutalmente assassinada aos 13 anos, em 1941, por um jovem da mesma idade que a assediava.

A assinatura do pontífice foi realizada em uma audiência nesta quarta-feira 2. Entre os vários decretos aprovados está o que reconhece o martírio da brasileira natural de Santana do Cariri, no Ceará. A declaração do martírio é decisiva para a beatificação, já que assim não é necessário reconhecer um milagre.

Embora ainda não seja beata, Benigna é muito venerada na cidade natal como um mártir da pureza e da castidade. No local da morte da jovem foi erguido um monumento com uma cruz, além de uma lápide e um memorial que conserva alguns de seus objetos pessoais.

Segundo a diocese do Crato, no Ceará, Benigna começou a ser assediada por um menino aos 12 anos. No dia 24 de outubro de 1941, sabendo que ela buscaria água em um poço perto de casa, o jovem de decidiu esperá-la escondido. Ao tentar agarrá-la à força, ele a assassinou com um facão após uma tentativa de defesa de Benigna.

De acordo com o portal oficial de notícias do Vaticano em português, o Vatican News, o pároco Pe. Cristiano Coelho Rodrigues foi o mentor espiritual da jovem. Após sua morte, ele escreveu a seguinte nota ao lado do registro de batismo de Benigna: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.

(Com EFE)

Benigna Cardoso, a primeira Beata cearense – por José Luís Lira (*)


     Sinceramente, passei a semana buscando tema para esta coluna. A santidade, quem me lê sabe, é tema predileto meu. Embora, reiterando, convicto das ações que me afastam de tornar-me santo, vejo a beleza e maravilha da santidade. Hagiólogo, tendo fundado a Academia Brasileira de Hagiologia, enxergo na santidade a mais perfeita harmonia com Deus. Ser santo é cumprir mandamento bíblico: “Sede santos, porque Eu, Javé, vosso Deus, o Senhor, sou santo” (Lv 19,2). Deus separou seus santos para serem não apenas advogados nossos, mas, modelos.

      Pensava em outro tema, mas, a santidade, tão importante, reaparece. E neste momento, nossa Diocese de Sobral caminha para ter mais uma causa em andamento em seu território, a de Mons. Waldir Lopes de Castro, pároco do Marco, pois, eis que nosso Bispo, Dom Vasconcelos, requereu à Santa Sé o Nada Obsta para iniciar a Causa que será postulada pelo Dr. Paolo Vilotta.

      Na iminência de vermos tremular num dos pórticos da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a tapeçaria clássica com a foto de Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, da Bahia, do Brasil e daquela data em diante, do mundo, no dia em que se celebra a memória dos Protomártires do Brasil ou Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes, Mateus Moreira e 27 leigos, o Brasil acordou com a notícia de que ganhará mais uma Beata Católica. Desta vez é a primeira cearense, Benigna Cardoso, de Santana do Cariri, da Diocese do Padre Cícero.

      A alegria nos invadiu. A quem se dedica a estes temas, pode assimilar a emoção dos que trabalham com a causa. Seria festa grande e intensa fosse nosso amado Pe. Cícero. Não será ele o primeiro a ser reconhecido beato, mas, é uma filha de sua região. Benigna Cardoso da Silva sofreu o martírio no dia 24 de outubro de 1941. Relaciono pequeno resumo biográfico dela no meu livro “A Caminho da Santidade”, Uberlândia (MG), Editora A Partilha, 2012, páginas 98/99:

      Nasceu em Santana do Cariri, no dia 15 de outubro de 1928. Sua história impressiona por sua pureza e sua devoção a Deus. Ficou órfã de pai e de mãe muito cedo, sendo adotada com os irmãos mais velhos por uma família da região. Extremamente religiosa, não perdia as missas. Aos 12 anos, começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves. Foram muitas investidas e todas sem sucesso. Pouco depois de completar 13 anos, Raul aproveitou o momento em que a menina foi buscar água próximo de casa, para tentar violentá-la sexualmente. Como a adolescente se recusou a ceder, acabou brutalmente assassinada. Era sexta-feira, 24 de outubro de 1941. O assassino foi preso e, 50 anos depois, voltou ao local do crime, arrependido, para pedir perdão à menina Benigna.
Último dia 3, data cheia de simbologia, Sua Santidade o Papa Francisco recebeu o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, e autorizou a Sacra Congregação a promulgar Decretos de reconhecimentos de milagres, martírios e virtudes, entre estes o do martírio de Benigna, proclamado nos dias que antecedem sua romaria.

       Deus seja Louvado!

       Que a futura Beata Benigna abra caminho a outros cearenses e temos na fila os sobralenses Pe. Ibiapina, Dom Expedito, Mons. Arnóbio e, em breve, com a graça divina, Mons. Waldir!
   

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.