03 outubro 2019

Amanhã a esta hora - Por: Emerson Monteiro


Lá, bem ali, já nada mais de hoje haverá para sempre. Tão só o senso da memória fala nos sinais adormecidos de antigas refeições. Doces amargos que descem vida afora nesse mar de poesia que se dissolve no andar superior. E nós aqui na busca da lógica universal das criaturas.

Esses mesmos senhores de si haverão de conduzir o absurdo das horas vividas além da própria vida. Olhos postos entre o antes e depois, quedam os dentes diante das pedras do caminho. E veem que nem de qual maneira existirão daqui a pouco no correr dos ventos. Enquanto os sentimentos dormiam no seio das almas, elas iam sem saber aonde chegar, porém teriam de tocar em frente luz o que alimenta essa história inacabada.

Elas, as palavras, no entanto precisavam possuir a força de permanecer superpostas nas trilhas do horizonte, finalidade de tudo e ausência de quase nada. As palavras, que gritavam na alma da gente e pediam passagem no claro das manhãs. Pássaros soltos no imenso coração das multidões, avançavam no silêncio feitas feras ansiosas de sobreviver ao desaparecimento constante das manifestações dos elementos.

Os muros, pois, persistem a determinar limites às individualidades. Querer ser livres todos querem, contudo apenas isso de não fazer o mínimo esforço de conhecer o existir logo ali por detrás das conveniências. Nisso morar nas profecias aguardadas que voam no ar dentro do mar das tradições.

Quais chamas de fogo nas dores deste mundo, os pares evoluem nos céus e revelam em si a força da criação de novas ocasiões que desvendaram do sonho das hecatombes e nunca transformaram a esperança em fé, sustentaram de amor o desejo. Os deuses de cada um por isso trazem guardados segredos de poder só pouco a pouco nascendo no íntimo de tais seres humanos.