28 setembro 2019

Crônica do sábado

Mais um livro sobre o Imperador Dom Pedro II – por Armando Lopes Rafael


“No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi
 ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar
 o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis
 injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”
Dom Pedro II, 1888.


     O renomado escritor-historiador Paulo Rezzutti lançou, dias atrás, seu último livro: “D. Pedro II– A história não contada”, 543 páginas, uma das melhores biografias já escritas sobre o magnânimo imperador brasileiro. O autor deu, assim, continuidade à trilogia já publicada, de sua autoria, sobre as biografias de Dom Pedro I, da Imperatriz Leopoldina e da Marquesa de Santos.

    
         Lançado pela Editora Casa da Palavra–LeYa, o livro tem excelente impressão gráfica, além de um rico acervo de fotografias, valorizando ainda mais o rico conteúdo da obra. Rezzutti demonstra a sobeja força do segundo imperador brasileiro, realçando suas qualidades como homem público, comprometido com o desenvolvimento do país e, acima de tudo, com a educação.

     Na verdade, durante 49 anos como imperador, Dom Pedro II ajudou a transformar o Brasil num país desenvolvido, com destaque nas áreas da cultura e educação. Ressalte-se o compromisso do nosso segundo imperador com a honestidade, dando inúmeras provas de lisura, transparência e cuidado com o trato das coisas públicas.

         Consta no comentário sobre este livro: “Paulo Rezzutti lança mão de cartas e documentos inéditos para revelar a história não contada do último imperador do Brasil. Do príncipe que se tornou regente ainda menino ao monarca e que morreu no exílio. A obra preenche muitas lacunas com uma extensa pesquisa em documentos, cartas e diários para iluminar a vida um homem que esbanjava cultura e cuja intimidade era bem mais intensa do que as barbas brancas em seus retratos mais famosos podem fazer supor”.

          O livro é, enfim, um compêndio, o qual, ao lê-lo, nos transportamos para o período mais glorioso da história do Brasil, ou seja, o século XIX, quando a população respeitava seus imperadores, homens sérios, probos, cultos e, acima de tudo, comprometidos com o progresso e grandeza da nossa pátria. Vale a pena adquirir esta obra.

 

Virgílio Távora, cem anos! – por José Luís Lira (*)

    Neste domingo, 29, celebraria cem anos o político brasileiro, Virgílio Távora. Militar por formação, Virgílio de Morais Fernandes Távora, chegou ao posto de Coronel no Exército Brasileiro e ingressou na política, sendo eleito deputado federal em 1950 e 1954. Foi Ministro dos Transportes, no gabinete parlamentarista de Tancredo Neves e deixou o cargo para disputar o governo do Ceará. Em sua gestão criou a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em 9 de agosto de 1966. Virgílio era governador quando do movimento militar de 1964.

    Dedicou-se à política e nela fez muito pelo Ceará e pelo Brasil, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, no Governo do Ceará, enfim, gerando uma legião de eleitores e admiradores. Eu, pessoalmente, não conheci o Senador Virgílio Távora. Dona Luiza, vi uma vez. Mas, sempre ouvi falar deles em variados meios e, também, por meio de Matusahila Santiago que admira muito o casal, em especial, Dona Luiza Távora. Outro dia tive a honra de receber a herdeira do casal do Távora, Tereza Távora, no Museu Diocesano Dom José, o qual tenho a honra de dirigir.

     Há algumas semanas, recebi o livro “Virgílio Távora, o Estadista Cearense”, do sobralense César Barreto Lima, em có-autoria com Saulo Barreto Lima. Houve lançamento em Fortaleza, Sobral e Viçosa do Ceará. A obra foi muito bem recebida pela crítica especializada e desde o trabalho do meu confrade na Academia Fortalezense de Letras, convidado por mim para integrar aquela Academia, Marcelo Linhares, não tínhamos visto trabalho tão completo quanto este sobre Virgílio Távora.

      Na nota introdutória, Cesar Barreto nos diz que procurou “mostrar outro Virgílio Távora, o lado escondido do ser humano maravilhoso, do pai amoroso e do marido sem igual”. No prefácio do eterno Senador Mauro Benevides, vi, com surpresa de quem não viveu aquele tempo, a convivência e amizade declarada dos dois homens públicos. Diz o Acadêmico Mauro Benevides: “Com ele convivi de perto, sobretudo pela minha condição de Presidente da Assembleia Legislativa, em momentos de dificuldades institucionais...”

     Dr. Mauro confessa, sobre o período de instabilidade política vivido naquele 1964, quando conspirou-se a deposição de Virgílio Távora do governo do Ceará: “Não concordei com a tentadora e inusitada proposta de assumir o Governo do Estado como fui firme na minha argumentação fitando no fundo dos olhos dos conspiradores: - O Governador Virgílio Távora, além de ser um governante sério, é sobrinho do Marechal Juarez F. Távora, herói do Exército Brasileiro”.

     A primeira parte do livro se dedica a um esboço histórico do biografado, iniciando por estudos desde Portugal, passando pela saga familiar dos Távoras, o surgimento do estadista, o casamento e o Ceará, paixão do biografado. Acrescem-se notas e vem um capítulo de muito afeto e de revelações que só quem com Virgílio conviveu pode fazer. São os depoimentos, trinta no total, iniciado por sua filha, Tereza Távora, uma lady, na acepção da palavra; Ubiratan Aguiar; Lúcio Alcântara, Mônica Arruda; Gonzaga Mota; Eudoro Santana, para citar alguns.
 
     Concluindo com rica iconografia e referências que credenciam a obra como uma das melhores sobre o estadista Cearense, Virgílio Távora. Parabéns aos seus autores!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.