29 agosto 2019

A origem da devoção à Nossa Senhora da Penha na cidade de Crato - por Armando Lopes Rafael (1ª Parte)


No próximo domingo, 1º de setembro de 2019, a população cratense festejará sua Imperatriz e Padroeira
    
    A devoção à Santíssima Virgem Maria, na cidade de Crato, aqui venerada sob o título de Nossa Senhora da Penha, remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A missão foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas, espalhadas, no século XVIII,  ao Norte da Chapada do Araripe. A notícia mais antiga, até agora conhecida, sobre as atividades pastorais de Frei Carlos Maria de Ferrara, em Crato, tem a data 30 de julho de 1741. 

           Em 1762, o 8º Bispo de Olinda, Dom Francisco Xavier Aranha, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, que só foi instalada em 1768. A partir daí teve início os novenários anuais em louvor s Padroeira de Crato. No entanto a primeira notícia que temos das festas de Nossa Senhora da Penha, na Vila Real do Crato, foi-nos transmitida por Os festejos dedicados a Nossa Senhora da Penha – Imperatriz e Padroeira de Crato – são realizados há 251 anos. E se constituem na mais tradicional e longeva manifestação religiosa popular feita nesta cidade.

    A mais antiga referência a esta festa data de 1838, e foi feita por George Gardner, naturalista, botânico memorialista, intelectual, pesquisador, escritor, ensaísta e cientista escocês, que esteve em Crato em 1838. Autor do livro “Viagem ao Interior do Brasil”, publicado em Londres em 1846 (e somente traduzido para o português e editado no Brasil quase cem anos depois) George Gardner descreveu – no livro citado – a festa da Padroeira de Crato, da qual destacamos o seguinte trecho:

“Durante minha estadia em Crato foi celebrada a festa de N. Senhora da Conceição, (Gardner equivocou-se quanto à invocação da Virgem Maria patrona da Cidade de Frei Carlos, pois o certo é Nossa Senhora da Penha) precedida de nove dias de divertimentos, cujas despesas correm por conta de pessoas designadas para conduzi-los; enquanto durou a novena, como é chamada, os poucos soldados que havia na vila não cessaram quase, dia e noite, de dar tiros e as procissões, iluminações, girândolas de foguetes e salvas, com um pequeno canhão em frente da igreja, trouxeram ao lugar um constante alvoroço”.

(Pesquisa e postagem de Armando Lopes Rafael)

A história da devoção à Nossa Senhora da Penha na cidade de Crato - por Armando Lopes Rafael (2ª Parte)


Catedral de Nossa Senhora da Penha no início do século XX

 Hinos da Padroeira de Crato

   
Ao longo de mais de 250 da devoção à Padroeira de Crato, dois hinos foram cantados, nas festas de Nossa Senhora da Penha. O mais antigo (ou o primeiro hino) foi conhecido por “Penha Sublimada”. Não conseguimos descobrir as origens dessa composição. Supõe-se que no paroquiado do Padre Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva (entre 1900-1915) o “Penha Sublimada” era cantado pelo coro da então Matriz de Crato. Instalada a diocese, em 1916, Padre Quintino foi nomeado o primeiro bispo de Crato. E os párocos que lhe sucederam continuaram usando, durante alguns anos, essa música sacra, lenta e cadenciada.

       Não se sabe quando, esse hino caiu em desuso. Recentemente a maestrina Divani Cabral, conseguiu resgatar – das brumas da memória cratense – a letra e música dessa canção religiosa. Divani Cabral gravou um CD e, nos dias atuais, voltou-se a ouvir, durante o novenário, o hino “Penha Sublimada”, cuja letra publicamos abaixo:




"Bendita sejais,
 Penha sublimada, (bis)
De nós pecadores, (bis)
Mãe Advogada
Pedra preciosas,
rico diamante,
Nos Céus e na terra, (bis)
Imperatriz Constante!

Puríssima Virgem,
Mãe Imaculada, (bis)
Rainha dos Anjos,
De estrelas coroadas! (bis)

Sois Mãe criadora
E compadecida, (bis)
Nossa protetora
Na eterna vida, (bis)

Assim, vos pedimos
Como sumo bem, (bis)
Que nos dê a glória
Para sempre, Amém (bis)"

O atual hino de Nossa Senhora da Penha

   Do hino atual, conhecido e cantado por toda a população católica cratense, sabe-se que a letra foi encontrada, por Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo, ao tempo que era Cura da Catedral de Nossa Senhora da Penha. Vendo a beleza da letra, Mons. Bosco Esmeraldo pediu ao Maestro Azul – regente da Banda de Música Municipal de Crato – para musicá-la. O trabalho do Maestro Azul ficou perfeito. Abaixo a letra, cantada, nos últimos vinte e cinco pelos milhares de católicos cratenses. A mesma música e letra foram adotadas também em Campos Sales (CE) e Serra Talhada (PE) cidades onde Nossa Senhora também é padroeira. Abaixo a letra:

“Salve, ó Virgem de céu pura rosa,
Casto lírio de níveo candor;
Dos mortais és a Mãe carinhosa,
Nosso encanto, doçura e amor! 

Mãe da Penha, esses teus olhos
A nós volve, teus devotos;
Somos filhos, os nossos rogos
Ouve, Mãe do Redentor (bis). 

Com a alma confiante, Senhora
ao calor maternal de Seu manto;
Nós viemos pedir, nesta hora,
Teu carinho, e sentir teu encanto! 

Ó Rainha, Senhora da Penha,
Ao aflito, oh! volve um olhar;
O doente o conforto aqui tenha
Tua bênção acompanhe-o ao lar!”
(Pesquisa e postagem de Armando Lopes Rafael)