11 julho 2019

Caririensidade


Cariri perde Daniel Walker
   

     Faleceu nesta quinta-feira, 11 de julho, Daniel Walker de Almeida Marques. Nascido em Juazeiro do Norte, em 6 de setembro de 1947, Daniel Walker era o terceiro dos cinco filhos do ourives José Marques da Silva (Zeca Marques) com a professora Maria Almeida Marques, ambos juazeirenses. Daniel Walker foi casado com a Professora Tereza Neuma de Macedo e Silva Marques, com que teve dois filhos.
  
    Daniel Walker foi professor, escritor, historiador, radialista, memorialista e jornalista, sendo conhecido como “O guardião da memória do Padre Cícero e do Juazeiro”. Obteve graduação em Biologia, pela Faculdade de Filosofia do Crato em 1974. Tinha três pós-graduação: Especialista em Ciências (pela UFC); Sexologia e História do Brasil (pela Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro). Em 1982 ingressou no quadro de professores da Faculdade de Filosofia do Crato, depois transformada na Universidade Regional do Cariri–URCA. Foi um dos fundadores do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais–IPESC, instituição daquela universidade.

     Entre livros, opúsculos e trabalhos (científicos e da História Regional) Daniel Walker escreveu e publicou cerca de 50 títulos. Foi presidente do Instituto Cultural do Vale Caririense–ICVC. Depois de sua família, Juazeiro do Norte  foi o segundo amor de sua vida. Juazeiro ficou órfão com a morte de Daniel Walker. Dificilmente surgirá outra pessoa, com as mesmas qualidades e talento de Daniel Walker, para divulgar – com amor e ufanismo – as cousas de Juazeiro do Norte.  

   O Polo cultural do Cariri na visão de Alemberg Quindins

 Alemberg Quindins, pintor, escritor, músico, socio educador, arqueólogo e criador da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri. Foto de João Paulo Marôpo

   Em declaração feita recentemente ao jornal “Diário do Nordeste”, Alemberg Quindins definiu, com maestria, a importância do Polo Cultural do Cariri. A conferir.

   “O Cariri não é um dos grandes polos culturais do Ceará. É “o” grande. Vou explicar porquê: primeiramente, porque não se trata da região Cariri, e, sim, o território da Chapada do Araripe. É uma confluência de quatro Estados: Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Um resumo do Nordeste. A Chapada do Araripe tem uma influência nesse território desde o período cretáceo. Em torno dela, de um lado você tem Luiz Gonzaga, a Pedra do Reino, de Ariano Suassuna e a Missa do Vaqueiro, por exemplo; de outro, do lado de cá, temos Padre Cícero, Patativa do Assaré, Espedito Seleiro, toda uma cultura.

     “A Chapada é um platô central. Aqui, era o único lugar onde Lampião se ajoelhava e deixava as armas na porta. Território sagrado. Portanto, o Cariri é um oásis em pleno sertão. É o solo cultural do Ceará por conta de toda essa força que vem da geologia, da paleontologia, da cultura. É onde você entende a importância do contexto da Chapada do Araripe para o mundo. Nosso manancial é esse: a cultura. A maioria dos mestres da cultura popular estão aqui. E, da forma como acontece em solo caririense, essa reunião de tanta coisa, não vamos encontrar em nenhum outro lugar do Estado”.

Juazeiro do Norte: Agência do Banco do Nordeste poderá ser transferida para o bairro Triângulo Crajubar


Bairro Triângulo Crajubar - Juazeiro do Norte

    Impressiona o crescimento urbano de Juazeiro do Norte. O centro daquela cidade está estrangulado com o trânsito de veículos e motos. Sem falar na ausência de espaço para estacionamento de carros e na poluição sonora. Isso está levando algumas empresas a buscar relocalizar seus prédios em locais mais afastados do centro. Consta que o Banco do Nordeste também pensa em transferir sua Agência (um prédio de oito andares localizado na esquina da Rua São Pedro com Rua São Francisco) para o bairro Triângulo Crajubar (onde já se instalou a agência do Banco Santander).

90 anos da morte de Dom Quintino

    Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva tornou-se o homem mais importante do Cariri – entre 1916 e 1929– quando cumpriu sua missão como primeiro Bispo de Crato. Não só pela força e influência da Igreja Católica, àquela época, nas regiões centro-sul do Ceará. Mais do que isso: Dom Quintino tinha sob seu comando a mídia (a Diocese do Crato publicava o mais influente jornal do Cariri,) e dispunha dos três mais importantes educandários formadores dos jovens que residiam em vasta região do centro nordestino. 
   
    Sem contar que o primeiro Bispo de Crato fundou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará – o Banco do Cariri – financiadora do comércio e da lavoura da região. Dom Quintino foi o primeiro presidente daquela instituição financeira.

   O próximo dia 28 de dezembro de 2019 assinalará os 90 anos do falecimento de Dom Quintino. Ele foi o homem das grandes realizações que modificaram o cenário social-econômico-religioso do Cariri, no primeiro quartel do século passado. Em 1922, por exemplo, ele reabriu o Seminário São José de Crato destinado à formação do clero. Ao criar o Seminário Episcopal de Crato, Dom Quintino tornou-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará. 

     Naquele recuado ano o educandário da diocese cratense iniciou suas atividades como Seminário Menor e o Seminário Maior. Ou seja, com o curso preparatório e o Curso Teológico. Este último subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos e Curso de Teologia, em quatro anos, findos os quais o novo sacerdote recebia a licenciatura plena.      Ele plantou, assim, a semente que viria a germinar, cinco décadas depois, na Faculdade de Filosofia do Crato. Esta, por sua vez, foi o embrião da atual Universidade Regional do Cariri – URCA. 

     Quando ocorreu a morte de Dom Quintino, em 28 de dezembro de 1929, a Cúria Diocesana não dispunha de dinheiro suficiente para seu sepultamento. Um cidadão cratense, José Gonçalves, abriu uma subscrição e saiu a percorrer residências e estabelecimentos comerciais angariando doações para o funeral do grande bispo. Graças a essa iniciativa, foram realizadas as exéquias daquele bispo que pensou em todos, menos em si, pois não dispunha de pequena quantia para fazer face as suas necessidades materiais. Bons tempos aqueles!

Novo livro do Prof. José Newton Alves de Sousa

     Na próxima quarta-feira, 17 de julho, às 18:00h., na sede do Instituto Cultural do Cariri, será lançado o mais novo livro do prof. José Newton Alves de Sousa, que tem por título "Escritos reunidos ao entardecer - poesia, amor e fé". Escritor, poeta, autêntico leigo católico, José Newton é membro-fundador da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris e da Academia Bahiana de Educação, ambas com sede em Salvador (BA). 

Quem é quem

     José Newton Alves de Sousa nasceu em Crato, em 5 de junho de 1922, sendo o segundo dos sete filhos de Jorge Lucas de Sousa e Isabel Alves de Sousa (D. Sinhá). Ainda muito jovem, com apenas 19 anos, mudou-se para a Bahia com a intenção de ser médico. Necessitando trabalhar para se manter, começou a dar aulas de português e foi então que descobriu sua verdadeira vocação: ser professor! Formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia.  

     Adotou a Bahia como sua segunda terra natal. Ensinou em vários e renomados estabelecimentos de ensino. Já casado com Maria Ruth Barreto Alves de Sousa, fundou e dirigiu o Educandário Pio XII, contando com a parceria de sua esposa. Nesse período, chegaram os quatro primeiros filhos do casal: Ana Cecília, Roberto Jorge, Eugênio José e Luís Sávio. 

      Em 1960, retornou ao Ceará, convidado para dirigir a Faculdade de Filosofia do Crato, embrião da Universidade Regional do Cariri–URCA, da qual foi, também, fundador. Em Crato, com a esposa, fundou e dirigiu o Colégio São João Bosco. Nesta cidade nasceram mais cinco filhos: Maria Beatriz, Paulo de Tarso, Alberto Magno, José Newton Filho e Antônio Emanuel. Em 1971 retornou à Bahia, com toda a sua prole, atuando, até a aposentadoria, como professor na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Católica do Salvador.