14 junho 2019

Vazio absoluto - Por: Emerson Monteiro


Lá das origens quando nada existia, nem um nada que fosse, o princípio do princípio vagava pelas fimbrias na inexistência, e nisso apenas o Verbo que se faria carne e habitaria entre nós, feito nós, apenas isto caminhava no vácuo. O Nada, personagem invisível, inextinguível, trocava passos nas manhãs do Tempo. Desse absoluto inexistente daí nasceria o Um, o eu primeiro da existência, o ente por demais universal que logo coordenaria o Dois; do dois viriam as Mil existências espraiadas pelo mundo em volta.

Regressando, portanto, ao portal das virtudes, ali da extrema inexistência, era a pobreza no sentido puro, ausência do que quer que fosse, alguma consciência nenhuma da total desconexão com o que quer que existisse, vez deshaver, bem assim o lugar da paz na Verdade, pureza em estado puro. Conquanto voltasse ao nível dessa ausência de ausências, bem no foco radical das presenças ausentes, de tal modo haverá de ser quando persistir o momento do reencontro de si para consigo. Saudade de quê, hora quando nem palavras haveria? Só o senso do Nada, o amor em forma de luz da plena percepção de Si altivo e claro.

Num momento qual, antes, pois, até do Um, achar-se-á o movimento dos primeiros seres, ainda que depois do Dois que virá ao sol do primeiro dia. Naquela seara de nenhum rei, porém pouso de todas as origens, quaisquer sejam, abraçar-se-á o instante da desesperança em forma de totalidade e far-se-á a plena luz da primeira Consciência de volta ao Nada.

Há que rever os sentimentos e notar que única e exclusivamente por meio deles será possível compreender na latitude do nosso Coração ao impulso original, que dará presença aos menores fatores de viver o ritmo e o pulsar das estrelas entre as palmas dos Céus, e encontrar, por fim, o pomo da Felicidade, razão de Tudo, nascendo desse Vazio Absoluto que impera eternamente ao longo do deserto entre o Ser e o Querer, entre o Querer e o Ser, nas praias da Esperança.